sexta-feira, 17 de janeiro de 2020

ROBERTO ALVIM, QUEM ?

POR RUTH DE AQUINO
Desculpe minha ignorância, atores, atrizes, dramaturgos, pessoal da cultura. Eu nunca tinha ouvido 
falar de Roberto Alvim até ele virar diretor da Funarte por sua adoração a Jair Bolsonaro e a tudo que 
o presidente representa. Para ser honesta com os leitores, devo dizer que continuei a não saber nada 
de Roberto Alvim até ele decidir ter seus 15 minutos de fama por caminhos tortos. Ele ofendeu a 
dama do teatro brasileiro, a mais digna, a melhor atriz, a que deslumbrou plateias internacionais no 
cinema, Fernanda Montenegro, nossa diva maior que fará 90 anos no dia 16 de outubro. 
Quem é Roberto Alvim? Lavaste a boca para falar de Fernanda? Não lavou. Pelo que disse, não 
lavou. Queria criticar Fernanda? Não tem estrada, não tem estofo nem para críticas, quanto mais 
ofensas. Partiu para a ignorância e o desrespeito flagrante. Acertou no que não viu. Não é só a classe 
artística que está indignada. Qualquer pessoa minimamente educada sabe que chamar Fernanda de 
“sórdida” vai muito além de apoiar Bolsonaro na “guerra irrevogável” contra a "esquerda cultural". 
Roberto Alvim é o 00 do governo. Nada. Ele se refere a uma entrevista de Fernanda como “infantil, 
mentirosa e canalha”. Disse que hoje sente “desprezo” por ela. Enlouqueceu.
Sério mesmo? Essa pessoa chamada Roberto Alvim não tem condições de ocupar o cargo na Funarte 
ou de liderar a classe teatral, que chama de “asquerosa”. Essa pessoa chamada Roberto Alvim disse 
que Fernanda, ao interpretar Simone de Beauvoir, fez um “endeusamento de uma personagem 
progressista abjeta e hipócrita” e que tudo isso que ele falou são “fatos”. Socorro. Falou que 
Fernanda vive “um triste fim de carreira”. Onde vive essa pessoa? Quem é? Roberto Alvim é diretor 
do Centro de Artes Cênicas da Funarte. Precisa voltar rapidamente ao lugar de onde veio, àquele 
lugar no passado em que quase ninguém sabia quem ele era. 
Corri à biografia de Roberto Alvim, para saber algo. Precisamos fazer jus a Roberto Alvim, essa 
pessoa que se gaba de ter “pisado na cabeça da serpente”. Xô. Vou dar um copy-paste no site 
“infoescola”, com a bio dele. Nasceu em 1973. “Criador e diretor de pelo menos 16 peças, levadas 
aos palcos cariocas, paulistas, franceses, suíços e argentinos”. (???) “Aos 22 anos, Roberto 
subitamente retrocedeu e entrou em processo de busca interior através de práticas meditativas”. 
“Ele radicalizou sua escolha refugiando-se numa cabana em pleno sertão piauiense, ao longo de 21 
dias, sem contato com ninguém, comendo e bebendo apenas o suficiente para sobreviver. Retornou 
ao seio familiar, mas deu sequência ao mesmo estilo de vida, até receber um convite, um ano e meio 
depois de sua repentina mudança de caminho, para voltar à direção teatral. Sem saber bem por que, 
Roberto decidiu retomar sua trajetória profissional”.
Foi diretor artístico de dois teatros, o Carlos Gomes e o Ziembinski. Em 2006 Alvim se mudou para 
São Paulo. Casado com a atriz Juliana Galdino, criou a companhia Club Noir. "Com encenações que 
mergulham fundo em um estilo conhecido como estética da penumbra, Roberto vem utilizando o 
palco como um meio de representar a escuridão caótica, que é estruturada através do poder da 
palavra”.
“Enquadram-se nessa estética as peças 'A Terrível Voz de Satã', de Gregory Motton, e 'O Quarto', do 
irlandês Harold Pinter, com a qual Roberto conquistou um prêmio. No Rio de Janeiro ele encenou 
'PeleCarneSangueOssos', ‘Qualquer espécie de salvação’, ‘Às vezes é preciso usar um punhal para 
atravessar o caminho’”.
Umas informações que não constam dessa bio se referem a drogas e depressão. No final de 2016, 
sofreu com um tumor no intestino, álcool e drogas, e queria se suicidar. Foi quando descobriu Jesus 
ao ouvir a oração da empregada doméstica. "Eu senti uma energia, levantei da cama e nunca mais 
senti dor nenhuma. O tumor praticamente desapareceu e eu não tive mais nenhum sintoma", disse 
Alvim. Ele se considerava ateu, mas passou a ir a missas e aderiu à Igreja Católica. Virou um 
ortodoxo. Um fundamentalista feroz e sem estribeiras.
Não dá muito para verificar a veracidade da curta biografia de Alvim, porque poucos fora da área 
restrita dele o conhecem direito. Ex-alunos e alunas contam em off passagens chocantes sobre a vida 
dele antes da conversão. Não ouso reproduzir. Mas agora dá para intuir quem é o dramaturgo que 
incorporou a “escuridão caótica” para usar a palavra como punhal e exorcizar suas obsessões. Só isso 
explica seu surto nas redes sociais contra Fernanda Montenegro. Numa era em que presidente e 
ministros acham engraçado ser deselegante e ofensivo, mesmo em nome de Deus, burocratas como 
Roberto Alvim imaginam que as comportas do ultraje foram escancaradas no Brasil. Não é preciso 
ser atriz para nutrir desprezo por…quem é ele mesmo?

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