quarta-feira, 7 de outubro de 2015

ZELOTES SUSPEITA DE REPASSE DE R$ 1,8 MI A AUGUSTO NARDES


Violar a Lei Orgânica da Magistratura não é a única razão para Nardes se preocupar

Na CartaCapital: Zelotes suspeita de repasse de R$ 1,8 mi a Augusto Nardes

Sigilo bancário, telefonemas e e-mails de empresa investigada apontam ministro do TCU 
beneficiado em anulação fraudulenta de dívida fiscal da RBS

A acusação de violar a Lei Orgânica da Magistratura na condução do exame das contas de 2014 do governo Dilma Rousseff não é a única razão para o ministro Augusto Nardes, do Tribunal de Contas da União (TCU), preocupar-se por estes dias. O avanço da Operação Zelotes reforça as suspeitas de envolvimento dele com o esquema fraudulento de anulação de dívidas fiscais.
No material já recolhido durante as investigações, há indícios a apontar Nardes como destinatário de pagamentos de aproximadamente 1,8 milhões de reais, divididos em três parcelas de cerca de 600 mil reais cada. Os pagamentos são suspeitos por terem na origem uma das principais empresas investigadas, a SGR Consultoria.
As desconfianças sobre Nardes amparam-se em informações obtidas a partir da quebra de sigilo bancário da SGR, de anotações encontradas em escritórios da empresa e de interceptações de telefonemas e e-mails de investigados.
Em alguns telefonemas e e-mails, por exemplo, uma funcionária da SGR tida como responsável por distribuir dinheiro ilícito, chamada Gigliane, recebe orientação para efetutar pagamentos ao “tio” e ao “Ju”. Nardes já foi sócio de um sobrinho advogado, Carlos Juliano Ribeiro Nardes, na empresa Planalto Soluções e Negócios. Os investigadores vêem ligações entre a SGR e a Planalto.
O repasse da SGR seria uma espécie de comissão paga a Nardes por ele colaborar de algum modo com um caso específico na mira da Operação Zelotes: o sumiço de 150 milhões de reais em dívidas da RBS, retransmissora da TV Globo no Rio Grande do Sul, terra do ministro do TCU. Nardes teria usado sua influência em Brasília e no seu antigo partido, o PP, para ajudar o grupo de comunicação.
O cancelamento dos débitos da RBS ocorreu no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf), órgão do Ministério da Fazenda em que as fraudes apuradas pela Zelotes se materializavam. Em troca da anulação da dívida, a empresa teria pago 15 milhões de reais a uma série de pessoas. Entre estas, um ex-conselheiro do Carf e sócio da SGR, José Ricardo da Silva, o Zé Ricardo.
Silva e a SGR tinha papel-chave no esquema no Carf. Intermediavam os contatos entre conselheiros do Carf e empresas endividadas dispostas a subornar. E distribuiam o dinheiro entre as partes.
Nenhum cliente fez tantos pagamentos à consultoria quanto a RBS. É o que diz um relatório da Polícia Federal (PF) elaborado a partir da análise de 909 transações financeiras da SGR realizadas entre 2005 e 2013, um total de 115 milhões de reais.
Dos 15 milhões de reais que o grupo teria pago para se safar no Carf, 11,9 milhões foram para a SGR. Foi desta última quantia que a consultoria teria direcionado uma fatia cerca de 1,8 milhão a Nardes.
O ministro do TCU é de uma mesma pequena cidade gaúcha, Santo Ângelo, que um investigado na Operação Zelotes que acabou por virar delator. Paulo Roberto Cortez também já foi conselheiro do Carf e já trabalhou com Zé Ricardo, da SGR. Quando policiais federais e procuradores de Justiça saíram a campo pela segunda vez, em 3 de setembro, Santo Ângelo era um dos alvos.
Há quem veja possível ligação de Nardes com o esquema no Carf também por razões partidárias. Até ser nomeado ministro do TCU, ele era deputado federal pelo PP. A mira da Operação Zelotes já atingiu um conselheiro do Carf, Francisco Maurício Rebelo de Albuquerque e Silva, que é pai de um ex-líder do PP na Câmara dos Deputados, Dudu da Fonte.
O aparecimento do nome de Augusto Nardes na Operação Zelotes foi revelado em setembro por CartaCapital. O material sobre ele tem de ser enviado ao Supremo Tribunal Federal (STF). Por ser ministro do TCU, Nardes só pode responder a eventuais processos criminais perante o STF. A juíza que cuida do caso na 10 Vara Federal de Brasília, Marianne Borre, volta de férias no dia 8.
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Madame Agripina deu azar. Processo por propina cai com Barroso, não com Gilmar



POR FERNANDO BRITO 

O senador José Agripino Maia, o Jajá Rabo de Palha – apelido que vem de uma gravação em que ele 
recomendava comprar votos sem deixar rastros, o tal “rabo de palha” – torceu hoje num sorteio e…
perdeu.
Denunciado por propina na construção da Arena das Dunas, em Natal – o Rio Grande do Norte era 
governado por sua correligionária de DEM Rosalba Ciarlini Rosado – Agripino sonhava que a 
relatoria caísse nas mãos do Ministro Gilmar Mendes, mas não deu…
O relator será Luís Roberto Barroso, que vai analisar a denúncia que foi desmembrada dos inquéritos 
da Lava Jato.
O paladino da moral, frequentador das marchas anticorrupção, já não é estreante: desde março, o 
STF tem um inquérito contra ele por ter cobrado R$ 1 milhão para permitir um esquema de 
corrupção no serviço de inspeção veicular do Rio Grande do Norte.
Neste também deu azar, o sorteio apontou como relatora a ministra Carmem Lúcia.
Qua azar, Jajá…
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GOVERNO VAI AO STF CONTRA NARDES


O pedido será analisado pelo ministro Luiz Fux

O governo entrou nesta terça-feira (6) com um pedido para que o STF (Supremo Tribunal Federal) 
suspenda o julgamento das contas de 2014 da presidente Dilma Rousseff até que o TCU (Tribunal de 
Contas da União) decida se o relator do caso, ministro Augusto Nardes, está impedido de atuar no 
processo.
O pedido, assinado pela Advocacia-Geral da União, será analisado pelo ministro Luiz Fux. A análise 
do balanço está marcada para esta quarta-feira (7) no TCU. A expectativa é de que o tribunal rejeite 
as contas, o que pode dar fôlego à oposição para tentar abrir um processo de impeachment no 
Congresso e afastá-la do cargo.
Nardes é acusado de parcialidade na condução da ação. Nesta segunda (5), o ministro Luís Inácio 
Adams (Advocacia-Geral da União), protocolou no TCU um pedido de afastamento do ministro. 
Para o governo, o relator violou normas que regem o tribunal ao opinar sobre o caso em eventos 
públicos, demonstrando parcialidade e antecipando seu voto. 
(...)
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Pedido de impeachment de Dilma não tem provas. E desde quando isso vem ao caso?



POR FERNANDO BRITO

Então, finalmente, a Folha publica hoje que os dois consultores jurídicos da Câmara dos Deputados 
que, separadamente, analisaram o pedido de impeachment de Helio Bicudo e Miguel Reale Jr., ex-
ministro da Justiça de Fernando Henrique Cardoso e concluíram que não apresenta provas e, 
portanto, deve ser arquivado.
Seria o natural, se vivêssemos uma situação natural, juridicamente séria.
Mas não é assim e a pantomima está armada: Cunha rejeita o recurso, o PSDB recorre da decisão e 
tenta obter a maioria simples para que seja iniciado o exame do pedido por uma comissão da 
Câmara. 
E a máquina de desestabilização segue sua marcha.
Não é só na Câmara, porém.
Assisti ontem o longo voto da Ministra Luciana Lóssio no TSE, em que ela demonstra, ao longo de 
51 páginas, que as “provas” apresentadas pelos tucanos para pedir a impugnação da chapa Dilma 
Rousseff-Michel Temer são, essencialmente, recortes de jornais, que – claro – independem também 
de provas.
Ora, as provas… Às favas as provas, como antes, na edição do AI-5, para lá mandou Jarbas 
Passarinho os escrúpulos de consciência.
Então a ação segue sem elas, valendo o voto-panfleto de Gilmar Mendes, acompanhado de seu novo 
amigo Dias Tófolli, contra o trabalho criterioso de Lossio e, antes, da relatora Maria Thereza de 
Assis Moura, que não conheceu do recurso por falta daquela superfluidade denominada prova, 
substituída pelo “tomo mundo sabe, está nos jornais”.
Embora hoje, no Brasil, já não se tenha segurança jurídica para coisa alguma, uma ação desta 
natureza vai se arrastar e seguirá como fonte de desestabilização política do Governo e de paralisia 
do país, tudo o que o espírito da lei cuida de evitar, mas é desconsiderado pelos que administram a 
Justiça.
In dubio, pau no Governo.
Já para Cunha, talvez os tucanos exijam que se apresente o cartão de autógrafos da conta na Suíça, 
não bastem as comunicações oficiais do governo suíço.
Enquanto isso, ele manda transmitir ao vivo a votação das contas de Dilma no TCU, fato inédito na 
história da TV Câmara, talvez em em homenagem ao seu colega de infortúnio, o relator Augusto 
Nardes, que também está sendo investigado no Supremo, acusado de ter recebido R$ 1,65 milhão de 
uma empresa investigada sob suspeita de envolvimento com fraudes fiscais apanhada na Operação 
Zelotes.
Tudo isso só nos jornais de hoje… E viva os “homens bons”…
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“CARNE MORTA” PARA TUCANOS, CU...NHA MANTÉM ASSALTO AO PRÉ-SAL


Papel dos tucanos no caso Cunha é tão vergonhoso que nem Joaquim Barbosa aguentou. 

Chamado de “carne morta” por vice do PSDB, Cunha mantém assalto ao pré-sal

O vice-presidente nacional do PSDB, Alberto Goldman – um seguidor da escola moral dos 
comunistas que se passam para a direita, que tem como paradigma ético Carlos Lacerda –chamou 
ontem de “carne morta” o deputado Eduardo Cunha.
Ingrato Goldman, porque Cunha continua prestando bons serviços aos tucanos.
Ontem, recusou o requerimento – apoiado pelo PMDB – para retirar o pedido de urgência para o 
projeto entreguista que acaba com a reserva de 30% do pré-sal para a Petrobras, duplicata na Câmara 
da proposta de José Serra, no Senado, para escancarar – abertas estão, pois podem participar, sem 
controlar a exploração – nossas maiores reservas de petróleo.
Carniça ou não-carniça – como advertiu Janio de Freitas, na Folha – Cunha vai seguir exercendo seu 
papel deletério, até que os senhores procuradores resolvam tornar públicas as informações que 
receberam da Suíça, como fazem com todos os documentos que atingem o PT, oficial ou extra-
oficialmente.
O papel dos tucanos no caso Cunha é tão vergonhoso que nem o ex-ministro Joaquim Barbosa, atual 
Rui Barbosa do Twitter, aguentou mais e postou: “Contra o presidente de uma das Casas do 
Congresso há acusações de crimes graves, mas ele é apoiadíssimo pelo PSDB!”
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terça-feira, 6 de outubro de 2015

Russos destróem QG do Isis em Palmira; EUA, enfim admite que bombardeou hospital



POR FERNANDO BRITO 

A campanha aérea russa contra os terroristas do Estado Islâmico, o Isis, parece ter conseguido em uma semana causar mais estrago ao grupo do que meses de incursões americanas – e da Otan – obtiveram em mais de um ano de operações na Síria.
Acabam de anunciar a destruição do centro de comando do Isis a na localidade de As-Sukhnah, a 28 km de Palmira.
onde, anteontem, o grupo terrorista ganhou manchetes ao anunciar a demolição do Arco do Triunfo construído há 1.800 anos pelo imperador romano Lucius Septimius Severus.
Ontem, os aviões da Rússia haviam feito o mesmo com o QG do Exército Islâmico em Aleppo, segunda maior cidade síria.
E porque os russos estão conseguindo sucessos que a aviação ocidental não obtinha?
Será que tem pilotos ou equipamentos melhores? Óbvio que não é isso, embora estejam apagando a imagem de que seus esquipamentos bélicos são obsoletos e “pesadões”. Nem porque seus ataques estejam sendo complementados significativamente pelo combalido Exército Sírio, arruinado por três anos de combates e bloqueio completo na reposição de armamentos, que correm à vontadeo para seus adversários e para o Exército Islâmico, que desfila reluzentes carros de combate novinhos.
A razão é muito simples: o objetivo dos ataques russos é demolir o Issis e os grupos armados irregulares, ponto final. Não, como foram os ataques ocidentais, degradar a situação interna do país e viabilizar a tomada de poder por grupos simpáticos aos EUA.
Goste-se ou não dele, a Síria tem um governo e não pode ser bem sucedida uma campanha militar que diz atacar os extremistas mas visa a derrubada do presidente Bashar Al-Assad.
E não são só os aviões russos que estão mirando direto no ponto, enquanto os americanos gaguejam até para admitir – o que só fizeram hoje, três dias depois – que o bombardeio ao hospital dos Médicos Sem Fronteiras foi “erro” exclusivamente seu.
(Veja abaixo o vídeo, inequívoco, da declaração do General John Campbell, comandante dos EUA no Afeganistão, de que o ataque foi, embora equivocado, “uma decisão exclusivamente americana”.)
Maria Zakharova , representante oficial da chancelaria russa , em entrevista dada hoje destacou que não se trata de achar que Assad seja um “anjo” para a Síria. “Mas escolhendo entre manter um presidente não-ideal no poder e derrubar o terrorismo, a melhor opção talvez seja exatamente a segunda”.
Assim mesmo: curto, grosso e sem hipocrisias, porque é este o objetivo dos russos: forçar o reconhecimento de que, sem o reconhecimento – com condições, claro – do governo da Síria, tudo o mais é mergulhar o país em mais destruição, mortes e fuga em massa da população.
Era o que deveria ter sido feito desde o início e não armar grupos rebeldes, a começar pelo Isis ou mandar fazê-lo por seus aliados, como a Arábia Saudita.
Todas as pressões políticas para o estabelecimento de condições para a democratização da Síria são legítimas. Mas não são nem aceitáveis, tanto quanto não eficientes, quando se transformam numa intervenção militar que tolera e estimula grupos armados irregulares e sanguinários.
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RELATOR DA SUB COMISSÂO DEFENDE IDA DE NARDES À CPI DO CARF


Em entrevista ao 247, deputado Paulo Pimenta (PT-RS), que é relator da subcomissão que 
acompanha a Operação Zelotes na Câmara, questiona por que o presidente da CPI do Carf no 
Senado, Ataídes Oliveira (PSDB-TO), não convoca o ministro do TCU Augusto Nardes, uma 
vez que o Ministério Público "já encaminhou à Justiça os elementos que revelam o fato de ele 
ter sido beneficiado com recurso desse esquema criminoso"; o deputado denuncia uma 
"seletividade" do tucano, que segundo ele, conduz a CPI com "claros interesses partidários"; 
nesta semana, o senador anunciou que convocará o ex-presidente Lula e seu filho para 
esclarecer a aprovação da Medida Provisória 471 em 2009, que teria sido 'comprada' por 
montadoras de veículos; segundo Pimenta, "é evidentemente uma tentativa de desviar o foco 
do objeto principal da investigação, uma manobra"

O deputado federal Paulo Pimenta (PT-RS) questionou nesta terça-feira 6, durante entrevista ao 247, o motivo de o ministro do Tribunal de Contas da União (TCU) Augusto Nardes ainda não ter sido convocado à CPI do Carf, no Senado, presidida pelo senador Ataídes Oliveira (PSDB-TO).
Pimenta, que é relator da subcomissão que acompanha a Operação Zelotes na Câmara dos Deputados, lembra que o Ministério Público "já encaminhou à Justiça os indícios, os elementos que revelam o fato de ele (Nardes) ter sido beneficiado com recurso desse esquema criminoso".
A Operação Zelotes, deflagrada em março pela Polícia Federal, investiga fraudes no Conselho Administrativo de Recursos Fiscais (Carf). As suspeitas são de que conselheiros do órgão recebiam propina para regularizar dívidas de empresas com a Receita Federal. O grupo dava informações privilegiadas a escritórios de consultoria e advocacia.
Além de Nardes, Pimenta questiona o fato de não terem sido convocados presidentes de empresas que também estariam envolvidas, como a Mitsubishi, e de bancos, como Santander e Safra. O senador, diz ele, "tem todos os elementos comprobatórios das ações criminosas que ocorreram nessas empresas, que deveriam ser denunciadas".
Nesta semana, o tucano anunciou à imprensa que pretende convocar o ex-presidente Lula e seu filho, Luís Cláudio Lula da Silva, para esclarecer as negociações que envolveram a aprovação da Medida Provisória 471, que, em 2009, concedeu incentivo fiscal a montadoras de veículos. Segundo denúncia publicada pelo jornal O Estado de S. Paulo, a MP teria sido "comprada".
"Não existe na documentação [da investigação] nada que justifique a convocação. O presidente Lula e a presidente Dilma não são investigados. Não há qualquer vínculo entre a edição da MP e a operação Zelotes. É evidentemente uma tentativa de desviar o foco do objeto principal da investigação. Eu denuncio isso como uma manobra e o desafio: por que não chama o Nardes?", pergunta Pimenta.
Para o deputado, o anúncio de Ataídes sobre a convocação de Lula "revela uma seletividade do presidente na tentativa de conduzir a CPI claramente com interesses partidários". "Não estou incinuando, estou afirmando. Ele sabe que já tinha que ter chamado o Nardes. Por que não chamou os presidentes dos bancos? Há provas suficientes", acrescentou o petista. De acordo com ele, isso prova, inclusive, que Ataídes "negocia requerimentos aprovados" de modo a escolher os depoentes.
O nome do ministro Augusto Nardes teria aparecido na condição de sócio de uma das empresas participantes do esquema de corrupção na cobrança de tributos federais. 
No início de setembro, os agentes da PF realizaram busca e apreensão de provas na cidade de Santo Ângelo (RS), terra natal de Paulo Roberto Cortez, um dos delatores do esquema, e também de Nardes (leia mais).
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ALCKMIN IMPÕE SIGILO DE 25 ANOS NO "METROLÃO". É UMA CONFISSÃO DE CULPA?


Falhas e atrasos no metrô de SP só serão tratados após um quarto de século.

 Alckmin impõe sigilo e só vai expor falhas no metrô de SP após 25 anos

O governo Geraldo Alckmin (PSDB) tornou sigilosos por 25 anos centenas de documentos do transporte público metropolitano de São Paulo –que inclui os trens do Metrô e da CPTM e os ônibus intermunicipais da EMTU.
Devido ao carimbo de ultrassecreto no material, os paulistas só poderão saber os motivos exatos de atrasos em obras de linhas e estações, por exemplo, um quarto de século após a elaboração de relatórios sobre os problemas.
Quase todas as obras do governo Alckmin estão atrasadas. A promessa de deixar a rede de metrô com 100 km, até 2014, feita no mandato passado, só deve ser atingida no final desta nova gestão –atualmente há só 78 km.
O carimbo de ultrassecreto se refere ao grau máximo de sigilo previsto na Lei de Acesso à Informação, que entrou em vigor em 2012 e permite a qualquer cidadão requisitar documentos do setor público. Os demais são secreto (dez anos) e reservado (por cinco anos) –os prazos de sigilo ainda podem ser prorrogados.
(...)

O cofre de Alckmin é a confissão do “Metrolão”. E do cinismo nacional.

Transparente como a água suja do fundo do Cantareira.
É o mínimo que se pode dizer da decisão, publicada na Folha de hoje, do Governador Geraldo Alckmin de tornar “ultrassecretos” – com acesso vedado por 25 anos – milhares de documentos relativos às obras do Metrô e às aquisições da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos.
A desculpa de que ‘pessoas “mal-intencionadas” poderiam ter acesso’ à documentação é um deboche.
As obras do metrô paulista feitas nos últimos anos já se mostraram uma forma escandalosa de “cavar” dinheiro ilegal e estão sob investigação no Cade e no Ministério Público.
Punições, zero. O crime de homicídio cometido contra as sete pessoas tragadas pela cratera que se abriu em janeiro de 2007, no governo tucano de José Serra prescreveu este ano, sob o silêncio cúmplice de quase toda a imprensa. As empreiteiras envolvidas – será que você as conhece? – são as mesmas da Lava Jato: Odebrecht, OAS, Camargo Corrêa, Queiroz Galvão e Andrade Gutierrez.
Nenhum de seus dirigentes, por contribuírem para matar gente, foi preso. Deve ser “crime menor”.
As atuais, atrasadas ao extremo, duplicaram o custo e cortaram sua extensão.
Mas é “segredo de Estado”, num país onde e-mails que registram simples encontros entre autoridades e empresas, quando se trata do governo federal, são expostos e apontados como indícios de negócios suspeitos e merecem manchetes.
Os mortos da cratera, nem uma placa in memorian tiveram direito na fatídica estação Pinheiros, segundo se lê na única (e boa) matéria sobre a prescrição do crime, publicada no Monitor Mercantil.
Não há Moro para eles, não há “eles sabiam” para Serra e Alckmin, não há panelas, nem bonecos infláveis, ninguém os agride em restaurantes em hospitais.
Mas, sobretudo, não há interesse em escavar o monte de sujeiras que há no metrô paulista e o ouro que o monturo dos governos tucanos mal esconde.
O decreto tornando secretos – secretos por uma geração! – documentos de uma obra pública cheia de suspeitas é uma confissão.
Enterram-se os indícios, as provas, as culpas. E enterra-se a moribunda credibilidade de uma imprensa que ajuda a sepultar a si mesma.
O problema é que, quando se trata do PSDB, nem confessando lhes acontece qualquer coisa.
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FALHA SW SÂO PAULO, UM JORNAL A SERVIÇO DE EDUARDO CUNHA


A revolta impotente da ombudsman contra seu próprio jornal. Vida dura a dela!

por : Paulo Nogueira

Quase senti pena da última coluna de Vera Guimarães, ombudsman da Folha.
Foi um grito de revolta impotente, uma lamúria atirada num jornal que perdeu o pudor, foi tudo isso 
muito maisque um mero artigo para analisar o jornal.
Foi, também, uma amostra dos apuros que jornalistas honestos enfrentam hoje em redações 
dedicadas a minar o pensamento progressista.
Ou você joga este jogo sujo ou está fora.
Vera, pelo menos por enquanto, está garantida pela imunidade temporária que o cargo dá a ela.
O tema da coluna era Eduardo Cunha.
A pergunta central de Vera era a seguinte: como o jornal pudera não dar Cunha na manchete depois 
que as autoridades suíças revelaram espetacularmente que ele tem várias contas na Suíça abastecidas 
de dinheiro sujo.
Quer dizer: se aquilo não é manchete, o que é manchete?
Vera conta na coluna que enviou sua perplexidade à chefia da redação. Isto significa Sérgio Dávila, 
editor-chefe, mas, sobretudo, Otávio Frias, o dono e editor.
A resposta foi constrangedora. O comando admitiu protocolarmente o erro. Mas, essencialmente, 
nada fez para repará-lo.
É claro que Frias sabe da monstruosidade jornalística que vem sendo a cobertura da Folha ao caso 
Cunha.
Não é um erro involuntário. É uma estratégia deliberada que faz a Folha se aproximar da Veja, e que 
a vai tornando irrespirável para jornalistas independentes como Vera ou, como se viu há alguns 
meses, Xico Sá.
A Folha emergiu para a liderança, nos anos 1980, como um jornal liberal, moderno, no melhor 
sentido destes dois termos.
Atraiu assim leitores e jovens jornalistas talentosos, que se orgulhavam de dizer: “Sou da Folha de S. 
Paulo”. (Sim, eles não falam simplesmente “Folha”.)
Agora, é um jornal reacionário, conservador, de direita – e como tal protege descaradamente Eduardo 
Cunha em nome da causa maior que é derrubar a esquerda. O jornal “a serviço do Brasil” é hoje um 
jornal a serviço da plutocracia e, neste exato momento, a serviço de Eduardo Cunha.
A Folha tenta preservar as aparências publicando alguns colunistas como Gregório Duvivier e 
Guilherme Boulos no meio de Reinaldos Azevedos em penca, mas não consegue.
Ou, pelo menos, não para pessoas cultivadas como Vera Guimarães.
Você pode avaliar a mudança de comportamento da Folha pela sua coluna Painel, a principal da área 
de Política.
Até há duas semanas, o Painel era editado por Vera Magalhães, mulher de um assessor de Aécio, 
num flagrante conflito de interesses.
Aécio foi constantemente favorecido pelo Painel. A editora só deixou o Painel porque foi convidada 
para trabalhar – você pode adivinhar onde – na Veja.
Na Veja, conflito de interesses é algo que não existe há muitos anos, com o preço brutal pago pela 
revista em sua reputação.
Mas na Folha existia.
É difícil construir cultura editorial, mas é facílimo destruí-la, como a Folha vem fazendo e a Veja 
fez, há um bom tempo já.
Qual a mensagem que chega aos jovens jornalistas – e os melhores são sempre os idealistas – com a 
atitude do jornal?
A saída estrepitosa de Xico Sá foi um sinal de que a paciência dos jornalistas sérios da Folha chegou 
ao limite.
O texto-revolta de Vera Guimarães é mais um, e ainda mais forte.
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PGR PEDE ABERTURA DE INQUÉRITO CONTRA MADAME AGRIPINA


A Procuradoria-Geral da República enviou ao Supremo Tribunal Federal pedido de abertura 
de inquérito contra o presidente do DEM, senador José Agripino (RN), por suspeita de 
corrupção passiva e lavagem de dinheiro; Agripino é suspeito de ter acertado o recebimento de 
propina com executivos da OAS; o dinheiro seria fruto de desvios da obra do estádio Arena 
das Dunas, em Natal; ele também é um dos defensores do golpe contra a presidente Dilma 
Rousseff.

247 - A Procuradoria-Geral da República enviou ao Supremo Tribunal Federal (STF) pedido de 
abertura de inquérito contra o presidente do DEM, senador José Agripino (RN), por suspeita de 
corrupção passiva e lavagem de dinheiro.
O caso surgiu a partir de depoimentos prestados na Operação Lava-Jato, que apura desvios de 
dinheiro na Petrobras.
Os autos foram encaminhados ao relator do escândalo no tribunal, ministro Teori Zavascki. Os 
documentos, no entanto, foram repassados para o presidente da corte, ministro Ricardo 
Lewandowski, que vai sortear outro ministro para ser o relator do caso Agripino
No pedido de abertura de inquérito, a PGR afirmou que, apesar de a suspeita ter surgido dentro da 
Lava-Jato, não há relação direta com a corrupção na estatal. Por isso, a investigação não será 
considerada parte da Lava-Jato.
O inquérito ainda não foi aberto, e a petição tramita em sigilo absoluto. Agripino é suspeito de ter 
acertado o recebimento de propina com executivos da OAS, uma das empreiteiras investigadas na 
Lava-Jato. O dinheiro seria fruto de desvios da obra do estádio Arena das Dunas, em Natal.
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segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Marcelo Tas e as novas armas do Tio Sam



 Miguel do Rosário 

A informação abaixo não prova que Marcelo Tas vendeu sua opinião ao Tio Sam. Não vou entrar 
nesse mérito. Prefiro acreditar que não.
Tas é um cara influente no twitter, com milhões de seguidores, e me parece normal que um assessor 
de Hillary Clinton queira se gabar, junto à chefe, que conseguiu "plantar" uma ideia junto à opinião 
pública brasileira.
Mas reforça uma das teorias de conspiração mais quentes dos últimos tempos.
(E teorias de conspiração ganharam outro status após as revelações do Wikileaks e do Snowden. 
Agora elas voltaram a ser levadas à sério).
É a teoria do novo tipo de golpe desenvolvido pelo governo americano.
Eles agora tentam promover "mudanças de regime" com ações voltadas principalmente para a 
manipulação da opinião pública.
Na verdade, nem é tão conspiração assim. Pensando bem, não é crime pretender influenciar a opinião 
de outro país.
Quem é mais culpado aqui somos nós, que deveríamos estar mais atentos a essas tentativas de nos 
manipular, o que pode levar a opinião pública a defender coisas que não interessam à soberania 
brasileira.
Além disso, é mais um argumento para defendermos a democracia na mídia: a própria soberania 
nacional está em perigo se continuarmos tão vulneráveis, através da nossa mídia, a esse tipo de 
manipulação.
***
Da página do Ação Popular - Baderna Neles!:
O apresentador Marcelo Tas virou assunto de e-mails trocados por assessores de Hillary Clinton com 
a então secretária de Estado em 2011.
O motivo? Tas repassou, em sua conta no Twitter, uma mensagem do então assessor de Hillary para Inovação, Alec Ross. Ross narrou o feito em e-mail de agosto de 2011 a Thomas Shannon, então 
embaixador dos EUA.
Em uma troca de mensagens entre assessores de Hillary um deles disse:
"Você já me ouviu falar sobre como devemos cultivar 'influenciadores de mídias sociais' com o 
objetivo de validar e amplificar nossa mensagem"
O assessor conta então que Tas foi convidado para um "café" por iniciativa da Embaixada.
O assessor então diz:
Publiquei algo sobre Síria no meu Twitter. Tas pegou [o tuíte], reescreveu em português e então o 
disseminou para os seus quase 2 milhões (na época) de seguidores no Twitter
A troca de e-mails chegou a Hillary, que celebrou: "É um bom exemplo".
Marcelo tas diz que a celebração de seu tuíte por assessores é "normal". "A novidade é o Estado 
americano me achar relevante."
ATUALIZAÇÃO - - - > Conseguimos acesso aos documentos.
1. Entrar no site: https://foia.state.gov/
2. No campo "Search FOIA site" pesquisar por "Marcelo Tas"
3. Clicar no primeiro link que aparece.
Está tudo confirmado pelo próprio governo americano.
Fonte:
http://www1.folha.uol.com.br/mundo/2015/10/1689273-marcelo-tas-vira-assunto-entre-equipe-de-hillary-clinton.shtml?cmpid=facefolha


BADERNA NELES!
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O protesto no velório e a tolerância ilimitada que leva ao fim da tolerância



por : Kiko Nogueira

Ninguém jamais terá a desculpa de dizer que não viu o monstro crescer.
A pregação do ódio no Brasil atingiu um novo pico na escala de barbárie com os panfletos atirados 
no velório do ex-senador do PT José Eduardo Dutra, em Belo Horizonte.
Ocupantes de uma Saveiro preta jogaram os papeis. Havia policiais de plantão. Antes do ataque, o 
carro passou três vezes pelo local, afirmam testemunhas. Ainda assim, a PM afirma que não viu 
nada. Ok.
Um protesto também aconteceu ali. Um sujeito chamado Cipriano de Oliveira, aposentado de 60 
anos, resumiu o espírito de porco ao Estadão: “Qualquer momento é momento de mandar um 
bandido embora. Até no enterro da minha mãe eu faria isso”.
Submetida a uma dieta de ressentimento, desinformação e indignação seletiva, essa escumalha 
passou a considerar aceitável socialmente conspurcar um enterro e humilhar os familiares e amigos 
do morto.
Eles são “gente do bem”, segundo a definição imortal do líder dos Revoltados On Line, Marcello 
Reis, um mussolini para os nossos tempos.
Isso não os choca porque eles estão acima do bem e do mal. Não é força de expressão: uma pesquisa 
daempresa britânica YouGov com 1,646 homens e mulheres constatou que direitistas se acham 
moralmente superiores.
De acordo com o estudo, 47 daqueles que se descrevem como sendo de direita se declaram seres 
humanos melhores do que o cidadão médio (contra 39% de sedizentes esquerdistas). O levantamento 
também revelou que são mais propensos a acreditar que certas pessoas “nascem más”.
Os depravados que atacaram uma cerimônia fúnebre têm um nome: fascistas. Como lidar com eles?
Para começar, não é com “republicanismo”. Aquilo não faz parte do “debate político”. O filósofo 
Karl Popper escreveu o seguinte:
“A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada 
mesmo para aqueles que são intolerantes, e se não estivermos preparados para defender uma 
sociedade tolerante contra o ataque dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos e a 
tolerância com eles.
Esta formulação não implica que devamos sempre suprimir as filosofias intolerantes, contanto que 
possamos combatê-las com argumentos racionais e mantê-las sob controle da opinião pública.
Mas devemos reivindicar o direito de suprimi-las, se necessário até mesmo pela força, e isso pode 
facilmente acontecer se elas não estiverem preparadas para debater no nível de argumentação 
racional, ao começar por criticar todos os argumentos e proibindo seus seguidores de ouvir 
argumentos racionais, pois ela é uma filosofia enganosa, ensinando-os a responder a argumentos com 
uso de punhos ou pistolas.
Devemos, portanto, reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar os intolerantes. 
Devemos enfatizar que qualquer movimento que pregue a intolerância deva ser colocado fora da lei, 
e devemos considerar a incitação à intolerância como criminosa, da mesma forma como devemos 
considerar a incitação ao assassinato, ou sequestro, ou a revitalização do comércio de escravos como 
criminosa”.


Gente de bem
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HADDAD: OPOSIÇÃO JOGA NO OBSCURANTISMO


Governo Federal: "o problema é que a crise política acabou se tornando um problema maior 
do que o econômico". "Eu tenho que dialogar com a parte sã da cidade, com a parte 
construtiva", diz o prefeito. 

Entrevista de Fernando Haddad ao El País: Oposição em SP chega ao ponto de chamar ciclista 
de comunista”


Da antessala de seu gabinete, com vista para o Viaduto do Chá, onde costuma receber a imprensa e se reunir com seus secretários, o prefeito de São Paulo, Fernando Haddad, monitora a cidade por enormes telões. Em um deles observa o trânsito da capital. Em outro, os alertas de risco de enchentes. Um terceiro expõe um quadro com câmeras que na manhã da última quarta-feira retratavam, em tempo real, a porta da Prefeitura, onde um pequeno grupo de sem-teto acampava havia dias em protesto, e cada detalhe (incluindo rostos, roupas e comércio de pedras­­) do intenso fluxo de usuários de drogas da cracolândia –a única imagem daquela sala de situação que nunca é trocada, a pedido dele.
— Por que a imagem da cracolândia sempre, prefeito?
— É o projeto que eu mais tenho vontade de resolver. É uma coisa que tem que persistir todos os dias. Não pode desistir do território. Se você desiste do território ele vira outra coisa — diz, em uma afirmação que poderia servir para explicar também a sua relação com a própria cidade.
Às vésperas de entrar em seu último ano de mandato e em meio aos primeiros movimentos das eleições municipais de 2016, que se desenham para um enfrentamento com sua ex-aliada Marta Suplicy, Haddad vive um momento de boas notícias. Ao menos neste último mês. Foi chamado de visionário pelo The Wall Street Journal e ganhou elogios da prefeita de Paris, Anne Hidalgo.

Pergunta. Você está em uma maré boa de imagem...
Resposta. Eu não acredito muito nessas coisas (risos).
P. As medidas de trânsito têm mostrado efeito, as mortes diminuíram. Elogios de jornal internacional, da prefeita de Paris... Acha que a opinião pública pode começar a mudar?
R. Olha, hoje o nível de instabilidade nos humores é tão grande... Minha convicção é: se você tem um projeto em que acredita, use o seu mandato para executar esse projeto. Porque se você depender dessa instabilidade de humores, vai se desviar do seu objetivo central, que é deixar um legado para a cidade. Tem avanços institucionais importantes acontecendo. As finanças de São Paulo nunca estiveram em uma situação tão boa, mesmo com a crise.
P. Como isso é possível?
R. Aquilo que ninguém acreditava, que era recalcular a dívida de São Paulo [com a União], desde a assinatura do contrato em 2000, aconteceu. Com isso, tivemos uma redução de praticamente 50% da nossa dívida. Ela era de 180% da nossa receita, hoje, é de 90%. Pela lei, eu posso me endividar até 120%. Também se instalou a Comissão Especial para apreciar a Emenda Constitucional que regula o pagamento dos precatórios, elaborada pelos governos municipal e estadual de São Paulo. O nosso Plano Diretor e a lei urbanística também já estão em vigor. Se o Governo federal não financiar o PAC de São Paulo como estava planejado em 2013, eu tenho agora espaço para financiar o meu PAC. Eu tenho 30% a mais de capacidade de endividamento para financiar essas obras. Estamos falando de um pacote de obras que pode chegar a 14 bilhões de reais.
P. E quais serão as obras prioritárias?
R. Temos obra de drenagem em praticamente todas as bacias. São 12 corredores de ônibus que estão sendo licitados. Alguns estão em obras, outros podem entrar em obras se nós tivermos verba federal ou liberdade para financiar esses investimentos. Eu sempre falava de um tripé de desenvolvimento de São Paulo, que é a renegociação da dívida, incluindo aí os precatórios; as leis urbanísticas, que regulam o investimento privado na cidade, que está em ordem; e a licitação do pacote de investimentos, que vai ter verba federal ou financiamento [da prefeitura]. E é o maior pacote de obras da história de São Paulo. Esse é o legado que nós vamos deixar e que, modestamente, ninguém deixou.
P. Mas estamos entrando no último ano do seu Governo, que é um ano eleitoral. E quando a gente olha o Plano de Metas, vê que muitas das coisas prometidas e até essenciais para a população da periferia não saíram.
R. Não é verdade. Tenho 123 metas, devo cumprir totalmente entre 90 e 100 delas. Aí tem algumas muito difíceis. Por exemplo: os três hospitais gerais. Estou com os três em obra neste momento. O [do bairro do] Jabaquara vai ficar pronto neste ano. O [do bairro de] Parelheiros está numa velocidade espantosa: 20 meses contados de fevereiro deste ano, então vai dar tempo de entregar. O de Brasilândia, que atrasou, está em obras. Mas atrasou porque eu tive que refazer o projeto porque o Metrô requisitou a área e tive que deslocar o hospital no mesmo terreno. Vão sair os três hospitais. Neste ano, estarão prontas 15 unidades da Rede Hora Certa [espécie de posto de saúde preparado para fazer pequenas cirurgias]. Estou licitando mais cinco unidades e, com mais dez unidades móveis, serão 30 até o final de 2016.
P. E as creches?
R. Estamos atrasados com a meta. Mas neste ano o [secretário da Educação, Gabriel] Chalita abriu 33.000 vagas. Estamos falando de um ano em que a economia paulista vai ter 3% de recessão, pelo menos, e já teve 2% no ano passado. E o Chalita bateu recorde de abertura de vagas. Com esse mesmo esforço no ano que vem, talvez um pouquinho mais, a gente consegue zerar a fila no dia da matrícula. Eu prometi 172 equipamentos na educação, estou com 165 em obra. Prometi 32 universidades nos CEUs, estou com as 32 funcionando. E não prometi coisas que eu vou fazer, como o Passe Livre para estudante, que custa 400 milhões de reais por ano. Daria para fazer dez CEUs a cada ano com o valor do Passe Livre. Quantas metas eu poderia dizer que eu cumpri oferecendo Passe Livre para o estudante? Tem a iluminação LED [troca de lâmpadas em postes, que vão gerar economia de 50%], que eu não prometi. Mas se o Tribunal de Contas do Município liberar a licitação eu vou ter feito a maior Parceria Pública Privada de iluminação pública do mundo na cidade de São Paulo e isso não estava no meu horizonte em 2012.
P. E na área de transporte público?
R. Acho que a qualidade do ônibus está melhorando. O horário de pico é difícil. Nós estamos tentando. Acho que a licitação vai incrementar isso. Mas falta metrô na cidade de São Paulo. O ônibus não consegue fazer aquilo que tem que ser feito pelo metrô. E não tem expansão do metrô. Estamos pegando o transporte de média capacidade e usando para o transporte de alta capacidade. O papel da prefeitura é melhorar o transporte público sobre pneus. Está melhorando. São 380 quilômetros de faixa de ônibus.
P. O Uber vai ser regulamentado?
R. Eu não posso antecipar porque ainda vamos ter uma última reunião para ver como vai ficar. Nós vamos criar um marco regulatório de São Paulo, inspirado em boas práticas internacionais que eu acho que vai ser uma resposta efetiva de modernização do serviço, mas com regulação estatal.
P. O que não será possível entregar?
R. Tem dois projetos que eu dependo muito do Governo federal, que é o PAC [para obras de infraestrutura] e o Minha Casa, Minha Vida. Eu posso amanhã dar ordem de serviço nessas obras. Elas estão licenciadas, em ordem. Houve o anúncio de oito bilhões de reais para o PAC em São Paulo, em 2013. Gastamos meio bilhão de reais em desapropriação de terreno para o Minha Casa, Minha Vida. Eu estou com 28.000 unidades habitacionais em construção. Posso chegar a 55.000? Posso. Dependo do quê? Do Minha Casa, Minha Vida 3.
P. Que não vai ter dinheiro para novas obras.
R. Eu não sei se vai ter ou não. Da parte do município, modestamente, não faltou nada. Desapropriamos os terrenos, chamamos os empresários para investir no programa, aprovamos a duplicação de zonas de interesse social pelo Plano Diretor, cadastramos as famílias. Tem uma pendência? Tem! Eu dependo do Minha Casa, Minha Vida 3. Eu falo isso para o movimento de moradia. Eles sabem que a Prefeitura fez tudo o que está ao seu alcance. Isso aqui é um pacto federativo, com alinhamento estratégico entre Governo do Estado, município e União. Mas mesmo com a insegurança de repasse federal nós continuamos licenciando as obras porque eu ganhei espaço de financiamento, que antes eu não tinha. Se eu não tivesse repactuado a dívida [com a União], eu estaria vendendo uma ilusão. Eu ganhei 30% do meu Orçamento anual de espaço de endividamento. Isso dá entre 12 e 14 bilhões de reais. Financia tudo isso aí.
P. Mas dá para fazer tudo, com os outros projetos que precisam sair?
R. Daria para fazer tudo. Mas o financiamento está travado neste momento. Não tem uma sinalização clara da União de que ela vai liberar novos financiamentos. Estamos vivendo um ano atípico no Brasil. Nós temos que lidar com essa realidade. Quem é que poderia prever o que está acontecendo? Agora isso vale para o Governo do Estado, para o Rio Grande do Sul, para Minas Gerais.
P. Mas essa realidade afeta mais o PT. Nunca vivemos um cenário tão polarizado. Há pessoas que veem o projeto na Cracolândia e dizem que você negocia com traficante. Se caiu o trânsito, dizem que é por causa da crise...
R. Mas aí é mentira, né? Você está perguntando para mim como eu lido com a mentira? Faço uma política de redução de danos que é um exemplo internacional e uma pessoa vem com uma crítica dessas? Essa pessoa não está fazendo política, está rastejando. A única cidade que diminuiu a lentidão no Brasil foi São Paulo. A crise só existe em São Paulo? Essa crítica rasteira está em voga hoje. Mas eu não posso lidar com esse tipo de sentimento, com esse grau de destrutividade. Essa pessoa não está querendo construir um país e uma cidade decentes. Essa pessoa está num nível de distúrbio que eu tenho que respeitar, mas recomendar tratamento.
... Mas essas críticas existem...
R. Eu tenho que dialogar com a parte sã da cidade, com a parte construtiva. Se eu for entrar nisso, não tenho condições de governar São Paulo. Críticas são benéficas, mas eu não levo isso que você citou como crítica. Levo isso como parte de um problema mais psicológico do que político. Eu acredito na força da argumentação. Quando eu defender esses programas, eles vão se consolidar. E esse ruído que é patrocinado e criado pela oposição, vai perder força. A oposição em São Paulo está jogando no obscurantismo. A ponto de chamar um ciclista de comunista. Quando se chega nesse nível... Eu sou uma pessoa que acredita no Iluminismo, nas forças civilizatórias. A minha gestão, sobretudo fora de São Paulo, é reconhecida como uma força civilizatória. Eu sou um agente da civilização contra a barbárie.
P. É evidente que essas pessoas não votariam em você. Elas já são contra, independentemente do que você faça....
R. Mas nem eu votaria nelas, né? É recíproco! (risos)
P. Sim, mas existe uma grande parcela da população que votou em você e que vai ser disputada por um mesmo discurso, pela Marta...
R. Eu não sou muito a fim de entrar nessa discussão, você sabe... (risos)
P. Mas vamos tentar...
R. Vamos, mas eu vou tentar escapar... (risos) Porque, por incrível que pareça, está muito longe a eleição no Brasil. As coisas que aconteceram de um ano para cá mostram o que um ano pode fazer. Um ano é muito tempo no Brasil de hoje.
P. Quando se conversa com as pessoas na periferia, nos acampamentos dos sem-teto, muitas respondem que votaram em você, mas que agora não devem mais votar. Que não sentem na vida delas o reflexo do que se espera do PT, que é a política social. Será possível convencê-las de que o social ainda existe no governo petista?
R. O Minha Casa, Minha Vida não é um programa municipal, é nacional. Ele depende do Governo federal, Estadual e municipal. Se a verba da fase 3 for anunciada, vou entrar com todos os meus contratos com a Caixa Econômica Federal no dia seguinte. Se isso não acontecer, o movimento social vai ter razões para se queixar. E eu vou explicar que São Paulo fez a sua parte. O que me cabe é falar a verdade.
P. E é possível explicar para uma pessoa que está esperando seu imóvel que a culpa é do Governo federal? E como dizer isso se o Governo federal é do seu partido?
R. É óbvio que é uma situação delicada porque independentemente de ser Governo do PT ou não, nós firmamos o compromisso. É muito difícil explicar? Às vezes tenho que explicar até aquilo que não é competência do município. Eu vivo tendo que responder por segurança pública, atraso de obra do Metrô, fracasso do Monotrilho, crise de abastecimento de água [todas atribuições do Governo do Estado]. Quando eu vou para a periferia, esses assuntos são recorrentes.
Política nacional
P. Há a perspectiva de uma eventual queda da presidenta. Como lidar com um plano para a cidade diante desse cenário?
R. É muito desafiador o que está acontecendo. Vamos tentar colocar em perspectiva. Eu acredito que em 2013 e 2014, o Governo federal fez uma inflexão na política econômica. Eu não tenho nenhuma razão para acreditar que não foi com a melhor das intenções porque eu acredito que a presidenta tem compromisso. Mas o fato é que houve uma mudança de rota, que tinha como pressuposto a ideia de que a economia internacional ia retomar. E isso não aconteceu. Como a aposta não se realizou, aquilo que era supostamente transitório, que eram as políticas de conter preços administrados, desoneração, durou mais e provocou desequilíbrios importantes na economia.
Obviamente que quando alguém fixa uma meta de garantir o emprego e renda, que era o grande trunfo do Governo Dilma, acaba tomando essa decisão. Também tivemos problemas internos, como a falta d’água que comprometeu geração de energia elétrica barata... Enfim, a tal da tempestade perfeita. Aquilo que era para ser temporal se estendeu e provocou desequilíbrios reais. Aí vem a pergunta: esses desequilíbrios são estruturais ou conjunturais? Do meu ponto de vista, ainda que pudesse ter uma correção de rota, eram problemas conjunturais que estavam em jogo, que poderiam sacrificar uma parte dessas conquistas temporariamente, mas para uma retomada mais ágil.
O problema é que a crise política acabou se tornando um problema maior do que o econômico. Porque ela está alimentando a crise econômica. Então, se a presidenta conseguir refazer um pacto político em torno da governabilidade, ela tem efetivamente uma chance. Porque a economia brasileira responde muito rapidamente a estímulos corretos. Nós já vivemos isso, na crise cambial da virada do Governo Fernando Henrique [1999], que sofreu demais porque também fez uma aposta equivocada. Apostas são feitas e, às vezes, se perde. A crise política agora é muito mais severa do que a que o Fernando Henrique enfrentou. Esta corre o risco de transformar problemas conjunturais em problema estruturais.
P. E acha que isso se resolve?
R. Se com a reforma ministerial ela recompõe a maioria e toma as medidas corretas, recalibrando algumas decisões desse primeiro período, a economia brasileira reage rápido e, com três anos pela frente, aí efetivamente vai ter uma resposta. O quanto ela [Rousseff] vai recuperar do prestígio, só o tempo vai dizer.
P. O PMDB é um agente desse custo político. No sábado [27 de setembro], Michel Temer estava sendo colocado como candidato para 2018 pela militância do partido...
R. Seria interessante uma candidatura do PMDB em 2018. É um partido importante. É o maior partido do Brasil em número de deputados.
P. Contra o Lula?
R. Eu nem sei se o Lula será candidato.
P. No lugar de algum outro nome do PT?
R. Eu acho que estão aparecendo nomes. O Ciro Gomes se filiou ao PDT, a Marina Silva conseguiu o registro da Rede Sustentabilidade. O Brasil vai produzir suas lideranças, né?
P. Você faz parte do Conselho Consultivo da direção nacional do PT, que fez uma análise de conjuntura do partido. Está citando vários nomes que não são do PT. Existe uma análise do partido de que não deve disputar 2018?
R. Acho que não.
P. E uma análise sua?
R. Eu vi positivamente uma avaliação do Fernando Pimentel em Minas, um estado importante. É um governador que pode despontar. O Jaques Wagner ganhou três eleições no primeiro turno na Bahia, terra do Carlismo. Enfim, o PT vai ter candidato? O Lula vai estar disposto a uma sexta campanha presidencial? Não sei... Ontem estive com ele e ele usou uma expressão muito engraçada: falou ‘estou parecendo um posto Ipiranga’ (risos). ‘Todo mundo vem aqui como se eu fosse a solução para todos os problemas’, disse. O Lula é maior liderança que o país já teve e hoje está vivendo esses questionamentos. O legado dele vai para registro histórico. Em 2018 ele pode estar em condição de disputar. Citei três nomes do PT que poderão ser candidatos...
P. Seria mais interessante para o PT se afastar em 2018 para recuperar a sua base ou disputar a eleição?
R. Sinceramente, hoje eu não sou capaz de prever qual vai ser a atitude do PT. É difícil prever. Eu não tenho clareza do quadro para o ano que vem, imagine para 2018? O momento é de instabilidade. É como me perguntar, no meio de um tsunami, se vou pegar a próxima onda.
P. Você diz que não tem a percepção do cenário político para o ano que vem. Não sabe se vai ser candidato?
R. Eu não estou discutindo política para o ano que vem neste momento. Eu tenho que garantir que os projetos importantes para a cidade sejam aprovados. Eu tenho muita coisa ainda em tramitação e preciso de base de sustentação. Como tem o movimento dos partidos em torno de candidaturas, eu não posso correr o risco de a cidade não ter produção legislativa em função do realinhamento em torno de candidatos. Essas mexidas que eu fiz no secretariado [especialmente a ida de Gabriel Chalita, do PMDB, para a Educação] são para garantir que até 31 de dezembro do ano que vem a gente esteja governando. É isso. Agora, isso pode se desdobrar numa aliança? Pode. Mas não é a minha preocupação neste momento. A minha preocupação é a governabilidade, é garantir quatro anos de mandato com o governo ditando como será a cidade. Agora, a partir de abril, maio...
Até porque os acordos que são feitos hoje... Eu sou uma pessoa que se choca um pouco com o mundo da política. Porque eu fui educado por um camponês libanês. Para o meu pai, não se troca palavra. Não existe uma pessoa voltar atrás na palavra. Isso é o que eu aprendi com meu pai e é como eu sou. Mas, no mundo de hoje da política, nem o que está assinado vale.
P. Fala em relação ao PMDB?
R. Não, eu falo isso em relação a todo mundo. Não se tem mais protocolo. Não se tem mais protocolo na política.
P. Você se sente traído por esse movimento de colocar a Marta Suplicy para disputar a próxima eleição?
R. Não, não…Eu nem sei se isso vai acontecer. Mas eu não estou me referindo a um partido especificamente. Eu estou me referindo ao mundo da política de hoje.
P. Com a Marta na jogada são dois candidatos disputando o legado do PT. Ela disse, inclusive, que agora as conquistas do Governo dela, como o CEU e o Bilhete Único, passam a ser conquistas do PMDB.
R. (risos) Eu acho a Marta uma política muito peculiar, mas eu não quero comentar as declarações dela.
P. Peculiar como?
R. Interessante… (risos) As declarações dela…
P. Ela tem circulado e falado muito mal do seu Governo.
R. Eu não tenho nenhuma vontade de comentar as declarações dela neste momento. Nenhuma.
P. Como o PT vai bater em alguém cujos legados são do próprio partido?
R. Acho que não é o momento de discutir estratégia agora, sinceramente. E, se eu for candidato, eu jamais vou dizer pra um jornalista qual vai ser minha estratégia um ano antes da eleição! (risos)
P. É possível dizer que você está esperando ver qual vai ser o cenário para decidir se vai ser candidato ou não?
R. É possível dizer que eu não estou preocupado com eleição agora. É possível dizer que eu estou preocupado com o Governo, em função da movimentação dos partidos que estão acontecendo agora. Estou consolidando uma base de sustentação do Governo para aprovar os projetos que eu acho importantes para a cidade.
P. Caso não seja reeleito, teme o risco de ver desmontado o que fez?
R. Olha, a nossa democracia ainda não tem a consistência que nós precisamos. O Brasil ainda não sabe diferenciar política de Estado de política de Governo. Não existe isso no Brasil. Isso é péssimo para democracia. A democracia não é só divergência, disputa, como as pessoas às vezes entendem. Democracia é a disputa e o consenso. É você disputar a divergência e construir a convergência. Essa dinâmica é que faz o país crescer e não partidarizar tudo, vir alguém e pintar de azul as ciclovias.
P. E vale a pena tamanho desgaste? Lidar com esse tipo de política?
R. (risos) Mas você sabe... Eu só aceitei ser chefe de gabinete de uma secretaria municipal. Todo o resto não dependeu de mim (risos). Eu aceitei o cargo de chefe de gabinete do João Saad, na gestão da Marta. O resto foi consequência disso. A vida levou. Foram circunstâncias. Quem imaginava a crise de 2005 [do Mensalão]? Eu ser nomeado ministro, o Lula me manter no segundo mandato, a Dilma me manter no primeiro... O Lula me convidar para ser candidato à prefeitura e eu ganhar a eleição. Mas não sei pra onde a vida leva depois. Pode ser que seja para universidade.
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TV AFIADA: O PiG não conhece, não acredita e não gosta do Brasil

Eleições em Portugal: Coalizão conservadora fica na frente, mas perde maioria parlamentar


Apesar da vitória da coligação governista, Parlamento português terá mais partidos de 
esquerda no Parlamento; Bloco de Esquerda é a legenda que mais cresceu no país

A coalizão de centro-direita Portugal à Frente (PàF) venceu no domingo (04/10) as eleições
legislativas de Portugal com 36,8% dos votos contra 32,4% do Partido Socialista (PS). Entretanto, a
legenda perdeu maioria parlamentar.
Com o resultado das urnas 100% apuradas, o PàF — formado pelo Partido Social Democrata (PSD)
e o Partido Popular (CDS-PP), ambos de centro-direita — obteve 104 deputados, ao passo que o PS
conquistou 85 assentos no Parlamento português, composto por 230 cadeiras.
O Bloco de Esquerda (BE) será a terceira força parlamentar em Portugal, com 10,2% dos votos e 19
assentos no Legislativo, seguido da Coligação Democrática Unitária (CDU) — aliança entre os
partidos Comunista (PCP) e Ecologista — que obteve 8,3% dos votos e 17 cadeiras.
Para a imprensa portuguesa, a perda da maioria absoluta torna o próximo governo frágil perante uma
maioria de esquerda no Parlamento. Apesar da vitória, a coalizão de direita governista perdeu quase
600 mil votos se comparado ao último pleito.
"Não conseguimos chegar, como era nosso desejo, a uma maioria suficiente no parlamento para
poder formar um governo estável", admitiu o primeiro-ministro de Portugal e líder do Pàf, Pedro
Passos Coelho, após os resultados.
Em relação às últimas eleições de 2011, o partido que teve o crescimento mais expressivo em
Portugal foi o Bloco de Esquerda, que conseguiu quase o dobro de apoio - 550 mil - frente aos 289
mil de quatro anos atrás.

Nardes violou a lei, é óbvio. Mas desde quando a lei vale para todos?

nardes


Quem lê os jornais, se tiver um mínimo de honestidade, não pode deixar de reconhecer que o ministro Augusto Nardes violou dúzias de vezes o que está expresso no artigo 36, inciso III da Lei Orgânica da Magistratura Nacional:
Art. 36 – É vedado ao magistrado:<
   (…)
      III – manifestar, por qualquer meio de comunicação, opinião sobre processo pendente de julgamento, seu ou de outrem, ou juízo depreciativo sobre despachos, votos ou sentenças, de órgãos judiciais, ressalvada a crítica nos autos e em obras técnicas ou no exercício do magistério.
O mesmo texto é repetido literalmente no inciso VII do Regimento Interno do Tribunal de Contas da União, sem mudar uma vírgula.
Será que, há meses, alguém tem qualquer dúvida sobre a opinião de Nardes sobre as contas governamentais? Uso a frase cabal da Veja:
 “O relator já manifestou a intenção de votar pela rejeição das contas de Dilma.”
 Mas isso é a revista, não ele, o ministro… Não.
 Do Congresso em Foco, citando o Valor Econômico: 
“Confirmando o que tem dito nos últimos meses, o ministro Augusto Nardes, relator do processo sobre as contas do governo Dilma Rousseff no Tribunal de Contas da União (TCU), antecipou seu voto sobre o caso em entrevista ao jornalValor Econômico desta quinta-feira (24). Nardes voltou a demonstrar que o a corte de contas rejeitará a defesa apresentada pela Advocacia-Geral da União (AGU) sobre os atrasos nos repasses da União a bancos públicos para pagamentos de benefícios e programas sociais, prática que passou a ser chamada de “pedalada fiscal”.”
Mais?
 Sexta-feira, no mesmo Valor, o que parece ter sido a gota d’água para a decisão de questionar o impedimento de Nardes:
“Obtido pelo Valor PRO (serviço de informações em tempo real do Valor), o parecer do relator, Augusto Nardes, afirma categoricamente: “As contas não estão em condições de serem aprovadas, recomendando-se sua rejeição ao Congresso Nacional”.
A questão jurídica, portanto, é essencialmente política: a lei, atualmente, vale para todos, no Brasil ou, quando se trata de atingir o Governo, vale tudo?
Pelos tristes precedentes, sim.
Pela gravidade da decisão, fica claro que o Governo não tinha qualquer esperança de que emanasse do TCU qualquer decisão minimamente equilibrada quanto a suas contas.
Menos ainda agora, quando o poder imperial de um de seus ministros é contestado, a menos que o comportamento “pavão” de Augusto Nardes estivesse provocando descontentamentos internos não-detectados.
A menos que isso ocorra, é provável que a questão vá para o Supremo. Poucos dias atrás, seu Presidente, Ricardo Lewandovski publicou artigo na Folha sobre seu entendimento do dispositivo da Lei Orgânica da Magistratura:
“O prejulgamento de uma causa ou a manifestação extemporânea de inclinação subjetiva acerca de decisão futura, nos termos do artigo 135, V, do Código de Processo Civil, caracteriza a suspeição ou parcialidade do magistrado, que permitem afastá-lo da causa por demonstrar interesse no julgamento em favor de alguma das partes.
Normalmente, o Supremo decidiria que o cumprimento de normas regimentais é decisão “interna corporis” de outras instituições, não cabendo manifestação sobre elas, sim sobre os resultados que delas advenham.
Neste caso, porém, há uma previsão explícita no parágrafo terceiro do Artigo 73 da Carta, que torna a matéria não regimental, mas legal e constitucional :
§ 3º Os Ministros do Tribunal de Contas da União terão as mesmas garantias, prerrogativas, impedimentos, vencimentos e vantagens dos Ministros do Superior Tribunal de Justiça.
Esta guerra será longa, embora as escaramuças possam ser rápidas.
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Dino: não basta a CPMF. Precisa de imposto sobre fortunas