sexta-feira, 18 de outubro de 2019

A Farsa do Governo Bolsonaro sobre manchetes de óleo no Nordeste


As notícias, em contrapartida, continuam sugerindo a farsa da ocorrência de vazamento em 
navio, quando a catástrofe equivale ao derramamento total do conteúdo de milhares de navios.
Desde o final de agosto, quando manchas de óleo surgiram em Maraú, no sul da Bahia, e em 
diversos estados do nordeste, acabando por se alastrar por todos eles, uma farsa absurda vem 
encobrindo um acidente monstro, um crime ambiental sem precedentes no país.
Como podemos afirmar, fora de dúvidas, tratar-se de um 
acidente monstro?
O primeiro fato a sugerir essa conclusão foi a constatação de que a poluição se alastrava por 
uma extensão gigantesca, que superava a marca de 2 mil quilômetros – agora 2.300. A vastidão 
da tragédia ambiental impediu que o fato pudesse ser ocultado da população.
Evidência ainda mais estarrecedora do desastre monstro foi notificada no dia 11, quando 
ilhas de petróleo que, juntas, cobriam extensão de 25 quilômetros quadrados, aglutinando 
quantidade de petróleo equivalente à carga total de um petroleiro. Embora por si impressionante, 
quantidades análogas de petróleo já vazaram em outras ocasiões em várias partes do mundo e 
até no Brasil, constituindo grandes acidentes. 
O fato verdadeiramente aterrorizante, no entanto, não foi propriamente a extensão gigantesca da 
evidência, mas o longo período através do qual a mancha perdurou. O decaimento das manchas 
de óleo no oceano é muito rápido, chegando a reduzi-las a um décimo do tamanho original em 
uma semana. 
Cálculos baseados em tal constatação revelam estimativas tão sinistras que impronunciáveis 
para a quantidade de petróleo originada no derramamento. A evidência sugere um derrame de 
óleo sem precedentes capaz de fazer o da Deepwater Horizon – considerado o maior de todos 
os tempos –, parecer bolinho.
Tanto a mancha revelada pelo radar do satélite, quanto as estimativas do tamanho monstruoso 
do desastre vêm sendo ocultadas da população. As notícias, em contrapartida, continuam 
sugerindo a farsa da ocorrência de vazamento em navio, quando a catástrofe equivale ao 
derramamento total do conteúdo de milhares de navios.
A mancha em questão foi descoberta através da implementação de procedimento padrão 
decretado para casos análogos, embora realizado com atraso de quase um mês e meio, e por 
atitude individual, tendo os órgãos governamentais se desobrigado da tarefa atribuída a eles por 
norma.
Ao invalidar a hipótese de vazamento de navio, dada a quantidade desmesurada de óleo 
evidenciada pela mancha, demole-se também a parte mais sórdida da farsa: a imputação do 
crime à Venezuela.
Essa farsa já havia sido completamente desmascarada quando apresentada no Fantástico com o 
objetivo de “provar”, de maneira fraudulenta, a mentira. Ao constatar que a análise química do 
petróleo da mancha tinha origem brasileira, e não venezuelana, os farsantes editaram a 
reportagem “incriminatória” sem apresentar qualquer dado sobre o petróleo venezuelano, 
comparando a análise da mancha com amostra uma brasileira e outra oriunda do Oriente médio 
“provando” desse modo sua origem venezuelana. Tóin.
O boato que atribui origem venezuelana ao petróleo que está poluindo a costa do nordeste foi 
plantado com o intuito de ocultar a catástrofe, farsa endossada e fortalecida pelo presidente da 
república que além de insinuá-la decretou sigilo sobre o relatório da Petrobrás que esclarece o 
assunto.
Como desvendar completamente a farsa?
Existe uma maneira muito simples de desvendar toda a farsa, basta retroceder as imagens da 
mancha obtidas por satélites ao longo do tempo, localizando desse modo sua origem. A tarefa 
exige o conhecimento de sensoreamento remoto e pode ser feita recuperando-se imagens dos 
satélites europeus Sentinel 1 e 2, não há mistério nisso.
Adendo: Na segunda-feira pela manhã, enquanto eu denunciava a farsa apresentada na 
véspera, no Fantástico, a reportagem apresentada no site G1 foi editada tendo sido retirada a 
parte que comprovava a fraude, como denunciei em texto anterior. Agora, o vídeo no G1 retornou 
ao formato original, eis o trecho anteriormente retirado, que deveria comprovar a identidade 
venezuelana da amostra, mas trata apenas de petróleo brasileiro e do Oriente Médio.

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