Por Fidel Castro
Observei bem Obama na famosa “reunião de Cúpula”. O cansaço às vezes o vencia, fechava involuntariamente os olhos, mas às vezes dormia de olhos abertos.
Em Cartagena não estava reunido um sindicato de presidentes desinformados, mas os representantes oficiais de 33 países deste hemisfério, cuja ampla maioria demanda respostas a problemas econômicos e sociais de grande transcendência que golpeiam a região do mundo com mais desigualdade na distribuição das riquezas.
Não quero antecipar-me às opiniões de milhões de pessoas, capazes de analisar com profundidade e sangue frio os problemas da América Latina, do Caribe e do resto de um mundo globalizado, onde uns poucos têm tudo e os demais não possuem nada. Chame-se como for, o sistema imposto pelo imperialismo neste hemisfério está esgotado e não pode sustentar-se.
Em um futuro imediato a humanidade terá que enfrentar, entre outros problemas, os relacionados com a mudança climática, a segurança e a alimentação da crescente população mundial.
As chuvas excessivas estão golpeando tanto a Colômbia como a Venezuela. Uma análise recente revela que em março deste ano, nos Estados Unidos se produziram calores 4,8 graus Celsius mais altos do que a média histórica registrada. As consequências dessas mudanças bem conhecidas nas capitais dos principais países europeus, engendram problemas catastróficos para a humanidade.
Os povos esperam dos dirigentes políticos respostas claras a esses problemas.
Os colombianos, onde teve lugar a desprestigiada Cúpula, constituem um povo laborioso e sacrificado que necessita como os demais da colaboração de seus irmãos latino-americanos, neste caso, venezuelanos, brasileiros, equatorianos, peruanos e outros capazes de fazer o que os yanques com suas armas sofisticadas, seu expansionismo, e seu insaciável apetite material não farão jamais.
Como em nenhum outro momento da história, será necessária a fórmula prevista por José Martí: “As árvores se postarão em fileiras, para que não passe o gigante das sete léguas! É a hora do acerto de contas e de marchar unidos, temos de caminhar muito próximos, como a prata nas raízes dos Andes.”
Muito distantes do brilhante e lúcido pensamento de Bolívar e Martí estão as palavras mastigadas, edulcoradas e monotonamente repetidas do ilustre prêmio Nobel, ditas em um ridículo giro pelos campos da Colômbia e que escutei ontem à tarde. Serviam apenas para rememorar os discursos da Aliança para o Progresso, há 51 anos, quando ainda não tinham sido cometidos os monstruosos crimes que golpearam este hemisfério, onde nosso país lutou não só pelo direito à independência, mas ao de existir como nação.
Obama falou de entrega de terras. Não disse quanta, nem quando, nem como.
As transnacionais yanques jamais renunciarão ao controle das terras, das águas, das minas, dos recursos naturais de nossos países. Seus soldados deveriam abandonar as bases militares e retirar suas tropas de todos e cada um de nossos territórios; renunciar ao comércio desigual e ao saque de nossas nações.
Talvez a Celac se converta no que deve ser uma organização política hemisférica, menos os Estados Unidos e o Canadá. Seu decadente e insustentável império já conquistou o direito de descansar em paz.
Penso que as imagens da Cúpula deveriam ser bem conservadas, como exemplo de um desastre.
Deixo de lado os escândalos provocados pela conduta que se atribui aos membros do Serviço Secreto, encarregados da segurança pessoal de Obama. Tenho a impressão de que a equipe que se ocupa dessa tarefa se caracteriza por seu profissionalismo. Foi o que observei quando visitei a ONU e eles atendiam os chefes de Estado. Sem dúvida que o protegeram daqueles que não tinham vacilado em agir contra ele por preconceitos raciais.
Oxalá Obama possa dormir de olhos fechados, mesmo que por algumas horas , sem que o induzam a um discurso sobre a imortalidade do caranguejo em uma Cúpula irreal.
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terça-feira, 17 de abril de 2012
Para lembrar Carajás, 21 minutos de silêncio em meio a ocupações
Massacre de Eldorado dos Carajás (PA), em 1996/divulgação
Vinte e um minutos de silêncio. É dessa forma que integrantes do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem-Terra (MST) farão uma homenagem aos 21 agricultores mortos no Massacre de Eldorado dos Carajás, no Pará. As homenagens acontecerão nas estradas em todo país que, após serem ocupadas, terão o fluxo interrompido às 8h da manhã desta terça-feira (17),quando se completam 16 anos do crime praticado pela Polícia Militar (PM).
O Abril Vermelho, como ficou conhecida a mobilização do movimento “Jornada Nacional de Lutas pela Reforma Agrária”, começou em 1997, um ano depois do crime, com uma grande marcha de trabalhadores de diversas regiões do país até a Capital Federal, onde cerca de 100 mil manifestantes se encontraram para exigir justiça, emprego e reforma agrária.
Neste ano, o MST realiza uma série de manifestações para pressionar o governo a atender a pauta de reivindicações do movimento. Segundo um balanço divulgado no final da tarde de segunda-feira (16), já tinham sido feitas 38 ocupações de terra, cinco em sedes do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), dezenas de trancamentos de estradas e acampamentos em 17 estados.
“O objetivo é somar mais de 100 ocupações em todas as regiões até o final deste mês. Muitos trabalhadores estão se somando à luta. O governo federal se comprometeu ema gosto de 2011 a assentar as 180 mil famílias acampadas nas estradas brasileiras, mas até agora não concretizou. Não chega a 10% o número de assentados. Pior, houve um corte de 70% do orçamento do Incra deste ano. Veja se eles cortaram isso do ministério da Agricultura”, alertou Rosana Fernandes, da Coordenação Nacional do MST, em entrevista ao Vermelho.
Dos R$ 13,2 bilhões do orçamento de 2012, do ministério daAgricultura , Pecuária e Abastecimento, foram cortados R$ 1,958 bilhão.
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Globo instala a CPI do Dirceu
O jornal nacional cansou de incriminar o Agnello – clique aqui para ler “Quantos Agnellos vale um Dirceu”.
Agora, o jornal nacional do Ali Kamel se concentra na Delta.
Por que ?
Porque a Delta é maior empreiteira do PAC.
Logo, no PAC tem …
Como a Dilma é a mãe do PAC, no PAC tem …
Os grampos do jn não tem os 200 grampos do “repórter” do detrito de maré baixa com o Carlinhos Cachoeira.
Os grampos do jn não tem o Ernani de Paula, que melou o mensalão na TV Record.
Os grampos do jn não tem o tucano Perillo, esse santinho.
Os grampos do jn não esclarecem o grampo sem áudio do Demóstenes.
Nem por que o brindeiro Gurgel se sentou em cima da investigação do Cachoeira.
Ou por que o Ministro Peluso também demorou tanto a cuidar do problema.
Ou o Ministro Gilmar …
Os grampos do jn não ouviram falar no deputado Leréia, que, zelosamente, dá a noticia da morte da mãe do Cachoeira.
Claro: o Demóstenes ainda edita a Veja (e, portanto, o jornal nacional (*)).
Os grampos do jn agora instalaram a CPI do Dirceu.
O jornalismo da Globo e do Ali Kamel chegou aonde queria chegar: abafa o Demóstenes e pendura o Dirceu (Lula, Dilma) no poste.
Foi o que fez “reportagem” desta segunda feira: http://g1.globo.com/jornal-nacional/videos/t/edicoes/v/dono-da-construtora-delta-aparece-em-gravacao-falando-sobre-para-dar-dinheiro-a-politicos/1906762/
Como diz o Marcos Coimbra, que melou o mensalão, na Carta Capital: eles agora estão na fase de ir para o ataque.
Não adianta nem fraudar a declaração do Walter Pinheiro.
A Globo não vai substituir a CPI nem a decisão do Supremo.
Sobre o mensalão e a CPI da Veja.
Como se sabe, o jornal nacional do Ali Kamel era e é a versão Spielberg do detrito de maré baixa.
A Veja se alivia e o jornal nacional transforma em Chanel # 5.
(*) Como se sabe, o jornal nacional não tem “produção” própria. Nem “jornalismo investigativo” o jn tem. O que ele tem é uma máquina de transformar detrito de maré baixa em profiteróles.
Paulo Henrique Amorim
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segunda-feira, 16 de abril de 2012
Policia Militar turbina contrato com a Delta Construções em mais de 3,5 milhões.
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| Carros da Delta alugados à PM: mais de R$ 17,6 milhões para apenas um ano |
A Polícia Militar do Estado turbinou em mais de R$ 3,5 milhões o contrato que mantém com a enroladíssima Delta Construções, para o aluguel de viaturas.
O contrato 28-011 entre a PM e a Delta foi publicado no Diário Oficial do Estado de 21 de julho do ano passado e tinha valor superior a R$ 14 milhões para apenas um ano – vai até o próximo 15 de julho.
O aditivo, publicado no Diário Oficial de hoje (página 12, caderno 1), é de 25%, tem vigência de 90 dias (de abril a julho) e eleva o valor global do contrato para mais de R$ 17,6 milhões.
O contrato anterior da Delta com a PM, firmado em 2010 pela então governadora Ana Júlia Carepa, valia R$ 20 milhões, mas para um período de dois anos.
Ou seja: o contrato entre a Delta e a PM, tão duramente criticado pelos tucanos na última campanha eleitoral, é muito maior na administração de Simão Jatene, já que esses R$ 17,6 milhões se destinam a apenas um ano de aluguel de carros.
Mais: outros órgãos do Sistema de Segurança Pública do Pará também mantêm contratos adubados com a empresa.
A Delta, que é acusada de irregularidades em vários pontos do país, está enrolada até o pescoço no escândalo que envolve o contraventor Carlinhos Cachoeira e o suposto esquema de corrupção que teria montado em vários pontos do país.
A Perereca vai tentar preparar postagem mais alentada sobre o assunto.
Veja o aditivo de mais de R$ 3,5 milhões publicado no Diário Oficial de hoje (clique em cima do quadrinho para ampliar):

E leia abaixo algumas das matérias publicadas pelo blog sobre os contratos da Delta com o Sistema de Segurança Pública do Pará: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2011/11/extra-extra-jatene-derrama-dinheiro-na.html
O contrato 28-011 entre a PM e a Delta foi publicado no Diário Oficial do Estado de 21 de julho do ano passado e tinha valor superior a R$ 14 milhões para apenas um ano – vai até o próximo 15 de julho.
O aditivo, publicado no Diário Oficial de hoje (página 12, caderno 1), é de 25%, tem vigência de 90 dias (de abril a julho) e eleva o valor global do contrato para mais de R$ 17,6 milhões.
O contrato anterior da Delta com a PM, firmado em 2010 pela então governadora Ana Júlia Carepa, valia R$ 20 milhões, mas para um período de dois anos.
Ou seja: o contrato entre a Delta e a PM, tão duramente criticado pelos tucanos na última campanha eleitoral, é muito maior na administração de Simão Jatene, já que esses R$ 17,6 milhões se destinam a apenas um ano de aluguel de carros.
Mais: outros órgãos do Sistema de Segurança Pública do Pará também mantêm contratos adubados com a empresa.
A Delta, que é acusada de irregularidades em vários pontos do país, está enrolada até o pescoço no escândalo que envolve o contraventor Carlinhos Cachoeira e o suposto esquema de corrupção que teria montado em vários pontos do país.
A Perereca vai tentar preparar postagem mais alentada sobre o assunto.
Veja o aditivo de mais de R$ 3,5 milhões publicado no Diário Oficial de hoje (clique em cima do quadrinho para ampliar):

E leia abaixo algumas das matérias publicadas pelo blog sobre os contratos da Delta com o Sistema de Segurança Pública do Pará: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2011/11/extra-extra-jatene-derrama-dinheiro-na.html
Acabou a intervenção na OAB Pará
No Blog do Zé Carlos
O conselho federal da OAB acabou de encerrar a intervenção na OAB do Pará e restituir o mandato de Jarbas Vasconcelos e toda sua diretoria eleita.
Parabéns aos colegas e mais detalhes será postado aqui.
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O conselho federal da OAB acabou de encerrar a intervenção na OAB do Pará e restituir o mandato de Jarbas Vasconcelos e toda sua diretoria eleita.
Parabéns aos colegas e mais detalhes será postado aqui.
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Cristina reestatiza o petróleo argentino
A presidente Cristina Kirchner acaba de enviar ao Congresso argentino uma nova lei de petróleo, recolocando sob controle estatal a Yacimentos Petrolíferos Fiscales (YPF), que era dirigida pela espanhola Repsol.
O projeto tem o objetivo prioritario obter a autossuficência do pais em exploração, refino, transporte e comercialização de petróleo e seus derivados, cria o Conselho Federal de Petróleo, desapropria 51% da YPF, determinando o afastamento de todos os diretores indicados pela parte privada.
Posto aí em cima o video, da leitura da mensagem de Cristina ao Congresso, em ato na sede do Governo, a Casa Rosada, depois do que a presidenta falou em rede de rádio e televisão.
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Cupulas das Americas: Dilma passa um sabão no Tio Sam
A participação insípida do presidente dos EUA, Barack Obama, na Cúpula das Américas foi a personificação de um divisor histórico: o império nada tem a dizer ou a propor de relevante aos povos latino-americanos. Em crise, patinando entre a tibiez de uma estratégia econômica que se compraz em mitigar a ortodoxia em casa e uma diplomacia bélica que chafurda na areia movediça de conflitos múltiplos e insolúveis, do Oriente Médio à Coréia, passando pelo embargo à Cuba e querelas com a Venezuela, o poderio ianque naturalmente não está derrotado. Mas é visível a sua exaustão. Obama personifica-a como um Tio Sam cansado da guerra.
Ainda que seja o melhor que a política norte-americana tem hoje a oferecer, convenhamos, é parcimonioso. Essa percepção de esgotamento extravazou das intervenções do democrata em Cartagena, na Colômbia. A um mosaico de nações que luta contra um legado secular de pobreza, desigualdade e truculênca nas relações com o Big Brother, e ainda assim desponta como um dos horizontes mais dinâmicos da economia mundial, Obama ofereceu a velha e gasta 'cooperação' do mascate viajante.
Instado a comentar a ascensão da classe média regional e, sobretudo, brasileira, murmurou memorizando as fichas preparadas pelo Departamento de Estado: "Uma classe média próspera e ascendente abre mercado para as nossas empresas. Aparecem novos clientes para comprar ‘Iphones', ‘Ipods, Boeings'..." "Ou Embraer!", atalhou-o a presidenta Dilma Rousseff , num aparte bem-humorado, mas também altivo e ao mesmo tempo revelador da miúda visão política autocentrada do chefe de Estado norte-americano.A intervenção brasileira foi ovacionada com risos e palmas pelos demais chefes de Estado presentes. Caberia a Dilma, ainda, contrapor ao caquético catecismo da subordinação comercial o ponto de vista estratégico de uma América Latina cada vez mais encorajada a buscar seu próprio caminho e, mais que isso, definitivamente convencida de que esse caminho de soberania e desenvolvimento não cabe no acostamento estreito destinado historicamente à região pela Casa Branca. Em um improviso mais de uma vez aplaudido, ela despertou o orgulho latino-americano diante de um Obama entre sonolento, ausente e blasé.
Disse-o com assertiva altivez a Presidenta de todos os brasileiros e, agora também, uma referência aos latino-americanos que já haviam sido cativados por Lula: "As relações assimétricas foram muito negativas para o nosso Continente. Nos últimos 20 anos, tivemos recessão, desemprego e ausência de perspectivas de crescimento. O relacionamento virtuoso é aquele que respeita a soberania dos países e enxerga o crescimento recíproco como essencial. Todos aqui nessa mesa fomos países coloniais, inclusive os Estados Unidos, que pegou em armas para defender sua independência. Todos sabemos que não há diálogo entre desiguais", concluiu Dilma fechando um ciclo da cúpula das Américas.Ou melhor, anunciando o novo capítulo da luta pelo desenvolvimento continental.
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Por que a Veja é contra a CPMI do Cachoeira?
A nota à imprensa do Presidente da Câmara, Marco Maia: Por que a Veja é contra a CPMI do Cachoeira?
Tendo em vista a publicação, na edição desta semana, de mais uma matéria opinativa por parte da revista Veja do Grupo Abril, desferindo um novo ataque desrespeitoso e grosseiro contra minha pessoa, sinto-me no dever de prestar os esclarecimentos a seguir em respeito aos cidadãos brasileiros, em especial aos leitores da referida revista e aos meus eleitores:
- a decisão de instalação de uma CPMI, reunindo Senado e Câmara Federal, resultou do entendimento quase unânime por parte do conjunto de partidos políticos com representação no Congresso Nacional sobre a necessidade de investigar as denúncias que se tornaram públicas, envolvendo as relações entre o contraventor conhecido como Carlinhos Cachoeira com integrantes dos setores público e privado, entre eles a imprensa;
- não é verdadeira, portanto, a tese que a referida matéria tenta construir (de forma arrogante e totalitária) de que esta CPMI seja um ato que vise tão somente confundir a opinião pública no momento em que o judiciário prepara-se para julgar as responsabilidades de diversos políticos citados no processo conhecido como “Mensalão”;
- também não é verdadeira a tese, que a revista Veja tenta construir (também de forma totalitária), de que esta CPMI tem como um dos objetivos realizar uma caça a jornalistas que tenham realizado denúncias contra este ou aquele partido ou pessoa. Mas posso assegurar que haverá, sim, investigações sobre as graves denúncias de que o contraventor Carlinhos Cachoeira abastecia jornalistas e veículos de imprensa com informações obtidas a partir de um esquema clandestino de arapongagem;
- vale lembrar que, há pouco tempo, um importante jornal inglês foi obrigado a fechar as portas por denúncias menos graves do que estas. Isto sem falar na defesa que a matéria da Veja faz da cartilha fascista de que os fins justificam os meios ao defender o uso de meios espúrios para alcançar seus objetivos;
- afinal, por que a revista Veja é tão crítica em relação à instalação desta CPMI? Por que a Veja ataca esta CPMI? Por que a Veja, há duas semanas, não publicou uma linha sequer sobre as denúncias que envolviam até então somente o senador Demóstenes Torres, quando todos (destaco “todos”) os demais veículos da imprensa buscavam desvendar as denúncias? Por que não investigar possíveis desvios de conduta da imprensa? Vai mal a Veja!;
- o que mais surpreende é o fato de que, em nenhum momento nas minhas declarações durante a última semana, falei especificamente sobre a revista, apontei envolvidos, ou mesmo emiti juízo de valor sobre o que é certo ou errado no comportamento da imprensa ou de qualquer envolvido no esquema. Ao contrário, apenas afirmei a necessidade de investigar tudo o que diz respeito às relações criminosas apontadas pelas Operações Monte Carlo e Vegas;
- não é a primeira vez que a revista Veja realiza matérias, aparentemente jornalísticas, mas com cunho opinativo, exagerando nos adjetivos a mim, sem sequer, como manda qualquer manual de jornalismo, ouvir as partes, o que não aconteceu em relação à minha pessoa (confesso que não entendo o porquê), demonstrando o emprego de métodos pouco jornalísticos, o que não colabora com a consolidação da democracia que tanto depende do uso responsável da liberdade de imprensa.
Dep. Marco Maia, Presidente da Câmara dos Deputados
Em 15 de abril de 2012
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Jatene: Promotor quer saber razões da Sespa para as dispensas de licitação para o programa Presença Viva. Dispensas chegaram a quase R$ 5 milhões.
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| Presença Viva: quase R$ 5 milhões sem licitação e investigação do MP (Foto: Agência Pará) |
O promotor de Justiça de Direitos Constitucionais e Patrimônio Público Sávio Campos garante que vai se dedicar “com muito afinco” ao procedimento aberto pelo Ministério Público Estadual para investigar as dispensas de licitação realizadas pela Secretaria de Saúde (Sespa) para o Programa Presença Viva.
“Vou ficar muito atento às razões jurídicas que alegaram para essas dispensas”, diz o promotor.
O problema é que, em princípio, dispensas de licitação não se aplicariam ao Presença Viva, que é um programa (algo que tem continuidade e previsão orçamentária) ao passo que dispensas licitatórias como as do artigo 24 da Lei 8666, a base legal invocada pela Sespa, se destinam a imprevistos, como as situações emergenciais.
“Se é um programa, por que a dispensa?”, indaga o promotor. No entanto, alerta: “é preciso saber as razões para isso”.
Os quase R$ 5 milhões em dispensas de licitação para o Programa Presença Viva foram revelados pela Perereca da Vizinha, em reportagem exclusiva de 8 de março deste ano.
Leia aqui: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/03/sespa-compra-quase-r-5-milhoes-sem.html
O fato gerou dois pedidos de investigação, protocolados junto ao Procurador Geral de Justiça (PGJ): um do major aposentado da PM Walber Wolgrand; outro, de um funcionário do Ministério Público do Amapá, José Francisco Teixeira.
Leia aqui:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/03/major-da-pm-quer-que-mp-investigue.html
E aqui:http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/03/major-e-funcionario-do-mp-do-amapa.html
A polêmica que se seguiu à reportagem também gerou uma nota do senador Flexa Ribeiro, que se irritou com um comentarista da Perereca da Vizinha: http://pererecadavizinha.blogspot.com.br/2012/03/flexa-ribeiro-se-irrita-com.html
Com base nesses dois pedidos de investigação, o Ministério Público Estadual abriu, em 16 de março, o procedimento administrativo 058/2012, que foi distribuído ao promotor Sávio Campos.
O promotor já enviou a papelada para o Grupo Técnico do MPE, do qual solicitou, inclusive, sugestões de requerimentos.
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Mensalão: Globo distorce entrevista Ayres Britto
Acompanhe, amigo navegante, a sutileza da primeira página do Globo:
“Às vesperas de assumir a presidencia do Supremo Tribunal Federal, o Ministro Carlos Ayres Britto avisa (sic) que vai (sic) julgar ainda este ano o mensalão – o escândalo (sic) de pagamento de mesada (sic) a parlamentares ocorrido no Governo Lula … De preferência, antes de 6 de julho, quando começa a campanha eleitoral… (para que ) não corra em paralelo com as eleições municipais … Considerado um liberal entre os ministro do STF, Ayres Britto é entusiasta da Lei da Ficha Limpa – “uma das mais belas novidades transformadoras do país”- e diz que não desiste da luta por um Brasil menos corrupto”.
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O Ministro Ayres Britto deu entrevista também ao Estadão e à Folha.
Aos três disse o mesmo.
Se puder, julga antes de a eleição começar.
Mas, isso não depende só dele.
Depende do relator Joaquim Barbosa, do revisor, Ricardo Lewandowski, e de todos os outros juízes.
Em todas as entrevistas, Ayres Britto se mostra um magistrado: não condena, não absolve.
E o mensalão só é diferente porque é grande.
De resto, será recebido pelo Supremo com a mesma isenção com que trata todos os outros processos.
Agora, amigo navegante, vamos ler o que o Globo não escreveu, aquilo que está na alma da Globo.
Ayres Britto vai julgar tão rápido que a CPI da Veja não deixe melar o mensalão.
Ayres Britto vai julgar tão rápido que Cezar Peluso possa votar contra José Dirceu.
Ayres Britto vai condenar Direu.
Agora, se o Globo distorce o que diz um Presidente do Supremo, imagine o que não faz com você, amigo navegante ?
Em tempo: entusiastas da Ficha Limpa foram sete ministros do Supremo. Votaram contra Toffoli, Gilmar, Celso de Mello e Peluso. Segundo o raciocínio do Globo, sete ministros votarão contra o Dirceu. E Tofoli, Gilmar, Celso de Mello e Peluso o absolverão !
Paulo Henrique Amorim
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Azeredo, pai do mensalão, se banhou na cachoeira
“O ex-governador mineiro Eduardo Azeredo,
que foi o primeiro a utilizar o esquema Marcos Valério, também fez negócios com
empresas de Carlos Cachoeira; bicheiro teve concessão para fazer negócios com a
Loteria Mineira e deixou prejuízo estimado em R$ 286 milhões
247- O ex-governador de Minas Gerais, Eduardo
Azeredo, do PSDB, tem cumprido uma triste sina. Em 2005, quando o escândalo do
mensalão ameaçava o mandato de Lula, descobriu-se que o esquema Marcos Valério
foi gestado em sua administração (1995-1999) à frente do Palácio da Liberdade.
Graças a isso, os petistas conseguiram neutralizar parte dos ataques. As
agências de publicidade de Valério, DNA e SMPB, tiveram papel decisivo no
financiamento de campanha de Azeredo à reeleição – numa disputa em que ele foi
derrotado para Itamar Franco.”
Matéria Completa, ::Aqui::
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sexta-feira, 13 de abril de 2012
SESSÂO DE CINEMA
O Fracassado Golpe Midiático contra Chavez se deu por três fatores:
1. Os golpistas não conseguiram maioria nas forças armadas. A cúpula queria a saída de Chávez, mas a média oficialidade e os cabos e soldados não embarcaram na intentona. Na própria madrugada do dia 12, enquanto o presidente era detido, várias guarnições importantes começaram a se rebelar;
2. A formidável reação popular evidenciou a rarefeita legitimidade da nova situação e
3. O novo governo conheceu um acachapante isolamento internacional.
O fim da trapalhada ficará marcado como uma das mais belas e emocionantes páginas das lutas sociais de todo o mundo. O figurino continental desandou. Puxadas de tapetes com sólidos apoios entre o empresariado, a Igreja Católica, os militares e a embaixada dos Estados Unidos nunca foram revertidos de forma tão espetacular
1. Os golpistas não conseguiram maioria nas forças armadas. A cúpula queria a saída de Chávez, mas a média oficialidade e os cabos e soldados não embarcaram na intentona. Na própria madrugada do dia 12, enquanto o presidente era detido, várias guarnições importantes começaram a se rebelar;
2. A formidável reação popular evidenciou a rarefeita legitimidade da nova situação e
3. O novo governo conheceu um acachapante isolamento internacional.
O fim da trapalhada ficará marcado como uma das mais belas e emocionantes páginas das lutas sociais de todo o mundo. O figurino continental desandou. Puxadas de tapetes com sólidos apoios entre o empresariado, a Igreja Católica, os militares e a embaixada dos Estados Unidos nunca foram revertidos de forma tão espetacular
As manobras do esquema Cachoeira
Agora, está selecionando informações para, em conluio com jornalistas do esquema Cachoeira, jogar o foco das investigações na Construtora Delta.
Sabendo-se das ligações de Cachoeira com a Delta, é até risível matéria informando sobre as tratativas do bicheiro para conseguir acesso a altos executivos da empresa - como se fosse uma figura menor aproximando-se da toda poderosa Delta.
A lógica da estratégia Cachoeira-Demóstenes-aliados é simples. A Delta é parte do universo a ser investigado; Cachoeira é o todo. Focando na Delta, tenta-se tirar do foco o chefe da quadrilha, Cachoeira, seu principal lugar-tenente, Demóstenes, assim como as ligações midiáticas da estrutura criminosa.
De quebra, desestimulam-se peemedebistas - já que a Delta tem relações com o governador Sérgio Cabral Filho - e petistas - relações com o governador do Distrito Federal Agnelo Queiroz.
Nos próximos dias, haverá um aumento da chantagem de alguns veículos sobre políticos. É um jogo intimidatório pesado. Parlamentares escolhidos para a CPI serão alvo de represálias do esquema criminoso. Haverá também a estratégia de misturar factóides com fatos objetivos, visando embolar o entendimento da opinião pública.
A CPI de Cachoeira mostrará se o país poderá aspirar a um lugar no mundo moderno, se dispõe de instituições capazes de enfrentar toda sorte de poderes - do Executivo, Judiciário, Legislativo ao até agora intocado poder midiático.
Se se quiser, de fato, passar o país a limpo, o Congresso terá que pagar para ver, assim como parece estar sendo a posição do Executivo.
Seria medida de prudência jornais e jornalistas se darem conta de que rompeu-se a muralha do silêncio e do medo. Veículos e jornalistas que entrarem no esquema correrão o risco de serem indiciados pela Justiça.
Está chegando ao fim a era da plena impunidade para o mau jornalismo e para o uso de dossiês criminosos.
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PT vai à guerra (?)
No Blog da Cidadania
Sob a liderança de Lula e com a concordância da presidente Dilma, o Partido dos Trabalhadores parece finalmente ter entendido que estava sendo tramado um golpe eleitoral contra si. A direita midiática pretendia usar o julgamento do inquérito do mensalão pelo Supremo Tribunal Federal neste semestre ou, no máximo, no próximo – em pleno processo eleitoral – para vitaminar a oposição e debilitar o PT.
Eis que cai no colo do partido o escândalo envolvendo Carlinhos Cachoeira e expoentes da oposição demo-tucana como a vestal-mor da República, o senador Demóstenes Torres (ex-DEM-GO), e o acusador de Lula de ter tomado conhecimento do “mensalão”, o governador de Goiás, Marconi Perillo.
Aturdida, a mídia passa a tentar se desvincular de Demóstenes e cai de pau em cima dele afetando indignação e se dizendo “traída”. Parceira de Cachoeira, que lhe fundamentou a maioria dos ataques ao PT – inclusive durante eleições presidenciais – na década passada e que acabara de ser flagrada em centenas de contatos diretos com o bicheiro, tenta reagir à ameaça de investigação por suas relações com o crime organizado e desencadeia uma campanha em que ameaça o partido do governo com um “efeito bumerangue” contra si e o governo Dilma caso a investigação prossiga.
Poucos dias após dizer que Lula e Dilma apoiavam a criação da CPI, agora a mídia diz que a presidente e “setores do PT” estariam “com medo” da investigação. Além disso, atende à estridência do senador tucano do Paraná, Álvaro Dias, que vinha afirmando que o vazamento de escutas seria seletivo, e começa a noticiar cobranças ao ministro da Justiça, José Eduardo Cardoso, sobre os vazamentos e a tal “seletividade” cobrada pela oposição.
O PT reage com vídeo de seu presidente, Rui Falcão, em que denuncia que a mídia quer abafar o escândalo de Cachoeira e impedir a CPI, e cobra empenho do partido e de aliados pela instalação da investigação e posterior desmascaramento da “farsa do mensalão”.
Em seguida, o partido divulga em seu site resolução política em que repete a exortação de seu presidente e também denuncia uma “Operação abafa em torno do envolvimento do senador Demóstenes Torres (DEM-Goiás) com a organização criminosa comandada pelo notório Carlos, alcunhado de Carlinhos Cachoeira”.
Por fim, nesta sexta-feira 13, no Jornal Folha de São Paulo, uma prévia daquilo em que deverá se transformar a CPI que a mídia tenta convencer o PT a não levar adiante ou, se levar, que ao menos não leve a sério, sob ameaça de transformá-la em uma CPI contra si mesmo. Ciente do envolvimento da Editora Abril, que edita a Veja, e possivelmente de outros meios de comunicação nas investigações, o jornal dá outro passo para o inevitável.
Em primeiro lugar, publica artigo de Rui Falcão que desanca a oposição e a mídia e as acusa de envolvimento com o crime organizado. Abaixo, reproduzo o texto.
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Dilma vai para cima dos bancos. PiG os defenderá
Presidente fez visita à sede da
Confederação Nacional da Indústria. Ela quer juros e spreads ‘nos
padrões internacionais de custo de capital’.
A presidente Dilma Rousseff
voltou a defender nesta sexta-feira (13) a redução das taxas de juros e o
“spread” (diferença entre o que o banco paga para captar dinheiro e o
que cobra pelos empréstimos aos clientes). Na última segunda (9), ela
havia afirmado que era “tecnicamente de difícil explicação” o percentual
dos spreads bancários no Brasil.
Dilma falou para uma plateia de
empresários na sede da Confederação Nacional da Indústria (CNI), em
Brasília. A presidente afirmou que o país deve “desmontar alguns
entraves ao nosso crescimento sustentável e continuado”.(…)
Até que enfim alguém fala grosso com os banqueiros.
Ver "O Globo" com 'peninha' de Cachoeira e contra a CPI não tem preço!
"Coitadinho do Carlinhos Cachoeira"O desconforto do jornalão com a CPI também é evidente.
Sem ter como declarar-se contra a CPI, não consegue esconder o desalento e falta de entusiasmo, seja no editorial, seja nas mirabolantes análises do Merdal Pereira.
Realmente é impressionante o sentimento de pena demonstrado pelo jornalasso da globo pelo Cachoeira na prisão!...
É ironizar de centenas de presos pobres desse país que vivem em selas superlotadas e insalubres, a maioria vítima desse sistema político criado e mantido por essa burguesia corrupta e viciada que a todo custo mantem o status quo como o faz cachoeira e outros enquanto corruptores e Domóstenes Torres, político corrupto e assemelhados.
Isso precisa acabar!...
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As “mervalices” de Merval para blindar Marconi “Perigo”
No Blog da Cidadania
Qualquer cidadão respeitável, honesto e interessado no bem comum da sociedade deve se indignar com o que certos veículos de comunicação estão fazendo em favor de legítimos criminosos. A parcela da mídia que age como partido político enquanto jura ao seu público que é “isenta” tenta acobertar políticos envolvidos em corrupção e também transferir a culpa deles para os seus adversários políticos.
Serei mais específico: o colunista de O Globo Merval Pereira – e devem existir outros, desse e de outros veículos – está faltando com a verdade para com o público a fim de blindar o governador de Goiás, Marconi Perillo (PSDB), no âmbito das descobertas da Operação Monte Carlo, da Polícia Federal, que prendeu dezenas de membros de uma quadrilha liderada pelo bicheiro Carlinhos Cachoeira que explorava jogatina ilegal naquele Estado.
A mentira vem aparecendo aqui e ali, mas foi mais indignante em texto do supracitado que li no blog de Ricardo Noblat ontem (12 de abril). Ele disse que há mais indícios de envolvimento com Cachoeira pesando contra o governador de Brasília, Agnelo Queiróz (PT), do que contra seu homólogo goiano, Marconi Perillo.
É mentira. Contra o governador tucano pesam escutas da Polícia Federal que revelam que dezenas de indicações para cargos públicos no governo de Goiás foram feitas por Cachoeira e acabaram se materializando. Essas conversas, que no caso de Agnelo Queiróz estão sendo levadas pela mídia ao pé da letra, no caso de Marconi estão sendo tratadas como inexistentes.
Há, também, doações para campanhas eleitorais feitas por sócios de Cachoeira envolvidos nos crimes dos quais ele é acusado que beneficiaram o PSDB de Goiás e que terminaram financiando a campanha de Perillo. E não fica por aí. Ainda há suspeitas de licitações dirigidas, gravações de conversas do próprio governador tucano com o bicheiro e muito mais.
Tudo isso transparecerá na CPI, mas, como está fazendo agora, a mídia tentará esconder ou minimizar, nessa mesma CPI, as denúncias contra Perillo enquanto distorce e maximiza denúncias contra Queiróz e outros petistas e aliados, contra os quais qualquer menção de um peão da quadrilha, mesmo não tendo nenhuma materialização em termos de indicações para cargos públicos ou outros “negócios”, será tratada como prova de culpa.
Isto é, ao menos enquanto a contundência dessas denúncias não chegar ao ponto que chegaram as que foram feitas contra Demóstenes Torres, outro blindado pela mídia que só deixou de sê-lo quando já não havia mais jeito.
O que vazou até agora contra Queiróz é incomparavelmente menos grave do que aquilo que vazou contra Perillo, não passando, até aqui, de menções a pagamento de propina a um assessor e a um negócio de Cachoeira com o governo Distrital de Brasília que, pasme-se, foi feito na gestão anterior.
Contra Queiróz não há doações de campanha, não há indicações confirmadas, não há nada que tenha dito contra ele o membro da quadrilha de Cachoeira sargento Idalberto Matias de Araújo, o Dadá, que tenha se confirmado. Todavia, muito do que diz essa quadrilha que recebeu de benefícios supostamente por ação de Perillo, concretizou-se.
Tais fatos têm sido fartamente denunciados. A revista Carta Capital publicou matérias que, em grande parte, a mídia escondeu. O repórter investigativo Leandro Fortes, entre outros, vasculhou o caso e deu aqueles fatos à luz. E o colunista de O Globo supracitado, entre outros, sabe disso. O que disse sobre os dois governadores, portanto, não passa de mentira que visa blindar um aliado político dos patrões.
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Mantega enquadra os bancos: Lucrem menos
O ministro da Fazenda, Guido Mantega, deu a resposta merecida, quando foram exigir benefícios fiscais para fazer o que têm tudo para fazer sem isso: baixar os juros.
“O presidente (da Federação dos Bancos) Murillo Portugal esteve aqui outro dia, e em vez de trazer soluções, veio fazer cobrança”, disse Mantega. “”O Brasil hoje é o país que pratica o maior spread do mundo e isso não se justifica.”
Spread, como se sabe, é a diferença entre o custo de captação do dinheiro pelos bancos (hoje, no máximo, 9,75% ao ano, o valor da taxa Selic) e o valor dos juros cobrados para emprestá-lo, que nunca é inferior ao quádruplo desta taxa e não raro chega a ser dez e até 20 vezes maior.
A Folha publica hoje as taxas que cobram os bancos particulares e as que passaram a cobrar os bancos públicos.
A diferença é escandalosa, como você vê na ilustração.
Em outra matéria, uma tabela mostra a rentabilidade dos bancos brasileiros frente aos bancos dos EUA.
Em 12 anos, lucraram aqui 463%, contra “apenas” 308% dos bancos dos EUA. Que, por sinal, nem sequer durante a crise de 2008, com dinheiro público sendo injetado a rodo em seus caixas, nunca tiveram um resultado negativo.
E ainda assim dificultam o quanto podem o crédito.
É por isso que as agências do BB e da Caixa estão “bombando” de clientes dos bancos privados, à procura de informações sobre taxas mais baixas.
Afinal, não é isso (ou deveria ser) a concorrência?
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quinta-feira, 12 de abril de 2012
JN inventou trama para tentar implicar Agnelo
A TV Globo e o jornal Folha de São Paulo, voltam sua artilharia contra o governador Agnelo Queiroz (PT-DF). E a famosa cortina de fumaça para tirar a CPMI do Cachoeira de evidência
Mas os fatos narrados em suas próprias notícias mostram o contrário do que as manchetes querem induzir o leitor a acreditar. Folha e Globo dramatizam a notícia como se o governador estivesse envolvido com o bicheiro.
Quando lemos a notícia, retiramos os adjetivos, as frases de efeito e de opinião, e separamos apenas os fatos, o que se nota é o grupo de Cachoeira e o governo de Agnelo são, na verdade, antagônicos.
A Folha descreve telefonemas em que há gente defendendo os interesses da empreiteira Delta e ameaça não pagar propinas para gente de escalões mais baixos do governo do Distrito Federal, porque o governo Agnelo não atende aos interesses da organização criminosa.
Ora, fica claro que a turma de Cachoeira queria e tinha gente infiltrada na máquina do governo do DF, mas que não conseguia ter seus interesses atendidos pelas pessoas de escalão mais alto, com poder de decisão.
O mesmo enredo aconteceu no Jornal Nacional da TV Globo. Os fatos também mostram que a organização de Cachoeira estava insatisfeita com os interesses contrariados no governo de Agnelo. Mas a trama elaborada nas redações querem fazer parecer o contrário.
Outra notícia inverossímil seria a de que Agnelo estaria usando Dadá – um dos principais assessores do bicheiro – como emissário para conseguir um encontro com Cachoeira (!).
Um pouco de compostura jornalística, gente! Depois que Cachoeira gravou Waldomiro Diniz, nenhum político (a menos que seja doido varrido), tem o menor interesse em pedir para conversar com ele diretamente. Só conversavam quem estava amarrado à organização e tinha plena confiança em Cachoeira, como Demóstenes Torres. Notem que nem o governador de Goiás, Marconi Perillo, citado em muitos telefonemas, foi pego falando diretamente com o contraventor.
Para espalhar o boato inverossímil, a Globo e a Folha aproveitam-se de uma análise da PF sobre um grampo cifrado, que ainda estava na fase do "chute" para apurar depois, pois o analista suspeita que "Magrão", citado nas conversas, poderia ser Agnello Queiroz.
Mas basta ouvir novamente o grampo no próprio Jornal Nacional que fica óbvio que o "chute" na análise está errado, e em apuração posterior seria corrigida:
- o nome Agnelo sequer é citado nos diálogos;
- o próprio Dadá não tem certeza sobre quem é o Magrão ao dar o recado, o que dá a entender que não seja alguém tão importante assim;
- no diálogo diz que o tal Magrão está ligando e Cachoeira não está atendendo (!). Ora alguém acredita que qualquer governador ficaria ligando para Cachoeira e não sendo atendido, a ponto de ter que pedir a Dadá para atendê-lo?
Que venha a CPI, que se apure de fato todos os tentáculos da organização criminosa, inclusive em departamentos do Governo do Distrito Federal, e se algum governador tiver denúncias consistentes contra si, que responda por elas, mas lugar de inventar trama na programação de TV é em novela e não em telejornais.
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Primeiros sinais da teia
Por JANIO DE FREITAS na Folha de São Paulo
p>A Operação Satiagraha, por exemplo, nada tinha a ver com Carlinhos Cachoeira e redes clandestinas de jogo. Mas o hoje deputado, e delegado da operação, Protógenes Queiroz, já se vê colhido pela vigilância sigilosa ao círculo de Cachoeira. O deputado dispõe de incontáveis modos de citar sua atividade policial como motivo dos contatos. Mas não é tão simples.
Protógenes e o então juiz Fausto De Sanctis eram os alvos imediatos da exaltada acusação do ministro Gilmar Mendes, à época da Satiagraha, de que vivíamos "um Estado policial". Como provava, dizia ele, a gravação grampeada de um telefonema seu, no próprio Supremo Tribunal Federal. Com quem era o telefonema?
Com o senador Demóstenes Torres, que confirmou: "Sim, eu conversei por telefone com o ministro Gilmar". E nada mais disse nem lhe foi perguntado, por ninguém. Nem ao menos para saber se tinha ideia de como fora feita a gravação. Sobre a qual também Gilmar Mendes não teve ou não pôde dar qualquer esclarecimento.
Uma coisa, porém, ficou clara à época. A Satiagraha ultrapassou as finalidades que lhe estavam atribuídas e, com isso, tornou-se ela o alvo, por intermédio também dos ataques do ministro ao juiz De Sanctis. Eram muitos a querer encerrá-la. Algo havia batido em uma casa de maribondos.
Ninguém duvide: tanto os arquivos da PF guardam material valioso daquela fase, como parte dele é uma das inspirações da Operação Monte Carlo -esta que levou Cachoeira para a prisão, em fevereiro. E deu nos espantos que aí estão.
Mas por que, se há tanto tempo coletava gravações e outros materiais em torno de Carlinhos Cachoeira, a PF decidiu desfechar sua investida em fevereiro passado?
Tal explicação não aparece no pinga-pinga de seus vazamentos para a imprensa. Em todo caso, por falar em fevereiro, nesse mês ressurgiu das sombras um processo que lembra Carlinhos Cachoeira sem, no entanto, incluí-lo ou sequer citá-lo.
Esse processo ficou cinco anos guardado com o ministro Cezar Peluso, que desde 2005 o recebera para relatá-lo. É a ação do Ministério Público de Goiás contrária, por inconstitucionalidade, a um decreto e uma lei aprovada pela Assembleia goiana em 2000, ambas liberando a exploração de uma tal loteria instantânea.
Outro nome para o jogo em caça-níqueis, especialidade de Cachoeira. O Tribunal de Justiça de Goiás derrotou os procuradores do Ministério Público, que voltaram a recorrer. Mas, como jogo de azar é assunto federal, o recurso foi para o Supremo Tribunal.
Na redistribuição dos processos em mãos de Peluso, quando feito presidente do STF em 2010, o de Goiás foi entregue a Gilmar Mendes. Em abril, foi mandado ao procurador-geral da República para dar parecer. Roberto Gurgel demorou 20 meses para fazê-lo, até meados de dezembro do ano passado. E, afinal, a solução: em fevereiro, o ministro Gilmar Mendes mandou o processo ao arquivo. Com o argumento de que, ainda em Goiás, os procuradores queixosos perderam o prazo para recorrer.
Mas não perderam. Um agravo seu já demonstrara a antecedência da entrega, feita em 19.8.2002, conforme o recibo. A data posta no recurso pelo tribunal goiano foi, porém, 25.8.2002, adotada por Gilmar Mendes para o arquivamento.
Erro de um dia, dois, seria compreensível. Mas sete dias de erro, uma semana, ao registrar a data do dia em curso, é impossível. Só por má-fé. O poder dos interesses no decreto se preveniram com esperteza.
O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, recorreu para reconsideração de Gilmar Mendes. Não ocorrida, até ontem. O ministro limitou-se a dar entrevista afirmando que uma decisão vinculante do STF, em caso de 2007, já negava validade à exploração do jogo em caça-níqueis.
A decisão de arquivar a ação dos procuradores de Goiás, contra a inconstitucionalidade da liberação do jogo naquele Estado, não considerou a sentença do caso de 2007.
E estamos no começo da história.
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É uma teia imensa, intrincada e surpreendente que se
forma com pessoas, situações e instituições de algum modo incluídas na
história, que apenas se começa a perceber, centrada até agora em
Carlinhos Cachoeira.
Se a CPI mista decidida pelos presidentes do Senado e da Câmara, José
Sarney e Marcos Maia, conseguir aprovação das duas Casas; se conseguir
razoável composição; se conseguir fazer trabalho sério e produtivo, nem
assim conseguirá penetrar em certos meandros da teia para explicá-los.
Seja porque nem o seu grande poder bastaria, seja por dificuldade
excessiva. p>A Operação Satiagraha, por exemplo, nada tinha a ver com Carlinhos Cachoeira e redes clandestinas de jogo. Mas o hoje deputado, e delegado da operação, Protógenes Queiroz, já se vê colhido pela vigilância sigilosa ao círculo de Cachoeira. O deputado dispõe de incontáveis modos de citar sua atividade policial como motivo dos contatos. Mas não é tão simples.
Protógenes e o então juiz Fausto De Sanctis eram os alvos imediatos da exaltada acusação do ministro Gilmar Mendes, à época da Satiagraha, de que vivíamos "um Estado policial". Como provava, dizia ele, a gravação grampeada de um telefonema seu, no próprio Supremo Tribunal Federal. Com quem era o telefonema?
Com o senador Demóstenes Torres, que confirmou: "Sim, eu conversei por telefone com o ministro Gilmar". E nada mais disse nem lhe foi perguntado, por ninguém. Nem ao menos para saber se tinha ideia de como fora feita a gravação. Sobre a qual também Gilmar Mendes não teve ou não pôde dar qualquer esclarecimento.
Uma coisa, porém, ficou clara à época. A Satiagraha ultrapassou as finalidades que lhe estavam atribuídas e, com isso, tornou-se ela o alvo, por intermédio também dos ataques do ministro ao juiz De Sanctis. Eram muitos a querer encerrá-la. Algo havia batido em uma casa de maribondos.
Ninguém duvide: tanto os arquivos da PF guardam material valioso daquela fase, como parte dele é uma das inspirações da Operação Monte Carlo -esta que levou Cachoeira para a prisão, em fevereiro. E deu nos espantos que aí estão.
Mas por que, se há tanto tempo coletava gravações e outros materiais em torno de Carlinhos Cachoeira, a PF decidiu desfechar sua investida em fevereiro passado?
Tal explicação não aparece no pinga-pinga de seus vazamentos para a imprensa. Em todo caso, por falar em fevereiro, nesse mês ressurgiu das sombras um processo que lembra Carlinhos Cachoeira sem, no entanto, incluí-lo ou sequer citá-lo.
Esse processo ficou cinco anos guardado com o ministro Cezar Peluso, que desde 2005 o recebera para relatá-lo. É a ação do Ministério Público de Goiás contrária, por inconstitucionalidade, a um decreto e uma lei aprovada pela Assembleia goiana em 2000, ambas liberando a exploração de uma tal loteria instantânea.
Outro nome para o jogo em caça-níqueis, especialidade de Cachoeira. O Tribunal de Justiça de Goiás derrotou os procuradores do Ministério Público, que voltaram a recorrer. Mas, como jogo de azar é assunto federal, o recurso foi para o Supremo Tribunal.
Na redistribuição dos processos em mãos de Peluso, quando feito presidente do STF em 2010, o de Goiás foi entregue a Gilmar Mendes. Em abril, foi mandado ao procurador-geral da República para dar parecer. Roberto Gurgel demorou 20 meses para fazê-lo, até meados de dezembro do ano passado. E, afinal, a solução: em fevereiro, o ministro Gilmar Mendes mandou o processo ao arquivo. Com o argumento de que, ainda em Goiás, os procuradores queixosos perderam o prazo para recorrer.
Mas não perderam. Um agravo seu já demonstrara a antecedência da entrega, feita em 19.8.2002, conforme o recibo. A data posta no recurso pelo tribunal goiano foi, porém, 25.8.2002, adotada por Gilmar Mendes para o arquivamento.
Erro de um dia, dois, seria compreensível. Mas sete dias de erro, uma semana, ao registrar a data do dia em curso, é impossível. Só por má-fé. O poder dos interesses no decreto se preveniram com esperteza.
O advogado-geral da União, Luís Inácio Adams, recorreu para reconsideração de Gilmar Mendes. Não ocorrida, até ontem. O ministro limitou-se a dar entrevista afirmando que uma decisão vinculante do STF, em caso de 2007, já negava validade à exploração do jogo em caça-níqueis.
A decisão de arquivar a ação dos procuradores de Goiás, contra a inconstitucionalidade da liberação do jogo naquele Estado, não considerou a sentença do caso de 2007.
E estamos no começo da história.
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Carlos Alberto Leréia. Você ainda vai ouvir falar dele
Carlos Alberto Leréia é membro do Diretório Nacional do PSDB.
Na companhia do que há de melhor no PSDB: Perillo, Never, Eduardo Azeredo, Cássio Cunha Lima, Sérgio Guerra, Álvaro Dias, Márcio Fortes (êpa ! êpa !), Yeda Crusius, Barjas Negri (êpa ! êpa !), Aloysio 300 mil, Eduardo Graeff (o dos Brucutus), Padim Pade Cerra, Arthur Virgílio Cardoso (que ia dar uma surra no Lula e levou uma surra de mulher na eleição para o Senado), Eduardo Jorge (que gostava muito de telefonar para o Juiz Lalau), e Marcelo Itagiba, de gloriosas passagens na Lunus e na CPI dos Amigos do Dantas.
Gente finíssima !
Leréia, amigo navegante, é do PSDB de Goiás.
Onde voa muita pena de tucano.
O amigo navegante ainda vai ouvir falar muito dele.
Por que ?
- Porque ele é a ponte entre o Cachoeira e o PSDB, disse o passarinho que pousou na janela lá de casa.
- Ponte grande, pontilhão, ou uma pinguelinha ?, perguntou o ansioso blogueiro.
- Grande !, respondeu.
- Quer dizer que se ele abrir o bico …
- Vai voar mais pena de tucano !
E lá se foi o passarinho de volta para Brasília que, como se sabe, em Goiás está.
Paulo Henrique Amorim
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PIG Abafando a Cachoeira
Só nesta quinta-feira o Globo percebeu que a CPI do Cachoeira vai melar o mensalão.
E o PiG passou esse tempo todo a tratar o Roberto Jefferson como se fosse o Thomas Jefferson.
Porque o Thomas Jefferson foi quem fez a denúncia, a partir daquele vídeo que o Carlinhos Cachoeira produziu – a TV Record explicou tudo direitinho – para vingar o Demóstenes, derrubar o Dirceu e entronizar o Cerra – fã incondicional do Demóstenes, assim como o Aecio Never.
Desde ontem, a grande imprensa começou a tornar evidente aquela “Operação Abafa” sobre o caso Demóstenes-Cachoeira.
Primeiro, o Estadão, com áudios absolutamente vazios de supostas conversas entre o deputado Protógenes Queiroz e o agente “Dadá”, que -ao que parece – arapongava para meio mundo. Protógenes, um delegado de polícia, não tem nenhum diálogo comprometedor com o agente e, se teve, nada melhor que esclarecer isso numa CPI.
Aliás, é estranho que seis telefonemas vazios de Protógenes a alguém que, oficialmente, pertencia à um órgâo de investigação sejam notícia e não o sejam os 200 telefonemas entre o próprio Cachoeira e o editor da revista veja, Policarpo Júnior, numa parceria “pelo bem do Brasil” que já durava oito anos.
Mas hoje O Globo deixa mais claro o jogo, servindo-se de uma declaração do presidente do PT, Rui Falcão, que liga o caso Cachoeira a possíveis montagens contra o Governo Lula feitas com a ajuda da conexão Cachoeira-Veja, que parece continua a ser um tabu para a mídia.
Logo, em nome do esclarecimento do dito “mensalão”, abafe-se a Cachoeira…
A democracia não pode conviver com a divulgação seletiva de irregularidades.
É preciso que o inacreditável poder de um bicheiro sobre a mais altas figuras da política e da imprensa não fique sendo demonstrado aos pedaços, contra aqueles a que “interessa” desmoralizar, mas encobrindo as figuras que o conservadorismo e a mídia tem no seu altar.
Corrupção não é assunto que requeira “segredo de justiça” em sua apuração, salvo em ocasiões especialíssimas, no curso de investigações. E são a mídia e a Polícia Federal, apenas, quem está escolhendo o que deve ser divulgado, a conta-gotas.
O povo brasileiro e a própria credibilidade da democracia brasileira exigem que tudo venha à tona.
Se Carlos Cachoeira tem ligações com a investigação sobre o “mensalão”, que elas apareçam. Se tem ligação com as denúncias que, onda após onda, a Veja apresentava, servindo-se de escutas e filmagens providenciadas pelo bicheiro, que se apure. Existem pessoasdo esquema Cachoeira que o afirmam expressamente.
O que não se pode é fazer da divulgação parcial e seletiva de gravações, escolhendo os personagens e os contextos “que interessam”, uma “verdade” conveniente, que determina quem deve ser execrado e quem deve ser preservado.
Do contrário, seria melhor que se desistisse de uma CPI e se deixasse o próprio STM – Supremo Tribunal da Mídia, a mais alta corte política do Brasil – decidisse – como decide há anos – quem deve ser impiedosamente decapitado e quem vai, como fez Demóstenes Torres durante muitos anos, posar de paladino da moralidade, embora enterrado até o pescoço no pântano das cumplicidades escusas.
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Não deu no Jornal Nacional: Cachoeira financiou Perillo
Correio do Brasil
“O empresário Rossine Aires Guimarães, suspeito de integrar a quadrilha do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, fez doações em valores equivalentes a R$ 4,3 milhões nas eleições de 2010, na qual foi eleito o governador Marconi Perillo. Segundo informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rossine aparece como doador para os tucanos, na lista de suspeitos da Operação Monte Carlo, que flagrou conversas secretas entre o contraventor e parlamentares do DEM, entre eles o então líder do partido, senador Demóstenes Torres. Do total doado, R$ 800 mil foram para o comitê financeiro da campanha do PSDB em Goiás e mais de R$ 3 milhões para os comitês do PSDB, DEM e PMDB, no Tocantins.
Proprietário da Construtora Rio Tocantins (CRT), com 82% das cotas acionárias, Rossine também autoriza doações pela empresa no valor de R$ 712 mil para o comitê financeiro do PMDB no Tocantins e para as campanhas de um senador e um deputado federal do PMDB tocantinense. Para a campanha de Perillo, o suspeito de integrar o crime organizado doou ao PSDB goiano o valor de R$ 500 mil em 26 de outubro de 2010, antes do segundo turno disputado entre o atual governador Marconi Perillo (PSDB) e o candidato derrotado Iris Rezende (PMDB). O R$ 300 mil restantes foi para a conta corrente do partido em 17 de novembro do mesmo ano, logo após a vitória do atual mandatário goianense.
Para os políticos do Tocantins, as doações ocorreram nas eleições disputadas pelo atual governador Siqueira Campos, também do PSDB e por Carlos Gaguim (PMDB), que buscava a reeleição. Rossine ainda é sócio de Gaguim na BPR Empreendimentos Imobiliários, empresa criada em abril de 2010.”
Matéria Completa, ::Aqui::
“O empresário Rossine Aires Guimarães, suspeito de integrar a quadrilha do bicheiro Carlos Augusto de Almeida Ramos, o Carlinhos Cachoeira, fez doações em valores equivalentes a R$ 4,3 milhões nas eleições de 2010, na qual foi eleito o governador Marconi Perillo. Segundo informação do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), Rossine aparece como doador para os tucanos, na lista de suspeitos da Operação Monte Carlo, que flagrou conversas secretas entre o contraventor e parlamentares do DEM, entre eles o então líder do partido, senador Demóstenes Torres. Do total doado, R$ 800 mil foram para o comitê financeiro da campanha do PSDB em Goiás e mais de R$ 3 milhões para os comitês do PSDB, DEM e PMDB, no Tocantins.
Proprietário da Construtora Rio Tocantins (CRT), com 82% das cotas acionárias, Rossine também autoriza doações pela empresa no valor de R$ 712 mil para o comitê financeiro do PMDB no Tocantins e para as campanhas de um senador e um deputado federal do PMDB tocantinense. Para a campanha de Perillo, o suspeito de integrar o crime organizado doou ao PSDB goiano o valor de R$ 500 mil em 26 de outubro de 2010, antes do segundo turno disputado entre o atual governador Marconi Perillo (PSDB) e o candidato derrotado Iris Rezende (PMDB). O R$ 300 mil restantes foi para a conta corrente do partido em 17 de novembro do mesmo ano, logo após a vitória do atual mandatário goianense.
Para os políticos do Tocantins, as doações ocorreram nas eleições disputadas pelo atual governador Siqueira Campos, também do PSDB e por Carlos Gaguim (PMDB), que buscava a reeleição. Rossine ainda é sócio de Gaguim na BPR Empreendimentos Imobiliários, empresa criada em abril de 2010.”
Matéria Completa, ::Aqui::
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Globo instala CPI para salvar tucano
Como previsto, o jornal nacional do Ali Kamel desta quarta feira não aceitou a sugestão do Cloaca.
O jornal nacional do Ali Kamel continuou a honrar aquela frase inesquecível do Caetano (quando ele ainda não era do Globo): assisto ao jornal nacional não para saber o que aconteceu, mas para saber o que o jornal nacional quer que eu ache que aconteceu.
Antes que se instale a CPI em que vai voar pena de tucano para todo lado, o Ali Kamel montou um jornal nacional em que tenta crucificar o inclito delegado Protógenes Queiroz, aquele que ousou reunir as assinaturas necessárias para criar a CPI do Demóstenes e a da Privataria (que vem por aí).
Clique aqui para ler “Estadão tenta desqualificar a Satiagraha”.
Porque é disso que se trata: salvar a pele dos Privatas Tucanos, heróis do Amaury.
Clique aqui para votar na trepidante enquete” o que a CPI do Ali Kamel vai provar”?
Depois, um trepidante repórter de Brasília demonstra que toda a corrupção do Carlinhos Cachoeira, do Demóstenes, da Privataria, do Al Capone, do Ali Babá e de Cayman se instalou num Governo petista de Brasilia.
O Ali Kamel vai tentar.
É provável que consiga instalar a CPI dele antes da CPI do Demóstenes.
E é provavel que no PiG, na Abert (ela vai defender o Robert(o) Civita ?) e na ANJ consiga as assinaturas nessárias.
Mas, não tem importância.
Como diria o Cala a Boca Galvão, depois do empate da Holanda: a coisa já esteve melhor para a Globo.
Paulo Henrique Amorim
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quarta-feira, 11 de abril de 2012
Dilma: “isso não é uma pergunta”
Rodrigo Vianna do Escrevinhador publicou post imperdível:
Vendo a Dilma nos EUA, reunida com Obama, eu me lembro daqueles emails da época da última campanha eleitoral, que diziam: “a terrorista não poderá visitar os EUA, será barrada”. Quanta barbaridade. Não esqueçamos nunca do que a turma do Serra foi capaz de fazer. O aborto (a mulher do Serra em pessoa, segundo o “Estadão”, disse numa passeata que Dilma era a favor de matar criancinhas), a bolinha de papel que Ali Kamel quis transformar em atentado, a ficha falsa, os boatos…
E agora está a Dilma lá nos EUA, enquanto o Serra sua pra ganhar prévia na disputa pra Prefeitura. O Brasil se livrou de uma encrenca!
A turma que acusava Dilma de “abortismo” transferiu sua ira pro Supremo Tribunal Federal. Alguns pastores e bispos católicos (entre eles, aquele bispo dos panfletos, de Guarulhos) parece que gostariam de ver o Santo Ofício instalado na praça dos Três Poderes.
E a Dilma? Em algumas áreas, o governo andou pra trás em relação a Lula: na Cultura, na Comunicação, na Reforma Agrária. É um governo tímido. Mas muito bem avaliado. Nas relações internacionais, Dilma mantem a altivez de Lula. Dá até medo o que seria um governo tucano nessa área.
Nos Estados Unidos, Dilma criticou a política cambial dos EUA e foi direta: a América Latina não aceita mais “Cúpula das Américas” sem a presença de Cuba. A próxima, na Colômbia, será a última sem os cubanos, avisou a Obama. Os jornalistas pediram detalhes à presidenta. E aí vejam o que aconteceu, na descrição do “insuspeito” O Globo: perguntada se o Brasil fez um pedido formal para que Obama aceitasse Cuba no próximo encontro dos chefes de Estado, Dilma afirmou: "O que houve foi a constatação de que todos os países (da América Latina) têm relação com Cuba e, portanto, esta é a ultima cúpula em que ela não participaria. Esta é a posição unânime (na região)".
Questionada sobre a resposta de Obama, Dilma retrucou: "Ele não tem que responder. Isso não é uma pergunta.”
Acho que deu pra entender, né?
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Roberto Jefferson admite ao STF que mensalão não existiu
No Blog do RovaiA Jornalista e blogueira Hildelgard Angel divulgou em 15 de setembro passado link para as alegações finais da defesa do ex-deputado Roberto Jefferson ao STF. São um documento para a história.
Fiz uma leitura do documento e grifei com negritos os trechos mais impactantes. O maior é quando a defesa de Jefferson sustenta que o mensalão foi “uma criação mental” dele.
Ou seja, o autor do termo diz que o termo mensalão é uma invenção. Que é uma retórica…
Diz também que o dinheiro que recebeu do PT era lícito.
Graças ao Sandro Serpa editei essa nota porque tratei a informação como nova por desatenção.
De qualquer forma, a peça que segue é algo que precisa ser lido e relido com atenção.
EXCELENTÍSSIMO SENHOR MINISTRO-RELATOR PERANTE O EXCELSO PLENÁRIO DO SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL.
Ref.: Ação Penal nº 47
ROBERTO JEFFERSON MONTEIRO FRANCISCO, acusado já qualificado no feito da referência, por seu procurador, comparece respeitosamente à ilustrada presença de Vossa Excelência, a fim de apresentar com esta suas alegações finais:
I. Em decisão publicada pelo e-DJ de 15 Jun 2011, em atenção ao pedido formulado pelo protocolo nº 30.298, de 27 Mai 2011-6ªf, Vossa Excelência deferiu a juntada dos documentos que a acompanharam, mas, malgrado integrante daqueles mesmos, indeferiu a requisição de cópia da Ação Civil Pública nº 7807-08.2011.4.01.3400, aforada perante a 13ª Vara Federal do Distrito Federal, onde demandado LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA e outro, embora relacionada com esse feito.
Pois o Requerente agora conseguiu a cópia aludida, que junta com estas alegações finais.
II. Estando pendente de julgamento a Arguição de Impedimento nº 4, de fato, de suspeição de Vossa Excelência, proposta por co-acusado e interessando sua solução aos demais, com implicações na validade e higidez desse feito, acaso venha de ser acolhida, se pede seu pronto julgamento, antecedendo o desta Ação Penal.
Agora, às alegações.
III. Em preliminar, se renovam aqui, em toda sua extensão, os fundamentos que inspiraram os seis agravos regimentais opostos ao longo da instrução, a título de violação do devido processo legal e ampla defesa (CF, art. 5º, LIV e LV).
IV. Como dito já desde a defesa prévia, verbis,
“1. O Defendente é acusado dos crimes de corrupção passiva e de lavagem de dinheiro (fls. 114/118, da denúncia).
Nega e se declara inocente, no entanto, de ambas as acusações.
2. Diz o requisitório, à sua fl. 10, que “A presente denúncia refere-se à descrição dos fatos e condutas relacionados ao esquema que envolve especificamente os integrantes do Governo Federal que constam do pólo passivo; o grupo de Marcos Valério e do Banco Rural; parlamentares; e outros empresários. Os denunciados operacionalizaram desvio de recursos públicos, concessões de benefícios indevidos a particulares em troca de dinheiro e compra de apoio político,
condutas que caracterizam os crimes de quadrilha, peculato, lavagem de dinheiro, gestão fraudulenta, corrupção e evasão de divisas”.
Também esclarece, mas ressalva, à mesma fl. 10, que “A origem desses recursos, em sua integralidade, ainda não foi identificada” (grifos aqui).
No entanto e contraditoriamente, quanto ao Defendente, na qualidade de Presidente do Partido Trabalhista Brasileiro – PTB e de Deputado Federal, com outros de sua agremiação partidária, acusa-o do “recebimento direto ou disfarçado dos pagamentos de propina em troca de integrarem a base de apoio do Governo Federal” (fl. 95) e ainda, de que estaria(m) “cientes de que os montantes recebidos tinham como origem organização criminosa” (fl. 114).
Tudo isso seria para “venda de apoio político ao Governo” (fl. 114) e, nesse sentido, “Para ilustrar o apoio político do grupo de parlamentares do Partido Trabalhista Brasileiro ao Governo Federal, na sistemática acima narrada, destacam-se as atuações dos Parlamentares Roberto Jefferson, Romeu Queiroz e José Carlos Martinez Santos na aprovação da reforma da previdência (PEC 40/2003 na sessão do dia 27/08/2003) e da reforma tributária (PEC 41/2003 na sessão do dia 24/09/2003)” (fl. 117).
Especificamente em relação ao Defendente, assegura que “Como resultado do acordo estabelecido com o núcleo central da quadrilha entre os meses abril e maio de 2004, onde ficou acertado o repasse de R$ 20.000.000,00 do PT para o PTB em cinco parcelas de R$ 4.000.000,00, Roberto Jefferson e Emerson Palmieri, no mês de junho de 2004, receberam na sede nacional do PTB, diretamente de Marcos Valério, a importância de R$ 4.000.000,00, sendo a primeira parcela de R$ 2.200.000,00 e, logo após, R$ 1.800.000,00, em cédulas envoltas em fitas do Banco Rural e Banco do Brasil” (fl. 116).
Menciona, certo, outros episódios relacionados com José Carlos Martinez, Romeu Queiroz, José Hertz e Alexandre Chaves (fls. 116/117), mas esses são fatos de que somente invoca o testemunho do Defendente, embora - sem descrição de conduta criminosa, por eles intente responsabilizá-lo, mas exclusivamente na classificação dos supostos crimes correspondentes, sem outra sustentação (fl. 118).
O estilo oblíquo e mesmo confuso da narrativa da denúncia impunha esta especificação defensiva, porquanto, embora muito citado ao longo dela, o que efetivamente se imputa ao Defendente é somente e tão só o quanto acima gizado.
Salvo, claro, a assertiva surpreendente - que fez de uma vital testemunha para a acusação, apenas um réu de acusação inepta e sem procedência - de que “Relevante destacar, conforme será demonstrado nesta peça, que todas as imputações feitas pelo ex Deputado Roberto Jefferson ficaram comprovadas” (fl. 9).
Por quê?
3. Pois bem. Seja como for, certo é que as acusações contra o Defendente não se sustentam e são claramente improcedentes e destituídas de qualquer fundamento fático.
Com efeito e isso a todo tempo ficou dito e mostrado, sem contraste, que o Defendente andou sempre nos limites que a lei garante.
Como Presidente de partido político, o PTB, formulou acordo para a campanha eleitoral de 2004, eleição de vereadores, vice-prefeitos e prefeitos, com o Partido dos Trabalhadores – PT.
Não se tratava aí de apoio ao Governo Federal. A eleição era municipal.
No âmbito federal, o PTB apoiou, desde o 2º turno da eleição presidencial, em 2002, o candidato e a coligação que elegeu o Presidente Lula, detendo um ministério do governo, o do Turismo e compondo a base parlamentar de apoio, na Câmara dos Deputados e no Senado Federal.
Isso é notório.
O acordo político para as eleições municipais de 2004 com o PT, envolveram, sim, doação financeira deste para o PTB, da ordem de R$ 20 milhões.
Essa doação aprovada por ambos os partidos tem apoio em lei e, naquele pleito, estava regulada pelas Resoluções do egrégio Tribunal Superior Eleitoral.
Era a Resolução nº 21.609/04, art. 3º, parágrafo único, inciso I, que considerou recurso, dinheiro em espécie e, a Resolução nº 20.987/02, art. 10, inciso IV, que indica doação de partido político como fonte de arrecadação.
Assim, os R$ 4 milhões pagos pelo PT, como parte do dito acordo, nada têm de irregular, dirá criminoso.
A origem desse recurso, que não se poderia presumir ilícita - como, de resto, a própria denúncia afirma que “ainda não foi identificada” (fl. 10) - segundo o PT, é fruto de recursos próprios seus e de empréstimos bancários.
Não se trata, portanto, como dito na denúncia, de propina.
É recurso lícito, fonte de arrecadação prevista em lei e destinada à eleição municipal de 2004.
Com o governo federal iniciado com a eleição vitoriosa de 2002, de que fazia e faz parte o PTB, suas bancadas, na Câmara e no Senado, desde então sempre votaram e conformaram sua base parlamentar de apoio.
E isso é conceitual e rudimentar na prática parlamentar e política, que aqui se quer criminalizar.
Mas crime não é.
Assim, nada de incomum, estranho ou ilícito, do Defendente, então Líder do PTB na Câmara, defender e votar a favor da reforma da previdência - como já pregava desde a Constituinte e da indispensável e urgente reforma tributária.
Nem de novo, desde que essa é a postura programática do PTB e de notória defesa, antes mesmo da Constituinte de 1987.
E se não sabe o acusador a origem daquele recurso, como afirmar que é ilícito e, por isso, atribuir ao Defendente que empenhou-se no seu branqueamento ou lavagem ? Non sense !
É quanto basta, eminente Senhor Ministro-Relator, para deixar mostrado e a se robustecer com a prova a mais a produzir, para que a falada improcedência da denúncia seja reconhecida”.
Pois, dada como ultimada a instrução, a prova produzida não desmentiu e, por cima, confirmou o alegado.
V. Independente de em sede de alegações finais tenha o ilustre acusador se esmerado em esforço retórico para buscar a condenação do Defendente, da retórica não passou.
Nada da situação de fato – geralmente invocada da fase inquisitorial - conforta ou demonstra sua pretensão.
Em nenhum momento há indicação, documental ou oral, que desminta a versão do acusado.
Sem elemento material de prova, tenta, claro, formular teorias que, de lege ferenda, poderiam vir a serem discutidas no Congresso Nacional.
VI. Assim é, quando para formular pedido de condenação no crime de corrupção passiva, louva-se em referência a opinião isolada e, citando parte do v. acórdão na Ação Penal nº 307-3-DF, primeiro, diz que na configuração dessa infração é prescindível ato de ofício, que, aliás, não indicou na sua denúncia, praticado ou deixado de praticar.
Ora, mas tanto isso não é exato, nem verdadeiro que, já desde a ementa do v. acórdão respectivo, ali se pode ler, verbis,
“1.2. Improcedência da acusação. (…) em virtude (…) mas também por não haver sido apontado ato de ofício configurador de transação ou comércio com o cargo então por ele exercido” (DJ de 13 Out 1995).
Depois, diz que voto de parlamentar abrigado pela imunidade material que decorre do disposto pela CF, art. 53, sem qualquer especificação, pode ser escrutinado e submetido a controle pelo Ministério Público ou mesmo pelo Poder Judiciário, em rematado absurdo.
VII. Do mesmo modo, na imputação de lavagem de dinheiro, esmera-se em sustentar que embora reconheça que não haja tipo penal de organização criminosa no direito positivo brasileiro, isso merece uma espécie de interpretação extensiva que, em tudo, agride a garantia pétrea da CF, art. 5º, inciso XXXIX, de modo a instituir modalidade criminosa através de só argumentos.
Ora, ainda que uma tal possibilidade se viabilizasse - como não há - haveria de estar calcada em prova (que não se realizou), da ciência prévia do Defendente da origem criminosa do recurso que lisamente admitiu lhe ter sido aportado, como fruto de acordo partidário lícito e não desmentido. Ao contrário.
Assim, se sequer se desincumbiu de provar a origem do recurso - que desde a denúncia dizia não saber - todas as afirmações que faça, a partir de prova judicializada, no ocaso desta ação penal, de ser dinheiro público, de ser fruto de prática delituosa, de se ter inspirado em contratos e empréstimos fictícios, não passam de sua mera criação mental.
Dirá, que o Defendente disso soubesse ou pudesse saber, previamente, de modo à integração do tipo penal de que trata que, em todas as suas modalidades, apresenta tal exigência como requisito de sua configuração.
VIII. Efetivamente, o pedido condenatório não passa de esforço retórico que, por isso mesmo, não pode ser acolhido, como se pede.
IX. Já, qual a razão do ilustre acusador ter deixado de denunciar aquele que, por força de disposição constitucional, é o único que no âmbito do Poder Executivo, tem iniciativa legislativa (CF, art. 61), o Presidente da República, para somente acusar três de seus auxiliares (CF, art. 76), Ministros de Estado, que iniciativa para propor projetos de lei não têm, embora se diga que para aprovação daqueles teriam corrompido Deputados, isso é um mistério que esta Ação Penal incompleta e descabelada não revela.
Muito menos, diante do princípio da obrigatoriedade da ação penal pública, revelou.
Certo, o Defendente se debate, desde o recebimento da denúncia para que a matéria seja submetida ao Plenário dessa Alta Corte, à luz do que dispõe o CPP, art. 40, sem sucesso, porque travado por Vossa Excelência, ora sob alegação de que isso incumbiria ao acusador, ora de que isso descabia ao Supremo Tribunal, ora ainda que já fora decidido, mas que, em verdade, jamais foi proposto à Corte tal qual suscitado.
Afinal vige o disposto pelo CPP, art. 40, “Quando, em autos ou papéis de que conhecerem, os juízes ou tribunais verificarem a existência de crime de ação pública, remeterão ao Ministério Público as cópias e os documentos necessários ao oferecimento da denúncia” ou, estamos todos submetidos à vontade incontrastável do Procurador-Geral da República, embora a clara evidência de crime praticado pelo então Presidente da República, a partir mesmo do teor da denúncia, quando se recuse imotivadamente a exercer seu munus em delito de ação penal pública plena, com omissão do Supremo Tribunal ?
Se assim não for, então, que se enfrente a matéria, dando-se aquela disposição processual penal do art. 40 como não recebida pela Carta de 1988.
Intolerável, é a omissão.
X. Por isso mesmo, já desde a defesa prévia, reiterado em quatro séries de embargos de declaração, se disse e pediu, verbis,
“4. Outra coisa é – e se diz que tudo ficou comprovado - o pagamento periódico a parlamentares para votar projetos de iniciativa ou interesse do Presidente da República, por parte inclusive de Ministros de Estado, co-réus neste estranho e incompleto processo criminal.
E se diz incompleto e aberrante da lógica jurídica, a mais desmerecer aquela que presidiu a denúncia açodada e preferencial, porquanto, como expresso em sede de embargos de declaração opostos ao v. acórdão que a recebeu, [ainda sem julgamento], ali se propôs, até aqui sem resposta, verbis,
“4. Admitindo a plausibilidade da acusação, como o admite o v. acórdão, no sentido de que pelo menos três (3) Ministros de Estado, constitucionalmente definidos como auxiliares do Presidente da República (CF, art. 76), se organizaram em quadrilhas autônomas, para, entre outras práticas, atentarem contra o livre exercício de Casa do Poder Legislativo, a Câmara dos Deputados, através de pagamento periódico em dinheiro a parlamentares, para votar em favor de projetos do Chefe do Poder Executivo, o “mensalão”, em delitos diversos, no entanto, nada dispôs o v. aresto sobre igual prática desses crimes, em óbvia co-participação, pelo próprio Presidente, silenciando em face do que dispõe a CF, art. 102, inciso I, alínea “b”, c.c. CPP, art. 40
Se descobre aí omissão e contradição, para que se pede declaração”.
Nesse sentido e para formulação de sua defesa aqui, o Requerente que dera notícia da dita prática delituosa ao Senhor Presidente da República, requereu certidão a respeito das providências que o Chefe do Poder Executivo envidara, mercê da notitia criminis, no âmbito do Poder.
Com surpresa, como evidenciam os documentos anexos, informa-se por certidão que nada foi localizado a respeito“.
XI. Já agora, com a representação dada por ilustre Procurador-Regional ao Senhor Procurador-Geral da República contra atos do ex-Presidente LUIZ INÁCIO LULA DA SILVA totalmente imbricados com os fatos de que cuida esta Ação Penal – acostada aí pelo Defendente com a petição citada no item I desta - lá protocolada em 19 Abr 2011, sem qualquer pronunciamento conhecido de Sua Excelência, nem mesmo aditamento de sua denúncia, para incluí-lo, se a matéria não for objeto de deliberação expressa dessa Suprema Corte, como se pede, então, que fiquem os documentos alusivos nesses autos, para que, no futuro, um pesquisador distraído da história possa ajuizar sobre o assunto.
XII. Eis porque, ilustrado Senhor Ministro-Relator, o Defendente, respeitosamente, pede sua absolvição.
Pede deferimento.
Sapucaia do Sul, 30 Ago 2011-3ªf.
p.p.
Luiz Francisco Corrêa Barbosa,
OAB/RS nº 31.349.
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