É a síndrome do colonizado.
"Por que você não cala a boca?", disse o rei da Espanha Juan Carlos a Hugo Chávez, depois que o presidente da Venezuela se referiu ao ex-primeiro ministro espanhol, José Maria Aznar, como fascista. Aznar e o presidente americano George Bush deram apoio ao golpe que tirou Chávez do poder durante algumas horas, em 2002.
O jornal chileno El Mercurio colecionou as declarações de Chávez em Santiago:
"Não sou moedinha de ouro para que todos me queiram" (sobre protestos contra sua presença na reunião).
"A Bolívia teve mar... olhem o mapa, a Bolívia tinha seu mar" (provocando os chilenos, que tomaram da Bolívia o território que dava ao país acesso ao mar e relembrando sua frase "Sonho em banhar-me numa praia boliviana")
"Gosto mais de outro termo, em função de uma visão revolucionária. O inferno poderia estar coeso. A palavra coesão significa algo de componentes fortemente ligados. Eu prefiro falar em transformação social rumo à justiça social" (sobre a palavra "coesão", usada no nome do encontro de cúpula).
"Chávez, esses se foderam" (teria dito o ex-primeiro ministro espanhol, José María Aznar, ao pedir a Chávez que abandonasse Cuba e deixasse para trás países como o Haiti, para entrar no primeiro mundo).
"Uma serpente é mais humana que um fascista ou um racista; um tigre é mais humano que um fascista ou que um racista" (sobre Aznar, a quem acusou de tentar derrubá-lo).
"O rei será o rei, mas não pode me calar" (depois que o rei mandou que Chávez calasse a boca, quando este discutia com o primeiro-ministro espanhol Jose Luiz Zapatero).
"Nenhum chefe de Estado pode mandar outro se calar, com a diferença de que fui eleito três vezes".
"Não estava falando com o rei e ele é tão chefe de Estado como eu sou, com a diferença de que fui eleito três vezes com 63% dos votos; o índio Evo Morales é tão chefe de Estado quanto o rei Juan Carlos de Borboun".
O fato é que Chávez abandonou completamente a diplomacia para dizer o que pensa. Ouçam a mais recente declaração dele sobre os Estados Unidos, dada em Santiago. Está aqui.
Aqui está o rei mandando Chávez calar a boca. E aqui o momento em que o rei, depois de ouvir críticas de Ortega ao embaixador da Espanha, sai da sala.
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