quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Daniel Cohn-Bendit: Não confunda fascismo que se faz em nome do islã com os muçulmanos em geral


Jornal GGN - O atentado ao jornal Charlie Hebdo por extremistas islâmicos chocou franceses e 
o mundo. Daniel Cohn-Bendit, que foi um dos líderes do movimento estudantil da década de 60 
que teve seu auge em maio de 1968, concedeu entrevista sobre o ocorrido. Para Cohn-Bendit o 
pior foi o sentimento de desamparo diante da selvageria. Ele foi próximo de algumas das vítimas 
e alertou que não se pode confundir a ação de islâmicos extremistas com todos os muçulmanos. 

Líder do maio de 68 e próximo de vítimas se diz desemparado com 'selvageria' e critica 
'fascismo' de islã radicalizado

Leia a Entrevista á Daniel Cohn-Benditd na Folha  

O jornal "Charlie Hebdo" foi alvo de terroristas porque "ia até o fim", afirma o ícone do Maio de 1968
francês Daniel Cohn-Bendit, 69. Hoje deputado no Parlamento Europeu, o franco-alemão Cohn-
Bendit, um dos líderes do movimento estudantil dos anos 60, era amigo de alguns dos cartunistas
assassinados.
Ele saudou as vítimas por sua capacidade de expor as contradições sociais e criticou o que chamou de
"fascismo" do islamismo radical. Segundo o político, é preciso um combate de convencimento de
muçulmanos europeus radicalizados.

Folha- Como o sr. recebe esse ataque, primeiramente de um ponto de vista 
pessoal?
Daniel Cohn-Bendit - Pessoalmente, é um choque terrível que esse atentado possa ter
ocorrido em uma Redação de jornal em Paris. Nos sentimos totalmente desamparados
diante da selvageria.
Dois deles, Cabu e Wolinski, eram próximos do sr.
Sim, nos acompanharam na maior parte de nosso percurso político. São pessoas que
encontrava com frequência, com quem confraternizei, que lutavam o mesmo combate
antinuclear, antimilitarista, anticlerical. Tinham a capacidade, com suas canetas e lápis, de
mostrar as contradições da sociedade. Eram antinacionalistas, antinucleares, ecologistas,
libertários.
É preciso entender que "Charlie Hebdo" foi alvo por ser um jornal no qual os fundadores
eram anticlericais, antirreligiosos, eles iam até o fim. Jornalistas que se consideravam no
espírito de 68, no senso crítico, de uma radicalização do pensamento, da rejeição da
religião, do autoritarismo.
O sr. acredita que de alguma forma "Charlie Hebdo" exagerava nas piadas?
Era a concepção deles, um jornal satírico onde o exagero era parte de sua ideia. Se você
diz que eles exageram, diz que eles não têm razão de ser. Estavam convencidos de que a
liberdade de expressão é atacar de Cristo a Maomé. Era a concepção de liberdade deles.
Pode-se achar isso babaca ou bom. Mas é parte do jogo. Uma sociedade livre é justamente
aquela que suporta o excesso.
Como vê o ataque do ponto de vista político?
Creio que há no movimento islâmico terrorista e radical um momento fascista. São forças,
pequenos grupos fascistas. Isso não quer dizer --e a elite política e todo mundo na França
sublinhou isso bem hoje-- que se deva confundir esse fascismo que se faz em nome do islã
com os muçulmanos em geral.
Como combater isso?
Existe um combate militar-policial, como contra o Estado Islâmico. Não é com boas
palavras e pedindo o dia todo que você vai derrotá-lo. Além disso, na sociedade, é preciso
demonstrar aos muçulmanos europeus que eles são cidadãos europeus e como tal devem
combater o extremismo.
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