Por: Fernando Brito
Se alguém queria saber porque a TV Record “guardou” por 24 horas o resultado da pesquisa Vox
Populi sobre a intenção de voto presidencial, basta que olhe os números aí de cima, revelados, afinal,
na noite de hoje.
São os que indicam, sem maquiagem, os “trackings” feitos pelo próprio Vox Populi e por outras
empresas, por encomenda dos candidatos.
As perdas de Marina, registradas com timidez no Ibope e no Datafolha são maiores que as admitidas e
têm, nas últimas duas semanas, ficado na casa cinco pontos, enquanto os ganhos de Dilma, embora
menores, também têm apresentado constância neste pequeno crescimento de dois pontos semanais.
O crescimento de Dilma se deu basicamente no Sudeste, onde a petista alcançou 37% da preferência,
contra 30% da ex-senadora e 20% de Aécio. Na pesquisa anterior, quinze dias antes, os índices eram
28% para Marina, 26% para Dilma e 20% para Aécio.
Um situação que levou a disputa ao limiar de uma decisão em primeiro turno, ainda improvável mas já
muito distante do que seria impossível.
No cálculo de votos válidos – que desconsidera indecisos, brancos e nulos – Dilma atinge, pelo Vox
Populi, 48,78% dos votos válidos.
O tempo passou a jogar contra Marina, que cai com intensidade semelhante àquela com que subiu.
E, pior, de uma forma em que não estimula Aécio Neves a jogar definitivamente a toalha.
GLOBOPE
Seis na rodada anterior do Ibope, sete no Datafolha, agora nove pontos no resultado do Ibope
A vantagem de Dilma Rousseff sobre Marina Silva vem sendo “concedida” assim, a conta-gotas, no
“limite da responsabilidade”.
Mais que isso, faz-se de tudo para amenizar-se a percepção que está visível a todos: a de que Marina
Silva entrou numa trajetória de queda que é, aparentemente, irreversível e certamente mais veloz do
que admitem as pesquisas.
Com todas as ressalvas que merece qualquer análise de pesquisa que, está evidente, começou um
processo homeopático de adequação à verdade eleitoral.
Marina, a esta altura, está muito mais perto dos 20% que dos 30. E Aécio muito mais perto dela que
aparece.
Mas o “é com ela que eu vou” não permite que isso apareça. Ou que só pareça perifericamente, como
aparece na pesquisa do Vox Populi.
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