quarta-feira, 6 de março de 2019

Venezuela expulsa embaixador da Alemanha


A Venezuela expulsou nesta quarta-feira (06/03) o embaixador da Alemanha em Caracas, Daniel 
Kriener e deu 48 horas para ele deixar o país. A chancelaria venezuelana diz que a medida foi em 
razão “de seus recorrentes atos de ingerência nos assuntos internos do país, em clara contravenção 
das normas que regem as relações diplomáticas”.
Diante da decisão, Berlim afirmou que iria chamar Kriener de volta à Alemanha para consultas. 
Tanto a expulsão, quanto a convocatória para voltar à capital são considerados gestos de alta 
voltagem diplomática.
Entre os atos, a Venezuela indica a presença do embaixador no aeroporto de Maiquetía na recepção 
ao autoproclamado presidente encarregado do país, Juan Guaidó.
“A Venezuela considera inaceitável que um representante diplomático estrangeiro exerça em seu 
território um papel público mais propício a um dirigente político em claro alinhamento com a agenda 
de conspiração de setores extremistas da oposição venezuelana”, afirma um comunicado divulgado 
pela chancelaria.
O ministro de Relações Exteriores da Alemanha, Heiko Maas, chamou a decisão de 
"incompreensível". "Expulsar nosso embaixador da Venezuela é uma decisão incompreensível, que 
piora e não distensiona a situação. Nosso apoio a Guaidó é inabalável. O embaixador Kriener 
desempenhou em Caracas, nos últimos dias, um trabalho excelente. Tomamos conhecimento da 
decisão de declarar o embaixador Kriener "persona non grata". Decidi chamar nosso embaixador de 
volta para consultas", afirmou, pelo Twitter.
Wir haben die Entscheidung, Botschafter Kriener zur „persona non grata“ zu erklären, zur Kenntnis 
genommen. Ich habe entschieden, unseren Botschafter zu Konsultationen zurück nach Hause zu 
rufen.— Heiko Maas (@HeikoMaas) March 6, 2019
Leia íntegra do comunicado
A República Bolivariana da Venezuela traz ao conhecimento público a decisão de declarar persona 
non grata o embaixador da República Federal da Alemanha, Daniel Martín Kriener, em razão de seus 
recorrentes atos de ingerência nos assuntos internos do país, em clara contravenção das normas que 
regem as relações diplomáticas.
A Venezuela considera inaceitável que um representante diplomático estrangeiro exerça em seu 
território um papel público mais propício a um dirigente político em claro alinhamento com a agenda 
de conspiração de setores extremistas da oposição venezuelana.
As atividades do senhor Kriener não somente contravém normas essenciais que regem as relações 
diplomáticas, mas que inclusive contradizem o claro critério expressado pelo próprio serviço jurídico 
do Parlamento Federal alemão, que estabeleceu, mediante informe público, que a posição do governo 
alemão na atual conjuntura política venezuelana constituí um ato de “ingerência ilícita” em assuntos 
internos, como também é considerado um ato hostil e inamistoso, que vem se somar a outras ações 
de grosseira interferência em assuntos internos da Venezuela.
A Venezuela é inequivocamente livre e independente, motivo pelo qual não são, nem serão admitidas 
ações de representantes diplomáticos que impliquem uma intromissão em assuntos de competência 
exclusiva do povo e das autoridades do Estado venezuelano. Em consequência, se outorga ao senhor 
Kriener um prazo de 48 horas para abandonar o território da República Bolivariana da Venezuela.
A República Bolivariana da Venezuela reitera sua disposição de manter uma relação de respeito e de 
cooperação com todos os governos da Europa, para o qual será indispensável que adotem uma 
atitude de equilíbrio construtivo que, longe de alentar vias golpistas e violentas, facilitem uma 
solução pacífica e dialogada entre os atores políticos venezuelanos.
Caracas, 6 de março de 2019residente da Venezuela, Nicolás Maduro, declarou nesta quarta-feira (6) o embaixador da 
Alemanha, Martin Kriener, “persona non grata” e deu 48 horas para que deixe o país depois que ele 
recebeu o líder golpista da oposição, Juan Guaidó, no Aeroporto de Maiquetía na segunda-feira (3).
Em comunicado, o governo de Nicolás Maduro disse que sua decisão se deve a “recorrentes atos de 
ingerência nos assuntos internos do país” pelo diplomata, que “em desacato compareceu ao 
aeroporto internacional de Maiquetía para testemunhar a chegada do deputado Juan Guaidó”.
“A Venezuela considera inaceitável que um representante diplomático estrangeiro exerça em seu 
território um papel público mais típico de um líder político em clara sintonia com a agenda 
conspiratória de setores extremistas da oposição venezuelana”, disse ainda o governo.
Na segunda-feira, representantes diplomáticos de países europeus e latino-americanos receberam 
Guaidó, que estava sob risco de prisão ao retornar à Venezuela por desrespeitar uma ordem judicial 
que o impedia de deixar o país.

Nenhum comentário: