O Tribunal de Justiça do Rio de Janeiro concedeu nesta terça-feira habeas corpus para 13 dos
19 ativistas presos no último sábado sob acusação de “formação de quadrilha armada” e
suposta participação violenta em protestos. Outros pedidos de liberdade provisória poderão ser
autorizados ao longo desta noite.Além da OAB e da Anistia Internacional, o Instituto de
Filosofia e Ciências Humanas (IFCH-UERJ), o Movimento Nacional de Direitos Humanos
(MNDH), a ONG Justiça Global, entre outras entidades, condenaram as prisões. Em nota
pública, os políticos Chico Alencar, Jean Wyllis, Lindberg Farias, Marcelo Freixo e Luiz
Eduardo Soares afirmaram que “foram golpeados direitos elementares individuais e de livre
manifestação”.
Jornal GGN - Helena Harano, mãe de Fabio Hideki Harano, estudante e funcionário da USP, defendeu seu filho em ato contra a prisão do jovem. "Não vejo sentido em alguém ser preso simplesmente porque participou de manifestação. Ele não é, nem nunca foi, black bloc."
Fabio Hideki Harano, de 27 anos, foi preso em uma manifestação contra a Copa do Mundo ocorrida no último dia 23, em São Paulo, acusado de portar material explosivo. Para Luiz Eduardo Greenhalgh, advogado do ativista, Hideki é um "bode expiatório". "Ele foi preso como resposta da polícia às manifestações do ano passado", defende. Ele aguarda o julgamento do habeas corpus, que está marcado para a próxima terça-feira.
"Não vejo sentido em alguém ser preso simplesmente porque participou de manifestação. Espero que as pessoas que mantêm meu filho preso coloquem, em algum momento, a mão na consciência. Ele não é, nem nunca, foi black bloc.”
O desabafo é da dona de casa Helena Harano, 54 anos, mãe do estudante e funcionário da Universidade de São Paulo (USP) Fábio Hideki Harano, 27 anos, preso na manifestação contra a Copa ocorrida no último dia 23, na avenida Paulista.
Helena participou de um ato em desagravo do filho e de um segundo manifestante preso no mesmo dia, o administrador de empresas Rafael Lusvarghi, 29 anos, promovido pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) na Faculdade de Direito do Largo São Francisco, da USP, na região central de São Paulo.
Natural de Vitória, onde vive com o marido, ela visitou o filho na Penitenciária de Tremembé, no Vale do Paraíba, nos dois últimos sábados. Vegetariano e de cabelos compridos, o jovem teve a cabeça raspada quando chegou à unidade prisional e abandonou a restrição alimentar que seguia há cinco anos, segundo a mãe, devido à comida servida dentro do presídio. A Defensoria Pública do Estadochegou a pedir à Justiça a liberdade dos dois manifestantes, mas não foi atendida.
Helena participou de um ato em desagravo do filho promovida pelo Sindicato dos Trabalhadores da USP (Sintusp) na Faculdade de Direito da universidade, no centro de São Paulo
“Meu filho tem todo o direito de se manifestar, como qualquer cidadão, pelos ideais em que acredita. Mas é um sujeito calmo, alegre, as pessoas gostam dele - eu mesma não imaginava que gostassem tanto”, afirmou, entre um abraço e outro de funcionários, professores e alunos da USP que a abordaram, durante e depois da entrevista. “Ele está na ala dos midiáticos na penitenciária, com outros dois presos que não sei quem são, pois meu foco era apenas meu filho. Só querem que o libertem o mais rápido que for possível - isso perturba o equilíbrio da gente, né?”
A mãe contou que o filho passou o aniversário de 27 anos, no último dia 30, na prisão. "Estou muito triste, mas principalmente muito indignada com isso", definiu.
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