terça-feira, 6 de setembro de 2011

A ruiva que lidera a massa de 500 mil. Em Israel

A ruiva que lidera a massa de 500 mil. Em Israel  
Jornalista, Stav Shaffir anunciou no Facebook que iria acampar em uma praça em Tel-Aviv para protestar contra a política econômica; dois meses depois, manifestação reuniu meio milhão

Roberta Namour_247 em Paris - Seus cabelos ruivos ondulados esvoaçam no ar enquanto ela percorre as ruas de Tel-Aviv em uma bicicleta. O chapéu na cestinha da garupa é providencial nos dias quentes do verão de Israel. A primeira vista, quem vê a jovem Stav Shaffir passar não imagina que seu ar angelical esconde uma pessoa determinada que conseguiu mobilizar um País. Aos 26 anos, a jornalista israelense decidiu compartilhar no Facebook um protesto contra o preço abusivo dos aluguéis. Dois meses depois, meio milhão de israelenses se juntou a ela e saiu às ruas para protestar contra a política econômica do governo.
O movimento começou no dia 11 de julho. Stav Shaffir descreveu no jornal em que trabalha, o Xnet, as dificuldidades encontradas por dez amigos, que foram discutidas num encontro.  "Um pequeno apartamento de dois cômodos miserável custa 720 euros por mês", disse um deles. "Eu não vejo futuro aqui. Eu não tenho dinheiro nem para comprar e nem para alugar um apartamento. Como vou fundar uma família ?", completou outro. "Trabalhava em tempo integral em uma revista. Paguei meu mestrado em diversas parcelas, mas não consegui pagar o aluguel. Tive que dividir um apartamento com várias pessoas", testemunhou a própria Stav. Sem encontrar outra alternativa, as dez pessoas ali reunidas tomaram uma decisão que foi divulgada pelo Facebook: "Depois de uma jornada de dez horas de trabalho, irei à praça Habima, com a minha barraca. Lá será minha nova casa".
A aposta deu certo. A corrente passou de um grupo de jovens ao resto do País. Após a armação da primeira tenda, eles se tornaram milhares a exigir justiça social a todos. Mais de 50 acampamentos estão espalhados pelos quatro cantos de Israel. Desde então, Stav Shaffir se tornou a referência do movimento. Seu telefone marca 20 chamadas perdidas a cada dez minutos. Ela é abordada constantemente na rua, seja por famílias desamparadas ou por pessoas que querem fazer uma contribuição financeira ao movimento.
Por ora, Stav suspendeu seus estudos para se dedicar inteiramente ao "trabalho". "O que está acontecendo é grande demais", julga ela. De fato. Israel conhece a maior mobilização social da história. 'Pela primeira vez nós vemos as pessoas acordarem e sairem de seus abrigos apesar dos mísseis contra Gaza que passam por suas cabeças", disse Stav. Segundo ela, o governo israelense não pode resolver a questão da Palestina se não consegue em soluciar os problemas internos.
Recentemente o primeiro-ministro Binyamin Netanyahu criou um comitê para examinar os pedidos de reforma, em resposta às reivindicações populares. No entanto, afirmou que não poderá atender a todas as demandas dos manifestantes.
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Um sopro de vida orgânica no PT

O documento aprovado no Congresso do PT é uma tentativa de resgatar a organicidade política do partido que, depois de oito anos de governo Lula (e oito meses de Dilma) acabou se conformando como uma mera unidade pró-governo. É uma tentativa de sair da arena da luta meramente institucional com os partidos aliados e ganhar a opinião pública para suas bandeiras.

Por Maria Inês Nassif, Carta Maior

Não se recomenda reduzir o Congresso do PT, realizado no final de semana, a um mero jogo de cena. A ausência de debates acalorados ou a não explicitação de grandes divergências internas dizem mais do que isso. Ao longo de oito anos de governo, e no início de um terceiro mandato na Presidência, era inevitável que mudanças se produzissem num partido que sempre funcionou como uma frente de tendências de esquerda, setores sindicais e grupos ligados à Igreja Progressista.
O PT passa por um processo de mudança que se iniciou em 1998, após a terceira derrota de Luiz Inácio Lula da Silva na disputa pela Presidência. Ao longo do tempo, sofreu defecções próprias de um partido que se consolidou na oposição e como partido de esquerda que, uma vez no poder, não teria condições de governabilidade se não optasse por uma política de alianças mais ampla e maleável.
Muita água rolou debaixo da ponte desde a formação do PT, em 1980. Sofreu rachas que resultaram no PSTU e no PSol; não apenas perdeu setores ligados à Teologia da Libertação, como os que lá permaneceram vivem o ostracismo a eles imposto nos dois últimos papados (de João Paulo II e de Bento XVI); amargou as crises do chamado Mensalão e dos "Aloprados", que resultaram não apenas em desgaste popular, mas em perdas de quadros importantes para a dinâmica interna, sangria iniciada na formação do Ministério petista; foi de alguma forma redimido pelo sucesso dos governos Lula, mas para isso teve que pegar carona na popularidade de um líder carismático que detinha o poder do presidencialismo.
O resultado foi um esvaziamento de quadros dirigentes, uma crise interna que se estendeu no tempo, inclusive pela falta de mediadores com o peso de Lula, e uma perda de peso relativo em relação aos demtais partidos da base aliada, embora permaneça com uma grande bancada no Congresso.”
Artigo Completo, ::Aqui::
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Sócrates volta à UTI em estado grave

Sócrates volta à UTI em estado grave  
Ídolo do Corinthians teve outra crise de cirrose hepática com hemorragia digestiva. Ele está internado no hospital Albert Einstein, em São Paulo. Sua esposa pede orações ao ex-jogador
 
247 - O ex-jogador Sócrates foi internado novamente em São Paulo na manhã desta segunda-feira. Ele está na UTI do hospital Albert Einstein em estado grave. Ele sofre de cirrose e voltou a ter hemorragia digestiva. Esta é a segunda crise que ele sofrre nos últimos dez dias. Sua mulher Katia pediu orações para o ex-jogador. "Ele está reagindo bem, a hemorragia foi interrompida, mas precisamos de muitas orações", disse.
Em entrevista ao Fantástico, logo após sua primeira internação, o ídolo do Corinthians revelou como a bebida quase o levou à morte. Ele reconheceu que era dependente de álcool. “É nessas horas que a gente cresce. Saio muito mais forte, muito maior e com muito mais compromissos e responsabilidades que eu tinha antes”, disse.
Na primeira sua primeira ida à UTI, médicos consultados falaram sobre a necessidade de um transplante de fígado para casos agudos de cirrose hepática, majoritariamente causada por hepatite B e C. Para isso, ele teria de passar seis meses em abstinência alcoólica antes de entrar na fila.
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segunda-feira, 5 de setembro de 2011

PIG: A suspeita de montagem da foto de Dirceu no Congresso do PT



No Blog da Cidadania

Logo após os discursos do ex-presidente Lula e da presidente Dilma Rousseff durante a cerimônia de abertura do 4º Congresso Nacional do PT, na última sexta-feira, o país começou a ser surpreendido por uma foto que, dali em diante, seria usada largamente por praticamente todos os grandes meios de comunicação que se opõem ao partido.
A foto de José Dirceu com uma aparência literalmente “demoníaca” (vide acima) tornou-se, inclusive, parte da manchete principal de primeira página do Estadão do último sábado e espalhou-se por vários grandes portais de internet, como o do Grupo Estado, o UOL e o Globo.com, além de uma infinidade de blogs e sites e nas redes sociais, tais como Twitter e Facebook.
Sobretudo nas redes sociais eclodiram suspeitas de que a foto, tal a expressão impressionante com que Dirceu aparece nela, teria sido montada de forma a “dar o troco” pelos revezes que o ex-ministro impôs à mídia tucana após ter denunciado ao país tentativa da revista Veja de invadir e grampear seus aposentos em um hotel de Brasília.
Um leitor deste blog, o José Honório, envia-me, por e-mail, uma suspeita mais bem elaborada que divido com as senhoras e os senhores a seguir:
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Eduardo,
Isto é só uma opinião sobre a foto de Dirceu.
Primeiro, as pessoas junto a ele estavam todas sérias, não havendo, então, qualquer motivo para uma gargalhada com requinte de língua de fora.
Segundo, nunca vi o Dirceu se exceder em uma risada.
Terceiro, aquela careta parece muito com uns dos demônios do Miguelângelo que aprecem na capela sistina.
Quarto, a sombra no rosto de Dirceu que não aparece em outras fotos do grupo no mesmo local.
Quinto, manchas no rosto de Dirceu que comparadas a outras fotos no mesmo local não aparecem.
Sexto, pergunta-se, por que a cor de Dirceu está saturada nesta foto e das outras pessoas não?
Para mim, houve uma sobreposição computadorizada para dar um aspecto demoníaco ao Dirceu.
Lembro-me de que ví uma careta idêntica nos afrescos do Vaticano. Por outro lado, a Globo é useira e vezeira em fazer esses tipos de montagem. Na época de Brizola, era quase todo dia.
Há pouco tempo, fizeram uma montagem para livrar a cara do Serra no caso da bolinha de papel. Não podemos nos esquecer.
Bem, como não tenho o negativo, a certeza por enquanto está só comigo.
Cordialmente,
José Honório
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Particularmente, não vi alguns dos fatores apontados pelo leitor. Mas encimando este post figura a comparação da foto polêmica com outra muito similar, captada, provavelmente, segundos antes ou depois daquela que a mídia escolheu para, obviamente, atacar aquele que lhe impôs um dos golpes mais duros que sofreu nos últimos tempos.
E vocês, o que acham?
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CHARGE


Sem retorno

Por Delfim Netto

A notícia veio seca, sem disfarces, transmitida de Tóquio pelas agências noticiosas internacionais na sexta-feira 26 agosto: em dois anos e ao custo de alguns bilhões de dólares, o Japão espera reduzir pela metade os níveis da radiação produzida pela destruição do sistema de resfriamento dos reatores da usina nuclear de Fukushima, em 11 de março do ano corrente. Poucos especialistas se arriscam a estimar a duração do trabalho restante para chegar a índices de descontaminação “suportáveis” pela população numa região que abrange milhares de quilômetros quadrados no entorno da usina.
Cerca de 100 mil sobreviventes ao tsunami foram retirados da área e em sua maioria não têm certeza de retorno ou mesmo perspectiva de voltar um dia. Autoridades estimam que em dois anos a radiação diminua, naturalmente, 40% nas áreas afetadas. O governo trabalha com o objetivo de atingir níveis de redução de 60% nos locais frequentados por crianças nesse mesmo período. 
As informações partiram do ministro extraordinário para a crise nuclear, Goshi Hosono, que reiterou que o governo japonês assumiu a total responsabilidade pelo processo de recuperação ambiental, inclusive a retirada dos resíduos radioativos e a restauração do solo para permitir a volta das práticas agrícolas. Ele usou de absoluta transparência ao dizer que ainda não tem uma solução permanente para armazenar o material radioativo, que terá de ser guardado, por enquanto, pelas comunidades locais. Garantiu, apenas, que a devastada província de Fukushima não será o destino final do lixo atômico.
A menção ao problema do tratamento do rejeito radioativo me fez lembrar o resultado de estudos recentes mostrando- que os países que dependem da energia atômica não têm ideia clara do que fazer para minimizar a contaminação- produzida pelo combustível nuclear irradiado, cujos -efeitos podem perdurar por séculos.
Apesar do envolvimento limitado nessas questões, tenho insistido na necessidade de se estudar melhor no Brasil os problemas da utilização das fontes energéticas, especialmente de parte dos ambientalistas. É inacreditável que muitos deles não consigam admitir, mesmo em boa-fé, a superioridade da opção brasileira pela energia hidrelétrica e ainda aceitem uma parceria com os defensores do uso da energia nuclear como alternativa mais adequada à preservação do meio ambiente e à proteção da vida.
Nos anos que se seguiram à entrada em operação da hidrelétrica de Itaipu, última grande obra sobre o Rio Paraná- no século XX, o desenvolvimento da matriz energética limpa brasileira foi retardado durante duas décadas- pela ação de ONGs que se autonomeavam “protetoras do ecossistema amazônico” ameaçado com a construção de -hidrelétricas como as de Santo Antônio e Jirau, no Rio Madeira, e a de Belo Monte, no Xingu. A decisão de realizá-las consolida definitivamente o caminho para o aproveitamento do potencial energético do Norte brasileiro, que responde por 65% do total disponível.
O conhecimento científico atual não permite afirmar que as gerações futuras estarão a salvo da contaminação pelos rejeitos radioativos das usinas nucleares, muitas delas em operação desde a segunda metade do século XX. Compreende-se, portanto, o cuidado das autoridades japonesas ao se referir a prazos para o restabelecimento de condições mínimas para que os habitantes de Fukushima retornem aos seus lares.
Muitas pessoas continuam sem entender a opção japonesa pelo uso da energia nuclear, mesmo sabendo da pobreza de alternativas e que o avanço tecnológico permitiu dar-lhe viabilidade econômica. Essa aparente vantagem não é mais suficiente para justificar os riscos atuais para a vida humana e a insegurança das populações futuras. Isso sem contar o fato de que o brutal aumento de custos para prevenir os efeitos dos acidentes naturais inviabilizou o início de novos projetos em todo o planeta até que novos mecanismos de segurança sejam desenvolvidos.
Sem ter sofrido as dores de tragédia similar, o povo alemão reagiu muito rapidamente a tais evidências em manifestações simultâneas nas maiores cidades, o que levou o governo da chanceler Angela Merkel a definir um novo rumo, radical, surfando sobre a decisão anterior de desativar paulatinamente as velhas usinas nucleares que respondiam por um quarto da oferta de energia: simplesmente decidiu que todas as instalações nucleares, inclusive as mais modernas, serão desativadas o mais rápido possível, com o suprimento sendo atendido pelo aumento da oferta de energia eólica e da biomassa.
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CPT critica decisão da Justiça de liberar mandante de chacina no Pará

“O fazendeiro Marlon Lopes Pidde, que chefiou uma chacina na Fazenda Princesa, no município de Marabá, em setembro de 1985, onde 6 trabalhadores rurais foram torturados e posteriormente assassinados, foi colocado em liberdade na semana passada, por decisão em Habeas Corpus do Superior Tribunal de Justiça – STJ.
Marlon foi preso, preventivamente, pela Polícia Federal no final de 2006, depois de passar 20 anos foragido da Justiça. Ele estava escondido na cidade de São Paulo e usava nome falso para dificultar sua localização. A prisão preventiva de Marlon foi decretada logo após a chacina, à época ele residia em Goiânia, tendo sido visto na cidade por várias vezes, mas, a polícia paraense nunca empreendeu esforços para prendê-lo. Foi preciso a entrada da Polícia Federal no caso para que Marlon fosse localizado e preso.
O caso ficou conhecido a nível nacional e internacional, em razão da crueldade usada pelos assassinos, chefiados por Marlon, para matar as vítimas. Os seis trabalhadores foram sequestrados em suas casas, amarrados, torturados durante dois dias e assassinados com vários tiros. Depois de mortos, os corpos foram presos uns aos outros com cordas e amarrados a pedras no fundo do rio Itacaiunas. Os corpos só foram localizados mais de uma semana após o crime. O caso foi levado à Comissão Interamericana de Direitos Humanos da OEA, onde tramita um processo contra o Estado brasileiro.
Marlon foi solto graças à morosidade da justiça paraense. Os advogados da CPT e da SPDDH (que atuam na assistência da acusação), em conjunto com o Ministério Público, ingressaram com PEDIDO DE DESAFORAMENTO do julgamento para a comarca da Capital em junho de 2007, no entanto, o Tribunal só julgou o pedido no dia 08 de fevereiro de 2010, ou seja, quase 3 anos para julgar um recurso que deveria ser julgado em menos de 6 meses. Em seguida, a defesa de Marlon interpôs os recursos Especial e Extraordinário contra a decisão do Tribunal que desaforou o julgamento para Belém. Novamente o Tribunal demorou, exageradamente, apenas para se manifestar sobre se admitia ou não os recursos. Foi mais de um ano para uma simples manifestação. Somando os dois prazos, o processo passou mais de 4 anos nos corredores do Tribunal. Uma demora sem qualquer justificativa. Era o argumento que a defesa de Marlon esperava e precisava para pedir sua liberdade com fundamento no excesso de prazo de sua prisão.
Marlon foi duplamente beneficiado pela morosidade da justiça paraense, primeiro, pelos 22 anos que o processo passou nas gavetas do fórum da comarca de Marabá; segundo pelos 4 anos que o processo ficou emperrado no Tribunal de Justiça para o julgamento de um simples recurso. Em liberdade, mesmo que, futuramente, seja condenado pelo tribunal do júri, dificilmente será preso novamente. Marlon e a impunidade agradecem!
Agindo dessa forma, a justiça paraense reforça a impunidade e contribui com o aumento da violência no campo no Estado. As entidades que acompanham o caso e os familiares das vítimas encaminharão uma denúncia ao CNJ contra o Tribunal de Justiça do Pará e informarão à Comissão de Direitos Humanos da OEA.

Marabá, 31 de agosto de 2011.
Comissão Pastoral da Terra – CPT diocese de Marabá.
Sociedade Paraense de Defesa dos Direitos Humanos – SPDDH”
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Chile: Piñera se rende às reivindicações dos estudantes

 Os líderes do movimento, o maior desde a redemocratização do país, há duas décadas, informaram que estão apenas abrindo a rodada de conversas, e terão de ouvir as respectivas b ases antes de tomar qualquer decisão.
Acrescentaram que seguem mobilizados, realizando massivas marchas, enquanto não se chegue a um consenso.
“A reunião está no marco de uma primeira instância de diálogo na qual se deixaram claras as posturas dos distintos atores, ainda que estejamos conscientes de que faltam muitos outros”, afirmou Camila Vallejo, representante da Universidade do Chile, que acrescentou que as propostas serão submetidas a aprovação do movimento tão logo as apresente o presidente, o que deve ocorrer na manhã de segunda-feira (5). “O importante é que aqui existe vontade de avanço, que se apresentaram suficientemente claras as posições e são nossos companheiros os que têm de tomar uma decisão.”
A mesa de diálogo representa uma mudança fundamental na postura que Piñera manteve ao longo dos últimos três meses. Após o início dos protestos, o presidente apresentou um pacote de mudanças que somavam US$ 4 bilhões em incentivos que basicamente manifestavam a crença no sistema atual, centro da discórdia para os estudantes. Atualmente, a educação no Chile, do ensino básico ao médio, é dividida entre pública e privada subsidiada, o que criou um sistema no qual empresários lucram às custas do Estado. No ensino superior, a situação é mais complicada, já que todas as instituições, públicas ou privadas, cobram mensalidades dos estudantes, o que deu origem a um sistema de crédito que endivida os jovens.
Piñera, em meio a uma crise de popularidade, chegou a trocar oito de seus ministros, e lançou um novo pacote de incentivos à educação, passando a taxar de intransigentes os estudantes mobilizados. Além disso, acusava-os de se negar ao diálogo e de trabalhar contra o desenvolvimento do país. “Nós nunca condicionamos o diálogo às marchas e mobilizações. Ratificamos que vamos seguir mobilizados até que não tenhamos respostas concretas a respeito de nossa pauta de reivindicações, que é algo que ressaltamos desde o início destas mobilizações”, explicou Rodrigo Rivera, porta-voz dos estudantes secundários, ao comandante de La Moneda.
O presidente do Colégio de Professores, principal entidade docente do país, adiantou a Piñera que na segunda-feira os movimentos por educação na América Latina lhe entregarão documentos de protesto nas respectivas embaixadas e consulados. Jaime Gajardo destacou ainda que a opção dos manifestantes é pela educação pública, e somente sobre esta base de ideias poderá haver avanço na negociação. “O que se fez nesta mesa de diálogo é reafirmar que há temas centrais que seguem pendentes, sobre os que se terá de seguir discutindo, como a questão do fim do lucro, da desmunicipalização, de terminar com o financiamento compartilhado”.
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“Nós ainda devemos ao Brasil o marco regulatório dos meios de comunicação”

No Blog Vi o Mundo

Por Conceição Lemes

O Partido dos Trabalhadores (PT) realiza neste final de semana, em Brasília, o seu 4º Congresso Nacional. Cerca de 1.350 delegados, eleitos pelo voto direto de filiados em todo o país, participam. Eles devem votar amanhã a Resolução Política proposta pela Executiva Nacional do PT. São 116 pontos, vários dedicados à questão dos meios de comunicação no Brasil.
No começo desta tarde de sábado, entre uma atividade atrás da outra, Elói Pietá, secretário-nacional do PT, abriu uma brecha, espremida, para esta entrevista sobre um tema fundamental para a democracia brasileira: a regulação dos meios de comunicação.
Gaúcho de Guaurama e morador de Guarulhos, na Grande São Paulo, desde 1980,  Elói Pietá já foi vereador, deputado estadual e duas vezes prefeito de Guarulhos. Terminou o segundo mandato com 80% de aprovação. Atualmente Elói Pietá é vice-presidente da Fundação Perseu Abramo.
Viomundo – A proposta de resolução do IV Congresso Nacional do PT tem 116 tópicos. Entre eles, o marco regulatório dos meios de comunicação no Brasil. O que levou o PT a incluí-lo na pauta? Teria a ver com o caso Veja/ex-ministro José Dirceu?
Elói Pietá – Não, não. Historicamente o PT tem defendido a democratização da mídia. Há toda uma tradição nossa nesse sentido, desde 1989. E, até devido à crescente importância da internet como instrumento de comunicação, esse é um tema que está de volta no mundo todo com muita força.
O marco regulatório é um avanço da democracia e nós, que somos governo há 8 anos e 8 meses, devemos isso ainda ao Brasil. Então, retomando aquela perspectiva levantada desde a campanha para presidência da República de 1989, o PT vai agora transformar essa questão em uma de suas prioridades. Será uma das prioridades da nossa ação partidária. Portanto, não tem nada a ver com o episódio recente.
Viomundo – A proposta de regulação da mídia já foi votada?
Elói Pietá – Não, vai ser votada amanhã pela plenária. A proposta de resolução do 4º Congresso do PT tem 116 itens, há alguns que abordam essa questão.
Viomundo – Por que é importante o Brasil regular os meios de comunicação?
Elói Pietá — Nós achamos que há duas questões básicas para o avanço da democracia no Brasil: a reforma política e a democratização da comunicação.
Hoje os principais meios de comunicação estão nas mãos de poucas empresas.  E essas poucas empresas têm veículos de comunicação nas diversas mídia.  Portanto, um setor privado muito restrito, bastante concentrado, que assumiu um quase monopólio  da área de comunicação de massa,  o que não é muito adequado à democracia.
Viomundo – Por quê?
Elói Pietá – Porque essas empresas não têm mandato outorgado pela sociedade para serem juízes do que do que a população deve saber. Portanto, esse setor tem de se abrir para que a sociedade tenha acesso a informação mais plural, mais diversificada.  Atualmente, essas poucas empresas têm condições de censurar o pensamento de setores importantíssimos da sociedade.
Viomundo – Mas essas empresas alegam que a regulação é que seria censura. Aliás, sempre que o assunto entra em pauta, a mídia fala em atentado à liberdade de imprensa, à liberdade de expressão, em censura. O que o senhor acha desse discurso?
Elói Pietá – São eles que têm o poder de censura e o fazem hoje. Nós não queremos censura.  Nós queremos que a abertura das comunicações permita-nos  superar a censura que pode ser feita atualmente por poucas empresas.
Você pode dizer: todo mundo tem direito à livre expressão. Ok, concordo.  O problema é que não está sendo assegurado o direito dessa livre expressão chegar ao conhecimento da sociedade.
Só chega à sociedade um lado da história, o lado dos donos das poucas empresas de comunicação. Portanto, isso se constitui numa censura a outras opiniões, propostas, interpretações.  Até o peso desigual que se dá ao fato na sua divulgação à sociedade pode se constituir  em censura.
Outro ponto importante é a disseminação do acesso à internet. Isso também faz parte daquilo que chamamos marco regulatório. Assim como nós levamos luz elétrica à regiões mais distantes, isoladas do Brasil, no governo Lula e agora também no governo Dilma,   nós queremos que o mesmo aconteça com a internet.
Viomundo – O que o PT propõe em relação ao marco regulatório?
Elói Pietá — Na verdade, tem vários aspectos. Por exemplo, a questão de proibição da propriedade cruzada nos meios de comunicação.  A possibilidade de as rádios comunitárias terem acesso à sua legalização. O fortalecimento das redes públicas de comunicação que podem ter papel importante nas questões de educação, saúde e  cultura. Outro elemento importantíssimo é garantir espaço para a produção cultural nacional. É uma forma de a nossa produção cultural chegar ao povo brasileiro, mas  também a outros países.
Enfim, um conjunto de elementos que significa uma mudança marcante, histórica, de uma legislação que vem da época de 60 e está em vigor até hoje.
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Dos 116 tópicos da Resolução Política do 4º Congresso Nacional do Partido dos Trabalhadores, quatro (de 73 a 76) dizem respeito à regulação dos meios de comunicação. Seguem abaixo:
73. Para o PT e para os movimentos sociais, a democratização dos meios de comunicação é tema relevante e um objetivo comum com os esforços de elaboração do governo Lula e os resultados da I Conferência Nacional de Comunicação, que evidenciou os grandes embates entre agentes políticos, econômicos e sociais de grande peso na sociedade brasileira. É urgente abrir o debate no Congresso Nacional sobre o marco regulador da comunicação social – ordenamento jurídico que amplie as possibilidades de livre expressão de pensamento e assegure o amplo acesso da população a todos os meios sobretudo os mais modernos como a internet. Daí o nosso repúdio ao projeto de lei 84/99 que se originou e tramita no Senado Federal, o AI-5 digital, pois pretende reprimir a livre expressão na blogosfera.
74. Para nós, é questão de princípio repudiar, repelir e barrar qualquer tentativa de censura ou restrição à liberdade de imprensa. Mas o jornalismo marrom de certos veículos, que às vezes chega a práticas ilegais, deve ser responsabilizado toda vez que falsear os fatos ou distorcer as informações para caluniar, injuriar ou difamar. A inexistência de uma Lei de Imprensa, a nãoregulamentação dos artigos da Constituição que tratam da propriedade cruzada de meios, o desrespeito aos direitos humanos presente na mídia, o domínio midiático por alguns poucos grupos econômicos tolhem a democracia, silenciam vozes, marginalizam multidões, enfim criam um clima de imposição de uma única versão para o Brasil. E a crescente partidarização, a parcialidade, a afronta aos fatos como sustentação do noticiário preocupam a todos os que lutam por meios de comunicação que sejam efetivamente democráticos. Por tudo isso, o PT luta por um marco regulatório capaz de democratizar a mídia no País.
75. As reformas institucionais não estarão completas se não forem acompanhadas da mais profunda democratização da comunicação. Além de tudo isso, as mudanças tecnológicas e a convergência de mídias precisam ser acompanhadas de medidas que ampliem o acesso, quebrem monopólios e garantam efetiva pluralidade de conteúdos.
76. Ainda no campo da comunicação, é preciso aprofundar as políticas públicas para a juventude, num contexto em que a própria noção de cidadania cultural se redesenha num cenário de convergência tecnológica, de economia e de serviços. Tais políticas devem voltar-se para a ampliação da fruição cultural e da qualidade da educação no Brasil.
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CHARGE

Washington Post: CIA virou máquina de assassinar


Não vi em nenhum jornal menção à grave matéria publicada hoje pelo The Washington Post afirmando que, desde o 11 de setembro, a CIA mudou sua prioridade: de espionagem para simples assassinato.
A matéria mostra que a força contra-terrorismo da agência passou, nestes dez anos, de 300 para 2 mil agentes, espalhados pelo mundo e contando, agora, com uma força de aviões não tripulados que já matou cerca de 2 mil pessoas no mundo árabe. Neste momento, as execuções estão concentradas no Iemen, onde – dizem eles – há grupos simpatizantes da Al Qaeda.
Segundo o jornal, a CIA não reconhece oficialmente o programa drone – zangão, nome dos aviões não-tribulados- “e muito menos dá explicação pública sobre o que atira e quem morre, e por que regras.”
“Estamos vendo a volta CIA em mais de uma organização paramilitar, sem a supervisão e responsabilidade que tradicionalmente esperam dos militares”, disse Hina Shamsi, o diretor do Projeto Nacional de Segurança da União Americana pelas Liberdades Civis.
Sobre isso, a ONU afirmou que… Ah, a ONU não afirmou nada, ignora.
Se alguém, com inglês melhor que o meu – o que não é difícil – puder trazer mais detalhes, a matéria está aqui.
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A militarização da política no México

Da mesma maneira que o 11 de setembro permitiu a George W. Bush fazer da guerra o poder constituinte da nova ordem neoconservadora, a batalha contra os cartéis da droga possibilitou ao presidente do México, Felipe Calderón, tratar de afiançar e perpetuar seu governo.
Mas, ao invés de enviar tropas ao Iraque e ao Afeganistão, o mandatário mexicano retirou-as de seus quartéis para tomar posições dentro do território nacional. 
A militarização da política forneceu a ele as ferramentas para administrar o país com medidas de exceção. 
O artigo é de Luis Hernández Navarro, correspondente da Carta Maior na Cidade do México.
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O "limpo" Sérgio Guerra

 
Presidente do PSDB, Sérgio Guerra, rebaixa o debate político e parte para a agressão direta contra Dilma Rousseff. Mas eis o currículo de Guerra: ex-diretor de banco liquidado, “anão” do orçamento e hoje criador de cavalos árabes 

247 – Com a “faxina” colocada em banho-maria pelo Palácio do Planalto e diagnosticada pelo PT em seu último Congresso como uma conspiração midiática para dissolver a base de sustentação do governo, o presidente do PSDB, Sérgio Guerra, decidiu trazer o tema de volta à baila. E, como a faxina não prossegue, agora seria a própria presidente Dilma Rousseff quem estaria “suja”, de acordo com o líder tucano.
Foi isso o que Guerra disse em entrevista ao jornalista Fabio Campana, um dos blogueiros políticos mais influentes do Paraná – e também do País. Leia trechos abaixo:
- Falta rumo à oposição?
Guerra – Não. A oposição define seus rumos. Falta rumo ao governo. Pode faltar à oposição, numa ou noutra circunstância, senso de oportunidade. O PSDB é recorrente nisso.
- Como assim?
Guerra – Às vezes o partido tem dificuldade de se apropriar das oportunidades.
- Isso ocorre em relação a Dilma?
Guerra – Num primeiro momento, a presidente fez uma intervenção no Ministério dos Transportes. Reagiu à imprensa. Vacilou, mas interveio para melhorar a pasta. Temos tranqulidade para elogiar. Mas o gesto não foi desenvolvido. Não chegou aos outros ministérios. O do Planejamento, por exemplo, tem participação na desordem dos Transportes.
- Refere-se a Paulo Bernardo?
Guerra – O Planejamento, na época em que era gerido por ele, autorizou recursos para aditivos contratuais inexplicáveis ou viciados. Dilma silenciou, protegeu. Ficou claro que não agiria contra o PT.
Qual a diferença entre o modelo que vigorou na Era FHC e o atual?
Guerra – O nosso governo era muito mais saudável. O PSDB tinha saúde. O DEM trabalhava de forma adequada. E havia muita gente que contribuía com o governo movido pelo interesse público. De lá pra cá, a política só piorou, graças sobretudo ao Lula, que passou por cima de instituições e confraternizou com malfeitores. Distribuem dinheiro na véspera, para ganhar a votação do dia seguinte. A corrupção explode e dizem que agora tem mais investigação. Balela.
- É mais difícil fazer oposição a Dilma do que a Lula? Guerra – Não. A Dilma não vai terminar bem o governo dela. Centraliza tudo e decide pouco. Quando decide, age emocionalmente e erra. Não tem liderança. A ideia de que é boa gerente é falsa. Vai naufragar do ponto de vista administrativo e político.
- Acha, então, que Dilma não se reelege?
Guerra – Minha impressão é de que o Lula vai se candidatar. É a principal hipótese. E o Lula terá de explicar o fracasso dela, que tem origem nele. A Dilma está suja, mas quem sujou ela? Não fomos nós.
- Em que se baseia para dizer que a Dilma está suja? Guerra – Os desmandos que estão aí vem da gestão anterior. Ela era gerente e não gerenciou.
Em tempo: o “limpo” Sergio Guerra foi diretor de um banco liquidado pelo BC (o Novo Rio) e personagem proeminente do escândalo dos “anões do orçamento”. Terminou inocentado e não foi cassado porque, entre outras coisas, é amigo do senador petista Aloizio Mercadante – os dois, por sinal, são amigos do empresário Benjamin Steinbruch. Além de presidente do PSDB, Guerra é hoje um próspero criador de cavalos árabes. Antes de ser tucano, foi secretário de Miguel Arraes, com quem rompeu. Arraes dizia: “É uma das pessoas mais inteligentes que conheci, mas, se caráter pagasse imposto, ele teria direito a restituição”.
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Um partido e sua contradição

'História do PT', do professor de História da USP Lincoln Secco, mostra, desde o ato inaugural, os méritos e também os problemas da legenda. Foto: B. Salgado/AE
Interpretações demasiadamente tranquilizadoras cercam a história do Partido dos Trabalhadores, que nasceu da vontade popular e chegou ao poder ao liderar uma ampla aliança. Sua trajetória, contudo, é complexa. Basta observar que em 2005, durante o chamado mensalão, uma ocorrência frustrou tanto aqueles que detectavam nos êxitos eleitorais uma estratégia política vitoriosa quanto os que viam no partido uma mera máquina eleitoral. A mobilização espontânea das bases do PT, quando essas pareciam ter perdido importância, manteve o apoio do eleitorado no ano seguinte.
Essa complexidade ajuda a explicar as 300 referências bibliográficas sobre o partido entre 1980 e 2002, segundo a Fundação Perseu Abramo. E um dos livros mais importantes a abordá-lo é o recente História do PT, do professor de História da USP Lincoln Secco (Ateliê, 320 págs., R$ 30). Ele divide a história do partido em fases que intitula formação (1978-1983), oposição social (1984-1989), oposição parlamentar (1990-2002) e partido de governo (2003-2010). Apresenta aspectos fundamentais da trajetória da legenda e questiona interpretações recorrentes sobre ela.
O pioneirismo do PT como agremiação de massas é relativizado. Secco retoma o PCB, fundado por trabalhadores longe dos meios políticos tradicionais e que, no curto período de legalidade (1945-1947), foi ou esteve perto de ser um verdadeiro partido de massas. Segundo o autor, em 1978, era mesmo “difícil separar radicalmente sindicalistas do PCB e do futuro PT”. Mas o sindicalismo vinculado ao PT era contra o imposto sindical e combatia o atrelamento ao Estado, o que o distinguia dos comunistas. Havia também a recusa ao modelo político soviético. 
O historiador encontrou forte diversidade no partido. Enquanto em alguns locais o operariado dava o tom, em outros a força do PT vinha dos trabalhadores rurais ou de setores médios. Isso leva- à questão de como foi possível convergir forças de contextos tão diversos. Aqui, Lula parece central, ao lado da utopia que saturava o imaginário popular, da qual o PT, mais do que causa, foi consequência. Partido que defendia o socialismo e a democracia participativa, ele impôs dificuldades a Lula, sua grande liderança, demonstrando a validade de sua democracia interna. Em 1993, quando o Brasil fez o plebiscito para escolher presidencialismo ou parlamentarismo, o sindicalista e outros dirigentes defendiam este último, mas os militantes votaram pelo primeiro. Em 2002, Lula enfrentou prévias, pois para muitos sua vitória parecia impossível.
O livro trata da formação e do funcionamento dos núcleos de base do PT, que perderam espaço para lideranças envolvidas em campanhas eleitorais profissionalizadas. Isso colaborou para a retração da militância e da própria cultura política naqueles anos 1990 marcados pelo desemprego, precarização do trabalho e avanço do neoliberalismo. Nesse contexto o autor procura explicar o “mensalão”, cujas causas recuariam para além de 2002. Embora predomine o tom crítico e às vezes pessimista quanto ao presente não só do PT, mas da esquerda brasileira, o livro registra os méritos do partido, bem como a dimensão ao mesmo tempo utópica e concreta da luta dos petistas. Traz o testemunho de quem viu o poder popular no estádio de Vila Euclides, a construção da resistência no campo ou nas periferias do Brasil, os encontros partidários e comícios de massa, o compromisso com as lutas populares. Ao ler a obra, fica nítido que compreender a história do PT é entender melhor a história recente do Brasil.
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No PT, mulheres tomam o poder

Soraya Aggege, CartaCapital
“Depois de conquistar a Presidência da República e cargos estratégicos no governo, a ala feminina do PT, que se divide em várias tendências internas, se uniu e conseguiu aprovar neste sábado uma regra inédita na política partidária brasileira. Elas passarão a ocupar 50% de todos os cargos de direção do partido, a partir das próximas eleições internas, previstas para o final do próximo ano.
O 4º Congresso Nacional do PT, que termina neste domingo, em Brasília, também decidiu que, além da paridade feminina no comando, pelo menos 20% dos futuros dirigentes terão que ser jovens de até 30 anos e outros 20% negros.
O debate foi acirrado no Congresso. A proposta original, formulada pela Comissão de Reforma Estatutária, fixava a margem de participação feminina em 40%. Tentaram ainda negociar com as mulheres para que o índice fosse atingido de maneira gradativa, ampliando os percentuais a cada processo eleitoral.
A mobilização das mulheres foi maior. Elas conseguiram assinaturas de “puxadores de votos” do Diretório Nacional, como o ex-ministro José Dirceu. Um a um, elas foram convencendo os dirigentes até que conseguiram quase unanimidade. Ao final, elas comemoraram aos gritos e abraços.
“Quer dizer que, como eu sou macho, velho e branquelo, estou fora do comando, né?”, brincava um dirigente ao final da votação.
Na realidade, como o critério é de transversalidade,  não sobrarão apenas 10% para os homens brancos e maiores de 30 anos. Uma mulher jovem e negra, por exemplo, entra para a cota em cada uma das categorias. Além disso, a medida ainda terá que ser adaptada regionalmente pelo partido, de acordo com a característica da população local.”
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Revista usou recém-formado em jornalismo para espionar Dirceu


Eduardo Guimarães, Cidadania.com
“Eles já chegam desmotivados ao mercado de trabalho, quando não desistem do exercício da profissão de jornalista antes de se formar. São moços e moças que se decepcionaram com a extinção da obrigatoriedade do diploma de jornalista para exercer a profissão, mas que, mesmo antes disso, já não tinham maiores perspectivas de trabalho, tal o nível de concentração de propriedade de órgãos de imprensa (escrita ou eletrônica) que há no Brasil.
O país, portanto, oferece escassas oportunidades de trabalho a jornalistas, o que faz com que os recém-formados, em boa parte, tornem-se “assessores de imprensa” ou, empregados, vendam a alma às poucas empresas jornalísticas que podem pagar salários dignos. Dessa maneira, a primeira coisa que esses jovens sacrificam é a ética profissional, na ânsia de se mostrarem “úteis” a chefes de Redação que põem na rua ou na geladeira quem não reze pela cartilha do patrão.
Valendo-se dessa disposição de muitos jornalistas novatos para venderem tudo ao empregador – inclusive a consciência –, esses impérios de comunicação estimulam os que chegam agora ao mercado de trabalho a praticarem atos desmedidos como o do jornalista da revista Veja Gustavo Ribeiro, que acaba de ser denunciado à Polícia Civil do Distrito Federal e à Polícia Federal por supostamente ter tentado invadir o apartamento do ex-ministro José Dirceu num hotel e por ter implantado, ilegalmente, escutas e câmeras no estabelecimento.
Ribeiro é a prova viva de que jovens jornalistas estão sendo estimulados pelos patrões a cruzar as fronteiras da lei para se credenciarem a subir na carreira. O rapazola se formou jornalista pela Universidade Católica de Brasília em 2009. De lá para cá, trabalhou três meses no jornal Correio Brasiliense e, atualmente, está trabalhando na Veja, onde tem um ano e nove meses de casa. Ou seja: é jornalista há míseros dois anos.”
Artigo Completo, ::Aqui::
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sexta-feira, 2 de setembro de 2011

Pablo Milanez: Uma voz dissonante, mas não dissidente

Pablo Milanés, com sua palavra dura, se alinha aos escritores, artistas e intelectuais que, sem romper com a Revolução, pressionam por reformas que transformem, pela via do arejamento, a realidade em Cuba.
Há mudanças que devem ser defendidas para que as coisas não tornem a ser como eram antes de 1959. Para que seja possível continuar sendo revolucionário de esquerda, progressista – e tolerante.

O artigo é de Eric Nepomuceno. 

Não foi, é verdade, o primeiro cubano a sair da Ilha para se apresentar em Miami, reduto principal da comunidade de exilados na Flórida. Mas foi certamente a primeira voz emblemática da Nueva Trova, por décadas identificada com a Revolução, a enfrentar um público que, em primeiro lugar e acima de tudo, odeia a Revolução.
Como parte de uma inusitada turnê pelos Estados Unidos, Pablo Milanés se apresentou para pouco menos de quatro mil pessoas no sábado, 27 de agosto, em Miami. A extensa turnê inclui espetáculos em Washington, Nova York, Boston e San Juan de Puerto Rico, a ensolarada colônia que os Estados Unidos mantêm disfarçada de ‘estado livre e associado’. Se ter Pablo Milanés cantando em território norte-americano já soaria surpreendente, muito mais foi ter sua voz ecoando em Miami. O outro grande ícone da Nueva Trova, Sílvio Rodríguez, bem que tentou, há algum tempo. Mas teve que se contentar com Orlando, a 400 quilômetros de distância, onde a comunidade de cubanos exilados é importante mas está longe de ter o mesmo peso da de Miami.
Essas tentativas de aproximação entre cubanos da Ilha e do exílio enfrentam, invariavelmente, a irremediável resistência dos principais líderes dos cubanos instalados na Flórida. Agora mesmo, na véspera da apresentação de Pablo Milanés, o prefeito de Miami-Dade, Carlos Jiménez, cubano de nascimento, se opôs tenazmente à realização do espetáculo, que só aconteceu, diz ele, porque não havia como impedir.
Uma pergunta paira no ar: por que Pablo sim e Silvio não? Aparentemente mal intencionada, a pergunta se justifica. Afinal, há anos Pablo Milanés se distanciou de seu antigo parceiro de Nueva Trova e vem criticando de forma cada vez mais contundente os rumos do governo de Havana. Teria passado para a dissidência?
A resposta é clara: apesar de sua contundência, Pablo continua tendo Cuba como base. Passa longas temporadas fora do país, principalmente na Espanha, mas reitera sua condição de militante revolucionário. Suas declarações a favor do entendimento entre os cubanos da ilha e os de fora se sucedem sem tréguas, e ele insiste em dizer que defende um ‘entendimento cultural, histórico e sentimental’.
Essa postura da figura emblemática da canção popular contemporânea da Cuba reforça de forma clara algumas das vozes que reclamam mudanças na Ilha, anunciadas a conta-gotas pelo governo encabeçado por Raúl Castro. Assim, Pablo Milanés, com sua palavra dura, se alinha aos escritores, artistas e intelectuais que, sem romper com a Revolução, pressionam por uma série de reformas que transformem, pelo caminho do arejamento, a realidade vivida em Cuba. Defendem, por exemplo, liberdade de movimento para que cubanos possam entrar e sair do país sem depender do calvário de pedidos de licença sempre travados por numa burocracia oxidada e corrosiva. Defendem a ampliação do trabalho por conta própria, a extensão das reformas econômicas ainda tímidas, maiores avanços na entrega de terras para camponeses independentes, mais abertura política. Tudo isso, sem sair da Revolução. E é justamente na Velha Guarda dessa Revolução que tropeçam.
Há, dentro do governo cubano, vários setores dispostos ao debate e à negociação. Mas continua prevalecendo o poder dos que entendem qualquer diálogo como ver-se frente a frente com o inimigo. Como demonstração de fraqueza.
Essa é, pois, a disputa travada em Cuba, entre os que defendem um arejamento da Revolução consolidada e institucionalizada e os que impõem afiadas barreiras burocráticas para impedir o estabelecimento de espaços de liberdade e troca de opinião. Entre os que querem abrir sem sair da Revolução e os que acham que qualquer abertura poria essa Revolução em risco terminal.
Para quem segue de perto o que se vive em Cuba ao longo das últimas três ou quatro décadas é certamente duro ouvir Pablo Milanés dizendo ‘fui fidelista, mas já não sou’. Esse impacto, porém, se ameniza um pouco quando ele declara, na Miami do exílio, que continua ‘revolucionário de esquerda, progressista, tolerante e capaz de ouvir todas as tendências e respeitá-las’. Oxalá haja gente em Cuba também capaz de ouvi-lo e respeitar sua voz certamente dissonante – mas não dissidente.
Há mudanças que devem ser reclamadas e defendidas para que as coisas não tornem a ser como eram antes de 1959. Para que seja possível continuar sendo revolucionário de esquerda, progressista – e tolerante. Como, aliás, a Revolução foi feita para ser.
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Entrevista exclusiva: Zé Dirceu diz que vai à OEA e SIP contra Veja


PT recebe, em Congresso, moção de desagravo a Dirceu
No Blog do Rovai

Entrevistei o ex-ministro José Dirceu por telefone. Ele disse que está aguardando a investigação policial para processar a Veja, mas que vai, inclusive, à OEA e à SIP contra a revista. Dirceu cogita várias hipóteses para a tentativa de invasão do seu apartamento no Hotel Naoum, até a de terem tentado colocar uma escuta no seu quarto.
Também afirma que não recebeu solidariedade de nenhum diretor de grande veículo da imprensa nacional no episódio: “Eles querem me ver morto ou preso.”
Ministro, o senhor acha que a revista Veja só soltou esta matéria de capa no último final de semana em decorrência de o hotel ter registrado o boletim de ocorrência pela tentativa de invasão do seu quarto, já que as fotos que eles utilizam são de junho?
Não. Acho que eles iriam soltar a matéria de qualquer jeito. O que estavam discutindo é se faziam capa ou não. Quando fizemos o Boletim de Ocorrência, resolveram fazer capa. A matéria eles iriam fazer. Na verdade, o que precisamos avaliar é por que eles fizeram essa matéria. Se foi por causa do julgamento no Supremo ou se é uma tentativa de criar algo novo contra o governo. Porque se você analisar eles fracassaram na questão da separação da Dilma, de dividir a base dela, entendeu? De tirar o PMDB e o PR da base. E para piorar, para eles, o PV acabou decidindo apoiar a Dilma. Além de o Fernando Henrique e o Aécio terem feito este gesto de estender a mão, sem entrar no mérito da divisão do PSDB, com o Álvaro Dias e o Serra se posicionando contra.
O resultado final disso tudo é que a estratégia de rachar a base do governo não deu certo. E eles voltam para a estratégia deles.
Não sei se você se recorda, mas em setembro, quando fui à Bahia, fizeram toda aquela campanha de que eu estaria em uma linha de confrontar a Dilma. Agora voltam para isso.
Na verdade essa é a segunda hipótese. A primeira é que eles produziram esta matéria para tentar influenciar o julgamento no Supremo Tribunal Federal. Mas a coisa vai se complicar, porque tudo indica que eles plantaram uma câmera lá no hotel. É quase certeza isso.
O senhor esta falando da câmera no corredor?
Exato, que não é a câmera do hotel. A situação vai começar a complicar, porque vai se descobrir quem plantou a câmera lá. Brasília é muito pequena e eu estou sentindo empenho por parte da policia.
O senhor vai processar a Veja?
Isso eu tenho que fazer na hora que tiver a informação de que a câmera foi plantada e souber quem fez isso. Muita gente considera isso gravíssimo. A Veja não está tendo defensores neste episódio. A mídia não critica, mas também não a defende. A Folha, o Globo, o Estadão, por exemplo, não deram matéria, mas também não defenderam a Veja. Se nós conseguirmos provar que foi uma câmera plantada e viermos a descobrir o nome da pessoa que fez isso, daí eu já tenho dois dos melhores criminalistas do Brasil que vão trabalhar numa ação contra eles. Mas, só posso fazer a coisa na hora certa, porque se não eles vão transformar em censura e essas coisas todas. Já começaram a desviar o foco com a história da discussão da regulação da mídia no Congresso do PT. Todo encontro do PT aprova isso. E eu nunca liguei o assunto da Veja a regulação, porque o assunto da Veja é caso de policia, de delegacia. Não é uma questão política, o que a Veja fez é crime. Eles têm que ser processados por crime, não é porque falaram isso ou aquilo de mim. Isso é outra discussão. Se eu estou tendo influência no governo, se eu estou fazendo advocacia administrativa, em relação a esses assuntos ela pode falar o que ela quiser. E eu respondo. Mas o caso é outro… caso de polícia.
Não consigo entender por que eles guardaram essas imagens desde junho, o senhor tem alguma hipótese em relação a isso?
É mais provável que eles só vieram a receber essa fita agora. Alguém pode ter vendido essa fita para eles, porque necessariamente eles não têm de estar na origem da fita. Mas isso é tudo hipótese. Outra hipótese é que eles estavam tentando me grampear, porque o jornalista pode ter tentando entrar no meu apartamento para várias coisas. Pode ter tentado entrar para colocar droga, dinheiro ou ainda para colocar uma escuta. Hoje existem escutas muito sofisticadas.
Ou seja, para mover uma ação o senhor vai esperar a investigação policial avançar?
Temos que fazer uma ação muito bem feita, porque em geral a justiça é sempre pró-mídia, né? 
Mas digamos que o caso Murdoch cria um novo tipo de jurisprudência…
Claro, a situação hoje em dia é melhor. Por isso estou pensando em ir aos Direitos Humanos da OEA (Organização dos Estados Americanos) e fazer uma provocação a eles. E ao mesmo tempo fazer uma representação contra a Veja na SIP (Sociedade Interamericana de Imprensa). Fazer o que eles fazem com a Venezuela e com Cuba. Aí é mais provocação, porque a gente conhece a SIP, né? (Se o leitor não conhece, vale a pena ler este texto do Altamiro Borges).
Ou seja, o senhor vai fazer uma ação política de cunho mais internacional?
Isso, pretendo fazer isso. Eu não vou deixar barato, não. Vou confrontar… vou enfrentar a Veja.
Por fim, o senhor teve alguma solidariedade de diretores de redação ou de proprietários de veículos comerciais tradicionais?
Não. Eles querem me ver morto ou preso.
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Amazônia desmatada virou pasto para o gado

Amazônia desmatada virou pasto para o gado 
Estudo aponta que 62% de toda a área verde derrubada na região até 2008 se tornou pastagem; total desmatado chegava a 720 mil quilômetros quadrados,ou um Uruguai.

Agência Brasil

Mais de 60% da área já desmatada na Amazônia foram transformados em pastos. A conclusão está em um levantamento divulgado nesta sexta-feira e que, pela primeira vez, mapeou o uso das áreas desmatadas do bioma e mostrou o que foi feito com os 720 mil quilômetros quadrados de florestas derrubados até 2008 – uma área equivalente ao tamanho do Uruguai. A maior parte foi convertida para a pecuária.
O levantamento, feito pelo Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) e pela Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa), dividiu a área desmatada em dez classes de uso, que incluem pecuária, agricultura, mineração, áreas de vegetação secundária, ocupações urbanas e outros.
A pecuária ocupa 62,1% de tudo o que foi desmatado no bioma, com pastos limpos – onde houve investimento para limpar e utilizar a área –, mas também com pastagens degradadas ou abandonadas. Na avaliação do diretor do Inpe, Gilberto Câmara, o número confirma a baixa produtividade da pecuária na região e que o desmatamento não gerou necessariamente desenvolvimento econômico.
“Mostra que a pecuária ainda hoje é extensiva e precisa de politicas públicas para se intensificar e usar a terra que foi roubada da natureza. Não é, nem do ponto de vista econômico, um uso nobre das áreas. Não fizemos da floresta o uso mais produtivo possível, que seria a agricultura.”
A produção agrícola ocupa cerca de 5% da área total desmatada na Amazônia. Apenas em Mato Grosso a agricultura representa um percentual significativo do uso das áreas que eram ocupadas originalmente por florestas.
A ministra do Meio Ambiente, Izabella Teixeira, disse que a baixa participação da agricultura na ocupação das áreas desmatadas contrapõe o argumento de defensores de mudanças no Código Florestal, de que é preciso flexibilizar a lei para viabilizar a produção agrícola no país.

“Temos que eliminar da agenda falsas ideias, falsas colocações de que o meio ambiente impede o desenvolvimento da agricultura. Está provado que a agricultura anual, consolidada, não é a responsável pelo uso das terras desmatadas da Amazônia. É preciso aumentar a produtividade, menos de uma cabeça por hectare é algo inaceitável, é um desperdício substituir a floresta por algo que não dá retorno para o país”, avaliou.
Para o ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Aloizio Mercadante, os novos dados poderão dar mais racionalidade ao debate sobre o Código Florestal no Senado. “Espero que essa racionalidade ilumine o Congresso, para que o debate se ancore mais nos dados para chegar ao equilíbrio entre potencial produtivo e preservação. O Brasil não tem porque flexibilizar o desmatamento, não tem razão nenhuma para desmatar, já temos área suficiente para aumentarmos a produção.”
Em 21% da área desflorestada, o Inpe e a Emprapa registraram vegetação secundária, áreas que se encontram em processo de regeneração avançado ou que tiveram florestas plantadas com espécies exóticas. Essas áreas, segundo Gilberto Câmara, do Inpe, poderão representar oportunidades de ganhos para o Brasil na negociação internacional sobre mudanças climáticas, porque funcionam como absorvedoras de dióxido de carbono, principal gás de efeito estufa.
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O Senador Pororoca propõe redução de área preservada em benefício próprio

O Senador Açaí Flexa Ribeiro


Duas emendas apresentadas pelo senador tucano Flexa Açaí Ribeiro ao novo Código Florestal, em tramitação no Senado, beneficiam diretamente um empreendimento imobiliário erguido em Belém pela Premium Participações, incorporadora de imóveis que tem como um dos sócios o próprio parlamentar tucano.
Flexa Ribeiro propôs uma regra mais branda para áreas de preservação permanente (APPs) em cursos d’água em áreas urbanas. A área de vegetação preservada às margens de lagos seria reduzida de 30m para 15m, medida que se estenderia para outros cursos d’água.
O Edifício Premium, construído pela incorporadora e pela Quadra Engenharia, está a menos de 30m da orla da Baía do Guajará e, caso a emenda de autoria do senador seja aprovada, o futuro prédio de 23 andares passaria a se enquadrar na legislação ambiental. A obra está suspensa pela Justiça Federal do Pará por danos ambientais.
Flexa Ribeiro é um dos sócios da Premium. Tem uma participação de R$ 123,7 mil no capital da empresa, conforme declaração oficial de bens ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). O senador ainda detém um “crédito” de R$ 7,7 milhões pela participação na Engeblan — Engenharia e Planejamento, segundo a mesma relação de bens.
Ao Correio, Flexa Ribeiro reconheceu ser um dos proprietários da Premium, mas alegou que a empresa apenas vendeu o terreno a cotistas, que, então, contrataram a Quadra Engenharia para a execução das obras.

PT realiza IV Congresso unido e sem disposição para brigas


Amplamente dominado por uma aliança construída pelas duas maiores correntes internas do partido (Construindo um Novo Brasil e Mensagem ao Partido), PT realiza seu IV Congresso Nacional, em 31 anos, em clima festivo e sem espaço para grandes disputas internas. 
Decisões recentes do governo federal, de cortar juros e propor aumento robusto do salário mínimo, aproximam PT da presidenta Dilma Rousseff e ajudam a evitar conflitos que poderiam ser explorados por adversários políticos. 
A reportagem é de Maria Inês Nassif.
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A defesa quase unânime dos donos do dinheiro

por Mauro Santayana, no Jornal do Brasil, via Conversa Afiada

Os defensores da plena autonomia do Banco Central consideraram um erro a redução da taxa Selic, de meio ponto percentual, para 12% ao ano — ainda assim, a mais alta entre as economias industrializadas.
Sempre que isso ocorre, os mesmos interesses se erguem, na defesa dos rentistas. Como as moedas não copulam, nem partejam, quem paga os juros é o trabalho, que produz a mais valia obtida pelo capital.
Desculpem se a expressão é marxista, mas qualquer um que pense um pouco não precisa de Marx e seus textos contestados pelo fundamentalismo mercantil, para chegar à verdade.
Como trabalho se entenda também a administração das empresas produtivas, seja diretamente pelos acionistas ou gerentes contratados.
Mas o rentista clássico, que vive longe das máquinas ou, que, como banqueiro, manipula o dinheiro alheio — e leva à angústia e ao desespero os devedores, os estados à falência, como está ocorrendo agora, com o desemprego e a violência — sua atividade não pode ser vista como produtiva, por mais se esforcem os seus porta-vozes, ao expor os argumentos de uma pseudo-filosofia econômica.
Esse “senhorio” da moeda, em nome de falsa racionalidade técnica, que está sempre a serviço do capital, e não das pessoas,  tem sido responsável pelas grandes crises do capitalismo moderno, como a História demonstra.
O Banco Central — e os lugares comuns têm a sua força — vem sendo, no Brasil, mais do que em outros países, a central dos bancos.
Ora, seus diretores, por mais geniais sejam, não dispõem de legitimidade política para cuidar da moeda, que é o símbolo mais forte da soberania nacional.
A moeda representa os bens da comunidade, acumulados com o trabalho de gerações sucessivas.
Para que assegure  seu valor real, ela deve ser emitida por quem tenha a legitimidade política para fazê-lo: os eventuais governantes do Estado, como detentores da vontade nacional.
Sem voto, nos estados democráticos como se identifica o nosso, não há poder legítimo.
De duas, uma: ou o Banco Central se submete às decisões políticas do governo nacional, ou se estará sobrepondo ao poder dos eleitos para conduzir o Estado, e, assim, colocando-se acima da soberania do povo.
A quem interessa manter os juros altos? Há um axioma, que nunca se respeitou no Brasil, de que a taxa de juros não pode superar a taxa de crescimento do PIB.
O raciocínio, empírico, é irretorquível: uma sociedade não pode pagar mais de juros do que o que ela obtém com o seu trabalho.
A tradução de um leigo, como o colunista, é simples: trata-se de uma extorsão cometida pelo sistema financeiro contra os que trabalham e produzem.
É mais do que uma transferência de recursos, é uma usurpação do poder real sobre a sociedade.
Isso explica a dívida pública acumulada como confisco de parcela dos resultados do trabalho dos brasileiros.
É um mistério que o país continue crescendo dentro desse sistema.
Talvez ele se explique se considerarmos as estatísticas uma ficção.
É provável, portanto, que o nosso PIB real seja maior do que o IBGE constata no exame do comportamento da economia.
Se assim for, que viva a informalidade, menos sujeita à expropriação dos bancos e aos instrumentos de aferição oficial.
A economia não é, como dizem os que a conhecem melhor,  ciência exata.
Deveria ser  ciência moral, mas não é, a não ser que ouçamos alguns santos, que dela trataram, como Santo Antonino de Florença, do século XV, autor do clássico de teologia “Summa Moralis” e feroz combatente contra a usura.
Os economistas, de modo geral (menos, é claro, os mais competentes) costumam fazer de seu ofício uma espécie de culto esotérico, com confusas fórmulas algébricas e aleijões lógicos.
Como recomendava Lord Keynes, eles deveriam encarar o seu trabalho com a mesma modéstia com que os dentistas encaram o seu.
O certo é que todas as aplicações da inteligência, ou todos os saberes, se assim entendemos as ciências, se encontram a serviço das relações de poder.
Isso faz com que a economia volte à sua denominação clássica, da qual seus profissionais de hoje buscam fugir: economia política.
Fora da política, que trata do poder, não há economia, nem há coisa alguma.
O Banco Central, como administrador da moeda, deve sim, submeter-se à legitimidade do poder político.
Para lembrar um empresário e homem público brasileiro, que nos deixou recentemente — José Alencar — a taxa de juros cobrada no Brasil (e cobrada sobretudo do Estado, com a cumplicidade de alguns de seus servidores) é um assalto.
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CHARGE


Botox paga mico e foge do Senado

Amigos do Presidente Lula

“Foi desastrosa a participação do senador Álvaro Dias (PSDB-PR) na audiência pública do Senado Federal, realizada nesta terça-feira, 31, para ouvir o ministro das Comunicações, Paulo Bernardo, sobre o Plano Nacional de Banda Larga.
Disposto a confrontar Bernardo sobre o uso do avião “King Air” de propriedade da Sanches Tripoloni, empreiteira que executa o Contorno Norte de Maringá (PR), Álvaro Dias perguntou se no dia 10 de fevereiro de 2011 o ministro teria usado a aeronave para ir a Feira Agropecuária de Cascavel.
— Não, senador Álvaro, não estive na Feira de Cascavel neste ano, até me convidaram, lamentei muito não ter condições de ir — disse Bernardo, acrescentando que esteve lá no ano anterior. — É isso, 2010, tentou emendar Álvaro Dias, mas Bernardo o interrompeu de novo:
— Em 2010, senador, eu estive lá em um avião da FAB, Força Aérea Brasileira, disse o ministro.
Visivelmente desapontado, o tucano afirmou que considera seu “direito fazer ilações, em seu papel de Oposição. O ministro retrucou: reconhece o papel da Oposição, mas não acha correto que se faça ilações para atacar a honra alheia.
"As pessoas tem de se ater aos fatos, falar a verdade”, disse Bernardo. Ele bateu duro naqueles que plantam notas anônimas nos jornais, valendo-se do chamado "off". Álvaro Dias apressou-se a dizer que não era o autor das notas passadas aos jornalistas, mesmo sem ter sido acusado disso.”
Matéria Completa, ::Aqui::
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quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Mais crise no MinC: secretaria Marta Porto pede demissão

 No Blog do Rovai

A secretaria de Cidadania e Diversidade Cultural do Ministério da Cultura entregou nesta tarde sua carta de demissão ao secretario executivo do ministério, Vitor Ortiz. Toda a sua equipe teria decidido sair em solidariedade. A secretaria de Marta Porto é a que se relaciona com o programa Cultura Viva e os Pontos de Cultura.
Marta e Ana de Hollanda estão em rota de colisão há algum tempo. Este blog chegou a informar que o presidente da Funarte Antonio Grassi articulou a substituição da ministra por Marta.
Nos últimos dias, porém, a crise se tornou pública. A ministra havia impedido Marta de representar o ministério em eventos e passou a não comparecer em solenidades da secretaria.
Representantes dos Pontos de Cultura que estão em Brasília consideram que a substituição de Marta Porto tem de ser discutida de forma ampla. O nome com maior força no movimento é o de Célio Turino. Mas nas articulações internas do MinC há quem aposte em Cláudia Leitão, da secretaria de Economia Criativa, deve substitui-la. Fala-se também no nome de Américo Córdula, da equipe de Sérgio Mambertti.
A saída de Marta Porto significa uma perda de espaço para o grupo de petistas do ministério, principalmente para os que se articulam em torno de Grassi.
Quem também está numa situação bastante delicada é ex-secretaria nacional de Cultura do PT, Morgana Eneille. A ministra não repassa funções a ela e tem demonstrado que não confia no seu trabalho.
Há gente apostando que outras demissões devem ocorrer nos próximos dias. No Planalto o constrangimento é geral quando se discute o ministério. A avaliação do desempenho de Ana de Hollanda é péssima. Mas a sua demissão é sempre tratada como um problema por conta da “dívida histórica” que o PT e a presidenta julgam ter com a família Buarque de Hollanda.
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Em telefonema, Berlusconi diz que vai embora da Itália

O primeiro-ministro da Itália, Silvio Berlusconi, afirmou que "vai embora" do país durante uma ligação telefônica interceptada no último dia 13 de julho e usada em investigações da Procuradoria de Nápoles.
"Em alguns meses me vou. Vou embora deste país de m..., do qual estou nauseado. Ponto e basta", disse Berlusconi, em uma conversa com Valter Lavitola, diretor e editor do jornal Avanti!.
De acordo com as autoridades locais, o áudio é "relevante" por provar a "especial proximidade" entre o premier e o editor, que está sendo investigado em um caso de extorsão.
A ligação dura 13 minutos e o principal assunto da conversa são os processos judiciais contra Berlusconi. O premier, por sua vez, nega as acusações contra ele.
"Eu sou assim, transparente, limpo nas minhas coisas. Não há nada que me possa incomodar, entendeu? Eu sou uma pessoa que não faz nada que possa ser assunto de notícias criminais. Estou absolutamente tranquilo", disse o chefe de Governo no telefonema com Lavitola.
Nesta quinta-feira, autoridades da Digos (Divisão de Investigações Gerais e Operações Especiais) de Nápoles prenderam o casal italiano Giampaolo Tarantini e Angela Devenuto sob acusação de cumplicidade em crime de extorsão de forma continuada.
De acordo com a imprensa italiana, mais três nomes estão sendo investigados, entre eles o de Valter Lavitola.
A detenção foi executada sob mandado de prisão cautelar emitido pela juíza de Nápoles, Amelia Primavera.
A investigação havia sido antecipada pela revista semanal italiana Panorama em sua edição do dia 24 de agosto.
Segundo a revista, a Procuradoria de Nápoles trabalha com a hipótese de que Tarantini teria recebido um montante de 500 mil euros para evitar que o nome de Berlusconi aparecesse em um processo judicial no qual o italiano era o único investigado.
A acusação é de que o dinheiro foi usado para Tarantini dizer que o premier não sabia do que acontecia em algumas festas e impedir que o processo se tornasse público, o que acarretaria na difusão de interceptações telefônicas que poderiam comprometer Berlusconi.
As investigações são conduzidas pelos procuradores Henry John Woodcock, Francesco Curcio e Vincenzo Piscitelli.
Em declarações à revista, o premier negou ter sido vítima de extorsão e declarou que "ajudou uma pessoa [Tarantini] e uma família com filhos que se encontrava, e se encontra, em graves dificuldades econômicas".
Mas trechos de outras conversas telefônicas entre Tarantini e Lavitola demonstram que a dupla tinha o objetivo de manter Berlusconi "com a corda no pescoço", "de joelhos" e "sob pressão", segundo expressões usadas durante as ligações.
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Chávez passa por 3ª fase da quimioterapia e diz se sentir bem


"Já me sinto são, ando como a pátria sã e com muito otimismo para seguir com vocês", afirmou ao saudar por telefone centenas de pessoas reunidas para manifestar solidariedade e apoio.
O chefe de Estado afirmou que culminou de maneira satisfatória a segunda sessão do procedimento médico, aplicado de maneira preventiva para evitar a reprodução de células malignas.
"Faz uma hora terminou a sessão de quimioterapia pelo dia de hoje. É um tratamento duro. O corpo vai assimilando. (...) Tenho a responsabilidade de sanar-me totalmente com este tratamento e impedir que volte esta doença", declarou.
Antes de se despedir, agradeceu as demonstrações de amor popular e parabenizou a versão impressa do jornal Correio do Orinoco, que hoje completa dois anos de fundação.
Desde a chegada de Chávez ao hospital no último sábado (27), centenas de mulheres, jovens, crianças e homens foram às imediações da instalação para expressar apoio enquanto o presidente se submete ao terceiro ciclo de quimioterapia.
Essas pessoas se mantêm em vigília pela saúde do presidente com cantos, orações e cartazes. Do mesmo modo, representantes de diferentes tendências religiosas realizaram cerimônias nos últimos dias em favor da plena recuperação do presidente venezuelano.O presidente venezuelano, Hugo Chávez, assegurou nesta quarta-feira (31) que se sente em ótimas condições físicas e em bom estado de ânimo enquanto realiza a terceira fase do tratamento com quimioterapia no hospital militar Carlos Alvero de Caracas.
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Presidente da Petrobras: Matéria da Veja é asquerosa, fruto de péssimo jornalismo

Sergio Gabrielli: O texto da Veja é mentiroso e cheio de ilações sem base em fatos

por Conceição Lemes

José  Sergio Gabrielli de Azevedo é  presidente da Petrobras, desde 2005.
Professor titular licenciado da Universidade Federal da Bahia (UFBA), é formado em Economia pela mesma instituição, onde foi pró-reitor de Pesquisa e Pós-Graduação, diretor da Faculdade de Ciências Econômicas e coordenador do Mestrado em Economia.
Tem o título de PhD em Economia pela Universidade de Boston (EUA).
Entre 2000 e 2001, foi pesquisador visitante na London School of Economics and Political Science, em Londres.
Gabrielli é um dos vários personagens da “denúncia” da Veja do último final de semana, que tem o ex-ministro José Dirceu como figura central. Como os demais citados teve “direito” a uma das fotos tiradas de algum ponto próximo ao apartamento em que o ex-ministro José Dirceu se hospeda no Hotel Naoum, em Brasília.
No corpo da “matéria”, Veja afirma:



Por e-mail, via assessoria de imprensa, Sérgio Gabrielli respondeu às minhas perguntas.
Viomundo – Há quanto tempo o senhor é filiado ao PT?
Sergio Gabrielli – Desde a sua fundação.
Viomundo – E amigo de José Dirceu?
Sergio Gabrielli -- Há cerca de 30 anos, tempo que regula com a idade do Partido dos Trabalhadores.
Viomundo – Na “matéria” é dito que o senhor teria ido ao Hotel Naoum se encontrar com José Dirceu  para tentar se fortalecer para continuar à frente da Petrobras, já que que Palocci queria tirá-lo do comando. Ao mesmo tempo, diz que  José Dirceu é consultor de empresas no setor de petróleo e gás e que ele precisaria estar informado para fazer mais dinheiro. O que o senhor teria a dizer sobre isso?
Sergio Gabrielli – A matéria da Veja chega a ser asquerosa, fruto de péssimo jornalismo. O texto é mentiroso e cheio de ilações sem base em fatos. A partir de fotos de pessoas entrando e saindo de um hotel, a revista faz ilações absurdas sobre o que teria sido discutido e conversado nesses encontros. Trata-se, como disse, de péssimo jornalismo.
Viomundo — O que o levou a se encontrar com José Dirceu no Naoum?
Sergio Gabrielli — Como disse, somos amigos há 30 anos e não comentarei o que converso com meus amigos.
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Dilma quer verba para Saúde

Dr. Jatene e Dilma: ricos, preparem o bolso !


‘Não sou a favor da CPMF como era porque destinação foi desviada’, disse. Debate sobre imposto da saúde voltou por conta de emenda no Congresso. 
A presidente Dilma Rousseff afirmou nesta quinta-feira (1º), em entrevista para emissoras de rádio de Minas Gerais, que o Brasil vai precisar de mais investimentos na área de saúde. A presidente não comentou a possibilidade de criação de um novo imposto para financiar o setor. Na última quarta, o líder do governo na Câmara, deputado Cândido Vaccarezza (PT-SP), disse que Dilma ainda não tem posição definida sobre a proposta de criação de um novo imposto, mas apontou isso como uma alternativa. 
Nesta semana, a presidente afirmou que, caso o Congresso aprove mais gastos para a saúde, precisa dizer de onde sairá o dinheiro. Segundo ela, isso seria um “presente de grego”. 
A discussão sobre a criação de um novo imposto para financiar a saúde foi retomada por conta da Emenda 29, que fixa percentuais que devem ser investidos pela União, estados e municípios. O Congresso deve votar o tema no dia 28 de setembro. 
Dilma Rousseff afirmou que “tem procurado reduzir impostos”, que é contra a antiga CPMF por conta da forma com que os recursos eram utilizados, mas disse que é “demagogia” dizer que a saúde pode melhorar sem novos investimentos. 
Ao ser perguntada sobre um eventual novo imposto para financiar a saúde, nos moldes da extinta CPMF, o imposto do cheque criado para destinar recursos para a saúde, a presidente respondeu: 
“Eu acho errado a CPMF porque destinaram para a saúde? Não. Por que o povo tem bronca da CPMF? Porque o dinheiro não foi para a saúde, foi um erro. A saúde não vai melhorar se não fizermos investimentos, e tem que dizer de onde sai. Para o Brasil virar país desenvolvido, temos que dizer a verdade para o povo. Eu acho que a saúde precisa de mais dinheiro”, disse. 
“Não sou a favor da CPMF como era porque a destinação foi desviada. Mas que o Brasil precisa, entre esse fato e dizer que não precisa, está errado. Vai precisar sim”, completou Dilma. 
A presidente afirmou, porém, que tem reduzido impostos em seu governo e citou ações como o Supersimples. 
“Eu sou uma pessoa que tem procurado reduzir impostos (…). A redução de impostos faz o Brasil crescer. Agora, o Brasil tem um sistema de saúde que é universal, gratuito e tem que ser de qualidade, que é o que nós queremos. Nenhum país do mundo resolveu essa equação sem investir muito em saúde. Quem falar que resolve sem dinheiro é demagogo, mente para o povo. A nossa saúde, ela gasta dinheiro e você vai necessitar cada vez mais recursos para colocar na saúde.”(…)

A restrição que a Presidenta faz à CPMF é a mesma de seu idealizador, o Dr. Adib Jatene.
(Entre outras obras, o Dr. Jatene lançou o trabalho pioneiro de combate à Aids, que o Padim Pade Cerra dizia que era seu.)
Ou seja, que o dinheiro da CPMF acabava desviado para outros fins.
A Presidenta também diz que não passa de demagogia dizer que não faz falta dinheiro à Saúde.
A CPMF dos ricos vem aí.
Vem aí um imposto para a Saúde a ser pago pelos ricos que, no Brasil, pagam menos que nos EUA, mesmo depois da furiosa redução de impostos para ricos que o Presidente Bush promoveu e ajudou a quebrar os EUA.
Fernando Brito, no Tijolaço , preparou terreno para obrigar os ricos a botar mais remédio na boca das crianças. 

Paulo Henrique Amorim
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Chega de mimar os super-ricos !


Buffett: se ele soubesse que o super-rico brasileiro é o lanterninha ...

Saiu no Tijolaço, de Fernando Brito:  

De um bilionário americano para a turma do “Cansei”

Aquele pessoal Associação Comercial de São Paulo que patrocina o impostômetro e a turma do “Cansei” deveriam ler o artigo que publica hoje, no The New York Times, o megainvestidor americano Warren Buffett, o terceiro homem mais rico do mundo. Aliás, ele era o primeiro, antes de ser ultrapassado por Bill Gates e pelo mexicano Carlos Slim, o tubarão das telecomunicações.
O título do artigo diz tudo: “Parem de mimar os ricos“.
Buffett não poderia ser mais claro. Usa o valor do que ele próprio paga de imposto de renda e o compara com o que pagam seus subordinados: é ele quem paga menos, proporcionalmente.
Tudo o que ele diz sobre os Estados Unidos, mais seriamente se poderia dizer sobre o Brasil.

Já tivemos 13 alíquotas diferentes de Imposto de Renda, variando entre zero e 55% da renda, de acordo com seu valor. Chegamos a ter apenas duas e, hoje, são cinco, até 27,5%, no máximo. Os EUA, por exemplo, têm cinco faixas, com alíquota maior de 39,6%. No Reino Unido, são três faixas, de 20% a 40%. A França mantém 12 faixas (5% a 57%), e a China nove faixas (15% a 45%).
Além dos pobres, castigados por um sistema regressivo de impostos, que carrega o preço dos produtos muito mais fortemente que a renda – um estudo do Ipea mostra que os pobres pagam, proporcionalmente, três vezes mais ICMS que os ricos – também a  nossa classe média é onerada de forma injusta. A incidência percentual de Imposto de Renda é a mesma para quem ganha R$ 3,7 mil ou R$ 370 mil por mês.
Nos últimos anos, até que se diminuiu essa injustiça, criando faixas mais baixas de tributação para rendas menores (7,5%, para renda até  2.246,75) e uma mínima ampliação (de 25% para 27,5%) para a faixa mais alta, embora o “alta” aqui seja uma piada,, em termos mundiais. Mesmo assim, como você vê na tabela, um imposto de renda  baixo, em relação a quase todos os países do mundo.
E do qual os mega-rendimentos, por uma série de artifícios, escapam, enquanto o assalariariado não tem como fugir.
Quem sabe um dia apareçam aqui também grandes empresários e investidores que tenham a coragem de dizer o que o bilionário Buffett? Vale a pena ler o seu artigo, que posto no blog Projeto Nacional.
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CHARGE


Governo dobra Banco Central e Juros caem

Agência Brasil

“O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central (BC) reduziu, pela primeira vez no ano, a taxa básica de juros (Selic). O índice foi definido hoje (31) em 12% ao ano, abaixo das projeções dos analistas de mercado ouvidos pela pesquisa semanal da instituição financeira.
Todas as sextas-feiras, o BC consulta os analistas para medir as expectativas da iniciativa privada em relação aos principais indicadores da economia. O Copom tomou a decisão de reduzir a Selic por 5 votos a 2, sem viés, ou seja, sem possibilidade de revisão até a próxima reunião, que ocorre em 45 dias.
Em nota, a autoridade monetária disse que "reavaliando o cenário internacional, o Copom considera que houve substancial deterioração consubstanciada em reduções generalizadas e de grande magnitude nas projeções de crescimento para os principais blocos econômicos".
Essa foi a sexta reunião do Copom no ano. Nas cinco vezes anteriores, houve sempre revisão para cima, no total de 1,75 ponto percentual. Com isso, a Selic passou dos 10,75%, no final de 2010, para os 12,5% que vigoravam até a reunião passada, sob a justificativa da autoridade monetária de que a economia estava aquecida e era necessário conter as pressões inflacionárias.”
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