quarta-feira, 24 de julho de 2019

A NOVA FARSA DE MORO: OPERAÇÃO SPOOFING


Usando a régua da Lava Jato, se as operações financeiras usadas para prender os hackers, de 
fato, são irregulares, a PF já encontrou um bom motivo para fazer o casal colaborar.
Jornal GGN – Há várias lacunas e incongruências no que se sabe, até agora, da Operação 
Spoofing e da tentativa de Sergio Moro de expor a fonte do Intercept Brasil que deu origem à série 
da #VazaJato.
Boa parte da confusão está na cobertura da grande mídia, que às vezes associa os hackers presos e a 
invasão no celular de Moro aos vazamentos do Intercept, e em outras ocasiões, admite que ainda não 
há provas desse vínculo.
Mas na tarde desta quarta (24), novas informações foram surgindo.
Folha publicou que o advogado de um dos supostos hackers presos na terça (23) afirmou que seu 
cliente viu no celular do colega uma mensagem (“de Moro”) obtida de forma ilícita.
O suposto hacker Walter Delgatti Neto teria mostrado as mensagens ao DJ Gustavo Henrique Elias 
Santos. Os dois estão presos em Brasília desde terça (23). Mas Gustavo e sua esposa, Suelen 
Oliveira, negam participação no suposto esquema.
A narrativa da Polícia Federal – e por isso a operação foi batizada Spoofing – é a de que o suposto 
grupo de hackers clonou o número de Moro, instalou o Telegram num aparelho próprio mas utilizado 
esse número clonado, e buscou cópias das mensagens trocadas com os procuradores da Lava Jato.
Mas essa narrativa contraria várias outras informações.
Contraria principalmente a autodefesa de Moro em pelo menos em 2 pontos:
1) Primeiro, que o ex-juiz vinha afirmando que a invasão teria sido financiada por uma organização
milionária, pois o esquema era sofisticado e, consequentemente, custoso. Falou-se até em hackers
russos – o que alimentou a imaginação do Pavão Misterioso e claque. Mas depois que a Spoofing foi
deflaragada, O Globo e Folha ouviram da PF que, na verdade, o “grau de capacidade técnica dos 
hackers não era alto”. Tanto que foram facilmente rastreados.
2) Mais importante: Moro também disse que excluiu o Telegram e perdeu o histórico de conversas
em 2017. O UOL fez uma reportagem expondo detalhadamente como funciona o processo de
recuperação de mensagens no aplicativo. Dela, depreende-se que Moro acertou em sacar esse
argumento, pois é praticamente impossível recuperar as mensagens apenas reinstalando o Telegram 2
anos depois de tê-lo excluído. O sistema destrói automaticamente os arquivos após um intervalo de
inatividade, que varia de 6 a 12 meses. Os arquivos de Moro estariam, portanto, perdidos.
Digressão: O mesmo artigo do UOL concluiu, aliás, que o material do Intercept não parece fruto de
hacker desconhecido, mas de alguém que participou ativamente dos chats e teve como recuperar as
mensagens. Ou seja: não foi hacker, foi fogo amigo. Ou algo muito próximo disso. Veja aqui.
Voltando: Folha publicou também na tarde desta quarta (24) a explicação da PF de como foi a
invasão por meio de Spoofing, mas não informou se e como o histórico de conversação de Moro
teria sido acessado.
Essa informação ainda não existe, nada foi confirmado, mas ela se alastra como se fosse um parte de
senso comum, muito por conta da postura de Moro e dos procuradores da Lava Jato, que estão há
mais de 1 mês martelando que o hacker teve, sim, acesso às conversas antigas, e vazou tudo ao
Intercept (e quando a coisa fica feia, é claro, é porque ele adulterou o conteúdo antes). Confira aqui o
link da Folha.
Se os hackers recuperaram o histórico na invasão a Moro, o ex-juiz então fez afirmações
equivocadas no Congresso, pois lá ele sustentou que nada foi sido obtido pelos invasores no ataque
do dia 4 de junho. Diante de todas essas informações cruzadas, é de se perguntar qual o sentido da
declaração antecipada do advogado (o depoimento oficial do suposto hacker e da esposa ainda não
havia sido tomado pela PF quando o defensor resolveu se manifestar), sobre o cliente (o DJ) ter visto
uma mensagem “de Moro” (essa afirmação é da Folha) no celular do colega, que também foi preso.
OS CANDIDATOS À DELAÇÃO PREMIADA
Folha também divulgou na tarde desta quarta outra informação que chama atenção: a de que o juiz
Vallisney de Oliveira, que autorizou as diligências da Operação Spoofing, viu “fortes indícios” de
associação criminosa entre os 4 hackers presos.
E o destaque ficou para a movimentação financeira considerada suspeita, por parte do DJ e de seu
esposa – curiosamente, os primeiros que começaram a colaborar com a narrativa da PF por meio do
advogado.
Trabalhadores assalariados com rendimentos na casa dos R$ 2 mil, ambos os suspeitos teriam
movimentado, em curto período de tempo, recursos incompatíveis com o que ganham. A mulher,
mais de R$ 400 mil em 2, 3 meses (abril a junho de 2018), e o DJ, R$ 200 mil em intervalo
semelhante, mas entre abril e maio de 2019.
Na casa do DJ, R$ 100 mil em espécie também foram encontrados. O advogado afirmou à Folha que
o dinheiro é fruto de “negócios com bitcoins”.
Usando a régua da Operação Lava Jato: se essas operações financeiras com bitcoin, de fato, são
irregulares, a PF já encontrou um bom motivo para fazer o casal colaborar o quanto antes. Os
entusiastas da Operação Spoofing diriam que, puxando esse fio, chegarão ao “pagante” do
vazamento ao Intercept.

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