sexta-feira, 11 de março de 2016

O jornalismo, a ética e a casa dos Irmãos Metralhas Marinho em Parati


A mansão do aloprado João Roberto Marinho

Leio, no Diário do Centro do Mundo, a hipótese levantada por Paulo Nogueira – que com ele 
conviveu – de que João Roberto Marinho poderia ter liberado a Globo para uma ofensiva sem limites 
contra Lula e o governo pelo fato de ter surgido o noticiário constrangedor sobre as ligações entre a 
família Marinho e a mansão irregular construída na Praia de Santa Rita, em Parati.
Não creio – aliás, como o próprio Paulo também não – que seja esta uma hipótese provável, até pela 
inteligência que todos reconhecem em João Roberto.
De qualquer forma, a menção presta-se a uma reflexão sobre a prática da ética no jornalismo, tão 
escassa em nossas plagas. E, sejamos justos, também em outras terras, como são emblema 
vergonhoso os tablóides ingleses.
E obriga a este post, de natureza editorial.
Em momento algum invadiu-se a intimidade de sua família, ao contrário aliás, do que fizeram 
colunas sociais que registraram divórcios, casamentos e até mesmo o fez o Judiciário, publicando 
estupidamente no Diário Oficial nomes numa ação que, por definição legal, é sigilosa.
Em momento algum este blog – e quase sempre todos os outros que participaram do deslinde da 
propriedade da casa – publicou algo que não estivesse contido em documentos públicos.
Aliás, não apenas públicos, mas publicados na internet.
Mais ainda: todos os documentos nasceram de iniciativa das empresas e pessoas interessadas, com os 
dados e circunstâncias que resolveram utilizar. Quem ligou a Agropecuária Veine Patrimonial, dona 
formal da propriedade de Parati e a empresa de João Roberto e sua filha foi o endereço de registro 
fornecido por ambas à Receita Federal, informado por eles mesmos ou à sua ordem.
Nenhum deles foi obtido por “vazamento” ou “ajuda” das autoridades públicas, nenhuma informação 
foi colhida com porteiros, vendedores, lojas e outros prestadores de serviço que tenham tido ou os 
donos da mansão, exceto as que estes, espontaneamente, colocaram na rede mundial de 
computadores para promover seu talento, capacidade e bom-gosto.
Foi assim, por exemplo, com as fotos do exterior e do interior da casa, os vídeos e as animações 
computadorizadas aqui reproduzidas. Nenhum expediente escuso foi usado para obtê-las.
O que público está, público é.
Como são públicas e publicadas as autuações, multas, requerimentos e até a sentença que versam 
sobre as irregularidades e violações legais da edificação.
Igualmente, as parcas resposta oferecidas foram publicadas na íntegra, sem edições, sem notas de 
rodapé que as contradissessem, sem senões que as replicassem, exceto os feitos em separado, em 
novas matérias, como é dever jornalístico.
Também não foi ninguém pressionado a informar. Duas pessoas documentalmente ligadas às 
empresas que partilham o apartamento 601 da Rua Bulhões de Carvalho, 296 foram abordadas, 
gentilmente, por telefone – nada de cerco, embora dispusesse dos endereços – e responderam como 
quiseram: a primeira com ofensas e ameaças e a segunda com uma manifestação de que falaria 
pessoalmente, jamais efetivada. Não houve insistência, assédio, pressões.
Foi, ao contrário do que assistimos nos processos de investigação judiciais-policiais que a grande 
imprensa não questiona do ponto de vista moral e legal, uma apuração exclusivamente lógica e 
documental. Com a dedicação e a garra profissional que, certamente, quer João Roberto sejam 
praticadas por seus colegas e empregados jornalistas.
Se há irritação ou mal-estar pelo que se passou, que estes sejam dirigidos contra quem atropelou a 
legislação, camuflou propriedades e, ainda pior, o fez de forma pueril, que nem soube encobrir os 
rastros de ligação entre as empresas e a família a que pertencem ou pertenceram.
De minha parte, é isso o que tenho de registrar. Não contei, neste caso e em nenhum outro, com 
qualquer informação partida de órgãos públicos – exceto aquelas de acesso geral – ou informação 
privilegiada de governos, em qualquer esfera. Nem mesmo a ajuda indireta de patrocínio, porque não 
conto com ele – o pequeno anúncio da campanha contra o zika virus desta página é oferecido 
graciosamente, por dever de cidadania, como antes foi o da campanha contra o crack, aliás sobre o 
qual O Globo, de maneira dúbia, pretendeu insinuar tempos atrás, quando participei de uma 
entrevista com Lula, sem outro auxílio sequer senão o do café e das bolotas de pão de queijo servidas 
durante o encontro.
É por isso, e não por qualquer arroubo, que o tom de notificação adotado com este blog (e felizmente 
logo abandonado por uma postura gentil, que não foi recusada em um milímetro) não surtiu ou 
surtirá efeito e é, mais que uma violência, uma bobagem utilizá-lo.
Publicou-se e publicar-se-á aqui o que for documentado, aquilo que estiver amparado em fatos e 
provas, não em suposições ditadas por simpatias ou antipatias políticas.
Algo que, antigamente, correspondia à palavra jornalismo.
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