quinta-feira, 18 de abril de 2019

Morre catador baleado ao tentar ajudar família fuzilada com 80 tiros do Exército no Rio



Internado desde 7 de abril, Macedo tentou ajudar o músico Evaldo Santos quando este foi 
alvejado por militares
O catador de materiais recicláveis Luciano Macedo, baleado no último dia 7 após o Exército atirar 80 
vezes contra um carro em Guadalupe, Zona Norte do Rio, morreu nesta quinta-feira (18). Ele foi 
atingido ao tentar ajudar a família do motorista do veículo, o músico Evaldo Santos Rosa, que 
morreu no local.
A morte de Luciano foi confirmada por familiares do catador, que receberam a notícia às 6h. Em 
seguida, a informação foi repassada aos advogados que cuidam do caso.
O catador estava internado no Hospital Estadual Carlos Chagas, em Marechal Hermes, na região 
onde foram feitos os disparos. Na quarta-feira (17), a Justiça ordenou que Luciano fosse transferido 
para o Hospital Moacyr Carmo, em Duque de Caxias, na Baixada Fluminense.
A Secretaria Estadual de Saúde, no entanto, informou que a transferência não seria possível devido 
ao estado de saúde da vítima, que era considerado gravíssimo.
Tentativa de ajudar família
Luciano foi baleado quando tentava ajudar a família que estava no carro atingido pelos disparos do 
Exército. As cinco pessoas que estavam dentro do veículo iam para um chá de bebê: Evaldo dos 
Santos Rosa; a esposa dele; o filho, de 7 anos; o sogro de Evaldo (padastro da esposa); e uma amiga 
da família.
Evaldo morreu na hora. O sogro dele, Sérgio Guimarães de Araújo, foi baleado nos glúteos e segue 
internado no Hospital Albert Schweitzer, em Realengo. A esposa, o filho de 7 anos e a amiga não se 
feriram.
Militares afastados
Dez dos 12 militares do Exército que estavam na patrulha no dia que o carro foi atingido foram 
presos após prestarem depoimento sobre a ação. Nove seguiram presos após audiência.
investigação do caso ficará a cargo da Justiça Militar.
No dia dos disparos, o Comando Militar do Leste (CML) informou, por meio de nota, que os agentes 
tinham respondido a "injusta agressão" de criminosos ao desferir os tiros. A Polícia Civil informou 
na ocasião que "tudo indica" que o veículo foi confundido com o de criminosos.
Em um boletim de ocorrência registrado na 30ª DP (Marechal Hermes), um motorista contou que foi 
assaltado por cinco homens em um sedã branco por volta das 14h (meia hora antes do incidente) na 
mesma região.
Na manhã do dia seguinte à morte do motorista atingido pelos disparos, uma segunda-feira, o CML 
disse que identificou "inconsistências" entre os fatos reportados pelos militares e informou que os 
agentes acabaram afastados.
"Esse procedimento prolongou-se pela madrugada, tendo sido coletado também, até o presente 
momento, o depoimento de uma testemunha civil. Um membro do Ministério Público Militar 
acompanhou todo o procedimento", diz a nota.
Carro fuzilado pelo Exército em Guadalupe, Rio — Foto: Fábio Teixeira/AP

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