segunda-feira, 11 de março de 2019

DOSSIÊ: Veja como NYTimes desmontou versão sobre ataque da Venezuela a ajuda humanitária e mostra como funciona guerra midiática dos EUA


Da Redação
A data foi marcada para 23 de fevereiro. Era o dia em que a oposição venezuelana derrubaria o 
governo de Nicolás Maduro.
O plano, obviamente, foi tramado em Washington.
Juan Guaidó, o autoproclamado presidente da Venezuela, agiu de acordo com o script: viajou para 
Cúcuta, na Colômbia, onde ficou à espera da troca de regime, reunido com representantes de 
governos estrangeiros.
Repórteres de todo o mundo estavam a postos do lado colombiano da fronteira.
Primeiro, dois blindados supostamente “fugiram” da Venezuela, levando tudo o que encontraram 
pela frente.
No caminho, atropelaram e feriram duas pessoas, uma delas jornalista.
A cena foi replicada por todo o planeta.
Se foi armação, tinha como objetivo provocar rebelião em massa no Exército da Venezuela — o que 
não aconteceu, embora tenha havido centenas de deserções.
Os supostos desertores foram recebidos sem qualquer ressalva, apesar de terem atropelado quem 
estava no caminho.
Depois, manifestantes do lado colombiano guiaram caminhões carregados de “ajuda humanitária” 
em direção à fronteira da Venezuela — e foram reprimidos pela Guarda Nacional Bolivariana com 
bombas de gás.
De repente, um caminhão começa a pegar fogo.
Estava pronta a manchete do dia seguinte: Maduro resiste, ataca ajuda e rompe com a Colômbia, 
publicou a Folha de S. Paulo no domingo, 24/02.
Legenda: Manifestantes do lado colombiano da fronteira, em Cúcuta, retiram carga de 
caminhão incendiado por forças de Maduro na ponte entre os dois países.
No próprio dia 24 o Viomundo informou que era propaganda e reproduziu um vídeo mostrando que 
os manifestantes do lado colombiano festejaram a chegada de gasolina ao local onde os caminhões 
paramilitares atravessavam a fronteira para atacar, mais tarde, um posto do Exército da Venezuela.
Reproduzimos outros vídeos, mostrando que manifestantes do lado colombiano prepararam 
coquetéis molotov.
Uma imagem flagrou um deles, de blusa preta, atirando um coquetel molotov em direção aos 
soldados da Venezuela que guardavam a fronteira.
O pano em chamas se despreende da garrafa e cai, aparentemente sobre o primeiro caminhão da fila.
Reprodução do vídeo que publicamos no dia 25/02
Reprodução NYTimes
Neste domingo, 10 de março, o New York Times admitiu que a versão propagada pelos Estados 
Unidos e reproduzida em todo o mundo é fake news.
O diário norte-americano obteve imagens adicionais e fez uma montagem que deixa claro que o 
fogo, mesmo que não intencionalmente, se originou de um coquetel molotov atirado por um 
manifestante que estava do lado colombiano.
Mas o melhor serviço prestado pelo jornal foi mostrar a sequência através da qual a fake news 
ganhou ares de credibilidade.
O jornal dá de barato que autoridades dos Estados Unidos apenas “erraram”.
Vejam a sequência de tweets com a “notícia”, começando pelo site NTN, da Venezuela, ligado à 
oposição:
Polícia Nacional Bolivariana queima três caminhões de ajuda humanitária ao atirar bombas de 
gás em voluntários da caravana
Marco Rubio, o senador que coordena a “derrubada” de Maduro no Congresso: “Polícia 
Nacional de Maduro toca fogo em caminhão carregado de comida e remédios enquanto o povo 
da Venezuela morre de fome”.
Mark Green, da USAID: “Maduro ordenando ataque e incêndio dos caminhões cheios de 
ajuda humanitária e o ataque a voluntários é falta de consciência. Eu condeno os assassinatos 
os abusos cometidos por Maduro. Ataque violento à ajuda capaz de salvar vidas na Venezuela 
é desprezível”.

Secretário de Estado, Mike Pompeo: “Denunciamos a negativa de Maduro em permitir que 
ajuda humanitária chegue à Venezuela. Que tipo de tirano doentio impede a comida de chegar 
a pessoas com fome? As imagens de caminhões em chamas, cheios de ajuda, são de passar mal”.
No dia seguinte, o governo Trump anunciou novas sanções à Venezuela.
Assim funciona a guerra psicológica dos Estados Unidos, versão século 21.
A Revolução Será Tuitada.

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