PM DE ALCKMIN PRENDE ALUNOS E LÍDER DA UBES
Por Renato Rovai
As imagens acima mostram o oposto da proposta de diálogo feita pela equipe do governador Geraldo Alckmin (PSDB) há pouco mais de dez dias para que os estudantes desocupassem as mais de 200 escolas em protesto contra a chamada "reorganização escolar", que prevê o fechamento de 92 unidades e a transferência de mais de 300 mil alunos em São Paulo; ontem, a Polícia Militar usou gás de pimenta para dispersar manifestações em diferentes pontos da capital paulista; estudantes foram presos, entre eles a presidente da UBES, Camila Lanes, durante ato na Escola Estadual Maria José, na Bela Vista; "Que vergonha deve ser reprimir estudante", disse uma aluna ao ser apreendida; “Eles bateram com o cassetete no meu braço, aí eu caí no chão e eles me arrastaram”, contou outro adolescente
O governador Geraldo Alckmin é um político sem brilho, mas que foi construindo sua trajetória com base numa fleuma de que é um homem sério e trabalhador.
Alguém que não é visto em festas, tomando uma cerveja ou andando de carrões.
É a antítese, por exemplo, de Aécio Neves, um playboy na forma e na essência. E que por isso é um político que está o tempo todo em destaque.
A despeito das diferenças formais, ambos têm o mesmo comportamento autoritário e conservador. Seja com os assessores, jornalistas que cobrem o dia a dia da política, professores, estudantes e tudo que tenha relação com movimentos sociais
E seguem na mesma linha o governador Beto Rica, do Paraná, Marconi Perillo, de Goiás, e outros da chamada nova geração tucana.
Ou seja, o PSDB se se tornou um partido de truculentos de diferentes espécimes. Truculentos playboys, truculentos carolas, truculentos bonachões, truculentos sabichões. Mas todos truculentos.
E não venham me dizer que sempre foi assim porque não é verdade. Covas era muito melhor do que isso. E mesmo Montoro, José Rica, pai do Beto, e outros.
O fato é que é a partir dessa perspectiva que tem que ser entendida a ação de guerra que o governador Alckmin anunciou e desencadeou a partir de ontem contra os estudantes que estão lutando contra o fechamento de escolas.
Alckmin está botando em prática o compromisso de governo do PSDB com os setores conservadores e a mídia.
Ele e seus colegas tucanos têm sido eleitos com base num discurso da ordem. De uma ordem que sustenta as injustiças sociais, criminaliza a periferia, impede o diálogo com os movimentos, fortalece setores da polícia que agem de forma muito simbiótica com o crime, que não respeita os processos de construção democrática e que joga bombas e dispara contra tudo e contra todos que supostamente estão contra a ordem imposta.
Por essa ordem, alunos e professores não têm o direito de discutir o projeto de escola ao qual entregam boa parte das horas de sua vida.
Por essa ordem, jornalistas não devem investigar a corrupção do metrô.
Por essa ordem, meninos negros de periferia têm que falar sim senhor e olhar pra baixo quando forem abordados por um policial.
Por essa lógica, quem não reagiu está vivo.
Ordem essa sustentada por um discurso e uma cobertura midiática que criminaliza o oprimido e transforma em mocinhos os opressores.
Ontem, por exemplo, essa mídia tratou o massacre dos meninos e meninas na 9 de julho como um conflito. Um “conflito” onde essa meninada de 13 a 16 anos foi atacada com cassetetes, spray de pimenta, tiros de borracha e se defendia com sacos de lixo.
Ou seja, a guerra está dada.
E se alguém achar que não tem nada a ver com isso, não pode nunca mais reclamar que a atual geração é acomodada.
Muito pelo contrário, esses meninas e meninos que estão ocupando escolas e deixando nua a ordem de um governo que tem sufocado aqueles que lutam por direitos em São Paulo, precisam de toda a solidariedade.
Eles precisam de você.
Eles precisam de todas as forças sociais que se dizem democráticas.
Eles não podem apanhar sozinhos nessa guerra.
Essa guerra por manter escolas abertas e ter uma educação decente não pode ser só deles.
Nessa guerra não vale se fingir de morto.
Quem se fingir de morto de fato estará assinando a execução de uma geração que será derrotada por uma política fascista.
Uma política que fecha escolas para abrir presídios.
PS: Alckmin disse essa frase, “quem não reagiu está vivo”, num massacre da Rota onde nove pessoas foram mortas. Se quiser entender melhor o que foi isso, dê uma olhada no texto que fiz à época.
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