terça-feira, 5 de outubro de 2010

Alckmin foi eleito pelo Ficha Limpa



Nem precisou acontecer nos rincões distantes onde predomina o vácuo institucional. Em pleno berço da civilidade cosmopolita, o Judiciário paulista acaba de protagonizar o primeiro golpe eleitoral viabilizado pela espúria lei da Ficha Limpa.
Geraldo Alckmin livrou-se do segundo turno (e José Serra de uma desgastante disputa secundária) graças a uma canetada de algum desconhecido vestindo um manto preto. Jamais saberemos se foi uma decisão tecnicamente correta, mas no fundo isso é irrelevante. Ou se respeita o processo eleitoral em curso, ou vivemos uma tribunocracia.
O que diria a imprensa “ética” se Dilma Rousseff se elegesse nas mesmas circunstâncias? E quanto falta até que suas excelências comecem a receber prebendas para beneficiar candidatos poderosos, se é que isso já não acontece?
Enquanto os incautos se empenham num combate extemporâneo e desnecessário ao malufismo, os justiceiros de plantão acabam de jogar a maior máquina administrativa do país no colo da Opus Dei. Não foi por falta de aviso.
Atualização em 5 de outubro - Evidentemente, essa análise sobrevive à divulgação dos votos impugnados. Os eleitores identificados com os três candidatos atingidos são bem-informados e particularmente sensíveis à questão ética. Boa parte anulou ou votou em branco ao saber do veto judicial.
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