
'Transição na Venezuela é irreversível', diz Conselheiro de Segurança de Trump. Mauricio
Claver-Carone é frequentemente descrito como o cérebro por trás da estratégia dos EUA que
hoje mantém o regime de Nicolás Maduro na Venezuela contra as cordas. De origem cubana,
mas nascido na Flórida, Claver-Carone passou seis meses como Conselheiro Nacional de
Segurança para o Hemisfério Ocidental sob o comando do presidente Donald Trump.
Em entrevista ao Grupo de Diarios América (GDA), Claver-Carone fala de um “cerco humanitário” que acabará por dobrar o governo venezuelano. Ele insiste novamente,
também, que todas as opções estão na mesa e descreve o momento atual como irreversível, que
só terminará com a saída de Maduro do poder.
Kennedy
Sei que estou indo contra a maioria dos analistas defensores da democracia quanto à ameaça
real de intervenção armada na Venezuela. Mas não considero que a temperatura verdadeira de
uma escalada militar esteja tão alta quanto pregam muitos colunistas sinceros.
Não há dúvida de que Donald Trump, a direita e a extrema-direita espalhadas pelo mundo
Não há dúvida de que Donald Trump, a direita e a extrema-direita espalhadas pelo mundo
torcem pela queda de Nicolás Maduro e a restauração de um regime responsável por episódios
como o Caracazo, que resultou na morte de centenas de venezuelanos em 1989.
O movimento foi uma reação a uma onda de aumentos decretada pelo então presidente Carlos
Andrés Pérez, representante de plantão da oligarquia pró-imperialista. Acabou abrindo
caminho, anos depois, para a ascensão de Hugo Chávez ao poder.
Os tubarões da finança internacional nunca aceitaram a derrota. A Venezuela detém as maiores
reservas de petróleo do planeta. Essa riqueza sempre foi explorada a favor de uma minoria que
mantinha 85% da população na miséria. A morte de Chávez deu o sinal para a ofensiva
reacionária visando liquidar as conquistas sociais obtidas durante seu governo. É isto que está
em curso.
Mas os tempos são outros. A Venezuela de hoje não é a mesma de décadas atrás. Centenas de
milhares de venezuelanos foram educados para defender o país contra a volta aos tempos de
miséria e pobreza. Estão conscientes de que o discurso da direita não anuncia melhoras, mas
novos massacres em benefício da rapina das riquezas nacionais. Mais ainda: além da
experiência ideológica, essas centenas de milhares possuem armas nas mãos com disposição
para resistir a uma intervenção.
Donald Trump e seus asseclas podem falar o que quiserem, mas as condições políticas também
Donald Trump e seus asseclas podem falar o que quiserem, mas as condições políticas também
são muito diferentes. Chega a ser um exagero comparar a situação da Venezuela ao Vietnã.
Trump não tem a sustentação política de John Kennedy ou Lyndon Jonhson. Está desmoralizado
dentro dos próprios EUA, ameaçado até por um pedido de impeachment.
Se é verdade que as maquinações intervencionistas de Trump são aplaudidas de ofício por
governos subservientes na América Latina, dificilmente isto será transformado em ações
concretas. Inclusive no Brasil, o parceiro mais importante. Os militares locais já deixaram claro
que, assim como a população, não levam a sério o chanceler Ernesto Araújo. Em público e nos
bastidores, Araújo é ridicularizado como um alucinado foragido de algum hospício. Um
paspalho, em que só alguém como Bolsonaro e Olavo de Carvalho podem acreditar.
Não bastasse tudo isso, China e Rússia estão de olho no que acontece na América Latina. Trump
Não bastasse tudo isso, China e Rússia estão de olho no que acontece na América Latina. Trump
e seu estado maior sabem muito bem disso. Qualquer movimento em falso vai implicar reações
cujas proporções a elite americana certamente leva em conta. E não serão pequenas. Nada disso
exclui a necessidade de uma saída diplomática para a grave crise que atinge a Venezuela.
Nicolás Maduro não é nenhuma Brastemp, mas o ponto de partida para qualquer solução é o
respeito à soberania do povo venezuelano sobre seu destino.
Da mesma forma, a campanha em defesa da Venezuela tem que denunciar o boicote do grande
empresariado local e internacional no fornecimento de produtos, o congelamento ilegal de bens
do governo decretado pelos EUA e o locaute patronal que esvazia as prateleiras dos
supermercados como ocorreu no Chile contra Salvador Allende.
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