segunda-feira, 5 de janeiro de 2015

Por que a obsessão Midiatica com o “ajuste”


Que ideia original teve o Cerra ao longo de 50 anos de vida pública ?

    O amigo navegante deve ter percebido que o PiG e seus urubólogos só pensam naquilo: no “ajuste”.
    Todas as manchetes, as “análises”, entrevistas só tratam do “ajuste” – quer dizer, quando não tratam da 
    elegância da Presidenta na posse.
    Percebe-se o subterrâneo desejo de transformar o Ministro Levy num Cavalo de Troia do PSDB.
    Quando Príamo, quer dizer, Dilma abrir o olho, os Náufragas, Haras Resendes e Cerras sairão do 
    ventre oco do Cavalo para governar o Brasil.
    Na aparência se trata, apenas, de um exercício do Terceiro Turno: ela ganhou mas não leva.
    A Economia é monopólio da Casa Grande.
    Mas, não é só isso.
    Vejam, por exemplo, o que diz o Prêmio Nobel de Economia Paul Krugman, responsável em boa parte 
    pela inesperada popularidade do livro “O Capitalismo do Século XXI”, de Piketty, que, como se sabe, 
    Krugman descreve o encorajador fenômeno da ascensão da classe média em países em 
    desenvolvimento, como na China e na Índia (e no Brasil, também).
    Ao mesmo tempo, mostra Krugman, a classe média de países “ricos”, como os Estados Unidos, está 
    sendo massacrada e empobrecida.
    O que dá razão a Piketty.
    No capitalismo do Século XXI, quando o crescimento dos lucros é maior que o da Economia, os ricos 
    se fartam e os pobres se ferram.
    E por que a classe média – e os trabalhadores – sofrem tanto nos Estados Unidos ?
    É aqui que entra a obsessão pelo “ajuste”, amigo navegante.
    Lá, como aqui, ”ajuste” é uma obsessão dos ricos.
    Por que ?
    Krugman explica.
    Por causa do desemprego, da estagnação salarial e de políticas econômicas austeras (o tal do “ajuste”) 
    os pobres ficaram cada vez mais distantes dos riscos.
    Além disso, a acelerada concentração de riqueza na mão dos poucos ricos se deve exatamente por 
    causa da compressão dos salários, da redução dos benefícios sociais e da destruição dos sindicatos 
    americanos.
    Bingo !
    A desgraça dos pobres faz a riqueza dos ricos.
    Quem diz isso, amigo navegante, não é um furioso marxista fora-de-época, mas um colunista do New 
    York Times.
    Mais importante, lembra Krugman, é o enormemente desproporcional poder que os ricos exercem 
    sobre a política econômica.
    A prioridade das elites – a obsessiva preocupação com os déficits e a consequente necessidade de 
    cortar gastos sociais – fez muito para aprofundar a desigualdade nos Estados Unidos – conclui 
    Krugman.
    Bingo !
    É a Casa Grande daqui.
    “Ajusta e ferra o pobre !”, em resumo.
    O bolo é meu, eu é que tenho o poder – a Globo – e eu divido o bolo como eu quiser.
    (Não é à toa que os filhos do Roberto Marinho repudiam o imposto sobre grandes fortunas, uma das 
    armas que Piketty sugere.)
    Que história é essa de deixar o pobre subir à classe media e tirar o meu lugar no assento conforto da 
    TAM ?
    Que esculhambação é essa ?
    O amigo navegante deve ter percebido onde se encerra a elegante linguagem do escritor Nobel e 
    começa a do panfletário blogueiro.
    O estilo é o homem, diria o FHC, em sua infinita mediocridade.
    Mas, a elite é a mesma – lá e cá.
    A obsessão pelo “ajuste” nada mais é que tentar conferir Ciência e Espírito Público à usura.
    Tão simples assim.
    Sabe qual é o maior problema dos defensores do “ajuste”, amigo navegante ?
    A Casa Grande brasileira não tem ideias.
    Como diz um amigo navegante, analista de imposturas tucanas, todos os economistas da Casa Grande 
    pensam a mesma coisa: as ideias do Paul Samuelson mastigadas e remastigadas, como grama na boca 
    de cavalo cansado.
    Falta à nossa Casa Grande o Odisseu, que concebeu o Cavalo.
    Eles se nutrem de Fernando Henrique, cuja obra mais parecida com o Cavalo de Troia é a P-36.

    Em tempo: o amigo navegante se lembra de alguma ideia original que o Padim Pade Cerra, ao longo 
    de 50 anos de vida pública, ofereceu ao distinto público ? Dali não sai nada !

    Em tempo2: do amigo navegante especialista em imposturas tucanas:
    “PH, Alexis de Tocqueville também afirmou, depois de visitar os Estados Unidos, em meados do 
    século XIX, que o capitalismo gera a miséria ao lado da riqueza.”

    Paulo Henrique Amorim
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