terça-feira, 8 de março de 2016

OS TROGLODIDAS DA GLOBO JATO E O CENÁRIO SOMBRIO



A caixa de Pandora da Lava Jato ainda não jogou todos seus dados no ar. Nos próximos dias, haverá 
o ápice dos movimentos iniciados nos últimos meses.
O primeiro, o caso Eduardo Cunha.
Cunha está no seu limite, cercado por todos os lados, sem espaço para manobra no STF (Supremo 
Tribunal Federal), acuado na Comissão de Ética da Câmara, sendo submetido a uma pressão sem 
paralelo, diuturna, na qual não pode cometer nenhum erro.
O fato capaz de desmontá-lo emocionalmente provavelmente será a detenção ou convocação 
coercitiva de sua esposa, deixando-a a mercê dos trogloditas de Curitiba.
Nos últimos dias, além disso, robusteceram-se os rumores sobre a ação da Procuradoria Geral da 
República em cima dos parlamentares investigados.
A análise dos ventos e dos astros revela uma boa probabilidade de ambas as operações serem 
disparadas nos próximos dias.
Se essas duas ofensivas forem deflagradas, haverá dias de tensão absoluta.
Provavelmente Cunha pretenderá levar junto com ele Renan Calheiros, Michel Temer e Romero 
Jucá, sem contar parceiros de outros partidos. Mas provavelmente o Congresso será libertado do 
grupo inacreditável de parlamentares financiados por Cunha.
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Paralelamente, ganhará nova intensidade a ofensiva sobre Lula.
Desde o início, o objetivo final da Lava Jato é condenar Lula ou, no mínimo, inabilitá-lo para 
eleições futuras.
Passado o impacto da truculência da Lava Jato da última sexta-feira, provavelmente persistirá a 
ofensiva.
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E aí o jogo de xadrez ficará complexo.
A estratégia da Lava Jato será submeter Lula a julgamentos, inabilitando-o para as próximas 
eleições. 
Será possível meramente com uma sentença do juiz Sérgio Moro confirmado pelo Tribunal Federal 
de Curitiba. Com as afinidades políticas entre ambos, o impossível seria a não confirmação da 
sentença.
Deste vez, não haverá a grande contribuição do procurador Carlos Fernando e do juiz Sérgio Moro, 
deslegitimando qualquer medida com sua truculência barra-pesada.
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Sendo julgado, há a probabilidade de Lula ser absolvido. Mas a probabilidade maior é de ser 
condenado e a condenação ser confirmado pela segunda instância, inabilitando-o para as próximas 
eleições.
Se conseguirem anular Lula, a oposição não leva. Haverá abalos sísmicos na política brasileira, 
manifestações de rua, mas o fato consumado baixará a fervura política e obrigará todas as partes a 
um pacto de governabilidade, uma trégua até 2018.
Sem o risco de Lula em 2018, a tendência será uma dose de bom senso amparando o governo Dilma 
Rousseff, do mesmo modo que aconteceu com Itamar Franco no impeachment de Fernando Collor.
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Depois, provavelmente as eleições mais selvagens da história moderna brasileira, desde as eleições 
heróicas de 1974.
Seja qual for o resultado, a imprudência de dar toda corda para a Lava Jato cobrará uma conta futura 
enorme do país. Levará anos até que um novo arco político ganhe consistência para unir o país em 
torno de um projeto factível.
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Sobre o Supremo Tribunal Federal:
Há uma diferença fantástica entre o tamanho real das pessoas ilustres e o da sombra que projetam.
Há Ministros conhecidos como o passaporte para uma nova renascença, os iluministas capazes de 
conduzir o país com suas luzes, que não resistem a um track de rede social. Só conseguem se 
locomover em temas de unanimidade.
E outros que, sem a solenidade dos muito ilustres, honram e dignificam seu trabalho casando 
conhecimento e bom senso com a coragem.
Salve Ministro Marco Aurélio de Mello.
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