quarta-feira, 23 de setembro de 2015

Bolívia: Comissão parlamentar aprova projeto que permite a Evo Morales se candidatar para 4° mandato


Proposta que implicará reforma parcial da Constituição será levada para referendo previsto 
para acontecer em 21 de fevereiro de 2016; oposição promete campanha pelo 'não'

Uma comissão da Assembleia Legislativa da Bolívia aprovou na noite de terça-feira (22/09) oprojeto 
de lei de reforma parcial da Constituição que permitirá ao presidente do país, Evo Morales, se 
candidatar para um quarto mandato nas eleições de 2019.
A comissão aprovou o projeto horas após o presidente do Senado, José Alberto Gonzales, anunciar 
formalmente a criação de um referendo sobre a reforma do artigo 168 da Constituição para que se 
permita um mandato e duas reeleições consecutivas. A consulta está prevista para acontecer em 21 
de fevereiro de 2016.
Morales (à dir) foi reeleito para terceiro mandato na Bolívia em 13 de outubro de 2014, com mais de 
59% dos votos
O texto foi aprovado por uma comissão mista, formada por senadores e deputados. O partido 
governista MAS (Movimento ao Socialismo) possui os dois terços do Congresso necessários para a 
aprovação do projeto.
Segundo o senador governista Milton Barón, há um dispositivo que estipula que Morales só poderá 
se candidatar mais uma vez à presidência, em 2019. Isso determina que o primeiro período 
constitucional do Estado Plurinacional corresponde ao mandato entre 2010 e 2015, a primeira 
reeleição entre 2015 e 2020, e a segunda para o período 2020-2025, informou a Agência Efe. 
Conforme esta lógica, o primeiro mandato de Morales (2006-2010) não contaria, pois correspondeu 
ao período anterior à refundação do país com a Constituição promulgada em 2009, sob argumentação 
rejeitada diversas ocasições pela oposição. A proposta foi originalmente apresentada na semana 
passada ao Congresso pelos principais sindicatos de operários e camponeses do país, aliados do líder 
desde a sua chegada ao poder.
Em virtude de sua representação minoritária no Legislativo, a oposição não tem como impedir o 
procedimento, mas anunciou que fará campanha pelo "Não" no referendo.
Morales, no entanto, não tem demonstrado interesse em seguir no cargo por um quarto mandato, uma 
vez que tem planos de se retirar para Chapare, no norte de Cochabamba, e lá abrir um restaurante.
Em abril deste ano, o próprio presidente boliviano havia pedido ao MAS que encontrasse alguém 
para sucedê-lo. “Gostaria que vocês desde agora pensassem em como preparar para que outro
companheiro se torne presidente. Temos cinco anos para preparar quem será o novo presidente a
partir de 2020”, afirmou à época.

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