quinta-feira, 17 de dezembro de 2015

OS ÚLTIMOS DIAS DE UM ANO PERDIDO E JOGADO FORA



Alguns grandes bancos vêm trabalhando com cenário relativamente otimista para 2016 – 
dependendo obviamente da solução da questão política.
Há um setor baleado: a cadeia do petróleo e gás, ainda dependendo da solução do problema Sete 
Brasil. Mas em muitos setores de peso o investimento está travado devido às dúvidas políticas.
Um alto executivo de um dos maiores grupos bancários me dizia que o mercado está ansioso por 
alguma definição. Bastou um acordo maluco com o PMDB de Leonardo Picciani, lembrou ele, para 
o dólar cair de R$ 4,20 para R$ 3,60.
Tem havido aumento de inadimplência no sistema, mas, no geral, o setor está sólido, com captação 
em ordem. Na outra ponta, grandes grupos aguardando definições políticas mínimas para tomar 
financiamento para infraestrutura.
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Na avaliação desse banco, no primeiro trimestre parecerá que o mundo está acabando, com aumento 
das demissões e auge da crise política. Por seus cálculos, haverá definição a partir do segundo 
trimestre. E, no segundo semestre, a economia começará a melhorar, se que questão fiscal estiver 
equacionada, mesmo porque se sairá de uma base bastante deprimida.
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No caso da cadeia de óleo e gás, melhora a situação da Petrobras com o reajuste da gasolina – que foi 
feito em cima de cotações mais altas do dólar e do petróleo. Com a queda das cotações internacionais 
e do dólar, os resultados operacionais tendem a melhorar no curto prazo. O problema é a dívida em 
dólar e a viabilidade de novas explorações.
Os desinvestimentos, tanto da Petrobras, quanto do Banco do Brasil e da Caixa Econômica Federal, 
poderiam ajudar no campo fiscal. Mas dependem de uma melhora relativa da conjuntura e dos preços 
dos ativos.
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O rebaixamento da nota do Brasil pela segunda agência, a Fitch, refletiu-se no dólar. Mas pelo 
menos dois outros fatos de impacto – a eventual saída do Ministro Joaquim Levy da Fazenda e o 
início do aumento de juros pelo FED (o Banco Central norte-americano) – já estão precificados.
A saída está, portanto, na definição sobre a escolha menos traumática para a economia: se Dilma 
Rousseff ou Michel Temer.
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A grande batalha se dará no início do ano na Câmara Federal.
Ontem, em seu parecer sobre o pedido do PCdoB – contra o rito do impeachment – Luiz Fachin 
surpreendeu muitos juristas, ao não admitir sequer o voto aberto na votação – tratando-o como 
exceção, quanto deveria ser a regra.
Na parte que interessa – o que determinará o afastamento de Dilma do cargo – há poucas dúvidas de 
que o Supremo considerará que a decisão será da Câmara. Na votação do governo necessitará de 
pelos menos 172 deputados a favor.
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Ontem, o Procurador Geral da República Rodrigo Janot entrou com uma representação junto ao STF 
pedindo o afastamento de Eduardo Cunha da presidência da Câmara.
Por outro lado, o presidente do Senado Renan Calheiros expôs publicamente críticas à condução do 
PMDB pelo vice-presidente Michel Temer, mostrando que não há coesão nem mesmo no próprio 
PMDB.
Mesmo em São Paulo a tentativa de impor o nome de Marta Suplicy como candidata do partido às 
próximas eleições esbarra em reações da base e do segundo grande nome, Gabriel Chalita. Fica claro 
que o movimento de Temer é restrito, reduzindo-se ao seu grupo específico junto com o PSDB.
Nos próximos dias, se intensificará a barganha política de lado a lado. Seja qual for o desfecho 
espera-se que a oposição – tendo Gilmar Mendes à frente – esmoreça em sua intenção de colocar 
fogo no país.
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