
As notícias, em contrapartida, continuam sugerindo a farsa da ocorrência de vazamento em
navio, quando a catástrofe equivale ao derramamento total do conteúdo de milhares de navios.
Desde o final de agosto, quando manchas de óleo surgiram em Maraú, no sul da Bahia, e em
diversos estados do nordeste, acabando por se alastrar por todos eles, uma farsa absurda vem
encobrindo um acidente monstro, um crime ambiental sem precedentes no país.
Como podemos afirmar, fora de dúvidas, tratar-se de um
acidente monstro?
O primeiro fato a sugerir essa conclusão foi a constatação de que a poluição se alastrava por
uma extensão gigantesca, que superava a marca de 2 mil quilômetros – agora 2.300. A vastidão
da tragédia ambiental impediu que o fato pudesse ser ocultado da população.
Evidência ainda mais estarrecedora do desastre monstro foi notificada no dia 11, quando a
ilhas de petróleo que, juntas, cobriam extensão de 25 quilômetros quadrados, aglutinando
quantidade de petróleo equivalente à carga total de um petroleiro. Embora por si impressionante,
quantidades análogas de petróleo já vazaram em outras ocasiões em várias partes do mundo e
até no Brasil, constituindo grandes acidentes.
O fato verdadeiramente aterrorizante, no entanto, não foi propriamente a extensão gigantesca da
evidência, mas o longo período através do qual a mancha perdurou. O decaimento das manchas
de óleo no oceano é muito rápido, chegando a reduzi-las a um décimo do tamanho original em
uma semana.
Cálculos baseados em tal constatação revelam estimativas tão sinistras que impronunciáveis
para a quantidade de petróleo originada no derramamento. A evidência sugere um derrame de
óleo sem precedentes capaz de fazer o da Deepwater Horizon – considerado o maior de todos
os tempos –, parecer bolinho.
Tanto a mancha revelada pelo radar do satélite, quanto as estimativas do tamanho monstruoso
do desastre vêm sendo ocultadas da população. As notícias, em contrapartida, continuam
sugerindo a farsa da ocorrência de vazamento em navio, quando a catástrofe equivale ao
derramamento total do conteúdo de milhares de navios.
A mancha em questão foi descoberta através da implementação de procedimento padrão
decretado para casos análogos, embora realizado com atraso de quase um mês e meio, e por
atitude individual, tendo os órgãos governamentais se desobrigado da tarefa atribuída a eles por
norma.
Ao invalidar a hipótese de vazamento de navio, dada a quantidade desmesurada de óleo
evidenciada pela mancha, demole-se também a parte mais sórdida da farsa: a imputação do
crime à Venezuela.
Essa farsa já havia sido completamente desmascarada quando apresentada no Fantástico com o
objetivo de “provar”, de maneira fraudulenta, a mentira. Ao constatar que a análise química do
petróleo da mancha tinha origem brasileira, e não venezuelana, os farsantes editaram a
reportagem “incriminatória” sem apresentar qualquer dado sobre o petróleo venezuelano,
comparando a análise da mancha com amostra uma brasileira e outra oriunda do Oriente médio
“provando” desse modo sua origem venezuelana. Tóin.
O boato que atribui origem venezuelana ao petróleo que está poluindo a costa do nordeste foi
plantado com o intuito de ocultar a catástrofe, farsa endossada e fortalecida pelo presidente da
república que além de insinuá-la decretou sigilo sobre o relatório da Petrobrás que esclarece o
assunto.
Como desvendar completamente a farsa?
Existe uma maneira muito simples de desvendar toda a farsa, basta retroceder as imagens da
mancha obtidas por satélites ao longo do tempo, localizando desse modo sua origem. A tarefa
exige o conhecimento de sensoreamento remoto e pode ser feita recuperando-se imagens dos
satélites europeus Sentinel 1 e 2, não há mistério nisso.

Adendo: Na segunda-feira pela manhã, enquanto eu denunciava a farsa apresentada na
véspera, no Fantástico, a reportagem apresentada no site G1 foi editada tendo sido retirada a
parte que comprovava a fraude, como denunciei em texto anterior. Agora, o vídeo no G1 retornou
ao formato original, eis o trecho anteriormente retirado, que deveria comprovar a identidade
venezuelana da amostra, mas trata apenas de petróleo brasileiro e do Oriente Médio.
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