domingo, 10 de fevereiro de 2019

Assessor de Trump anuncia invasão da Venezuela... Ajuda humanitária é o...


'Transição na Venezuela é irreversível', diz Conselheiro de Segurança de Trump. Mauricio 
Claver-Carone é frequentemente descrito como o cérebro por trás da estratégia dos EUA que 
hoje mantém o regime de Nicolás Maduro na Venezuela contra as cordas. De origem cubana, 
mas nascido na Flórida, Claver-Carone passou seis meses como Conselheiro Nacional de 
Segurança para o Hemisfério Ocidental sob o comando do presidente Donald Trump. 
Em entrevista ao Grupo de Diarios América (GDA), Claver-Carone fala de um 
“cerco  humanitário” que acabará por dobrar o governo venezuelano. Ele insiste novamente, 
também, que todas as opções estão na mesa e descreve o momento atual como irreversível, que 
só terminará com a saída de Maduro do poder.
Maduro não é Allende nem Trump é John 
Kennedy
Sei que estou indo contra a maioria dos analistas defensores da democracia quanto à ameaça 
real de intervenção armada na Venezuela. Mas não considero que a temperatura verdadeira de 
uma escalada militar esteja tão alta quanto pregam muitos colunistas sinceros.
Não há dúvida de que Donald Trump, a direita e a extrema-direita espalhadas pelo mundo 
torcem pela queda de Nicolás Maduro e a restauração de um regime responsável por episódios 
como o Caracazo, que resultou na morte de centenas de venezuelanos em 1989.
O movimento foi uma reação a uma onda de aumentos decretada pelo então presidente Carlos 
Andrés Pérez, representante de plantão da oligarquia pró-imperialista. Acabou abrindo 
caminho, anos depois, para a ascensão de Hugo Chávez ao poder.
Os tubarões da finança internacional nunca aceitaram a derrota. A Venezuela detém as maiores 
reservas de petróleo do planeta. Essa riqueza sempre foi explorada a favor de uma minoria que 
mantinha 85% da população na miséria. A morte de Chávez deu o sinal para a ofensiva 
reacionária visando liquidar as conquistas sociais obtidas durante seu governo. É isto que está 
em curso.
Mas os tempos são outros. A Venezuela de hoje não é a mesma de décadas atrás. Centenas de 
milhares de venezuelanos foram educados para defender o país contra a volta aos tempos de 
miséria e pobreza. Estão conscientes de que o discurso da direita não anuncia melhoras, mas 
novos massacres em benefício da rapina das riquezas nacionais. Mais ainda: além da 
experiência ideológica, essas centenas de milhares possuem armas nas mãos com disposição 
para resistir a uma intervenção.
Donald Trump e seus asseclas podem falar o que quiserem, mas as condições políticas também 
são muito diferentes. Chega a ser um exagero comparar a situação da Venezuela ao Vietnã. 
Trump não tem a sustentação política de John Kennedy ou Lyndon Jonhson. Está desmoralizado 
dentro dos próprios EUA, ameaçado até por um pedido de impeachment. 
Se é verdade que as maquinações intervencionistas de Trump são aplaudidas de ofício por 
governos subservientes na América Latina, dificilmente isto será transformado em ações 
concretas. Inclusive no Brasil, o parceiro mais importante. Os militares locais já deixaram claro 
que, assim como a população, não levam a sério o chanceler Ernesto Araújo. Em público e nos 
bastidores, Araújo é ridicularizado como um alucinado foragido de algum hospício. Um 
paspalho, em que só alguém como Bolsonaro e Olavo de Carvalho podem acreditar. 
Não bastasse tudo isso, China e Rússia estão de olho no que acontece na América Latina. Trump 
e seu estado maior sabem muito bem disso. Qualquer movimento em falso vai implicar reações 
cujas proporções a elite americana certamente leva em conta. E não serão pequenas. Nada disso 
exclui a necessidade de uma saída diplomática para a grave crise que atinge a Venezuela. 
Nicolás Maduro não é nenhuma Brastemp, mas o ponto de partida para qualquer solução é o 
respeito à soberania do povo venezuelano sobre seu destino.
Da mesma forma, a campanha em defesa da Venezuela tem que denunciar o boicote do grande 
empresariado local e internacional no fornecimento de produtos, o congelamento ilegal de bens 
do governo decretado pelos EUA e o locaute patronal que esvazia as prateleiras dos 
supermercados como ocorreu no Chile contra Salvador Allende. 

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