por : Kiko Nogueira
Ninguém jamais terá a desculpa de dizer que não viu o monstro crescer.
A pregação do ódio no Brasil atingiu um novo pico na escala de barbárie com os panfletos atirados
no velório do ex-senador do PT José Eduardo Dutra, em Belo Horizonte.
Ocupantes de uma Saveiro preta jogaram os papeis. Havia policiais de plantão. Antes do ataque, o
carro passou três vezes pelo local, afirmam testemunhas. Ainda assim, a PM afirma que não viu
nada. Ok.
Um protesto também aconteceu ali. Um sujeito chamado Cipriano de Oliveira, aposentado de 60
anos, resumiu o espírito de porco ao Estadão: “Qualquer momento é momento de mandar um
bandido embora. Até no enterro da minha mãe eu faria isso”.
Submetida a uma dieta de ressentimento, desinformação e indignação seletiva, essa escumalha
passou a considerar aceitável socialmente conspurcar um enterro e humilhar os familiares e amigos
do morto.
Eles são “gente do bem”, segundo a definição imortal do líder dos Revoltados On Line, Marcello
Reis, um mussolini para os nossos tempos.
Isso não os choca porque eles estão acima do bem e do mal. Não é força de expressão: uma pesquisa
Isso não os choca porque eles estão acima do bem e do mal. Não é força de expressão: uma pesquisa
daempresa britânica YouGov com 1,646 homens e mulheres constatou que direitistas se acham
moralmente superiores.
De acordo com o estudo, 47 daqueles que se descrevem como sendo de direita se declaram seres
De acordo com o estudo, 47 daqueles que se descrevem como sendo de direita se declaram seres
humanos melhores do que o cidadão médio (contra 39% de sedizentes esquerdistas). O levantamento
também revelou que são mais propensos a acreditar que certas pessoas “nascem más”.
Os depravados que atacaram uma cerimônia fúnebre têm um nome: fascistas. Como lidar com eles?
Para começar, não é com “republicanismo”. Aquilo não faz parte do “debate político”. O filósofo
Os depravados que atacaram uma cerimônia fúnebre têm um nome: fascistas. Como lidar com eles?
Para começar, não é com “republicanismo”. Aquilo não faz parte do “debate político”. O filósofo
Karl Popper escreveu o seguinte:
“A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada
“A tolerância ilimitada leva ao desaparecimento da tolerância. Se estendermos a tolerância ilimitada
mesmo para aqueles que são intolerantes, e se não estivermos preparados para defender uma
sociedade tolerante contra o ataque dos intolerantes, então os tolerantes serão destruídos e a
tolerância com eles.
Esta formulação não implica que devamos sempre suprimir as filosofias intolerantes, contanto que
Esta formulação não implica que devamos sempre suprimir as filosofias intolerantes, contanto que
possamos combatê-las com argumentos racionais e mantê-las sob controle da opinião pública.
Mas devemos reivindicar o direito de suprimi-las, se necessário até mesmo pela força, e isso pode
Mas devemos reivindicar o direito de suprimi-las, se necessário até mesmo pela força, e isso pode
facilmente acontecer se elas não estiverem preparadas para debater no nível de argumentação
racional, ao começar por criticar todos os argumentos e proibindo seus seguidores de ouvir
argumentos racionais, pois ela é uma filosofia enganosa, ensinando-os a responder a argumentos com
uso de punhos ou pistolas.
Devemos, portanto, reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar os intolerantes.
Devemos, portanto, reivindicar, em nome da tolerância, o direito de não tolerar os intolerantes.
Devemos enfatizar que qualquer movimento que pregue a intolerância deva ser colocado fora da lei,
e devemos considerar a incitação à intolerância como criminosa, da mesma forma como devemos
considerar a incitação ao assassinato, ou sequestro, ou a revitalização do comércio de escravos como
criminosa”.
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