Suponha que a presidente da República se aliasse à BBB - bancada da Bala, Bíblia e Boi. Haveria
barganha por votos, cargos, mas em nenhum momento a bancada ousaria falar em nome da
Presidente.
A diferença entre o presidencialismo de coalizão da Presidência e da Procuradoria Geral da
A diferença entre o presidencialismo de coalizão da Presidência e da Procuradoria Geral da
República, é que os BBBs do Ministério Público falam em nome do MPF.
Explico.
Pela Constituição, o Procurador Geral tem que ser escolhido entre os três mais votados pela
Explico.
Pela Constituição, o Procurador Geral tem que ser escolhido entre os três mais votados pela
categoria. A visão corporativa do PT fez com que, nos governos Lula e Dilma, o mais votado
automaticamente fosse o escolhido. Assim, o PGR passou a dever satisfações não ao Presidente da
República - assumindo parte das responsabilidade do Estado -, mas à sua própria corporação.
Mais que isso, deixou-se conduzir pela corporação. Para ganhar o voto do eleitor, o PGR tem que
fechar os olhos a todas as bobagens cometidas por qualquer tolo, no uso de suas atribuições
constitucionais.
Pouco importa se essas bobagens afetam a Ministério Público como um todo, e acabam tendo mais
Pouco importa se essas bobagens afetam a Ministério Público como um todo, e acabam tendo mais
peso na formação da imagem pública do MPF do que toda as lutas meritórias em defesa dos direitos
humanos, das minorias.
Tome o caso da Recomendação no. 75, de 4 de abril de 2016, três dias atrás, da Procuradoria da
Tome o caso da Recomendação no. 75, de 4 de abril de 2016, três dias atrás, da Procuradoria da
República em Goiás.
Primeiro, bate o pau na mesa, com a introdução lembrando a legitimidade da atuação do MPF,
Primeiro, bate o pau na mesa, com a introdução lembrando a legitimidade da atuação do MPF,
mencionando itens da Constituição elaborados sob a égide da redemocratização.
"O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, por intermédio dos Procuradores da República que esta
"O MINISTÉRIO PÚBLICO FEDERAL, por intermédio dos Procuradores da República que esta
subscrevem, no uso de suas atribuições constitucionais e legais, expede recomendação ao
UNIVERSIDADE FEDERAL DE GOIÁS, nos termos seguintes”.
Prossegue:
"Forte nisso, o Ministério Público Federal está, constitucional e legalmente, investido das atribuições
Prossegue:
"Forte nisso, o Ministério Público Federal está, constitucional e legalmente, investido das atribuições
para agir em prol dos interesses público e social postos neste instrumento, conforme se verá”.
Depois de mostrar quem manda, discorre sobre os “princípios da publicidade, legalidade,
Depois de mostrar quem manda, discorre sobre os “princípios da publicidade, legalidade,
impessoalidade, moralidade e eficiência”, que devem pautar o Estado em todas as suas atividades.
Em seguida fala da corrupção no país, dividindo as manifestações em dois grupos.
No grupo dos homens bons, os que protestam
“contra governos, políticos e partidos, especialmente a Presidente da República e seu grupo
Em seguida fala da corrupção no país, dividindo as manifestações em dois grupos.
No grupo dos homens bons, os que protestam
“contra governos, políticos e partidos, especialmente a Presidente da República e seu grupo
partidário, sendo certo que, após os escândalos de corrupção e de desvio de dinheiro público
praticados no âmbito da Petrobras, desnudados pela chamada “Operação Lava Jato”, essa onda de
protestos engrossou substancialmente, culminando com a deflagração de processo de impeachment,
ora em curso na Câmara dos Deputados, pelo qual se pretende a cassação do atual mandato
presidencial”.
No grupo dos homens maus,
"tem sido corriqueira a realização de eventos, protestos, manifestações etc., contra o impeachment da
No grupo dos homens maus,
"tem sido corriqueira a realização de eventos, protestos, manifestações etc., contra o impeachment da
Presidente da República, no âmbito de repartições públicas, inclusive, frise-se, no Palácio do
Planalto, o que, lamentavelmente, desvela o nefasto patrimonialismo que ainda vicia o Estado
brasileiro , ou seja, a coisa pública tratada como propriedade pessoal do governante, da sua família
ou do seu grupo partidário”.
E aí decide - do alto de seu imenso poder - recomendar a proibição de manifestações no campus da
Universidade.
A questão da liberdade de expressão é resolvida em uma penada só:
"Desta feita, no plano do direito brasileiro, a liberdade de expressão encontra limites, expressos e
A questão da liberdade de expressão é resolvida em uma penada só:
"Desta feita, no plano do direito brasileiro, a liberdade de expressão encontra limites, expressos e
implícitos, não sendo, pois, assim como qualquer direito, considerado valor absoluto, imune a
controle.
Vivemos, pois, num Estado Democrático de Direito, no qual o os vários direitos devem ser
Vivemos, pois, num Estado Democrático de Direito, no qual o os vários direitos devem ser
harmônicos entre si e em relação ao sistema jurídico. Nessa perspectiva, para que essa harmonia seja
assegurada, o direito fundamental à liberdade de expressão deve conformar-se a outras normas
jurídicas”.
O novo MPF
Assinam essa bobagem perigosa os procuradores Ailton Benedito de Souza e Cláudio Drewes José
O novo MPF
Assinam essa bobagem perigosa os procuradores Ailton Benedito de Souza e Cláudio Drewes José
de Siqueira.
Ailton é o procurador exibicionista que expôs o MPF ao ridículo internacional
(http://migre.me/tsoiM), ao agir contra decisão do governo venezuelano de convocar 26 jovens do
Brasil para compor uma tal Brigadas Populares de Comunicação. Emprenhou pelo ouvido denúncias
de sites de ultradireita, intimou o Itamaraty a agir. E o tal de Brasil é o nome de uma vila em
Caracas, Venezuela.
Cláudio Drewes José de Siqueira é o procurador que tentou proibir campanha publicitária sobre as
Olimpíadas, porque “a campanha se presta a desinformar os brasileiros sobre a "verdade" e estimular
no "inconsciente coletivo" um sentimento favorável à Olimpíada e à presidente Dilma Rousseff
(http://migre.me/tsoq4)".
Não adianta os procuradores sérios ressalvarem que são apenas dois tolos exibicionistas. O problema
Não adianta os procuradores sérios ressalvarem que são apenas dois tolos exibicionistas. O problema
não são eles, mas a incapacidade do Ministério Público de se defender dessas imensas tolices.
Cada vez mais o Ministério Público Federal vai perdendo a cara de Sepúlveda Pertence, Cláudio
Cada vez mais o Ministério Público Federal vai perdendo a cara de Sepúlveda Pertence, Cláudio
Fontelles, Eugênio Aragão, Ela Wiecko, Deborah Duprat, Aurélio Rios, dos Aras, dos bravos
procuradores que defendem direitos humanos, para ganhar as feições caricatas e perigosas dos
Aitons e Drewes.
Afinal, como é uma instituição democrática, cada voto é um voto.
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