sexta-feira, 7 de dezembro de 2018

FARSA: PULHOCCI DEPÕE CONTRA LULA SEGUINDO O SCRIPT DO MPF


Luis Nassif

Ainda não chegou o dia em que os jornais brasileiros voltarão a fazer jornalismo. Na área policial e 
na primeira página, continuam, todos, meros joguetes de procuradores, delegados e juízes, enquanto 
nos artigos de fundos aumentam as preocupações com o estado policial, que eles mesmos ajudam a 
alimentar.
É um jogo desmoralizador para o jornalismo.
Uma das pernas é retomar as denúncias de Marcelo Odebrecht visando torpedear a candidatura de 
Renan Calheiros à presidência do Senado. Em uma democracia, é fundamental o equilíbrio entre os 
poderes. E a candidatura de Renan é a única capaz de dar alguma dimensão política ao Senado, para 
fazer o contraponto democrático ao Executivo. Saca-se uma delação velha, requenta-se e apresenta-
se como nova.
Mas o destaque é esse vergonhoso episódio da delação do Palocci.
Palocci pega um tema de conhecimento geral: o patrocínio de um lobista ao campeonato de rúgbi do 
filho de Lula. A Zelotes tentou de todos os modos ligar o caso a algum benefício. Chegou a invocar à 
licitação FX, dos jatos – tocada inteiramente pela Aeronáutica. Depois, às medidas de prorrogação 
de incentivos para a indústria automobilística fora do eixo Rio-São Paulo – medida dos tempos de 
FHC e cuja prorrogação foi subscrita por todas as lideranças políticas.
Agora, vem Palocci, reconta a mesmíssima história, que é de conhecimento público, e acrescenta o 
ingrediente de que Lula falou com ele sobre a propina.
Não há uma figura pública ou privada que diga que conversou em algum momento sobre dinheiro 
com Lula. Nem se discuta se ele é honesto ou não é. O fato é que nenhuma testemunha idônea 
afirmou ter discutido sobre dinheiro com Lula.
Aí aparece um sujeito que quer liberdade para gozar parte do dinheiro que ganhou, e oferece 
meramente seu testemunho sobre fatos de domínio público. Nem uma prova, uma gravação, um 
documento. E vira manchete principal nos principais veículos online, enquanto o relatório da COAF 
sobre o motorista do filho de Bolsonaro fica perdido no meio da edição.


O ex-ministro Antonio Palocci prestou um depoimento, hoje, que mostra porque nem o Ministério 
Público quis firmar com ele acordo de delação premiada.
Já nem se trata de haver verdades ou provas no que diz, nem lógica há.
Disse que foi procurado “entre 2013 e 2014” por Luís Cláudio Lula da Silva, filho do ex-presidente 
para conseguir patrocínios para eventos esportivos que promovia e que, em seguida, foi conversar 
com Lula sobre o assunto.
E que Lula teria dito que não se preocupasse porque ele teria acertado este patrocínio com 
montadoras de veículos, em troca de medidas provisórias.
A primeira incongruência: Se Lula tivesse acertado o patrocínio, porque Luís Cláudio iria pedir 
patrocínio a Palocci?
E que razão faria Lula mencionar na conversa com o ex-ministro um “acerto” com Palocci, feito sem 
a participação dele, quando já havia deixado a pasta da Fazenda e, portanto, não tinha poder para 
participar de uma medida de natureza fiscal?
Para que “botar na roda” um assunto destes, ainda mais com alguém que não teria papel algum a 
desempenhar?
Mais: as medidas provisórias mencionadas não criavam nenhum benefício fiscal a montadoras de 
veículos que se instalassem no Norte, Nordeste e Centro Oeste, apenas prorrogavam as vantagens 
criadas por Fernando Henrique Cardoso. Será que saindo de uma crise mundial (2009) e já ensaiando 
uma situação de crise nacional (2013) algum governo de bom-senso criaria embaraços à instalação 
de montadoras de veículos?
O proveito da prorrogação das isenções e diferimentos tributários era tão evidente em 2009 que a MP 
foi convertida em lei abaixo até dos aplausos da oposição.
Palocci, é claro, de novo não apresenta prova alguma do que diz. Quase todas as conversas que relata 
com Lula teriam sido a sós, a dois, sem qualquer outro participante.
Mas uma coisa não se diga: Palocci pode ser mentiroso, mas caloteiro não é. Está pagando depressa 
a liberdade que lhe concederam como prêmio pelos serviços prestados à perseguição policial a Lula

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