domingo, 23 de dezembro de 2018

Por que, ao invés de seguir pateticamente Bolsonaro na praia, a mídia não procura o Queiroz?


Há algo de patético na interceptação, por parte da Marinha, de uma lancha de jornalistas que 
faziam a “cobertura” do descanso de Jair Bolsonaro na Restinga da Marambaia, no litoral do 
Rio de Janeiro. A embarcação, alugada pelas equipes de reportagem, foi abordada duas 
vezes. Nela estavam jornalistas da Folha, Estadão, O Globo e TV Bandeirantes. De acordo com 
a Folha, primeiro estabeleceram um perímetro de segurança e depois pediram documentos e 
escoltaram o grupo para uma região mais distante A primeira pergunta é o que pode haver de 
tão interessante por lá. A resposta: nada. A própria assessoria de Bolsonaro se incumbe de 
divulgar fotos do sujeito lavando roupa e colocando no varal. Amanhã teremos o sujeito 
comendo café da manhã com pão e manteiga, de barba por fazer e Rider. É o básica da cartilha 
populista do líder que é um homem comum. As fotos foram imediatamente reproduzidas em 
toda a imprensa. Bolsonaro está numa área de proteção das Forças Armadas, onde vai passar o 
Natal com a família. Todo o mundo sabe disso e ele mesmo estará contando nas redes. Por que 
esse pessoal não vai procurar o Queiroz? Esse, sim, está sumido. Dá mais trabalho. Mas o 
resultado é melhor.
Fabrício, o amigo oculto de Bolsonaro

A charge – como sempre, genial – do Aroeira era inevitável.Mas, no fundo, acho que Fabrício
Queiroz – o primeiro ‘desaparecido’ político do período Bolsonaro – está sendo um presente para os
brasileiros.
Mesmo com a cooperação de uma mídia mansa que, como disse Xico Sá no Twitter, não foi capaz
sequer de mostrar o hospital onde o “assessor-amigo” estaria internado, o caso está funcionando
como uma “trava” aos planos do ex-capitão de “entrar rachando” em seu mandato.
Os dele e os de Sérgio Moro.
O quanto e até quando, não se sabe, porque Fabrício é uma mosca, perto do que está em jogo.
Mas não há dúvida que foi uma mosca que caiu na sopa de Jair Bolsonaro.
E que pode – apenas pode, tal a blindagem que a ele se dá – revelar o óbvio: que o atual presidente é
uma farsa construída em três décadas de politicagem, sem causas ou compromissos com o país, mas
com apenas e tão-somente uma carreira de oportunismo e exploração dos sentimentos mais vis da
sociedade.
Ninguém sabe onde está Fabrício, mas já se sabe que, salvo para seus incondicionais, o “Mito”
decaiu de seu Olimpo moralista.
E, portanto, terá mais dificuldades de ser o “Deus acima de tudo” que se pretende.

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