quarta-feira, 21 de novembro de 2018

O espírito do FÓRUM SOCIAL MUNDIAL reencarna no Fórum da Clacso e pode ser ponto de inflexão nas lutas latino-americanas


No Blog do Rovai
O 1° Fórum Mundial do Pensamento Crítico, organizado pela Clacso, que acontece em Buenos Aires 
desde segunda-feira (19) e segue até o dia 22, resgata de forma impressionante o espírito do Fórum 
Social Mundial daquela primeira edição de 2001 na PUC-RS.
Naquele ano quem se deslocou para a capital gaúcha não tinha muito ideia do que ia ver ou viver. E 
foi tocado por uma instigante sensação de que mesmo vivendo dias duros, ainda éramos muitos e não 
tínhamos o direito de desistir.
O período deste 2018 é muito semelhante ao de 2001. Eram tempos de neoliberalismo e supremacia 
de governos conectados à politica americana. Havia uma sensação de derrota e desamparo em vários 
países. E o FSM reorganizou Ongs, sindicatos e movimentos.
O que acontece em Buenos Aires é diferente, mas essencialmente semelhante.
A base do encontro é muito mais de universitários, professores e cientistas sociais da América 
Latina, com destaque especial para os argentinos. Mas ao mesmo tempo a representação de políticos 
de diversos partidos do continente e as falas emocionantes e de resgate da memória dos tempos da 
ditadura criam um clima de que, no atual momento, é fundamental revisitar o passado para pensar o 
futuro.
No almoço de ontem conversei um pouco com o professor Boaventura de Sousa Santos acerca disso. 
Ele também estava surpreso de como o espírito do início do FSM está presente neste evento da 
Clacso.
A história costuma se repetir como farsa, como já disse um velho barbudo. Mas a farsa parece ser os 
governos latino-americanos que estão tentando fazer o continente voltar aos anos 70, 80 e 90. Os que 
estão começando a se reorganizar para derrotá-los parecem estar muito preocupados também em 
aprender com seus erros.
O próprio nome do evento da Clacso, pensamento crítico, coloca esta nova chave no jogo.
Já se sabe que um outro mundo é possível. Já se fez muito neste sentido em diversos países com 
governos progressistas nestes anos 2000. Mas é hora de pensar no que deu errado. E por que em 
tantos países a direita e a extrema direita avançou tanto.

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