segunda-feira, 7 de outubro de 2019

Papa Francisco pede respeito a povos indígenas da Amazônia em início de sínodo


Na abertura do Sínodo, Francisco caminha com povos em procissão que recorda profecia na 
Amazônia e América Latina.

CIDADE DO VATICANO (Reuters) - O papa Francisco disse nesta segunda-feira a uma assembleia 
de bispos convocada para debater a região da Amazônia que a sociedade moderna não deveria tentar 
impor suas regras aos povos indígenas, mas respeitar sua cultura e deixá-los planejar o próprio futuro.
Francisco, que é argentino, discursou na abertura da primeira sessão de trabalho de um sínodo de três 
semanas sobre o futuro da Igreja Católica na Amazônia, incluindo a possibilidade de ordenar padres 
casados.
O papa disse que os povos da Amazônia não deveriam ser “abordados com um tipo de anseio 
empresarial que procura lhes dar programas preconcebidos que visam discipliná-los” e às suas 
história e cultura.
“A colonização ideológica é muito comum hoje... (vamos dizer) ‘não’ a esse anseio de domesticar 
povos originais”, disse.

Francisco, que já pediu perdão em nome da Igreja pelos erros de missionários europeus que 
acompanharam os primeiros colonizadores, disse que, durante muito tempo, muitos da Igreja tiveram 
uma atitude “depreciativa” em relação a povos nativos e suas culturas, e que alguns ainda têm.
“Fiquei muito triste de ouvir, bem aqui, um comentário debochado sobre aquele homem pio que 
trouxe oferendas com penas na cabeça”, contou, falando de um nativo da Amazônia que participou 
de uma missa papal no domingo.
“Digam-me: que diferença existe entre ter penas na cabeça e o chapéu de três pontas usado por 
algumas autoridades dos nossos (departamentos do Vaticano)?”
O sínodo de três semanas debaterá a disseminação da fé na Amazônia, um papel maior para as 
mulheres, a proteção ambiental, a mudança climática, o desmatamento, os povos indígenas e seu 
direito de manter suas terras e tradições.
Ele acontece no momento em que a Amazônia está sob os holofotes de todo o mundo por causa dos 
incêndios devastadores no Brasil. Na missa de abertura de domingo, Francisco disse que os 
incêndios foram ateados intencionalmente por grupos de interesse.
Presente ao encontro, o cardeal brasileiro Claudio Hummes disse em seu discurso à reunião de cerca 
de 260 pessoas —a maioria bispos de países amazônicos— que a Igreja tem que estar aberta à 
mudança.
“A Igreja não pode permanecer inativa dentro de seu próprio círculo fechado, focada em si mesma, 
cercada por muros de proteção, e ainda menos olhar nostalgicamente para o passado”, afirmou.

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