quarta-feira, 16 de outubro de 2019

DECISÃO DO STF SOBRE 2A. INSTÂNCIA ALCANÇA NO MÁXIMO 4,9 MIL PRESOS E NÃO 190 MIL: CNJ DESMASCARA FAKE NEWS DIVULGADA PELA GLOBO E A MÍDIA GOLPISTA


Do site do CNJ.
É incorreto afirmar que, com o julgamento das ADCs 43, 44 e 54, poderão ou deverão ser 
beneficiadas 190 mil pessoas hoje privadas de liberdade no país. Esse número, extraído 
equivocadamente do Banco Nacional de Monitoramento de Prisões (BNMP), reflete a soma de todos 
os presos, já sentenciados, porém ainda sem trânsito em julgado.
Ele inclui também o universo de prisões cautelares aplicadas em sentença de primeiro grau ou 
mesmo em segunda instância, o que não está em julgamento nas referidas ADCs. São casos de prisão 
cautelar previstos na legislação processual penal como, por exemplo, para garantia da ordem pública, 
por conveniência da instrução penal ou para assegurar a aplicação da lei penal (art. 312 do Código de 
Processo Penal), que podem inclusive ser aplicadas em qualquer fase do processo, até mesmo antes 
de sentença de primeiro grau.
É importante destacar que apenas as prisões decretadas exclusivamente em razão de condenação em 
segunda instância são objeto das ADCs.
Tendo em conta esse esclarecimento, e extraindo-se dados corretos do BNMP para os casos 
exclusiva e potencialmente afetados pelas ADCs, foram expedidos apenas 4.895 mandados de prisão 
pelo segundo grau dos Tribunais Regionais Federais e dos Tribunais de Justiça. Portanto, o número 
correto seria de 4.895, e não 190 mil presos. Ainda assim, é relevante observar que, em uma eventual 
decisão do plenário do STF diversa do entendimento atual, nem todo o universo dos 4.895 presos 
seria beneficiado. Isso porque continuaria sendo possível aos juízos, avaliando as peculiaridades de 
cada caso, sob a égide do mesmo artigo 312 do CPP, determinar a prisão cautelar.
É importante registrar que o BNMP não foi projetado para acompanhamento de tramitação 
processual, mas sim para reunir, exclusivamente, o conjunto de mandados de prisão expedidos no 
país, informação essa que é de responsabilidade de cada tribunal. Essa dificuldade tende a cessar 
com a implantação definitiva do sistema de execução penal unificado (SEEU) de âmbito nacional – 
objetivo para o qual o CNJ está trabalhando, com prioridade, desde o início da atual gestão e que já 
conta com mais de 960.000 processos de execução penal ativos de 24 Tribunais já integrados a essa 
plataforma.

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