segunda-feira, 28 de março de 2016

LULA AVISA: NÃO SE DEVE BRINCAR COM A DEMOCRACIA




Em entrevista coletiva a jornalistas de veículos estrangeiros, nesta segunda-feira 28, o ex-
presidente Lula reforçou que "impeachment sem base legal, sem crime de responsabilidade, é 
golpe" e que "é muito importante não brincar com a democracia"; sobre a Lava Jato, afirmou 
que a divulgação de conversas suas, com autorização do juiz Sérgio Moro, foi "deprimente", 
"pobre" e de "má fé", e criticou o que chamou de "Big Brother" nos métodos investigativos da 
operação; para o ex-presidente, "Moro é inteligente e competente, mas foi picado pela mosca 
azul"; quanto ao PMDB, Lula avalia que é possível a presidente Dilma governar com apoio de 
parte da legenda, mas sem concordância do comando da sigla

247 – O ex-presidente Lula criticou o processo de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff 
e alertou que “não se deve brincar com a democracia” durante entrevista coletiva concedida em São 
Paulo a 24 correspondentes de veículos estrangeiros, como The New York Times, El País e de 
agências como a AP, Reuters, Efe e France Presse.
Sobre a Lava Jato, Lula afirmou que a divulgação de conversas suas, com autorização do juiz Sérgio 
Moro, responsável pelos processos em primeira instância, foi “deprimente”, “pobre” e de “má fé”, e 
criticou o que chamou de “Big Brother” nos métodos investigativos da operação.
Pra o ex-presidente, “Moro é inteligente e competente, mas foi picado pela mosca azul”. Lula disse 
que “não está longe” o dia em que irão lhe pedir desculpas pelas acusações que fazem hoje. Ao 
comentar a possível saída do PMDB da base do governo, Lula avalia que é possível a presidente
Dilma governar com parte do PMDB e sem concordância do comando do partido.
Confira mais detalhes na reportagem da Reuters:
Lula quer participar de decisões do governo e defende desonerações para retomar crescimento
SÃO PAULO (Reuters) - O ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva afirmou nesta segunda-feira que 
o governo precisa fazer desonerações e adotar outras medidas para que a economia possa voltar a 
crescer, numa aposta no potencial do mercado interno do país.
Lula, que ainda não pode assumir a Casa Civil devido a uma batalha judicial, disse em entrevista a 
correspondentes estrangeiros, em São Paulo, que quer participar das decisões do governo da 
presidente Dilma Rousseff, mesmo que seja na condição de conselheiro.
O ex-presidente disse ter convicção de que pode contribuir com o Brasil e acredita ser possível 
mudar o humor do país em poucos meses.
Lula voltou a defender Dilma e disparou contra os apoiadores do impeachment da presidente. 
"Impeachment sem base legal, sem crime de responsabilidade, é golpe", disse Lula aos 
correspondentes. "É muito importante não brincar com a democracia."
Dilma é alvo de pedido de abertura de processo de impeachment que tramita na Câmara dos 
Deputados e que tem como base as manobras fiscais conhecidas como "pedaladas". Os críticos do 
pedido de impedimento alegam que isso não é o bastante para configurar crime de responsabilidade.
Lula acusou a oposição a Dilma de impedir que a presidente governe e a mídia de criar um clima de 
ódio no país, que ele comparou com a situação vivida na Venezuela.
O ex-presidente, que teve conversas interceptadas pela Polícia Federal em meio às investigações da 
Lava Jato e divulgadas pela Justiça, criticou o que chamou de "Big Brother" nos métodos 
investigativos da operação e defendeu as ações tomadas durante seu mandato, entre 2003 e 2010, 
para fortalecer a Polícia Federal e a liberdade de investigação.
Na véspera da reunião do diretório nacional do PMDB que discutirá se o partido desembarca ou não 
do governo, Lula disse ver com "certa tristeza" a possibilidades de os peemedebistas abandonarem o 
governo. Para ele, no entanto, ainda é possível um acordo que mantenha a legenda, a maior da base 
de apoio a Dilma, alinhada ao Palácio do Planalto.
Investigado pela Lava Jato, que apura um bilionário esquema de corrupção na Petrobras, Lula foi 
alvo da 24ª fase da operação e obrigado a prestar depoimento à Polícia Federal após o juiz federal 
Sérgio Moro emitir mandado de condução coercitiva contra o ex-presidente.
O ex-presidente é investigado por suspeitas envolvendo imóveis com ligações com empreiteiras que 
estão na mira da Lava Jato. O ex-presidente rejeita as acusações e nega irregularidades.
Lula tomou posse como ministro-chefe da Casa Civil no dia 17, mas até agora não conseguiu 
assumir em meio a uma enxurrada de ações espalhadas por diversos tribunais do país.
No Supremo Tribunal Federal (STF), o ministro Gilmar Mendes concedeu liminar suspendendo a 
posse um dia depois da cerimônia no Palácio do Planalto. O governo e a defesa de Lula recorreram. 
A questão ainda tem que ser analisada pelo plenário do Supremo.
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