Almoço com 602 empresários organizado pela Lide, com direito a declarações de Fernando
Henrique Cardoso e Armínio (Nau) Fraga (o Praga). Na pesquisa encomendada pelo Lide para
medir o clima empresarial com as eleições, a vencedora, segundo apurado, seria Marina, com
53%, contra 35% para Aécio e 12%, Dilma. FHC foi aplaudido de pé ao dizer que é preciso
dramatizar o episódio recente da Petrobras no horário eleitoral gratuito. Disse também, que
Marina fez isso (de dramatizar) e que é um modo de comunicação importante. Comparou
Petrobras com mensalão e elogiou Roberto Jefferson. Os empresários adoraram. No entanto,
nem ele nem o Nau Fraga responderam sobre o fim do Fator Previdenciário, criado por ele
para manter a Previdência por mais algum tempo, e prometido por Aécio. E defendeu a ideia de
um Banco Central independente.
Penúltima antes do 1º turno da eleição dia 5 de outubro, essa é a semana dos desesperados. Os
candidatos Aécio Neves (PSDB-DEM) e Marina Silva (PSB), mais o ex-presidente tucano Fernando
Henrique Cardoso, todos fazendo apelos dramáticos, todos vítimas, todos coitadinhos, em desespero
incontido, o pessoal do PSDB louco para aderir já a Marina e não sabe como.
Aécio apela ao eleitor mineiro com um argumento pueril: votem em mim porque sou mineiro, neto do
Aécio apela ao eleitor mineiro com um argumento pueril: votem em mim porque sou mineiro, neto do
presidente Tancredo e vou ajudar Minas sendo presidente. E que se dane a República e a Federação…
Parece um bebê chorão que não consegue entender o porquê de ter perdido tantos votos. Aí atribui a
perda à tragédia que tirou a vida promissora do ex-governador Eduardo Campos, quando a verdadeira
razão é que Marina capturou suas bandeiras econômicas neoliberais.
E o mais grave: capturou o apoio do grande capital financeiro e bancário que era do tucanato. Basta
ver a pesquisa feita no regabofe preparado como palco para a falsa indignação exposta, ontem, pelo ex-
presidente Fernando Henrique Cardoso e patrocinado pelo Lide – a entidade que congrega grupo de
empresários de São Paulo e que se tornou palanque de campanha dos presidenciáveis conservadores.
Nada menos do que 53% dos 600 empresários presentes ao regabofe do Lide para FHC, ouvidos em
pesquisa informal, cravaram aposta na vitória de Marina.
FHC desesperado: 53% do empresariado aposta em vitória de Marina
FHC está desesperado – deixou claro isso, ontem – vendo o PSDB perder a eleição, ficando de fora do
2º turno e virando uma espécie de DEM, a cada dia e a cada eleição minguando e mais perto do fim…
FHC fala em corrupção sistêmica, em apontar os responsáveis, esquecendo que em seu governo não
havia como apontá-los já que não havia nem investigação e nem inquéritos. Muito menos processos e
julgamentos. Tudo era arquivado, engavetado, sempre com o apoio nada discreto de certa mídia.
Mas, se ele quer falar em corrupção sistêmica e em responsáveis, poderia fazer a lista das denúncias
nunca investigadas contra o PSDB nos 20 anos que governou São Paulo e impediu a constituição de
mais de 70 pedidos de CPI na Assembleia Legislativa. Ou explicar como o tucano Marconi Perillo,
com todas ligações que tinha com o empresário da contravenção Carlos Cachoeira, ainda governa
Goiás e é candidato à reeleição.
Ou, ainda, começar pelo afundamento nunca apurado da plataforma P-36, da Petrobras, em seu
governo, prejuízo de R$ 1,6 bi, o dobro do custo de compra da Refinaria de Pasadena. Ou, até, pela
compra de votos para aprovação da emenda da reeleição que o beneficiou… (Confiram aqui os 45
Marina posa de Joana D’Arc e do flechado São Sebastião
A candidata Marina continua pela undécima semana se fazendo de vítima sem razão. Posa de Joana
D’Arc, de São Sebastião, quando ninguém a acusou de nada do que ela enumera. Ela é, sim, criticada
politicamente por seu programa que diz, nisso de forma clara, que o pré-sal é secundário (a questão
merece uma linha no programa de 243 páginas), que o Banco Central deve ser independente…
É criticada porque sempre foi contra os transgênicos e agora mudou, porque defendeu a terceirização, a
precarização e a flexibilização das leis trabalhistas – antes era contra – e porque seus assessores estão
todos sentando na cadeira como ministros antes de vencer. E como tal, dizem claramente que darão um
choque na economia brasileira com cortes nos gastos, mais juros e superávit, tarifaço e por aí vai… Ela
quer o que? Não ser criticada politicamente?
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