terça-feira, 11 de junho de 2019

ANALISE: O INQUÉRITO DO STF E O THE INTERCEPT


Deve ter sido um vazador comum, o mesmo que vazou a delação de Alberto Yousseff para 
Veja, as sucessivas delações de Antonio Palocci para a Globo, as de Léo Pinheiro para o 
Estadão.
Por Luis Nassif
Xadrez da investigação do STF e do dossiê do Intercept.Vamos monta r um Xadrez bastante delicado.
Lance 1 – o volume de informações do dossiê Lava Jato
Pelas informações do The Intercept, o volume de dados do dossiê Lava Jato é superior ao do próprio 
caso Snowden.
Alguns dos diálogos divulgados, além disso, mostram que foram captadas conversas até entre duas 
pessoas – no caso, Sérgio Moro e Deltan Dallagnoll. O que comprovaria, em tese, que o vazamento 
não se deu a partir de uma pessoa infiltrada nos grupos de discussão, mas de hackeamento de vários 
celulares.
Lance 2 – o inquérito do STF
Houve a investigação de arapongas da Receita nas contas de Gilmar Mendes e Dias Toffoli e 
esposas, e vazamento posterior para a mídia. O fiscal envolvido já tinha participado das 
investigações da Lava Jato. O sentimento de impunidade seguiu os mesmos procedimentos de abusos 
anteriores.
1. Moro alegou engano ao vazar conversas de Dilma Rousseff e Lula grampeadas depois do final do 
prazo para o grampo autorizado. Foi desculpado.
2. No grampo ao escritório de advogados de Lula, alegou engano, que a intenção era grampear 
apenas a empresa de palestras de Lula. Novamente, foi desculpado.
3. No vazamento das investigações da Receita, alegou-se que o fiscal enviou o e-mail com os dados 
por engano para algumas pessoas.
Com seus métodos e falta de limites, a Lava Jato tornou-se uma ameaça, inclusive para o Supremo, 
que sabia estar enfrentando uma organização poderosa, armada de poder do Estado e com liberdade 
ampla para grampear, levantar informações e assassinar reputações, vazando para a imprensa. Com 
Sérgio Moro na Justiça, comandando a Polícia Federal, procurando influenciar a COAF, havia o 
risco concreto de criação de um estado de terror.
Em 14/03/2019, o presidente do STF, Dias Toffoli, anunciou a abertura de investigações contra a 
proliferação de fake news, especificamente contra ameaças a Ministros do STF.
Aproveitou críticas ao Supremo, da parte do procurador Diogo Castor, da Lava Jato, para estender as 
investigações aos procuradores.
O relator indicado foi o Ministro Alexandre de Moraes, ex-Secretário de Segurança de São Paulo e 
ex-Ministro da Justiça do governo Temer. Moraes colocou à frente da investigação delegados de 
confiança, tirando o poder de manipulação do Ministro da Justiça Sérgio Moro, a quem a Polícia 
Federal está subordinado.
Quatro dias depois, em 18/03/2018,
na visita de Jair Bolsonaro aos Estados Unidos, em pleno vôo, 
Moro decidiu visitar a CIA e o FBI, um encontro fora da agenda.
Segundo o porta voz, o encontro não foi divulgado antes porque foi decidido durante o voo de 
Brasília a Washington, “embora nós já estivéssemos efetuando os contatos”.
Em 24/04/2019, o ex-procurador geral da República, Rodrigo Janot, divulgou a suspeita de que 
poderia ter sido grampeado.

Lance 3 – o inquérito do STF
Nada se sabe ainda dos resultados das investigações do STF. Apesar de claramente inconstitucional, 
teve apenas uma reação contrária de Raquel Dodge, Procuradora Geral da República, mas tudo ficou 
no esperneio. Afinal, depois de todos os abusos da Lava Jato, sustentados e apoiados por Ministros 
do STF, como Luiz Edson Fachin, Luis Roberto Barroso, estimulados por PGRs, como Janot, não 
questionados pela própria Dodge, quem teria moral para rebater as inconstitucionalidade do 
Supremo?
Ocorre que o inquérito do STF tinha como objeto os fake news e ameaças recentes. Tudo o que fosse 
levantado, além disso, não estaria no escopo do inquérito e não poderia ser utilizado.
Coincidentemente, é o material que The Intercept apregoa ter recebido.
Na única vez que conversei com Janot sobre vazamentos, especificamente o que gerou a capa da 
Veja, que quase decide as eleições, ele deu de ombros.
– Não podemos fazer nada porque quem vazou, provavelmente, foi o advogado do Yousseff.
Foi alguém do STF que planejou isso? Claro que não.
Certamente ocorreu o mesmo que nos vazamentos da Lava Jato. Deve ter sido um vazador comum, o 
mesmo que vazou a delação de Alberto Yousseff para Veja, as sucessivas delações de Antonio 
Palocci para a Globo, as de Léo Pinheiro para o Estadão.
Mas, certamente, o lance jogado foi xeque mortal: acertaram a cabeça da jararaca.

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