terça-feira, 8 de março de 2016

ZÉ RUELA CARDOZO, UM HOMEM NEFASTO


Incompetência em defender o governo transforma-se em ataque "fogo amigo"

Por Andre Araujo

Sir Winston Churchill era um excepcional frasista, sabia compor numa frase a síntese de um assunto 
complexo.
Quando Josef Stalin fechou as fronteiras do bloco soviético na Europa do Leste, Churchill cunhou a 
frase, "de Stetin, no Báltico até o Mar Negro uma cortina de ferro se fecha sobre a Europa".
Em 1938, quando Neville Chamberlain era Primeiro Ministro do Reino Unido, e conduzia a política 
de apaziguamento com a Alemanha nazista, Churchill era seu maior opositor.
Atribuía grande parte da política pacifista de Chamberlain ao então Embaixador britânico em Berlin, 
Sir Neville Henderson, bajulador da cúpula nazista e que alimentava Chamberlain com falsas 
avaliações da situação em Berlin dizendo que Hitler se contentaria com a Tchecoslovaquia como 
última reinvidicação alemã e dai para frente nada mais iria pedir à França e Inglaterra. 
Uma estupidez única de avaliação. Hitler já tinha manifestado suas intenções muito maiores no seu 
livro Mein Kampf e qualquer observador mais agudo da Alemanha saberia que as ambições dele não 
se limitariam à pequena Tchecoslovaquia.
Foi Henderson que incentivou Chamberlain a voar para Munique e assinar o vergonhoso "Acordo de 
Munique", pelo qual a Inglaterra e a França deram de graça na bandeja a Tchecoslovaquia aos 
alemães, apesar de terem garantido sua independência.
Churchill tinha horror a Henderson e sobre ele disse: "é o diplomata errado no lugar errado na hora 
errada, tolo e frívolo é um HOMEM NEFASTO".
Churchill se referiu a um homem que sem ser líder ou fino analista, era mais um cortesão e bajulador 
do que operador diplomático e com sua leviana informação sobre as verdadeiras intenções nazistas 
levou Chamberlain e o governo britânico a um fatal erro de decisão, ao conceder um presente 
gratuito e sem salvaguardas ao Terceiro Reich. 
A Historia puniu Henderson com a horrível tarefa de pessoalmente entregar a Joachim von 
Ribbentrop [ministro de Relações Exteriores da Alemanha Nazista], em 1º de setembro de 1939, o 
ultimato para que a Alemanha saísse da Polônia em 48 horas sobre pena de declaração de guerra, o 
que aconteceu. Henderson viu ruir toda sua obra de inconsequente apaziguamento de um regime que 
queria a guerra.
A expressão de Churchill UM HOMEM NEFASTO me veio à mente ao fazer um balanço sobre um 
Ministro do atual governo que sem ser líder ou operador, é mais definível como cortesão.
Errou muitas vezes em mal informar a Presidente e tranquilizá-la sobre ações dentro de seu 
ministério, quando sua obrigação era alertá-la e ajudá-la a preparar a reação a fatos que aconteceram 
dentro de seu espaço de comando e sobre o qual ele demonstrou não ter nem controle e nem 
conhecimento.
Personagens deste tipo na Historia causam mais estrago do que conselheiros frios e leais que 
mostram a seu chefe os perigos que estão no caminho à frente, ajudando ao chefe na preparação da 
defesa, invés de dar garantias que não pode sustentar e cenários róseos que não podem bancar. 
O cortesão agradável e insincero é um tipo muito comum nas cúpulas de Governo e são portadores 
de desastres formidáveis que vem à galope à sombra de seus agrados.
Churchill no seu Governo de 1940 a 1945 nomeou mais de 200 generais, almirantes, embaixadores, 
ministros e conselheiros. Errou em dois ou três casos apenas.
Um raro conhecedor de almas, psicologia, valor, lealdade e personalidade, de seus auxiliares diretos. 
Dois foram depois Primeiro Ministros (Eden e Mac Millan), seus generais foram enobrecidos como 
viscondes pelo Rei Jorge VI (Montgomery of Alamein e Alexander of Tunis) e seus perfis históricos 
nos dois livros básicos sobre a Primeira Guerra (World Crisis) e Segunda Guerra (History of Second 
World Wra) são uma aula de governo, diplomacia, estratégia e alta política, mas a base sempre foi 
sua avaliação das personalidades.
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