quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

Temer apostou no golpe. E hoje, quem ia “unir o país” não une nem seu partido



A coluna de Janio de Freitas, hoje, na Folha, dá um retrato da situação em que ficou Michel Temer 
após a decisão de passar-se ostensivamente para o lado do golpismo, com sua ridícula carta 
reclamando de sua posição “decorativa” no Governo.
Diz Janio:”Com a hipótese de impeachment de Dilma, Temer pôs em xeque a lealdade de vice-
presidente e liberou a sua ambição. Uma jogada individual cuja inabilidade o indispôs com as figuras 
mais relevantes do partido, tanto mais que se associou a Eduardo Cunha.”
Verdade, mas há um elemento anterior, que foi determinante para este isolamento do vice-presidente.
É que a maioria do PSDB não tem o menor interesse em funcionar como parceira de Temer, quer o 
poder para si, incontrastável ou, ao menos, com sua hegemonia.
Tudo o que Temer conseguiu foi conversas com Serra e Alckmin, este evidente prisioneiro da face 
histérica que os tucanos assumiram.
Por conta disso é que, afinal, sobrou a Temer uma só base de apoio, Eduardo Cunha, poderoso mas 
decadente e com parcas possibilidades de salvação.
Num partido que, como o PMDB, tem como marca a sobrevivência e o a partilha do poder – porque, 
desde Sarney (e inclusive) não está no poder, mas com o poder – isso é meio caminho andado para o 
suicídio.
Do qual Temer, agora, tenta escapar com articulações onde pouco ou nada tem a oferecer, a não ser 
espalhar que Lula arde em chamas para que Dilma se recomponha com ele, enquanto já é muito que 
ela tenha – como é seu dever, pelo cargo – uma convivência protocolar.
E olhe lá, porque os tucanos deixaram claro – com a ajuda luxuosa de Marina Silva – que Temer está 
“no pacote” da ação no TSE com que sonham para uma nova eleição fora de época, algo que 
perseguem desde que foram anunciados os resultados da eleição na hora certa.
Então está aí o homem que se jactava de ser capaz de “unir o país”, metido na patética situação de 
não conseguir unir sequer o seu partido.
Inglória, como mostra Janio, porque não tem maioria na bancada da Câmara, não tem quase nada no 
Senado e não tem entre os governadores (exceção, e talvez, ao RS).
Se Temer permanecer na presidência do partido será por mera conveniência de seus adversários 
internos.
E olhe lá.
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