quinta-feira, 21 de fevereiro de 2019

NEM O DEM COMPRA A REFORMA DE BOLSONARO, QUE MASSACRA TRABALHADORES


Proposta de reforma da Previdência de Jair Bolsonaro, que na prática retira a aposentadoria 
de milhões de brasileiros, recebe críticas do maior partido aliado do governo; "Quem é 
burocrata não sabe o que significa uma mulher que trabalha mais do que o homem no campo, 
acorda às 4h da manhã para buscar uma lata de água na cabeça para cozinhar para seus filhos 
e depois pegar na enxada para trabalhar. Esse pessoal tem que ter um tratamento 
diferenciado", afirmou o líder do DEM na Câmara, Elmar Nascimento (BA); ele também 
criticou a mudança do BPC; "Sem proteger os mais pobres, não tem sentido falar em 
privilégios".
(Reuters) - O líder do DEM na Câmara, deputado Elmar Nascimento (BA), afirmou nesta quinta-
feira que a bancada do partido na Casa recebe a reforma da Previdência com "preocupação", alerta 
para a ausência de debate e diz ver "muito problema" no endurecimento das regras de aposentadoria 
rural.
Para o líder, que integra a bancada do Nordeste, região possivelmente mais afetada pelas mudanças 
na aposentadoria rural, e também na concessão de benefícios assistenciais, a legislação precisa 
proteger os menos favorecidos, razão pela qual os parlamentares devem promover mudanças na 
Proposta de Emenda à Constituição (PEC) levada pessoalmente ao Congresso pelo presidente Jair 
Bolsonaro na véspera.
"Acho que quem é técnico, burocrata, não sabe o que significa uma mulher que trabalha mais do que 
o homem no campo, acorda às 4h da manhã para buscar uma lata de água na cabeça para cozinhar 
para seus filhos e depois pegar na enxada para trabalhar. Esse pessoal tem que ter um tratamento 
diferenciado", avaliou o líder, acrescentando que a bancada recebeu o texto enviado na véspera pelo 
governo com "muita preocupação, porque não teve debate".
"A nossa obrigação é avaliar e aperfeiçoar o texto no sentido sempre de proteger os mais fracos."
Elmar considera que faltou debate, mesmo sendo favorável à desconstitucionalização do projeto —
muitos dos pontos serão tratados via projeto de lei complementar posteriormente.
"A outra coisa importante é questão da aposentadoria do trabalhador rural e do BPC (Benefício de 
Prestação Continuada), que são a parte mais frágil da nossa sociedade e que nós temos que fazer uma 
legislação que proteja os mais pobres, os mais frágeis. Sem isso não tem sentido você falar em 
privilégios", sustentou.
Na quarta-feira, o governador do Piauí, Wellington Dias (PT), disse, em fórum de governadores com
a presença do ministro da Economia, Paulo Guedes, que "o primeiro passo... é tirar os pobres desta
conta, trabalhador rural, deficientes etc".
"É a velha teoria de botar o bode na sala para depois tirar?", questionou Dias.
Principal aposta do governo na área econômica, a reforma da Previdência iguala as idades mínimas 
de aposentadoria rural para homens e mulheres, aos 60 anos, e a contribuição mínima passa a ser de 
20 anos. Atualmente, trabalhadoras rurais podem se aposentar aos 55 e o tempo de contribuição é de 
15 anos.
Já no caso do Benefício de Prestação Continuada (BPC), voltado para idosos e pessoas com 
deficiência, a PEC estabelece que ele só continuará sendo de 1 salário mínimo para deficientes e para 
idosos em condição de miserabilidade a partir dos 65 anos. Para os demais, a renda mensal evoluirá 
ao longo das idades: a partir dos 60 anos, o benefício será de 400 reais, subindo a 1 salário mínimo 
aos 70 anos.

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