segunda-feira, 20 de janeiro de 2020

Preparar militares para atender fila leva um ano e meio, dizem trabalhadores do INSS


Maneira mais rápida de diminuir 
o problema que atrasa 3 milhões 
de pedidos de benefícios seria 
contratar servidores aposentados 
da própria seguridade social
da Rede Brasil Atual
Preparar militares para atender 
fila leva um ano e meio, dizem 
trabalhadores do INSS
São Paulo – A decisão do governo
Bolsonaro de recrutar militares da
reserva não reduzirá a fila de
pedidos de benefícios do Instituto
Nacional do Seguro Social (INSS).
A opinião é de servidores do órgão,
em reportagem de Jô Miyagui, no
Seu Jornal, da TVT. Três milhões
de pedidos feitos à Previdência
Social estão parados e até agora não
foram atendidos. Para contornar a
crise, o governo Bolsonaro decidiu
contratar 7 mil militares da reserva
para trabalhar emergencialmente no
INSS. De acordo com os servidores
da Previdência Social, atualmente
há um déficit de 11 mil trabalhadores no setor, e não será com a contratação de sete mil militares
despreparados para o cargo que o problema será resolvido.
“Nós somos contra, servidores são contra, porque os militares sequer têm a capacitação técnica para
fazer o serviço. O nosso trabalho é um serviço especializado, técnico, tem que ter prestado concurso.
Hoje no atendimento nós temos poucos servidores e estagiários que nos dão suporte. O estagiário
ganha uma bolsa de R$ 400 para fazer esse serviço, é absurdo mandar um militar para ganhar R$ 2
mil, R$ 3 mil para fazer um serviço que ele desconhece e não vai dar conta dessa fila”, afirma Rita
de Cássia Assis, diretora da Federação Nacional dos Sindicatos dos Trabalhadores em Saúde,
Trabalho, Previdência e Assistência Social (Fenasps).
Vilma Ramos, do Sindicato dos Trabalhadores do INSS, afirma que preparar um servidor para esse 
serviço leva um ano e meio e a maneira mais rápida de diminuir o problema é contratar servidores
aposentados da seguridade social. “Para nós, o concurso público é uma das soluções, é óbvio que nós
sabemos que nós temos aí toda uma restrição orçamentária imposta pelo governo, mas nós temos,
como já disse, os nossos os aposentados, funcionários, capacitados, qualificados com compromisso
com a Previdência Social, que dedicaram sua vida à Previdência Social e que poderiam ser muito
bem chamados”, defende.
“O servidor do INSS tem um cheque em branco, dado pelo Estado brasileiro, para conceder
benefícios e orientar sobre esta situação e gerar uma despesa para o Estado brasileiro durante 20, 30
anos, por isso, cuidar desses dados é uma condição sine qua non para a Previdência Social”, diz
Vilma.
O sindicato dos trabalhadores do INSS afirma que esse sucateamento é um processo calculado de
desmonte e privatização do sistema. “A reforma da Previdência já apontou para isso, o ministro
Guedes (Paulo Guedes, da Economia) levou a proposta e não passou, mas ainda não tirou da sua
cabeça a privatização do sistema previdenciário. O INSS, o governo nos últimos dois anos, de Temer
e principalmente agora no governo Bolsonaro, pouco se preocupou se a população ia ter o seu auxílio
doença, se a pessoa mais vulnerável da sociedade iria ter o seu Loas, por exemplo”, afirma, referindo-
se ao Benefício de Prestação Continuada (BCP), que atende as pessoas mais vulneráveis da
sociedade.
Na sexta-feira, o Ministério Público e o Tribunal de Contas da União pediram a paralisação do
processo por entenderem que há a necessidade de concurso público. A federação afirmou que
também entrará na justiça contra essa medida e não descarta uma greve nacional.
Confira a reportagem do Seu Jornal:

Nenhum comentário: