domingo, 24 de fevereiro de 2019

A TRAMPA DE DONALD PUM SÓ PEGA OS OTÁRIOS


Seria apenas grotesco não estivessem em jogo milhões de vida e a soberania de um continente
inteiro. Sob a regência de Donald Trump, assumidamente desequilibrado, mas com objetivos bem 
determinados, o grande capital armou uma operação em grande escala para asfixiar a Venezuela. 
Criou fóruns internacionais clandestinos, arregimentou cúmplices como Jair Bolsonaro e seu 
congênere colombiano e batizou a tramoia de “operação humanitária”.
O ato mais provocador e despropositado foi a investidura farsesca de Juán Guaidó. No meio da rua, 
debaixo de um guarda-chuva, o candidato a títere proclamou-se “presidente interino da Venezuela”. 
Alguém votou nele? Disputou alguma eleição presidencial? Nada disso.
Como se fosse uma caricatura de mau gosto de Ginger Rogers em “Cantando na Chuva”, 
simplesmente declarou que a partir daquele momento mandava no país. Trump e sua quadrilha 
saíram vendendo mundo afora que isto é um exemplo de democracia! 
Eleições, conquistas e, sobretudo, o respeito à soberania nacional e ao voto popular não valem nada 
no universo do Deus Trump, como é chamado pelo aloprado chanceler bolsonarista Eugênio Araújo. 
(Esse Bessinha...)
Vale o esquema de governantes de direita e extrema-direita que despacham por twitters, seja para 
acionar um artefato nuclear, convocar tropas, atacar amantes ou xingar opositores e aliados de 
antanho (pergunte ao Bebianno).
Ajuda humanitária?
Os EUA, dizem, reservaram 20 milhões de dólares em esmolas para os venezuelanos. Em 
compensação, roubaram 30 BILHÕES de dólares do país congelando ilegalmente bens depositados 
no país de Trump. Dinheiro mais do que suficiente para amenizar a carestia que aflige milhões de 
venezuelanos vitimados pelo boicote econômico de tubarões nacionais e internacionais.
Ninguém tem dúvida de que o objetivo maior é se apossar das reservas de petróleo da Venezuela, as 
maiores do planeta (o pré-sal brasileiro é o próximo, alguém ignora?).
A farra que antecedeu o governo Chávez foi interrompida bruscamente. O grande capital nunca 
digeriu isso. Na cabeça dos abutres, a morte de Chávez abriu uma brecha para a volta dos caracazos 
e submissão obediente a Wall Street. 
Como já se disse, faltou combinar com os russos (e os chineses), literal e metaforicamente. Literal, 
porque Vladimir Putin não assiste passivamente à ofensiva de Trump. Mal ou bem, tratou de reforçar 
a ajuda militar e econômica ao governo de Maduro. Idem os chineses. Metafórica porque o povo 
venezuelano se recusa a retornar aos tempos de Carlos Andrés Perez e companhia. A gigantesca 
manifestação em apoio a Maduro neste sábado fala por si só.
A mídia gorda prefere ressaltar alguns mortos e feridos na tentativa de a coalizão intervencionista 
invadir a Venezuela sem contar nem sequer com o apoio da OEA, quintal histórico dos EUA. Bem, 
queriam o quê?
Um presidente eleito de forma legítima – não há país na América Latina que tenha realizado tantas 
eleições como a Venezuela — tem todo o direito, e o dever, de defender suas fronteiras contra uma 
agressão disfarçada de “ação humanitária”. De mandar a Colômbia passear enquanto servir de bucha 
de canhão para os americanos. Maduro não faz outra coisa que não seguir o princípio consagrado 
internacionalmente de autodeterminação dos povos. Infelizmente, isto supõe sangue escorrendo na 
calçada.
O governo Maduro certamente tem defeitos, muitos deles produtos do cerco internacional a que foi 
submetido. A luta pela sobrevivência da democracia e da soberania nacional não é fácil nem simples. 
Mas isso, no caso, é assunto dos venezuelanos.
É uma galhofa trágica ver gente como Trump, que pretende construir um muro na fronteira com o 
México, ou Bolsonaros da vida, cercado de milicianos paramilitares, adversários irreversíveis da 
civilização e da solidariedade, posarem de salvadores do mundo. Tirem as mãos da Venezuela.

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