Os bastidores da Operação da Polícia federal que fez busca no apartamento de Aécio Neves no
Leblon (Rio de Janeiro) marcam o ápice da blindagem judicial dedicada ao tucano; o ministro
Marco Aurélio Mello pediu parecer a Raquel Dodge sobre a investigação de Aécio no dia 11 de
setembro e só recebeu resposta da procuradora-geral no dia 28 de outubro, 45 dias depois e
com Aécio devidamente eleito deputado federal pelo estado de Minas Gerais.
Jornal GGN - A Polícia Federal enviou em 11 de setembro, antes da eleição, o pedido ao
Supremo Tribunal Federal para fazer uma operação de busca e apreensão em endereços
ligados a Aécio Neves (PSDB). Mas o ministro Marco Aurélio Mello só conseguiu despachar
nesta semana, porque precisou aguardar a manifestação da procuradora-geral da
República Raquel Dodge.
Segundo a coluna de Lauro Jardim, Dodge levou mais de 45 dias para se manifestar a favor
da operação. Deu tempo de Aécio se eleger deputado federal no dia 7 de outubro.
Quando quer, a procuradora-geral atua em tempo muito menor. Quando o desembargador
Rogério Favreto concedeu um habeas corpus em caráter liminar ao ex-presidente Lula - e
acabou desautorizado por uma ação orquestrada entre Sergio Moro e o próprio TRF-4 -
Dodge levou uma semana para denunciar Favreto e pedir a pena máxima ao magistrado: a
aposentadoria compulsória.
A coluna da jornalista Mônica Bergamo desta quarta (12) traz outra informação sobre a
PGR: a de que ela estaria disposta a destravar acordos de delação premiada, que foram
colocados "em banho-maria" desde que ela ascendeu ao cargo. Até aqui, a chefe do
Ministério Público Federal utilizou as delações herdadas de Rodrigo Janot para encaminhar
investigações.
"De acordo com pessoas familiarizadas com as conversas, o próximo ano pode ser, para o
PSDB, tão amargo quanto anos anteriores foram para o PT", anotou Bergamo.
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