sexta-feira, 18 de janeiro de 2019

DENÚNCIAS Depois de Randolfe criticar auxílio mudança dos Bolsonaro “sem deslocar um pé de meias”, pitbull Carlos tenta intimidar senador: e o chupão na barriga?


Reprodução redes sociais


Da Redação
O senador Randolfe Rodrigues mostrou-se indignado no twitter com o fato de que Eduardo e Jair
Bolsonaro optaram por receber o auxílio-mudança. Um pelo fim, outro pela reeleição. Ou seja,
“mudança” de Brasília para Brasília.
Também ex-deputado federal, Bolsonaro tirou proveito da mesma maracutaia imoral, embora legal.
Na sequência, Randolfe escreveu (de baixo para cima):
Pres. @jairbolsonaro, explique à sociedade a origem das movimentações financeiras malcheirosas de
seu filho e o porquê dele ter ido ao STF barrar a investigação: não adianta mandar sua matilha
raivosa e amestrada me patrulhar, que não tenho medo! #FicaDica #CadeOQueiroz
O @BoldonaroSP [Eduardo] recebeu dois “auxílios” pra fazer a mudança pra Capital, um por
terminar um mandato e outro por ser reeleito, no valor de quase R$ 80 mil, com um detalhe: já vive
em Brasília e não vai precisar deslocar um par de meias sequer.
Seu pai, o Presidente @jairbolsonaro, também embolsou o seu 💰 pra mudança que nunca fará: a
família Bolsonaro nunca teve pudor em se apoderar dos privilégios parlamentares descabidos. Esse é
seu estilo particular de combate à corrupção.
Como Senador reeleito, prontamente rejeitei esse privilégio descabido: não poderia me permitir a
sem-vergonhice de embolsar quase R$ 80 mil do Contribuinte se não vou me mudar de Brasília!
O q vc faria se fosse senador ou deputado e pudesse escolher receber ou ñ a quantia imoral R$34
mil?! O presidente ñ abriu mão do auxílio mudança. Parece bem condizente com os cortes de gastos
q precisam ser feitos, ñ é?!
Identificado pelo pai como seu pitbull, Carlos Bolsonaro respondeu a uma das mensagens: Senador,
e o chupão na barriga, já sarou?
Carlos, vereador no Rio de Janeiro, tem assumido o desgaste político de bater pesado em adversários
da família.
O chupão na barriga, segundo a assessoria de Randolfe, refere-se ao soco que Jair Bolsonaro deu no
senador durante uma disputa no Rio (ver vídeo abaixo), quando parlamentares da Comissão da
Verdade visitaram o Doi-Codi.
“A única intenção do sr. Bolsonaro aqui era impedir que essa visita se concretizasse”, afirmou
Randolfe à época aos repórteres.
Bolsonaro era deputado federal do PP, o partido que teve o maior número de integrantes mais tarde
denunciados na Operação Lava Jato.
“Não adianta mandar sua matilha raivosa e amestrada me patrulhar, que não tenho medo!”, escreveu
Randolfe em uma das mensagens, sem mencionar o tweet de Carlos.
O documento do Coaf mostrando que o ex-motorista de Flávio Bolsonaro, Fabrício Queiroz, havia
movimentado R$ 1,2 milhão em sua conta bancária, durante um ano, vazou para a família Bolsonaro
entre o primeiro e o segundo turnos da eleição de 2018.
Antecipando-se ao escândalo, na mesma data Flávio demitiu Queiroz no Rio de Janeiro e Jair
Bolsonaro demitiu a filha dele, Nathalia, em Brasília.
Apesar do gabinete de Bolsonaro ter atestado que Nathalia nunca faltou, nem mesmo um dia, isso
parece incompatível com o fato de que ela, servidora do gabinete no Rio de Janeiro, tinha emprego
como personal trainer de famosos.
Um aliado de Bolsonaro chegou a dizer que as oito horas diárias de serviços prestados por Nathalia a
Jair poderiam muito bem ter acontecido de madrugada.
Flávio, Queiroz e outros envolvidos no escândalo postergaram e faltaram a vários depoimentos no
Ministério Público Estadual do Rio de Janeiro, encarregado de investigar o caso.
Se o relatório tivesse chegado à imprensa antes do segundo turno, poderia colocar em risco a vitória
de Bolsonaro.
A especulação de bastidores é de que o grupo de militares que servem ao governo ou o grupo do
ministro Sérgio Moro teriam vazado o documento para enfraquecer o entorno do presidente eleito.
Agora, Flávio Bolsonaro acionou o STF para tirar proveito do foro privilegiado.
A defesa possivelmente acredita que tem maiores condições de frear a apuração em Brasília, mas o
MPE carioca chegou a aventar a possibilidade de indiciar Queiroz mesmo sem que ele preste
depoimento, previsto para acontecer depois da recuperação de uma cirurgia.
Os Bolsonaro tem tradição em confundir e atrasar investigações.
Flagrado por um fiscal do Ibama pescando em área de proteção ambiental, no Rio de Janeiro, o então
deputado federal Jair Bolsonaro alegou em sua defesa que não estava no local da autuação — ainda
que tivesse sido fotografado.
Um aliado afirmou que o fato de Bolsonaro ter sido fotografado em um barco onde estava presa uma
vara de pescar não era prova de que ele estava pescando.
Agora, sob Michel Temer, a Advocacia Geral da União opinou que Bolsonaro não teve direito de
defesa adequado no processo, cancelou a multa de 10 mil reais e devolveu o caso para ser refeito no
Rio de Janeiro.
Talvez as ações do pitbull Carlos não sejam mero acaso: podem fazer parte de uma estratégia de
intimidação calculada para inibir os críticos da família, enquanto os Bolsonaro ganham tempo para
esconder seus malfeitos.
PS do Viomundo: O texto foi editado para esclarecer o “chupão” mencionado por Carlos 
Bolsonaro.

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