sexta-feira, 24 de maio de 2019

PSIQUIATRA AFIRMA QUE BOLSONARO NÃO É CASO CLINICO, MAS CRIMINAL


O psiquiatra Roberto Tykanori, um dos mais reconhecidos especialistas brasileiros e ex- 
coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde diagnostica; "Olha, eu não acho que eles 
sejam doentes mentais. O que ele está fazendo são crimes. Crimes contra a Constituição, 
crimes contra os direitos, são crimes contra a humanidade. A meu ver deveriam ser tratados 
como criminosos. Não como doentes".
Assim como outras políticas públicas aperfeiçoadas entre 2003 e 2014, a atenção em saúde mental também está sob ataque desde o golpe de 2016. Um dos mais fortes marcos nesta série de recuos ocorreu em abril de 2018, quando o então ministro da Saúde Osmar Terra (hoje na Cidadania e Ação Social) reorientou recursos do segmento, ampliando em 87 milhões de reais a fatia para as chamadas comunidades terapêuticas – nome idílico que esconde, na maioria das vezes, ambientes manicomiais.
Começava aí uma forte guinada na política de atendimento aos doentes mentais e aos dependentes químicos, pessoas cujos destinos, no período anterior à chamada luta antimanicomial e à reforma psiquiátrica, eram quase sempre a internação compulsória, o degredo, o esquecimento.
Essa cultura do encarceramento dos considerados loucos havia cedido espaço ao longo de árdua luta pela reforma psiquiátrica, movimento dos coletivos de saúde iniciado ainda durante a ditadura e que desembocou, somado a outros coletivos pela reforma sanitária, no processo de elaboração constituinte e que continuou, décadas depois, a tentar mudar essa realidade. A partir de 2003, como demonstram dados apresentados ao longo desta reportagem, essa mudança conheceu sua fase mais favorável, com prioridade ao atendimento humanizado, sem internação, com equipes multidisciplinares e participação das famílias.
O governo Bolsonaro, então, aprofunda o retrocesso. O mais recente, a nova legislação nacional antidrogas, aprovada semana passada, que privilegia a internação e promove a ampliação de rentável mercado, o dos hospitais psiquiátricos – rentável para seus donos, obviamente. Some-se a isso o congelamento dos gastos em saúde e a suspensão dos repasses para a rede de atenção psicossocial, o desemprego crescente que amplia a população de rua e o culto às armas para os "cidadãos de bem" e pode-se imaginar aberta a temporada de encarceramento ou até mesmo de caça aos "diferentes", entre os quais, os loucos – lembrem o episódio recente em Santo André, quando dois endinheirados mataram um catador por pura farra.
Nesta entrevista, o psiquiatra Roberto Tykanori, um dos mais reconhecidos especialistas brasileiros e ex- coordenador de Saúde Mental do Ministério da Saúde do governo Dilma, compara a concepção do atual governo sobre o tema com a política inspirada na luta antimanicomial. E, sobre o governo, diagnostica: "Olha, eu não acho que eles sejam doentes mentais. O que ele está fazendo são crimes. Crimes contra a Constituição, crimes contra os direitos, são crimes contra a humanidade. A meu ver deveriam ser tratados como criminosos. Não como doentes".

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