quarta-feira, 29 de outubro de 2014

PF suspeita de armação em depoimento de Youssef



Na Carta Capital: PF SUSPEITA DE ARMAÇÃO EM DEPOIMENTO DE YOUSSEF, DIZ 

Para a Polícia Federal, a acusação do doleiro contra Lula e Dilma pode ter sido estimulada pela defesa 
de Youssef, com intenção eleitoral, um dia antes da publicação de “Veja”
O jornal O Globo traz em sua edição desta quarta-feira 29 uma informação que pode ajudar a elucidar 
a história por trás da “bala de prata” da oposição contra Dilma Rousseff (PT), a indicação, feita pelo 
doleiro Alberto Youssef, de que a presidente reeleita e o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva 
tinham conhecimento do esquema de corrupção na Petrobras. Segundo o jornal, os investigadores 
suspeitam que a declaração do doleiro pode ter sido forçada pela defesa para influenciar o resultado do 
segundo turno das eleições.
A Polícia Federal investiga como o depoimento de Youssef vazou e, segundo a reportagem do Globo 
indica, suspeita da ação da defesa do doleiro. De acordo com o jornal, Youssef prestou depoimento na 
terça-feira 21, como vinha fazendo normalmente, e não citou Lula ou Dilma. Na quarta-feira 22, diz o 
jornal, um dos advogados de Youssef pediu para “fazer uma retificação no depoimento anterior”. No 
interrogatório, afirma o Globo, o advogado “perguntou quem mais, além das pessoas já citadas pelo 
doleiro, sabia da fraude na Petrobras”. Youssef disse, prossegue o jornal, “acreditar que, pela dimensão 
do caso, não teria como Lula e Dilma não saberem”. A retificação acabou exatamente neste trecho.
No dia seguinte, a quinta-feira 23, antecipando sua circulação semanal em um dia, Veja publicou as 
declarações de Youssef a respeito de Lula e Dilma. Segundo a reportagem da revista, o doleiro não 
apresentou provas e elas não foram solicitadas.
A suspeita da PF levanta uma questão temporal curiosa. Enquanto a retificação do depoimento de 
Youssef teria ocorrido na quarta-feira, segundo O Globo, Veja afirmou em nota que sua APURAÇÃO 
“COMEÇOU NA PRÓPRIA TERÇA-FEIRA, mas só atingiu o grau de certeza e a clareza necessária 
para publicação na tarde de quinta-feira”.
A defesa de Youssef é coordenada pelo advogado Antonio Augusto Figueiredo Basto. Por um ano, 
Basto teve um cargo de conselheiro do Conselho de Administração da Sanepar, a Companhia de 
Saneamento do Paraná. Como consta no site da empresa, ele ASSUMIU O CARGO EM 17 DE 
JANEIRO DE 2011, 16 dias após a posse de Beto Richa (PSDB) como governador do Paraná. Em 25 
de abril de 2012, a carta de renúncia de Basto foi lida em assembleia geral da Sanepar, como consta em 
ATA TAMBÉM PUBLICADA no site da companhia. No último 23 de outubro, no mesmo dia da 
publicação de Veja, Basto disse ao mesmo jornal O Globo que DESCONHECIA O TEOR DO 
DEPOIMENTO dado por Youssef na terça-feira 21.


A reportagem sobre a suspeita da PF, publicada nesta quarta-feira 29 pelo Globo, no pé da página 6
A notícia veiculada pelo Globo, apurada de Brasília e Curitiba e que não tem assinatura em sua edição 
imprensa, apenas na VERSÃO ONLINE, foi relegada à parte inferior da página 6 do periódico, uma 
escolha que chama atenção diante da repercussão que teve a capa da revista Veja.
No horário eleitoral do dia seguinte, a sexta-feira 24, DILMA ROUSSEF DISSE QUE IRIA 
quem doer”. Na Justiça, o PT conseguiu proibir a editora Abril de VEICULAR PROPAGANDAS 
DE SUA CAPA, considerada “propaganda eleitoral”, e também o DIREITO DE RESPOSTA diante 
da reportagem.
Na sexta-feira e no sábado, véspera do segundo turno, panfletos com a capa impressa de Veja foram 
distribuídos em várias cidades do Brasil. Na madrugada de sábado 25 para domingo 26 começou a 
SIDO ENVENENADO. A Polícia Federal e o hospital em que ele esteve desmentiram a informação, 
que circulou pelas redes sociais em uma velocidade impressionante, assustando a militância petista na 
reta final da votação e provocando um impacto que dificilmente poderá ser mensurado.
Também na imprensa brasileira houve repercussões. No domingo 26, um colunista da Folha de 
S.Paulo, que publicou reportagem de teor semelhante ao de Veja a respeito do suposto conhecimento 
de Lula e Dilma sobre a corrupção, acusou a TV Globo de ter “medo” ao não repercutir as denúncias 
dos dois veículos no Jornal Nacional. Em resposta, o diretor de jornalismo da Globo afirmou que as 
fontes da emissora não confirmaram “com suas fontes o sentido do que fora publicado” pela revista e 
classificaram como “distorcida” da reportagem da Folha.
(Por José Antonio Lima)
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