sábado, 22 de dezembro de 2018

ENQUANTO COBRAVA TEU DIZIMO, DAMARES VOAVA COM O TEU DINHEIRO PELO BRASIL COMO PASTORA OTÁRIO !!


Dalmares Alves, dos seus 54 anos, mais da metade de sua vida adulta passou trabalhando no 
Congresso Nacional. (Foto: Reprodução do Youtube)
Por Marcelo Auler, em seu blog
Em algumas de suas muitas palestras e pregações religiosas, todas devidamente alardeadas nas redes 
sociais, notadamente no Youtube, a futura ministra da Mulher, Família e dos Direitos Humanos, 
Damares Regina Alves, reafirma com frequência que “as instituições piraram” e que “chegou o 
momento” de as igrejas evangélicas governarem o Brasil.
Há, no comentário, ainda que de forma indireta, críticas aos políticos de uma forma em geral.
Independentemente do seu direito constitucional de expor o que pensa e criticar, Damares pode estar 
sendo injusta, ao deixar no ar a possibilidade de um menosprezo à classe política. Injusta e, no 
mínimo, mal-agradecida.
Afinal, prestes a completar 54 anos no próximo dia 11 de março – nasceu 21 dias antes do golpe 
militar de 1964 – ela passou 19 anos, ou seja, mais da metade da sua vida adulta, convivendo e 
dependendo dos políticos.
OAB suspensa – Formada em Direito pela Universidade de São Carlos, no interior de São Paulo e, 
ao que consta, em Pedagogia – muito embora nunca tenham esclarecido por qual instituição de 
ensino -, seus últimos 19 anos foram vividos como assessora parlamentar. Função que acabou lhe 
ajudando a impulsionar o exercício “missionário de pastora evangélica”. O mesmo que hoje lhe 
permite afirmar que “chegou o momento” de as igrejas evangélicas governarem o Brasil.


Conforme registro da própria Câmara dos Deputados, a hoje pastora da Igreja Evangelho Quadrangular ingressou na função de assessora/secretária parlamentar em 1 de fevereiro de 1999, com 35 anos incompletos. Entrou no Legislativo, portanto, quatro meses antes de conquistar a Carteira da OAB nº 119.606, na subseção de São Carlos (SP), obtida em 1 de junho de 1993. Carteira, aliás, que segundo consta do site da OAB seccional de São Carlos, está suspensa, como mostra a ilustração ao lado, uma reprodução fotográfica editada da página da seccional de São Carlos da OAB-SP.
Na Câmara, foi assessorar o então deputado Josué Bengtson, do PTB do Pará. De lá para cá, transitou por outros seis gabinetes parlamentares. A partir de março de 2015, com o afastamento de Arolde Oliveira para ocupar uma secretaria no governo do Estado do Rio de Janeiro, bandeou-se para o gabinete do senador Magno Malta (PR-ES). Ali permaneceu até ser chamada pelo capitão eleito, Jair Bolsonaro, para ocupar o ministério que o senador capixaba imaginava seu.
Como fica claro no quadro abaixo, com dados oficiais das duas Casas Legislativas, Damares não tinha preferência política. Trabalhou com parlamentares de diversos partidos, ainda que não se possa especificar por este detalhe a ideologia dos mesmos.
Religião em comum – Um destes parlamentares, por exemplo, o ex-deputado Henrique Afonso, cuja base eleitoral é a região de Cruzeiro do Sul (AC), foi eleito vereador em 1997 pelo PCdoB. Em 1999 elegeu-se deputado federal pelo PT, no qual foi punido, em 2009, por votar contra a legalização do aborto. Acabou mudando para o PV junto com a então senadora Marina Silva, também do Acre e também evangélica.
Em comum estes parlamentares – com exceção de Celso Jacob, com quem Damares permaneceu um mês enquanto ele exerceu o mandato interinamente – tinham a opção religiosa. Todos são ligados às igrejas evangélicas, ainda que de denominações diferentes.

Bengtson e o Pastor Reinaldo são da Igreja do Evangelho Quadrangular, a mesma da futura ministra.
João Campos é pastor da Assembleia de Deus Vila Nova, em Goiânia (GO). Henrique Afonso 
pertence à Igreja Presbiteriana. Roberto de Lucena é da Igreja O Brasil Para Cristo (OBPC). Arolde 
de Oliveira ingressou no mundo evangélico pela Primeira Igreja Batista de Niterói. Sem falar de 
Magno Malta, pastor e cantor gospel.
Esta ligação em comum faz levantar dúvidas se Damares atuou como assessora parlamentar ou, 
usando do cargo conferido pelo legislativo, impulsionou sua carreira de pregadora e difusora do 
evangelismo. Logo ela passou a ser tratada como assessora jurídica da Frente Parlamentar 
Evangélica e da Frente Parlamentar em Defesa da Família e Apoio à Vida.
Isso possivelmente explique o fato de que, em 11 anos, entre agosto de 2007 e agosto deste ano 
(2018) o Blog tenha identificado nada menos do que 77 viagens para 18 dos 27 estados brasileiros. 
Viagens que normalmente partiram de Brasília onde oficialmente ela reside. Mas nem sempre os 
voos começaram pela capital.
Tudo a um custo para o chamado erário de R$ 51.242,60, apenas com passagens aéreas emitidas 
pelas cotas destes quatro parlamentares.


Trata-se de um levantamento incompleto. Basta notar que no Youtube há palestras dela, por exemplo, 
em Campo Grande (MS), estado para o qual não aparece qualquer viagem entre as relacionadas nas 
páginas da Câmara e do Senado.
Também não consta sua ida a Curitiba, em outubro de 2013, para pregações evangélicas, 
devidamente anunciadas no Facebook. Podem ter sido custeadas por terceiros. Mas não há como 
afirmar isso. Procurada, como se explicará abaixo, a pastora não retornou ao Blog.
Trabalho de Garimpagem – Pelo levantamento feito nos sites da Câmara e do Senado, neste período 
em que Damares assessorou deputados do Acre, São Paulo e Rio de Janeiro, além do senador do 
Espírito Santo, ela esteve em estados teoricamente sem nenhuma ligação com os parlamentares para 
os quais trabalhava. Consta que ela passou por Amazonas, Amapá, Bahia, Ceará, Goiás, Minas 
Gerais, Pará, Paraná, Paraíba, Pernambuco, Rio Grande do Norte e Sergipe.
Levantar estas viagens, na verdade, é um trabalho de garimpagem, que as casas legislativas não 
facilitam. Não existem dados agrupados de viagens de servidores. O que se encontra no site da 
Câmara, a partir de abril de 2007, são as especificações em torno das cotas dos parlamentares.
Entre elas estão despesas de passagens aéreas ou alugueis de locomoção (que pode incluir passagem 
ou aluguel de aviões) e emissão de bilhetes aéreos. Isto mês a mês. Em cada mês há o registro das 
passagens emitidas na cota do parlamentar. É preciso que se abra uma a uma para saber quem se 
beneficiou daquela passagem e qual o percurso feito. O site sequer diz a data da viagem, mas sim a 
da emissão do bilhete.


O Blog pesquisou apenas os parlamentares para os quais Damares trabalhou a partir de abril de 2009 (data disponibilizada pelo Portal de Transparência da Câmara). Não vistoriou outros deputados para verificar se houve, por exemplo, doações de passagens na condição de assessora da Frente Parlamentar Evangélica. O que, teoricamente, não seria permitido.
Escândalo das passagens – Em 2009, na formula de escândalo, veio a público o uso indevido dessas passagens aéreas por parlamentares. Muitos doavam. Alguns até vendiam passagens a terceiros, Entre os envolvidos estava Henrique Afonso, do Acre. Inclusive por 22 bilhetes aéreos emitidos em nome de Damares.
A denúncia levou as mesas das duas casas legislativa baixarem novas normas sobre o assunto. Na Câmara foram estipuladas no Ato da Mesa 43/2009. Ele impediu a distribuição de passagens a terceiros, mas ainda considerou legais bilhetes aéreos a conjunges e filhos. Admitiu ainda o reembolso das “despesas de funcionários a serviço: com passagens aéreas, terrestres, marítimas ou fluviais; com hospedagem; com locação ou fretamento de veículos, aeronaves e embarcações; com serviços de táxi; com pagamento de pedágio e estacionamento”.
Nada especificou sobre o serviço a ser feito pelo servidor. Nem o local onde ele poderia ocorrer.
Isso permitiu, por exemplo, que em fevereiro de 2009, o deputado Henrique Afonso, do Acre, usando sua cota parlamentar, emitisse um bilhete aéreo para Damares no percurso Brasília-Salvador-João Pessoa e outro de Recife para Brasília. Já em 12 de maio de 2010 a passagem emitida saía de Brasília como destino de Belém e Macapá. Sem qualquer especificação do serviço a ser feito nessas cidades pela sua assessora. Em 18 de novembro do mesmo ano, o bilhete emitido em nome da assessora/pastora foi para Manaus (AM) e Santarém (PA).
Apenas nestes deslocamentos o gasto da Câmara foi de R$ 1.944,48. Entre março de 2003 e maio de 2010, Damares consumiu R$ 12.509,54 em 24 passagens aéreas (algumas com mais de um trecho de voo) emitidas através da cota do parlamentar do PV/AC. Isto é, com dinheiro público.
Em fevereiro de 2011, já trabalhando para o deputado Roberto de Lucena, então no seu primeiro mandato como parlamentar do PV/SP, Damares teve mais dois bilhetes aéreos emitidos para Macapá. Respectivamente nos dias 10 (pela GOL) e 13 (pela TAM) de fevereiro. Só com estas passagens a Câmara desembolsou R$ 2.059,26. Há, porém, uma curiosidade. Enquanto a passagem da GOL era completa (Brasília-Macapá-Brasília), o bilhete da TAM foi apenas de retorno de Macapá a Brasília.
Ainda trabalhando para o deputado paulista que hoje é filiado ao Podemos, a pastora retornou a Rio Branco (AC). Foi em 27 de maio de 2011. As passagens de ida e volta consumiram R$ 1.716,69. Nos sete meses em que assessorou Lucena, 12 passagens aéreas foram emitidas pela cota do parlamentar para a assessora/pastora. Totalizaram R$ 8.215,26. De todos estes bilhetes, apenas metade teve como destino ou local de embarque aeroportos em São Paulo, estado que o político representa.

Bilhetes emitidos no recesso – No gabinete do deputado e pastor Arolde de Oliveira – hoje senador
eleito pelo PSD/RJ com a ajuda da família Bolsonaro -, Damares permaneceu 28 meses. Tempo 
suficiente para receber, ao menos, 24 bilhetes aéreos para variados pontos do país. Esteve, por 
exemplo, em cidades onde são desconhecidos os interesses políticos de Oliveira: Aracaju (SE), 
Salvador (BA), Curitiba (PR), Vitória (ES), Natal (RN) e Fortaleza (CE).
Bilhetes aéreos chegaram a ser emitidos no dia 26 de dezembro de 2014, uma sexta-feira em que o 
Congresso se encontrava em recesso de final de ano. Ainda assim duas passagens da GOL, entre os 
aeroportos Santos Dumont (RJ) e Guarulhos (SP) foram emitidas em seu nome. Quatro dias depois, 
em 30 de dezembro, o trecho entre o Rio e São Paulo foi recompensado, provavelmente por falta de 
uso. Por esses bilhetes retirados em nome da cota do deputado/pastor, a Câmara pagou para a 
assessora/pastora R$ 17.167,15.
Curiosamente, os três anos em que atuou como assessora do senador Magno Malta foi o período em 
que ocorreu o menor número de emissão de bilhetes aéreo. Pela cota do senador 12 bilhetes foram 
retirados em nome da assessora/pastora. Todos eles, sem exceção, passaram por Vitória, capital do 
estado que Malta representava na chamada Câmara Alta. Outras duas passagens emitidas destinavam-
se a viagens a serviço da CPI dos Maus Tratos. Na contabilidade desse período, o Senado bancou R$ 
10.522,63 em passagens que Damares utilizou pela cota parlamentar, o que não incluiu as viagens a 
serviço da CPI.
Perguntas sem respostas – Abaixo o Blog reproduz o quadro com os detalhes dos 77 bilhetes 
emitidos em nome da futura ministra, a pastora Damares, a partir da cota dos parlamentares com os 
quais ela trabalhou. Como especificado acima, os dados disponíveis no site da Câmara são apenas a 
partir de abril de 2007. Portanto, bilhetes retirados anteriormente não aparecem. As datas, no caso da 
Câmara dos Deputados, referem-se à emissão dos bilhetes e não obrigatoriamente aos dias das 
viagens.
Trata-se, também como já ressaltado, de um levantamento imperfeito. Há bilhetes que se referem 
apenas a uma perna da viagem. Não há referência de como a pastora chegou naquele destino ou dele 
saiu.
Durante a semana o Blog procurou ouvir a pastora para esclarecer estas e outras dúvidas. Mandou e-
mail e WhatsApp, sem merecer qualquer explicação. Na sexta-feira (21/12) o pedido foi reforçado 
com um WhatsApp para o assessor de imprensa. Apesar das promessas, novamente as explicações 
não foram dadas. Com isso, algumas perguntas importantes ficaram no ar. Abaixo transcrevemos 
trechos das mensagens encaminhadas com os pedidos de explicação:
“Vimos referencias de que a senhora se formou também em Pedagogia e que teria sido no Instituto 
de Estudos e Pesquisa do Vale do Acaraú, em Sobral (CE). Ali, porém, nos disseram que não consta 
a senhora como aluna e que a senhora pode ter estudado em alguma escola “conveniada”. A senhora 
realmente diplomou-se em Pedagogia? Onde? Quando?
(…) Nos chamou a atenção que alguns destes deslocamentos foram feitos apenas com uma perna, ou 
seja, a senhora aparece, por exemplo, com uma passagem retirada em 23 de abril de 2014 no 
percurso Natal-Fortaleza Galeão, sem que exista registro de como a senhora chegou a Natal. No dia 
18 de novembro de 2010 há a emissão de uma passagem de Brasília para Manaus e de lá para 
Santarém, sem nenhum registro das passagens de retorno. No dia 03 de dezembro de 2013 há a 
emissão de um bilhete de Vitória para o Santos Dumont, também sem registro de como a senhora 
chegou na capital capixaba. Independentemente desta questão de idas sem retorno ou retornos sem 
idas, há outra dúvida.
O que justificaria uma assessora de um deputado do Acre viajar para Manaus e Santarém?
Ou, a senhora, como assessora do deputado Arolde de Oliveira (PSD/RJ) viajar para Aracaju e 
Salvador (passagem emitida em 28/08/2012) ou ainda para Natal e Fortaleza (passagem emitida em 
23 de abril de 2014)?
Ou trabalhando para o deputado Roberto de Lucena (PODEMOS/SP) ir duas vezes a Macapá, uma 
vez a Curitiba, e ainda a Rio Branco (AC)?
Enfim, essas viagens teriam ocorrido a serviço da Frente Política Evangélica?
Há justificativas para viagens pagas com cotas de parlamentares para estados e cidades diferentes 
daquelas que elegeram o parlamentar que a senhora assessorava?
Verbas da Câmara teriam auxiliado nas pregações evangélicas?

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