sábado, 19 de dezembro de 2015

Fundação dos Irmãos Metralhas Marinho leva R$ 56 mi de prefeito para gerir museus ainda em construção


Fatos incontestes são que a Fundação dos Irmãos Metralhas Marinho se torna uma espécie de 
herdeira na exploração dos museus construídos com possível corrupção de Eduardo Cunha.

Na quinta-feira (17), a cidade do Rio de Janeiro ganhou o Museu do Amanhã, construído na zona 
portuária onde havia um pier abandonado. O museu faz parte da operação urbana Porto Maravilha, 
de revitalização e desenvolvimento da região, realizada em parceria público-privada.
A prefeitura conduz o processo, as empreiteiras Carioca Engenharia e OAS constroem, parte dos 
recursos é de financiamentos do FGTS-FI, o fundo de investimento que faz aplicações dos recursos 
do Fundo de Garantia e, no caso do Museu, quem toma posse da operação depois de pronto é a 
Fundação Roberto Marinho, ligada aos donos da TV Globo. A Fundação é duplamente beneficiada: 
ganha prestígio com mais um museu de grande porte em seu portfólio, e cobra da prefeitura o preço 
para manter o museu funcionando.
Até aí quase tudo bem, exceto o quase monopólio da Fundação Roberto Marinho na gestão de 
museus municipais do Rio. Além do Museu do Amanhã, a Fundação também ganhou da prefeitura a 
gestão do Museu de Arte do Rio, inaugurado em 2013, e o novo Museu da Imagem e do Som, em 
final de construção.
O maior problema é quando ficamos sabendo que o presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo 
Cunha (PMDB-RJ), entrou nesse meio, mesmo fora de sua área de competência.
No âmbito da Operação Lava Jato, a Procuradoria-Geral da República afirma ter provas de que 
Cunha recebeu outros R$ 52 milhões em propinas na Suíça e em Israel da empreiteira Carioca 
Engenharia para liberar financiamento do FGTS-FI para as obras do Porto Maravilha. Dois donos da 
empresa, Ricardo Pernambuco e Ricardo Pernambuco Júnior, delataram que o próprio Cunha acertou 
e cobrou a propina sem intermediários, para depositar no exterior nas contas indicadas pelo deputado.
Segundo a Procuradoria da República, o elo de Cunha com o FGTS-FI era Fábio Cleto, indicado por 
ele para o cargo de vice-presidência de Fundos de Governo e Loterias da Caixa Econômica Federal 
(CEF). Cleto era o representante da Caixa no Conselho Curador do FGTS, posição-chave tanto para 
dificultar como para facilitar a aprovação do financiamento de R$ 3,5 bilhões para o Porto Maravilha.
Cleto foi demitido pela presidenta Dilma Rousseff na semana passada. Nesta semana sua residência 
sofreu busca e apreensão por policiais federais, dentro da operação Catilinárias, cujo foco maior foi 
Eduardo Cunha e outras lideranças do PMDB.
A Fundação Roberto Marinho não é acusada pela Procuradoria-Geral da República de participação 
nos malfeitos, mas os fatos incontestes são de que ela se torna uma espécie de herdeira na exploração 
dos museus construídos com possível corrupção de Eduardo Cunha.
O que chama atenção no caso da da Fundação dos Irmãos Metralha Marinho são os vultosos 
pagamentos recebidos dos cofres públicos da prefeitura. Segundo o Portal da Transparência da 
prefeitura do Rio, R$ 56.003.994 já foram pagos à Fundação Roberto Marinho pelo "Programa Porto 
Maravilha" desde 2010, mais do que a propina atribuída a Eduardo Cunha. Quase todo o valor foi 
pago antes mesmo da inauguração dos museus.
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