quarta-feira, 6 de março de 2019

ENTRA SUJO E SAI LAVADO, O GOLPE DO SECULO DA LAMA JATO


"Entra sujo, sai lavado", aponta o o chargista Aroeira, um dos maiores cartunistas do Brasil, 
que, nesta quarta-feira de Cinzas estreia no 247, como o mais novo integrante da rede de 
Jornalistas pela Democracia; Aroeira critica a decisão da Petrobras de transferir R$ 2,5 
bilhões para uma fundação que será conduzida pela força-tarefa da Lava Jato.
Seria importante que mídia, Judiciário, juristas, partidos 
políticos, se dessem conta, enquanto é tempo, do monstro 
político que estão criando
Por Luis Nassif
Bolsonarismo é apenas o nome fantasia do movimento real de ultradireita, cuja verdadeira 
fonte é a Lava Jato
Ainda não caiu a ficha da mídia sobre o
que significa essa jogada da Lava Jato, de
administrar R$ 2,5 bilhões bancados pela
Petrobras. Foi montada uma fundação de
direito privado que será totalmente
controlada pelos procuradores e juízes da
13ª Vara Federal de Curitiba, o núcleo da
Lava Jato. Apenas com a aplicação dos
recursos, serão gerados R$ 160 milhões
anuais, segundo nota do 
Ministério Público Federal do Paraná.
A fundação terá um administrador
escolhido pelo Procurador Chefe da
Procuradoria da República de 1a
instância. E selecionará as figuras da
sociedade civil que comporão o conselho, 
compartilhando a supervisão com o juiz
da 13ª Vara Federal, a de Sérgio Moro.
Todo esse dinheiro poderá ser aplicado em
iniciativas de combate à corrupção. Ou
seja, qualquer consultor, colega
procurador, ONG amiga, palestrantes ou
consultores indicados por Rosangela 
Moro ou Carlos Zucolotto, poderá
apresentar projetos para serem financiados.
A ideia de que haverá fiscalização do
TCU ou outros órgãos é ilusória. Qualquer
projeto que tenha a capa da campanha
anticorrupção terá cumprido os requisitos
exigidos.
Não haverá licitação para escolha dos
projetos, nem a garantia da isenção
partidária. Serão aqueles que forem
selecionados pelo Conselho da Lava Jato.
E serão aqueles com afinidades pessoais,
profissionais ou políticas com  a Lava Jato.
Lava Jato e a tomada 
do poder
E aí é necessário se aprofundar um pouco
na gênese do bolsonarismo. O movimento
de ultradireita recente nasceu no Paraná, em parte devido às pregações de Olavo de Carvalho, nos
anos 90. Mas, principalmente, em torno da defesa da Lava Jato.
Há alguns anos, qualquer crítica à Lava Jato no YouTube ou Facebook atraia varejeiras de todos os 
quadrantes, com o discurso agressivo que marcaria posteriormente o bolsonarismo. A Lava Jato é a 
bandeira unificadora, filha dileta da mais conservadora sociedade brasileira, a paranaense. Bolsonaro 
é apenas uma marca fantasia, um acidente de percurso, o candidato à mão que mais se aproximava da 
personalidade Neandertal dos grupos gestados em torno das bandeiras da Lava Jato.
Os Bolsonaro estão longe do estereótipo de famílias ilustres como os Genovese, Gambino, Bonanno 
ou Colombo. Delas têm apenas a falta de limites morais e de qualquer noção de civilidade. Mas falta 
aos Bolsonaro capacidade mínima para exercer qualquer liderança que vá além da ofensa primária. 
Seu perfil familiar é muito mais próximo de Kate Baker e outras famílias desajustadas na depressão 
dos Estados Unidos.
Ao contrário da Lava Jato, que, além de usar e abusar do poder de Estado, tem entrada nas Forças
Armadas, Judiciário, mídia, blogosfera de direita e grupos empresariais, os Bolsonaro não tem 
acesso ao sistema. Não se sabe até quando resistirão as fantasias em torno de Sérgio Moro, à vista de 
suas limitações, que se tornam mais nítidas a cada dia. Mas a bola continua com a Lava Jato.
Como a Lava Jato se tornou uma organização política, esse dinheiro servirá para financiar uma 
estrutura política de apoio por todo o país. As verbas estão garantidas e nem serão necessários 
laranjas, como os do PSL. Basta uma fundação, uma associação, um clube, uma consultoria em 
qualquer parte do país, empunhando as bandeiras da Lava Jato, de luta contra a corrupção, para se 
enquadrar nos estatutos da fundação e obter aportes financeiros.
O Movimento Brasil Livre foi financiado com R$ 5 milhões, com a missão grandiosa de defender a 
iniciativa privada. Gerou um batalhão de candidatos políticos.
Lava Jato e os negócios
Outros objetivos da fundação são menos letais, como estimular os programas de compliance. Ai 
visaria apenas consolidar o milionário mercado de palestras e consultorias para os maiores 
especialistas em processos contra empresas: os próprio lavajateiros, seguindo os passos do 
procurador Carlos Fernando Lima, que anunciou sua aposentadoria e sua futura carreira no mercado 
de compliance.
Com essas jogadas se está criando um partido político riquíssimo, com agentes do Estado exercendo 
poder de Estado se apropriando de verbas públicas, com autonomia em relação à Procuradoria Geral 
da República e aos poderes constituídos.
No Xadrez de ontem, lembrei casos narrados pelas obras sobre o fascismo, do início do ovo da 
serpente. Seria importante que mídia, Judiciário, juristas, partidos políticos, se dessem conta, 
enquanto é tempo, do monstro político que estão criando, permitindo que R$ 2,5 bilhões e meio 
sejam utilizados para financiamento dos propósitos políticos da Lava Jato.

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