sábado, 10 de janeiro de 2015

O Globo demite. Cadê os ‘calunistas’?


Merval Pereira, Ricardo Noblat, Miriam Leitão e outros ‘urubólogos’ de plantão irão 
manifestar a sua indignação e prestarão solidariedade aos demitidos?


Altamiro Borges na Carta Maior

Em mais uma prova de que a mídia impressa está agonizando, o jornal O Globo efetuou nesta quinta-
feira (8) um drástico corte em sua redação. Ainda não há dados oficiais e o Sindicato dos Jornalistas do 
Rio de Janeiro sequer foi comunicado previamente sobre o facão. Fala-se de 18 a 30 funcionários 
sumariamente dispensados, entre repórteres, editores e colunistas. Segundo o Portal Imprensa, “entre os 
demitidos estão Fernanda Escóssia, ex-editora de ‘País’; os colunistas Jorge Luiz (‘Esporte’), Artur 
Xexéo (‘Cultura’) e Agostinho Vieira (‘Meio Ambiente’); e a ex-editora de ‘Rio’, Angelina Nunes”. A 
lista macabra também incluiria as repórteres Carla Alencastro, Isabela Bastos, Laura Antunes e Paula 
Autran, além dos diagramadores Claudio Rocha e Télio Navega.
Diante desta truculência, o sindicato da categoria divulgou uma nota enérgica, que reproduzo abaixo:

Nota do Sindicato em repúdio às demissões em série na Infoglobo

Otimização, revisão de processos, reestruturação. Eufemismos corporativos foram usados pela
Infoglobo para justificar demissões em série de jornalistas de ‘O Globo’ nesta quinta-feira (08/01). Os
cortes na redação causaram profunda indignação e comoção em toda a categoria dos jornalistas
profissionais do Rio por enviar o claro recado de que trabalhadores são materiais descartáveis aos olhos
de empresários ávidos por mais lucro. As demissões atingiram desde repórteres com pouco tempo de
casa até ‘medalhões’ da imprensa carioca, como colunistas e jornalistas premiados. O Sindicato dos
Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro repudia as demissões promovidas pela
Infoglobo e coloca-se a disposição de todos os jornalistas dispensados.
Ao Sindicato, a empresa negou que esteja em crise e tratou as demissões como uma ‘medida de
otimização após a revisão de dos processos da empresa’. Essa revisão, ainda segundo a Infoglobo,
‘constatou que haviam diferentes unidades produzindo o mesmo tipo de trabalho’ e a necessidade de
‘um modelo de convergência’. A explicação, fria, vaga e tecnicista, só demonstra o lamentável descaso
da Infoglobo com profissionais que dedicaram anos de sua vida ao sustento e ao crescimento do jornal.
Indignada, a nossa diretoria cobrará mais explicações da empresa em reunião marcada para o início da
semana que vem.
Além da frieza cruel ao tratar da dispensa de profissionais com lastro no jornalismo, a Infoglobo ainda
promoveu um verdadeiro clima de terror em suas redações ao não comunicar os demais trabalhadores
sobre os cortes – que também atingem outras áreas da empresa. O nosso setor jurídico analisa possíveis
irregularidades cometidas pela empresa durante as demissões. O Sindicato fará ainda a fiscalização
cerrada sobre as homologações para que nenhum direito deixe de ser compensado a esses jornalistas.
Hoje é um dia triste para o jornalismo brasileiro.

Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro


Como aponta a nota, o clima no jornal da famiglia Marinho é de terror. Além das demissões, O Globo
tem burlado os direitos trabalhistas. No final do ano passado, o Sindicato dos Jornalistas do Rio de
Janeiro já havia acionado o Ministério do Trabalho para fiscalizar o jornal. “O objetivo é a apuração e
responsabilização da empresa diante de irregularidades em sua relação com os jornalistas. A decisão da
diretoria de entrar com a fiscalização se deu após longa e exaustiva tentativa de diálogo no sentido de
cobrar a adequação às leis trabalhistas. Houve uma série de reuniões com a empresa e quatro mesas
redondas mediadas pelo Ministério do Trabalho ao longo de 2014″, explica a entidade sindical.
Ainda de acordo com o sindicato, “os funcionários reclamavam das jornadas estendidas sem a folga
obrigatória, da cobrança de horas extras negativas referentes aos sábados não trabalhados, do
desrespeito à hora do almoço, entre outros problemas”. Já havia boatos de demissões, mas a direção do
império global preferiu aguardar a conclusão da campanha eleitoral e o período das festas do final do
ano – quando a resistência sindical se torna mais difícil. Agora, as dispensas se confirmam e ainda há o
temor de novas demissões.
Será que os famosos “calunistas” de O Globo, que adoram opinar sobre tudo e sobre todos, irão se
pronunciar sobre estas demissões arbitrárias? Merval Pereira, Ricardo Noblat, Miriam Leitão e outros
“urubólogos” de plantão irão manifestar a sua indignação e prestarão solidariedade aos demitidos? Ou
eles são daqueles que tratam os patrões como companheiros – como sempre ironiza Mino Carta – e não
têm qualquer compromisso com os seus colegas de profissão? A conferir!
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