domingo, 10 de fevereiro de 2019

ESPIONAGEM É AINDA MAIS GRAVE: AÇÃO ATINGE VATICANO E ONGS AMBIENTAIS INTERNACIONAIS


O escândalo da espionagem que o governo Bolsonaro está realizando contra a Igreja Católica 
no Brasil, admitido abertamente pelo general Augusto Heleno do GSI numa entrevista sem 
precedentes, é ainda mais grave: a ação não se restringe ao território nacional; o Itamaraty, 
comandando pelo extremista Ernesto Araújo, está sendo mobilizado para que a espionagem 
alcance o Vaticano e organizações ambientais internacionais,
Por Mauro Lopes, editor do 247 - O escândalo da espionagem que o governo Bolsonaro está 
realizando contra a Igreja Católica no Brasil, admitido abertamente pelo ministro chefe do Gabinete 
de Segurança Institucional (GSI), Augusto Heleno, numa entrevista sem precedentes, é ainda mais 
grave: a ação não se restringe ao território nacional e à Conferência dos Bispos do Brasil (CNBB). O 
Itamaraty, comandando pelo extremista Ernesto Araújo, está sendo mobilizado para que a 
espionagem alcance o Vaticano e organizações ambientais internacionais.
À experiente repórter Tânia Monteiro, que há mais de 30 anos cobre o setor militar em Brasília, o 
general Heleno foi direto: "queremos neutralizar isso aí". Ele se referia ao Sínodo sobre a Amazônia, 
que o Papa Francisco convocou em 15 de outubro de 2017 e que terá como momento culminante um 
encontro mundial em Roma, em outubro deste ano. Para lá acorrerão bispos e cardeais de todo o 
planeta. Mas o evento convocado pelo Papa não se restringe à Igreja Católica. Representantes de 
diversas igrejas cristãs participarão do encontro, além de convidados de outros caminhos de 
espiritualidade, como os budistas, organizações ambientais internacionais, e líderes indígenas e de 
movimentos sociais de toda a Amazônia.
"Vamos entrar a fundo nisso", afirmou o general. Ir fundo, no caso, é envolver o governo brasileiro 
numa operação de espionagem ilegal em território nacional e estrangeiro para bisbilhotar reuniões, 
encontros, documentos, estratégias e planos que são todos públicos ou que são traçados para se 
tornarem públicos a seguir. Com uma lógica paranoica, que vê inimigos em toda parte, Heleno e os 
militares que o rodeiam imaginam que há uma trama contra o Brasil. “Achamos que isso é 
interferência em assunto interno do Brasil”, disse Heleno. Por um viés ideológico, o general tenta
transformar num tema "brasileiro" um evento que volta-se para toda a região amazônica envolvendo 
nove países e pessoas preocupadas com o destino da floresta e do planeta em vários continentes.
O Sínodo da Amazônia acontece sob o lema “Amazônia: novos caminhos para a Igreja e para uma 
ecologia integral”. O governo Bolsonaro prepara-se ele como para uma guerra. Como anotou a 
presidente do PT numa nota sobre o assunto ao final deste domingo, com sua ação, o governo abala 
ainda mais a já fragilizada democracia brasileira "a imagem do Brasil ao redor do mundo". De 
admirado, o país passa a ser visto com repugnância em todo canto.

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