sexta-feira, 7 de agosto de 2015

O raio X da política e o fator Temer




O jogo político caminha para um desfecho, no qual a peça chave é o vice-presidente Michel Temer.
Nesse momento, o governo Dilma Rousseff está completamente paralisado, sem interlocução com os 
setores chave da governabilidade:
Congresso.
Grupos econômicos
Setor financeiro
Movimentos sociais
Mídia
Ministério Público Federal e Supremo

O que segura o governo são as dúvidas sobre o dia seguinte a uma eventual saída de Dilma, as 
consequências políticas, econômicas e sociais, os efeitos sobre a economia e sobre as manifestações 
de rua.
Uma estratégia de governabilidade exigiria um pacto cuja montagem é muito complexa para o 
núcleo estratégico da presidência. Mas a falta de ação de Dilma parallisa tudo.
Hoje em dia há os seguintes fatores de turbulência:
A base montada por Eduardo Cunha na Câmara e suas jogadas sem limites.
A novela interminável da Lava Jato, com a demora em completar os trabalhos, impedindo qualquer 
acordo político.
A falta de um discurso político eficiente para melhorar as expectativas em relação à economia e 
reverter a falta de credibilidade da presidente..
O bombardeio incessante da mídia, sem que o Planalto consiga esboçar uma estratégia sequer de 
contraposição.
A perda de controle sobre o Banco Central, permitindo essa combinação mortal de recessão, ajuste 
fiscal e política monetária restritiva.
Nesse caos institucional, Temer tem se destacado pelo trabalho discreto, responsável e eficiente. 
Dispõe da senhoridade necessária para apagar a fogueira do PMDB – aliado ao senador Renan 
Calheiros, que parece ter recuperado o bom senso depois de informado de que poderá ser poupado 
pela Lava Jato. Tem bom trânsito no meio jurídico e respeito do Ministério Público Federal e dos 
tribunais. Será poupado por parte da mídia.
Dentro do PSDB, uma gestão Temer seria muito mais adequada para as pretensões de José Serra e 
Geraldo Alckmin do que um eventual impeachment – que jogaria o país nas mãos irresponsáveis de 
Aécio Neves.
Dilma não tem muito tempo pela frente.
Há dois caminhos em curso: Temer com Dilma e Temer sem Dilma.
O caminho menos traumático seria institucionalizar o poder de Temer, conferindo-lhe o 
protagonismo político e jurídico, conduzindo uma mudança ministerial pactuada, preservando o 
papel institucional de Dilma, que passaria a se dedicar às políticas públicas.
Seria a maneira de segurar esse golpe paraguaio interminável, o terceiro turno que parece não ter fim.
***
Os únicos interessados em impeachment são os que ambicionam o controle do cofre.
Não interessa à economia, à população, pelo potencial de desestabilização existente. Além disso, 
qualquer tentativa de impeachment significaria um desrespeito à ordem jurídica, colocando em risco 
um custoso processo de amadurecimento político que se seguiu à redemocratização e à Constituição 
de 1988.
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O aval de Temer poderia ser o ponto final no golpismo, permitindo algum espaço para que Dilma 
comece, finalmente, seu segundo governo.
Repito o que tenho dito: há inúmeros elementos de modernidade no ar, um país pronto para se soltar. 
Se Dilma decifrar o enigma do projeto nacional, levará barco até o fim. Se não decifrar, será 
devorado pela esfinge.
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