terça-feira, 6 de novembro de 2007

'Sobrevivendo no Inferno', ícone dos Racionais, faz 10 anos

O ano de 1997 já estava chegando ao final. São Paulo e o Brasil ainda amargavam títulos como o terceiro maior índice de homicídios das Américas e uma taxa de desemprego entre jovens da periferia que passava dos 30%. Um habitante do bairro paulistano do Capão Redondo chegava a ter 12 vezes mais chances de ser assassinado do que um morador de outra parte da cidade.
Um cenário não muito diferente do que já existia há um bom tempo, mas, em novembro daquele ano, muitos se deram conta do que realmente significavam esses números. Como se com a força de uma explosão, milhões se voltaram para um álbum chamado Sobrevivendo no Inferno, dos Racionais MC's.
O maior nome do hip-hop no Brasil já tinha quase dez anos de existência, estava lançando o seu terceiro disco e era largamente idolatrado na periferia de São Paulo. Mas agora era a grande mídia, acadêmicos, músicos, gente bem-nascida e desavisados que descobriam o que Mano Brown, Edy Rock, Ice Blue e KL Jay tinham para dizer.
Foi preciso o fenômeno de 200 mil discos vendidos em apenas um mês (um número que mais tarde ultrapassaria a barreira de 1 milhão) para ganharem evidência as letras sobre a rotina de violência em bairros pobres da zona sul de São Paulo, vinda da polícia ou do caminho do crime escolhido por alguns jovens dessa região.
Foi após Sobrevivendo no Inferno que definitivamente os Racionais ganharam exposição. Tocaram em rádios que não dedicavam espaço ao hip hop. Fizeram videoclipe e entraram na parada dos mais vistos da MTV (cuja festa de premiação foi protagonizada pelo grupo, em uma "cena" com Carlinhos Brown). Medalhões da MPB como Caetano Veloso e Chico Buarque discutiram o "fenômeno Racionais". O mercado descobriu que havia um cenário de hip-hop brasileiro e a cultura dos manos.


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