segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

DOM CAPPIO E OS MITOS DA TRANSPOSIÇÃO

A nova greve de fome de Dom Luiz Flávio Cappio traz a tona os mitos (dos dois lados) em relação às obras de transposição do São Francisco.
O primeiro dos mitos é a própria transposição. Não se trata de transpor o Rio, mas as suas águas.
Afirmar que a obra irá atender a 12 milhões de pessoas e que irá resolver o problema da seca é mais um grande mito que foi vendido por Ciro Gomes ao Presidente Lula.
As obras previstas para a transposição tem um objetivo fundamental: a segurança hídrica da região metropolitana de Fortaleza. E de assegurar o desenvolvimento industrial da área junto ao Porto de Pecém. Com base numa siderúrgica, que precisa ter a segurança do suprimento de água.
É uma solução engenhosa com a integração de bacias hidrográficas. Garante a continuidade de suprimento de água pelos açudes e reservatórios já existentes, pelo suprimento adicional de água do São Francisco. Mas não resolve o problema principal: o elevado grau de evaporação da água, nos canais e nos reservatórios.
O problema da degradação do São Francisco ocorre, principalmente, à montante do reservatório de Sobradinho. A tomada de água para a transposição será a jusante. Explicando, a degradação ocorre antes. O desvio da água para levar para o Ceará e Paraiba será depois do reservatório, não afetando toda parte anterior. Poderá afetar o trecho posterior, com efeitos na foz. Insuficientemente avaliados, o que dá margem a especulações míticas, sem bases científicas ou tecnológicas.
É preciso vencer os mitos, para que as decisões tenham base mais técnicas e realistas.
Não deve ser transformada numa questão religiosa.

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