segunda-feira, 19 de novembro de 2018

CHANCELER DIZ QUE BOLSONARO NÃO TEM AUTORIDADE PARA QUESTIONAR CUBA

O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, considerou inaceitável a 
manipulação política de programas humanitários por parte do presidente eleito do Brasil; em 
entrevista à Prensa Latina e Telesur, o chanceler cubano reiterou que toda a responsabilidade 
pela ruptura de Cuba com o Programa Mais Médicos recai sobre a atitude difamatória para 
com os médicos cubanos por parte do governo eleito.
Desmascarado: Bolsonaro, que hoje oferece ‘asilo’ a médicos 
cubanos, já tentou impedir que familiares deles trabalhassem 
no Brasil.
Granma - O ministro das Relações Exteriores de Cuba, Bruno Rodríguez, considerou inaceitável a 
manipulação política de programas humanitários por parte do presidente eleito do Brasil; em 
entrevista à Prensa Latina e Telesur, o chanceler cubano reiterou que toda a responsabilidade pela 
ruptura de Cuba com o Programa Mais Médicos recai sobre a atitude difamatória para com os 
médicos cubanos por parte do governo eleito."Insulta e surpreende que tenha chamado as médicas 
cubanas - que são até 60 por cento do pessoal -, de mulheres vestidas de branco, além da imposição 
de condições totalmente inaceitáveis que violentam os acordos firmados entre a Organização Pan-
Americana de Saúde, o Brasil e Cuba", afirmou. Também qualificou como indigna e inaceitável a 
referência de escravos ao pessoal médico.
Bruno Rodríguez destacou que no Brasil trabalham mais de oito mil médicos cubanos, 60 por cento 
dos quais são mulheres, todos especialistas de reconhecido prestígio, competência, probidade moral 
e compromisso social e humanitário.
"Estão em 2.885 municípios, que não são as cidades populosas, as praias do Rio de Janeiro ou as 
zonas residenciais de São Paulo ou Brasília, mas no norte semiárido, nos municípios rurais, em 
particular nos distritos indígenas, onde garantem a assistência a mais de 90 por cento dessa 
população", detalhou. A ideia de que 1.575 municípios só possuem médicos cubanos exemplifica o 
significado de nossa colaboração, apontou.
Em sua opinião, a decisão de dinamitar a colaboração de Cuba na saúde terá implicações dolorosas 
para milhões de familias de baixa renda às quais "expresamos toda a nossa solidariedade".
O ministro das Relações Exteriores de Cuba argumentou que o próximo governo do Brasil não tem a 
menor autoridade moral para questionar Cuba em nenhum aspecto, nem no da cooperação médica 
internacional nem no dos direitos humanos.
"É apologista da ditadura militar brasileira, supremacista, unilateralista, caracterizado por um 
programa racista e xenófobo, e alguns de seus integrantes mais destacados usaram frases terríveis 
como branquear a raça, o que é inaceitável para os povos de nossa América", alertou.
O diplomata rememorou como depois do golpe parlamentar e judiciário contra os presidentes Dilma 
Rousseff e Luiz Inácio Lula da Silva, produziu-se lamentavelmente uma reversão das políticas 
sociais no gigante sul-americano.
Pontuou que com o Programa Mais Médicos, se assegurou pela primeira vez na história do Brasil 
pessoal da saúde em 700 municípios e em cerca de 1.100 deles se assegurou 100 por cento de 
cobertura.
Mesmo nas circunstâncias mais difíceis, Cuba manteve sua participação, consciente de que aportava 
serviços às famílias que mais necessitavam, expressou.
Ao referir-se à atitude dos profissionais da saúde diante da ruptura do programa, Rodríguez 
manifestou que embora só tenham transcorrido poucas horas desde a publicação da declaração 
oficial, a reação dos médicos é muito favorável.
"Por um lado sentem dor, pensando nos pacientes que ficarão sem os seus serviços e com os quais 
estabeleceram laços profundos de carinho, mas ao mesmo tempo assumem com todo caráter a 
decisão tomada", assegurou.
"Já regressou o primeiro grupo nas últimas horas; sabem que seus serviços são extraordinariamente 
valorizados e reconhecidos no mundo inteiro, tanto pelo povo brasileiro como pelo nosso, porque são 
sumamente necessários em Cuba e em outros países", concluiu.

Nenhum comentário: