terça-feira, 9 de julho de 2019

BOMBA!! UM MÊS DE #VAZAJATO: OUÇA AGORA ÁUDIO INÉDITO DOS ARQUIVOS DO INTERCEPT BRASIL


HÁ UM MÊS, o Intercept iniciou uma série de reportagens que mudaram para sempre a história da
operação Lava Jato, de seus procuradores e do ex-juiz e atual ministro de Jair Bolsonaro, Sergio 
Moro. Antes vistos como heróis intocáveis, os monopolistas do combate à corrupção (que tentavam 
silenciar qualquer voz que se levantasse para expor seus erros, abusos e ilegalidades) hoje são vistos 
de outra maneira pela população: 58% dos brasileiros acreditam que as conversas de Moro com 
procuradores são inadequadas. A desconfiança é ainda maior entre os jovens: na faixa etária de 16 a 
24 anos, 73% não querem um país guiado pelo espírito justiceiro de Moro.
Em seus primeiros capítulos, as histórias dos arquivos secretos da Vaza Jato mostraram Moro 
atuando como chefe de fato dos procuradores, o que é ilegal; expuseram o coordenador da força-
tarefa Deltan Dallagnol apresentando uma denúncia contra o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva 
secretamente para evitar que Lula desse uma entrevista durante a campanha eleitoral por medo que 
pudesse ajudar a “eleger o Haddad”.

28 de setembro de 2018 – chat privado
Anna Carolina Resende – 11:24:06 – ando muito preocupada com uma possivel volta do PT, mas tenho rezado muito para Deus iluminar nossa população para que um milagre nos salve
Deltan Dallagnol – 13:34:22 – Valeu Carol!
Dallagnol – 13:34:27 – Reza sim
Dallagnol – 13:34:32 – Precisamos como país
A propósito disso, nós publicamos agora, pela primeira vez, um áudio da conversa entre os membros 
da força-tarefa a respeito da guerra jurídica em torno da entrevista. Na manhã do dia 28 de setembro 
de 2018, a imprensa noticiou que o ministro do STF Ricardo Lewandowski autorizara Lula a 
conceder uma entrevista ao jornal Folha de S.Paulo. Em um grupo no Telegram, os procuradores 
imediatamente se movimentaram, debatendo estratégias para evitar que Lula pudesse falar. Para a 
procuradora Laura Tessler, o direito do ex-presidente era uma “piada” e “revoltante”, o que ela 
classificou nos chats como “um verdadeiro circo”. Uma outra procuradora, Isabel Groba, respondeu: 
“Mafiosos!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!”
Eram 10h11 da manhã. A angústia do grupo – que, mostram claramente os diálogos, agia 
politicamente, muito distante da imagem pública de isenção e técnica que sempre tentaram passar – 
só foi dissolvida mais de doze horas depois, quando Dallagnol enviou as seguintes mensagens, 
seguidas de um áudio.

28 de setembro de 2018 – grupo Filhos do Januario 3
Deltan Dallagnol – 23:32:22 – URGENTE
Dallagnol – 23:32:28 – E SEGREDO
Dallagnol – 23:32:34 – Sobre a entrevista
Dallagnol – 23:32:39 – Quem quer saber ouve o áudio
Dallagnol – 23:33:36 –
A comemoração de Dallagnol expõe mais uma vez sua hipocrisia e sua motivação política: antes de
serem alvos de vazamentos, os procuradores da força-tarefa enfatizavam – em chats privados com 
seus colegas – a importância de uma imprensa livre, o direito de jornalistas de publicar materiais 
obtidos por vias ilegais e que a publicação desses materiais fortalece a democracia.
No passado, Dallagnol era o maior entusiasta das garantias que foram justamente a base para a 
decisão de Lewandowski autorizar a entrevista de Lula. Em novembro de 2015, como o Intercept 
publicou, Deltan alertou seus colegasque investigar jornalistas que publicavam material vazado não 
seria apenas difícil mas “praticamente impossível”, porque “jornalista que vaza não comete crime”. 
Naquele época, ele era um dos principais defensores da importância de uma imprensa livre em uma 
democracia, um princípio que abandonou quando poderia, aos seus olhos, ajudar o PT a vencer a 
eleição.
Apesar do apelo do procurador para que a informação não fosse compartilhada, a notícia já se 
espalhava pela internet.
Depois do impacto inicial da Vaza Jato, o Intercept e seus parceiros continuaram a publicação de 
uma sequência de reportagens que mostraram as entranhas da operação, iluminando as conversas 
secretas que o público brasileiro e mundial precisavam ver.
Em parceria com Folha de S.Paulo, revista Veja e o jornalista Reinaldo Azevedo, mostramos 
comportamentos antiéticos e transgressões.

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